Plástico

Plásticos – Avanço do PIB anima transformação – Perspectivas 2020

Jose Paulo Sant Anna
27 de fevereiro de 2020
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    Para o presidente da Abiplast, a partir do momento em que houver menos materiais plásticos no meio ambiente, resultado desses avanços em toda a cadeia de produção e consumo, a percepção da imagem do plástico será mais positiva e os benefícios advindos da reciclagem estarão em maior evidência para a sociedade. “Por essa razão, é necessário ampliarmos a discussão sobre resíduos encontrados inadequadamente no meio ambiente para uma visão mais sistêmica e estrutural”.

    Os bons resultados no futuro não dependem apenas do setor. “É preciso ampliar sistemas de coleta seletiva e logística reversa, haver maior engajamento da sociedade no descarte correto, maior disponibilidade de resíduos, maior valorização do material reciclado, desoneração tributária da cadeia de reciclagem e desenvolvimento de produtos com maiores índices de reciclabilidade”. Essas medidas exigem investimentos em inovação, qualidade e normalização de produtos, entre outros aspectos.

    A Economia Circular será tema de um grande evento a ser lançado esse ano pela Abiplast. “Queremos nos consolidar como a interlocutora principal do tema”. A associação também dará continuidade à promoção da Rede de Cooperação para o Plástico, iniciativa que conta hoje com 46 empresas ligadas a todos os elos da cadeia produtiva do plástico, com o objetivo de aumentar a reciclabilidade das embalagens plásticas e a oferta de resíduos plásticos para a reciclagem.

    Outra iniciativa tomada pela entidade foi a assinatura de um termo de cooperação com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para levar a lógica de Economia Circular para as políticas públicas. “O foco do trabalho conjunto é identificar e difundir soluções para a reinserção de resíduos plásticos no processo produtivo”.

    Plástico Moderno - Desempenho da transformação de plásticos em 2019

    Desempenho da transformação de plásticos em 2019

    Máquinas e equipamentos nacionais – A expectativa dos fabricantes nacionais de máquinas e equipamentos para a indústria do plástico é bastante otimista. “Todos os números indicam que estamos entrando em um cenário diferente, acredito muito em um ano bastante positivo”, defende Amilton Mainard, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para a Indústria do Plástico da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

    Para o dirigente, os resultados de 2020 serão melhores do que os obtidos no ano passado. “Nossas vendas cresceram 10% em 2019”, informa. Apesar de parecer excepcional, o resultado não chega a entusiasmar. “Os negócios no triênio 2016/2018 foram muito ruins, o sarrafo estava muito baixo”. As vendas ainda estão distantes das alcançadas em 2014. “Acho que aquele patamar não volta mais, é coisa do passado. Hoje a realidade é diferente”.

    Mainard destaca o comportamento do mercado interno como fundamental para a melhora dos resultados. Para ele, o interesse dos transformadores brasileiros se baseia em grande parte no avanço da tecnologia, aspecto bastante importante para impulsionar as vendas. Mesmo com os clientes trabalhando com capacidade ociosa elevada, a necessidade de substituir máquinas antigas por outras mais modernas, que proporcionam maior produtividade e economia de energia, além de permitir às empresas investir na indústria 4.0, soa como algo inadiável para quem quer se manter competitivo no mercado.

    “Nosso parque industrial tem máquinas com mais de 20 anos, em média. Algumas ainda continuam operacionais, mas muitas estão se tornando obsoletas. Manter uma máquina antiga requer custo muito maior e proporciona perda de competitividade”. Esse fenômeno deve atingir empresas de todos os segmentos da indústria. “É difícil individualizar, o fenômeno atinge a todos os setores, como o alimentício, farmacêutico, automobilístico e outros”.

    Em relação às exportações, nem mesmo o atual patamar do dólar, que esse ano se valorizou de maneira significativa em relação ao real, conseguiu compensar a queda nas vendas proporcionada pela crise econômica vivida por países vizinhos, como Argentina e Chile, alguns dos principais compradores de máquinas nacionais. “Nossas exportações caíram em torno de 30%”. O caso mais alarmante é o da Argentina, um cliente preferencial dos nossos fabricantes. “As vendas para a Argentina caíram entre 40% e 45%”. O dirigente acredita que esse ano esse quadro possa começar a se reverter. “Estamos acompanhando de perto o que tem acontecido na Argentina, esse ano teremos uma feira de plástico por lá e acho que possa se iniciar uma retomada”.

    A alta do dólar, no entanto, proporcionou maior competitividade das máquinas brasileiras em outras regiões. “O aumento das compras feito pelo mercado norte-americano foi importante e compensou em parte as perdas junto aos países vizinhos. O mercado europeu anda estagnado e estamos em ascensão no mercado asiático, com bons resultados em países como Tailândia, Índia e Turquia”. Um fato merece ser ressaltado. “É preciso lembrar que a indústria de máquinas nacionais também importa muitos componentes, o que neutraliza em parte as vantagens obtidas com a variação da moeda”. Para ele, a conquista de novas fronteiras reforça a qualidade do produto nacional. “Temos tecnologia para competir de igual para igual com os melhores fabricantes do mundo”, garante.



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