Plásticos – Avanço do PIB anima transformação – Perspectivas 2020

Plástico Moderno - Plásticos - Avanço previsto do PIB anima transformação, com destaque para aumento da reciclagem - Perspectivas 2020

Avanço previsto do PIB anima transformação, com destaque para aumento da reciclagem

Entre as empresas que trabalham com a transformação do plástico, a expectativa para 2020 é positiva. Para representantes dessas empresas, a aprovação da reforma da previdência, o possível avanço das reformas tributária e administrativa, os índices baixos de juros, a inflação controlada e a redução do desemprego, ainda que discreta, são fatores que podem colaborar com o crescimento do PIB mais vigoroso do que o ocorrido nos últimos anos. Em outras palavras, a sonhada retomada dos investimentos em produção. Para os empresários, também é forte a expectativa pela redução da temperatura dos embates políticos. O calor dos debates entre os representantes eleitos pelo povo não tem colaborado em nada com o desempenho da economia nos últimos anos.

Plástico Moderno - Roriz: Economia Circular é prioridade para o setor
Roriz: Economia Circular é prioridade para o setor

Trata-se de um entusiasmo discreto, não se pensa em números grandiosos. “A projeção para 2020 é que o setor plástico cresça aproximadamente 1,5% em produção física”, estima José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), torcedor do avanço das reformas tributária e administrativa. “Essas reformas afetam de maneira positiva o ambiente dos negócios, permitem um cenário mais promissor para o empresariado”.

Ele justifica o fato do crescimento esperado ser tímido como reflexo do momento difícil pelo qual passa a indústria brasileira. “De janeiro a novembro de 2019, a produção física de transformados plásticos registrou recuo de 1,6% em relação ao mesmo período do ano anterior”, informa. Os números são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dirigente explica que os dados de produção e consumo de transformados plásticos de janeiro a dezembro serão concluídos em breve. “Estimamos que o ano tenha fechado com desempenho estável ou com ligeiro crescimento em relação a 2018”.

Os resultados até novembro decepcionaram. “No início de 2019, os transformadores estavam otimistas, esperava-se pela melhora do cenário competitivo”. Para Roriz Coelho, o ritmo tímido adotado para a aprovação das reformas atrapalhou. “A velocidade não tem sido a esperada, os projetos precisam seguir os ritos constitucionais previstos, vide a reforma da previdência, aprovada praticamente no final do ano”.

Conforme os dados de produção física do IBGE, nichos do setor de transformação tiveram desempenhos diferenciados de janeiro a dezembro. Entre os segmentos de produtos plásticos, somente o de laminados sofreu redução (-2,6%). Embalagens (+2%) e acessórios para construção (+5%) apresentaram resultados positivos. Nos principais mercados consumidores de laminados, sofreram quedas de artigos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (-3,7%) e de produtos farmacêuticos (-3,7%).

No período, houve aumento de 2,2% no consumo de embalagens plásticas, acompanhando a evolução dos setores alimentício (+1,6%) e de bebidas (+4%).

A balança de pagamentos do setor apresentou déficit, tanto em volume produzido (4,5%), quanto em valores (14,7%). “Esse tem sido um comportamento histórico nos últimos anos”, disse Coelho, que projeta déficit ainda maior para 2020, que poderá fechar em US$ 2,7 bilhões. No ano, foram exportadas 281,1 mil toneladas de peças plásticas, com crescimento de 0,9% em relação a 2018. As exportações representaram US$ 1,07 bilhão no período (+0,9%). No caso das importações, o total no ano foi de 771,1 mil t, com crescimento de 3,2% frente a 2018. Em divisas, as compras externas representam US$ 3,5 bilhões. Ao todo, o setor registrou déficit de 490 mil t e US$ 2,5 bilhões. Os dados são do Comex Stat do Ministério da Economia.

Reciclagem – A preocupação ambiental passou a ser componente a considerar de forma indispensável para a indústria de transformação do plástico. Não existem dados oficiais em relação a esse nicho de negócios, mas o sentimento é que em 2020 continuarão a ganhar corpo os investimentos para a adoção da prática de Economia Circular, conceito de esgotar as possibilidades de utilização dos produtos e de reaproveitamento ao máximo das matérias-primas. O conceito está sendo difundido globalmente e gera movimentações nos processos produtivos de inúmeros setores e no comportamento dos consumidores.

“A reciclagem do plástico não se apresenta mais como um nicho de negócios, mas como parte fundamental para que essa circularidade da produção se concretize”, avalia Roriz Coelho. Para dar ideia da importância dada à reciclagem pela indústria do plástico, o dirigente lembra que o número de empresas do ramo subiu de 481, em 2007, para 1.061 em 2017. A crise econômica não tem ajudado, mas o potencial desse mercado, caso ocorra a retomada da economia nos próximos anos é enorme. “O plástico, sendo um material transversal e utilizado em mais de 95% da matriz industrial, é indutor das inovações e deve estar na vanguarda das transformações para impulsionar todas as indústrias. A inovação dos demais setores passa pela inovação do plástico e seus produtos”.Para o presidente da Abiplast, a partir do momento em que houver menos materiais plásticos no meio ambiente, resultado desses avanços em toda a cadeia de produção e consumo, a percepção da imagem do plástico será mais positiva e os benefícios advindos da reciclagem estarão em maior evidência para a sociedade. “Por essa razão, é necessário ampliarmos a discussão sobre resíduos encontrados inadequadamente no meio ambiente para uma visão mais sistêmica e estrutural”.

Os bons resultados no futuro não dependem apenas do setor. “É preciso ampliar sistemas de coleta seletiva e logística reversa, haver maior engajamento da sociedade no descarte correto, maior disponibilidade de resíduos, maior valorização do material reciclado, desoneração tributária da cadeia de reciclagem e desenvolvimento de produtos com maiores índices de reciclabilidade”. Essas medidas exigem investimentos em inovação, qualidade e normalização de produtos, entre outros aspectos.

A Economia Circular será tema de um grande evento a ser lançado esse ano pela Abiplast. “Queremos nos consolidar como a interlocutora principal do tema”. A associação também dará continuidade à promoção da Rede de Cooperação para o Plástico, iniciativa que conta hoje com 46 empresas ligadas a todos os elos da cadeia produtiva do plástico, com o objetivo de aumentar a reciclabilidade das embalagens plásticas e a oferta de resíduos plásticos para a reciclagem.

Outra iniciativa tomada pela entidade foi a assinatura de um termo de cooperação com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para levar a lógica de Economia Circular para as políticas públicas. “O foco do trabalho conjunto é identificar e difundir soluções para a reinserção de resíduos plásticos no processo produtivo”.

Plástico Moderno - Desempenho da transformação de plásticos em 2019
Desempenho da transformação de plásticos em 2019

Máquinas e equipamentos nacionais – A expectativa dos fabricantes nacionais de máquinas e equipamentos para a indústria do plástico é bastante otimista. “Todos os números indicam que estamos entrando em um cenário diferente, acredito muito em um ano bastante positivo”, defende Amilton Mainard, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para a Indústria do Plástico da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Para o dirigente, os resultados de 2020 serão melhores do que os obtidos no ano passado. “Nossas vendas cresceram 10% em 2019”, informa. Apesar de parecer excepcional, o resultado não chega a entusiasmar. “Os negócios no triênio 2016/2018 foram muito ruins, o sarrafo estava muito baixo”. As vendas ainda estão distantes das alcançadas em 2014. “Acho que aquele patamar não volta mais, é coisa do passado. Hoje a realidade é diferente”.

Mainard destaca o comportamento do mercado interno como fundamental para a melhora dos resultados. Para ele, o interesse dos transformadores brasileiros se baseia em grande parte no avanço da tecnologia, aspecto bastante importante para impulsionar as vendas. Mesmo com os clientes trabalhando com capacidade ociosa elevada, a necessidade de substituir máquinas antigas por outras mais modernas, que proporcionam maior produtividade e economia de energia, além de permitir às empresas investir na indústria 4.0, soa como algo inadiável para quem quer se manter competitivo no mercado.

“Nosso parque industrial tem máquinas com mais de 20 anos, em média. Algumas ainda continuam operacionais, mas muitas estão se tornando obsoletas. Manter uma máquina antiga requer custo muito maior e proporciona perda de competitividade”. Esse fenômeno deve atingir empresas de todos os segmentos da indústria. “É difícil individualizar, o fenômeno atinge a todos os setores, como o alimentício, farmacêutico, automobilístico e outros”.

Em relação às exportações, nem mesmo o atual patamar do dólar, que esse ano se valorizou de maneira significativa em relação ao real, conseguiu compensar a queda nas vendas proporcionada pela crise econômica vivida por países vizinhos, como Argentina e Chile, alguns dos principais compradores de máquinas nacionais. “Nossas exportações caíram em torno de 30%”. O caso mais alarmante é o da Argentina, um cliente preferencial dos nossos fabricantes. “As vendas para a Argentina caíram entre 40% e 45%”. O dirigente acredita que esse ano esse quadro possa começar a se reverter. “Estamos acompanhando de perto o que tem acontecido na Argentina, esse ano teremos uma feira de plástico por lá e acho que possa se iniciar uma retomada”.

A alta do dólar, no entanto, proporcionou maior competitividade das máquinas brasileiras em outras regiões. “O aumento das compras feito pelo mercado norte-americano foi importante e compensou em parte as perdas junto aos países vizinhos. O mercado europeu anda estagnado e estamos em ascensão no mercado asiático, com bons resultados em países como Tailândia, Índia e Turquia”. Um fato merece ser ressaltado. “É preciso lembrar que a indústria de máquinas nacionais também importa muitos componentes, o que neutraliza em parte as vantagens obtidas com a variação da moeda”. Para ele, a conquista de novas fronteiras reforça a qualidade do produto nacional. “Temos tecnologia para competir de igual para igual com os melhores fabricantes do mundo”, garante.

Plástico Moderno - Mendes: crédito farto e mais barato ajuda a ampliar vendas
Mendes: crédito farto e mais barato ajuda a ampliar vendas

Máquinas e equipamentos importados – As perspectivas para 2020 entre os importadores de máquinas são boas. “A taxa de juros está no nível mais baixo da história, o que significa dinheiro com custo mais baixo. Empreendedores e empresários com mais acesso ao crédito e com crédito mais barato, juntamente com algumas reformas do governo, como a da previdência e a tributária, são dados que motivam investimentos. Como existe demanda reprimida, este pode ser um ano de mais investimentos significativos para o setor”, informa Christopher Mendes, diretor responsável pelos equipamentos para a indústria de plástico da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos (Abimei), que conta em torno de 70 associados.

Mendes conta que o ano de 2019 foi desafiador. Um novo governo tomou posse e havia expectativa de muitas mudanças. “O ano se encerrou com crescimento baixo, muitas fábricas continuam ociosas e com demanda de investimentos reprimida”. Ainda não saíram os números fechados de 2019 com os resultados colhidos pelos associados da entidade, mas a expectativa é de estabilidade. “Devido ao baixo crescimento da economia, a estimativa é que as vendas se mantiveram no mesmo patamar de 2018”, calcula.

Mainard, da Abimaq, lamenta as dificuldades dos compradores de máquinas nacionais na hora de obter financiamentos, o que reduz a competitividade perante os importados. “Máquinas alemãs e italianas são oferecidas por aqui com facilidades que os fabricantes nacionais não conseguem oferecer. O BNDES está inoperante”, queixa-se. Para o representante da Abimaq, os fabricantes chineses, fortes concorrentes em especial no campo das injetoras, perderam espaço nos últimos tempos. “Eles não oferecem a qualidade e a assistência técnica dos fabricantes nacionais”, afirma.

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