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Plásticos de engenharia: Corrida por carros mais leves conduz aos polímeros especiais

Maria Aparecida de Sino Reto
20 de janeiro de 2014
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    Entre as últimas novidades para o mercado brasileiro, Carla Camilo destaca um produto que atende aos novos apelos de sustentabilidade e é particularmente indicado na moldagem de autopeças: o Acrylite Hi-Gloss, um acrílico especial e desenvolvido para aplicações automotivas não transparentes. A chefe de produto sugere o seu uso em revestimento de colunas A, B e C externas dos veículos, retrovisores, lanternas, molduras de rádio e peças do painel. A executiva atribui à resina vantagens como alto brilho, isenção de pintura, maior leveza em comparação ao metal, economia na produção, altíssima resistência às intempéries e possibilidade de polimento. “A Acrylite Hi-Gloss oferece aparência particularmente luxuosa e superfície de alta qualidade aos componentes.”

    Plástico Moderno, Carla: novo acrílico de alto brilho oferece aparência luxuosa à peça

    Carla: novo acrílico de alto brilho oferece aparência luxuosa à peça

    As expectativas dos dois executivos da Evonik para 2014 são animadoras. Eles acreditam no crescimento da empresa e na melhora da economia em geral, apostando em resultados novamente positivos. Particularmente no Brasil, a realização da Copa do Mundo e as perspectivas de novas obras de infraestrutura devem, no entendimento deles, aquecer a economia.

    Perda de fôlego – O maior volume nas importações de componentes e de peças finais no setor de eletroeletrônicos, entre outros, e a perda da competitividade da indústria brasileira descompensaram o bom desempenho de mercados como os de bens de consumo e de automóveis, na avaliação do diretor da Solvay Plásticos de Engenharia para as Américas, Marcos Curti. “Os excedentes disponíveis no mercado internacional chegam ao Brasil de forma agressiva, reduzindo as margens de lucro locais e dificultando novos ciclos de investimento em capacidade e modernização”, lamenta. As projeções de crescimento para o ano eram de 5%, mas ele não acredita mais em alcançar esta meta por conta de um segundo semestre fraco. “O cenário do quarto trimestre aponta que esse número pode ser afetado.”

    A empresa consolidou os seus investimentos em expansão na Rhodia, acrescentando 20% à capacidade de produção de compostos de poliamidas no país. Curti não diz quanto representa esse número sozinho, informa apenas um total de 50 mil toneladas anuais, que inclui a polimerização da resina. O diretor também destaca que a integração das capacidades industriais, nos Estados Unidos, após a aquisição da Rhodia pelo grupo Solvay, deu maior versatilidade à produção de compostos na região.

    Com a tendência das montadoras de projetar veículos mais leves, sinônimo de economia de combustível e menos emissões, os produtos endereçados à substituição de metais puxam o crescimento das aplicações de poliamida. Curti acredita que assim também deva permanecer no próximo ano. “Faz parte de um dos eixos de inovação mais importantes na área de plásticos de engenharia, em especial para o setor automotivo, embora possam ser aplicadas em outros segmentos de mercado”, relata.

    Ele explica que os compostos de poliamida possuem propriedades mecânicas e térmicas que permitem substituir o metal, mantendo as exigências e requisitos técnicos em diversas aplicações. Uma ampla linha de compostos produzidos pela Rhodia, todos comercializados sob a marca Technyl, tem por endereço a moldagem de componentes e autopeças. Para desenvolver essas inovações, a empresa oferece aos clientes um serviço de simulação – o MMI Technyl. “Essa tecnologia é associada a um banco de dados de materiais extremamente abrangente e permite uma alta gama de cálculos quando integrada à modelagem do processo de injeção”, explica Curti, que assegura uma previsão precisa do desempenho de peças injetadas produzidas com os seus compostos de PA, que possuem como requisitos principais resistência ao impacto e à fadiga.

    Sem dificuldades – Para o gerente de marketing e vendas de plásticos de engenharia para a América do Sul da Basf, Eliandro Felipe, o mercado de plásticos de engenharia se descolou do crescimento em relação ao PIB brasileiro e avançou mais aceleradamente, impulsionado pela produção automobilística. Fato que contribuiu para que a empresa não enfrentasse, segundo Felipe, qualquer problema nos negócios neste ano. “A Basf crescerá este ano aproximadamente 20% em vendas de plásticos de engenharia, em comparação ao ano anterior; bem acima de qualquer indicador econômico”, informa. Embora sejam as montadoras a mola propulsora do setor, Felipe atribui o crescimento das vendas também aos mercados de construção, de eletroeletrônicos e industrial. E seu otimismo avança para o próximo ano, com projeções de manter o crescimento em plásticos de engenharia na casa dos dois dígitos.

    Também nos negócios da Basf as poliamidas ocuparam lugar de destaque. Entre os principais produtos comercializados este ano, o gerente menciona os compostos de PA 6 (marca Mazmid), produzidos pela empresa no país e especialmente destinados a aplicações industriais e automotivas, e os compostos de PBT (marca Ultradur), apropriados para a produção de componentes eletroeletrônicos e de cabos de fibra óptica.

    Também a Basf se empenhou no desenvolvimento de materiais plásticos para substituir os metais e os sistemas Ultracom, lançados mundialmente este ano. Como pormenoriza o gerente, os sistemas são fruto da combinação de três elementos: peças semiacabadas baseadas em compostos de PA com fibras contínuas, de altíssimo desempenho mecânico; compostos de PA sobreinjetados, para a obtenção da peça final na forma desejada; e suporte de engenharia necessário ao desenvolvimento da peça final. “Foram desenvolvidos para substituir metais em peças estruturais automotivas, nas quais os compostos tradicionais de PA com fibras de vidro curtas e/ou longas não são capazes de entregar a rigidez, a resistência mecânica e a resistência à fadiga suportadas pelas peças metálicas”, explica. Não há dúvidas quanto à principal vantagem do material: redução de peso nos veículos, o que redunda na economia de combustível, que implica maior eficiência energética e redução de emissões de dióxido de carbono. “Vemos aqui um grande potencial de aplicação com o Inovar-Auto”, comemora.



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