Plástico

Plásticos de engenharia: Aplicações especiais orientam a criação de novos materiais

Jose Paulo Sant Anna
29 de dezembro de 2017
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    Plástico Moderno, Coletor de ar e duto para o lado quente do Alfa Romeo Giulia são feitos com PA Ultramid Endure

    De próteses dentárias a peças para motores de automóveis. De embalagens flexíveis com características muito sofisticadas a peças da fuselagem de aviões. De materiais indicados para equipamentos médicos a próteses mais leves e de melhor absorção pelos pacientes. De itens para equipamentos agrícolas a partes de uma impressora 3D presente na estação espacial da NASA. O uso a cada dia mais intenso de materiais plásticos em situações há alguns anos inimagináveis impressiona.

    O fenômeno se deve, em grande parte, aos trabalhos de pesquisa e desenvolvimento realizados pelos principais fornecedores de materiais especiais e de plásticos de engenharia, nomes como o da brasileira Braskem ou os dos grupos internacionais Solvay, Basf, Lanxess, UBE e Radici. Não raro, esses avanços são feitos para resolver demandas específicas e realizados em parceria com clientes e fornecedores de aditivos. O esforço vale a pena. Para cada nicho de mercado atendido, os lucros obtidos a partir dos investimentos em tecnologia são muito positivos.

    No Brasil, o surgimento de novas aplicações tem compensado em parte a queda nas vendas desses polímeros ocorrida nos últimos anos por conta da crise econômica. Substituição de outros materiais à parte, para os fornecedores, de forma unânime, há a perspectiva otimista de que ocorra nos próximos meses o reaquecimento dos negócios, ainda que em bases tímidas. Ninguém arrisca números e todos torcem por um período de tranquilidade no clima político, para que surjam ventos favoráveis capazes de elevar a confiança dos empresários.

    Nesse segmento de mercado, uma notícia de caráter mundial ganhou destaque em setembro. O Grupo Solvay acertou a venda de seus negócios de poliamida 6.6 para a Basf por € 1,6 bilhão. O negócio ainda depende de aprovação por parte dos órgãos regulatórios dos países envolvidos e tem previsão de ser completado até o terceiro trimestre de 2018. Até lá, o grupo Solvay continua sendo o responsável pela produção desta resina em todas as plantas que têm no mundo, inclusive a brasileira (veja mais detalhes sobre a transação no boxe). O grupo Solvay, a partir da concretização do negócio, irá se dedicar totalmente ao desenvolvimento de polímeros especiais.

    No espaço – A colaboração da Braskem para esse nicho de mercado é a linha Utec, polietileno de ultra alto peso molecular (PEUAPM), produto considerado de alto desempenho por combinar propriedades técnicas como leveza, excelente resistência ao desgaste por abrasão, altíssima resistência ao impacto e baixo coeficiente de atrito, o que o torna antiaderente e auto lubrificante. “É um produto quase totalmente inerte, resiste a enorme variedade de substâncias químicas”, acrescenta Nayara Floresta, gerente comercial de Utec.

    Essas características fazem desse polímero excelente opção como revestimentos ou peças acabadas para diversos setores industriais, tais como indústria automobilística, mineração, papel e celulose, agrícola, naval e máquinas em geral. “Há outras aplicações, além de revestimentos, que já são exploradas em outros países, casos dos separadores de baterias, tubos para transporte de fluidos abrasivos, fios de alta resistência e outras”.

    Entre os vários projetos feitos com o produto, um chama a atenção. O Utec foi utilizado pela Made in Space, empresa norte-americana fornecedora da NASA e voltada para o desenvolvimento de impressoras 3D que operem em gravidade zero. O material está presente em componentes de uma impressora 3D utilizada atualmente pelos astronautas na Estação Espacial Internacional para confeccionar peças de reposição e ferramentas usadas no dia a dia pelos astronautas.

    As peças impressas em 3D são feitas com outro produto da Braskem, o Plástico Verde – polietileno obtido com etileno gerado pela desidratação do etanol de cana-de-açúcar. “O Utec foi escolhido para ser o material da base da impressora, por não se deformar quando fundido, além de ter uma boa aderência ao polietileno verde, evitando que a peça se desloque na base enquanto está sendo produzida”, explica a gerente.

    Plástico Moderno, Savvides: especiais superam os plásticos de engenharia usuais

    Savvides: especiais superam os plásticos de engenharia usuais

    Foco nos especiais – O fornecimento de polímeros especiais se tornará em breve o principal foco de atuação do Grupo Solvay para esse mercado. Esses polímeros são voltados para aplicações que demandam elevada resistência mecânica, elétrica, térmica, química e baixa permeabilidade. “Eles são indicados sempre que esses requisitos não puderem ser atendidos pelos plásticos de engenharia”, explica Andreas Savvides, diretor de vendas e marketing da Solvay Specialty Polymers na América do Sul.

    As principais famílias são as dos polímeros aromáticos, fluoropolímeros, fluoroelastômeros e polímeros de alta barreira. “Para eles existem centenas de aplicações em dezenas de mercados distintos. As principais, no mercado brasileiro, são automotivas, aeronáuticas, embalagens para alimentos, blister para medicamentos, bens de consumo e industriais, petróleo & gás”. Um material recém-lançado é o PVDF com resistência à temperatura elevada a 150ºC. Ele é indicado, por exemplo, para produção dos chamados risers-umbilicais, cabos enormes e ultrarresistentes utilizados na exploração e produção de petróleo. “Suas características o tornam a melhor solução disponível na indústria para utilização em ambientes do pré-sal”.

    Existem várias apostas do grupo para aumentar sua participação no mercado nos próximos anos. Um exemplo na área de saúde é o PEEK, indicado para substituição de metais em implantes, estojos e instrumentação cirúrgica. Também podem ser mencionados os filmes semiacabados, destinados, principalmente, aos mercados industriais. Materiais cristalinos, casos do PPS e PPA, passaram a ser oferecidos recentemente com cargas de fibras longas, o que os torna mais resistentes e com melhor desempenho em várias aplicações automotivas e de bens de consumo.

    Plástico Moderno, Caixa de materiais cirúrgicos feita de PEEK suporta as esterilizações

    Caixa de materiais cirúrgicos feita de PEEK suporta as esterilizações

    Na área de plásticos de engenharia, que continua a ser gerida pela empresa até a concretização do negócio com a Basf, foi lançada recentemente a nova poliamida Technyl REDx. De acordo com a empresa, ela é dotada com “molécula inteligente” e indicada para peças de alta exigência térmica, em especial para peças de motores automobilísticos de nova geração.



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