Plástico

Plástico Verde – Em prol da saúde do Planeta, a indústria do plástico injeta recursos em fontes renováveis

Maria Aparecida de Sino Reto
15 de dezembro de 2009
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    unidade no polo”, comemora Leonora. Segundo ela, nos próximos meses, serão adicionadas as tubulações e também outros equipamentos que permitirão o processo de conversão do etanol em eteno “verde”, mediante uma reação de alta temperatura e pressão.

    Se tudo correr conforme programado, a planta entra em operação no último trimestre de 2010. Os recursos destinados ao projeto somam aproximadamente R$ 500 milhões e asseguram linhas diferenciadas de produtos, que já conquistaram, antecipadamente, alguns contratos de fornecimento. Brinquedos Estrela, Shiseido, Petropack, Johnson & Johnson, Acinplas e Tetra Pak já fecharam negócios com a Braskem.

    A empresa argentina Petropack, atuante na área de filmes flexíveis, pretende empregar a resina verde em toda a sua linha de produção. A Tetra Pak aplicará o novo polímero na fabricação de tampas e lacres. Em volume equivalente a 5% de sua demanda total de polietileno de alta densidade, a conhecida empresa de embalagens longa vida irá adquirir 5 mil toneladas anuais da resina obtida de fonte renovável.

    A fábrica de Triunfo deverá entrar em operação com cerca de 70% da capacidade já contratada, mesmo com o pagamento de prêmio, um adicional no preço. “Graças à sua origem renovável, o PE verde agrega valores sustentáveis aos produtos com ele elaborados”, justifica Leonora. Na avaliação dela, as resinas fabricadas pela rota alcoolquímica são competitivas em termos de custos e comercialização, nos cenários atuais de economia, tecnologia e legislação, com a cotação do petróleo acima de US$ 45 o barril.

    A Braskem divulgou recentemente ter identificado demanda de 600 mil toneladas anuais para o PE verde. As projeções alentadoras levaram a empresa a cogitar a hipótese de construir uma segunda fábrica pela rota alcoolquímica, em escala mundial, entre 350 mil e 450 mil toneladas anuais, antes mesmo de viabilizar a produção de PP ou PVC via etanol.

    A propósito, a empresa divulgou nota informando sobre nova parceria com a Novozymes, considerada líder mundial na produção de enzimas industriais, no campo de estudos para o desenvolvimento de polipropileno também com base na cana-de-açúcar.

    A intenção da Braskem e da Novozymes é desenvolver uma alternativa verde para o polipropileno, baseada na tecnologia de fermentação da Novozymes e na expertise da Braskem em processos químicos e termoplásticos. Os resultados iniciais são esperados em prazo mínimo de cinco anos.

    Segundo dados da Braskem, o polipropileno é a segunda resina termoplástica mais utilizada em âmbito mundial: o consumo atingiu 44 milhões de toneladas, em 2008. O mercado é estimado em US$ 66 bilhões, com um crescimento anual de 4%.

    A Novozymes já é parceira da Braskem na produção de enzimas para transformar resíduos agrícolas em biocombustíveis avançados e firmou acordo também para fazer ácido acrílico com matérias-primas renováveis.

    Em prol do álcool – Em décadas passadas, a falta de competitividade do álcool em relação à nafta petroquímica levou a indústria a deixar de lado a biotecnologia e optar pela nafta. O setor acredita que não corre mais tais riscos, mesmo perante as oscilações no preço do petróleo.

    Carlos: o volume de produção inicial ainda não foi definido

    A finitude do insumo fóssil, a preocupação global com as emissões no meio ambiente e a larga escala que alcançou a atual produção brasileira de álcool conferem às indústrias segurança para investir nos projetos baseados no bioetileno.

    “O preço do petróleo nunca mais será de 20 dólares o barril; há sustentabilidade da rota”, pondera Carlos, da Solvay. Ele ainda lembra que, diferente dos dias atuais, a competitividade do etanol no final da década de 70 e início da de 80 se sustentava em subsídios governamentais (programa Proálcool). Na opinião dele, o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes e alternativas aumenta a disponibilidade de energia e etanol a custos mais atraentes. “A sustentabilidade desta rota, sobretudo no Brasil, é uma das principais vantagens e, no caso da Solvay, é também uma decisão estratégica, pois nos permite aumentar a capacidade sem depender da rota petroquímica”, declara.

    Além de oferecer insumos baseados em fontes renováveis, a rota alcoolquímica embute outro benefício de peso: “O carbono que compõe um polímero produzido com base no etanol procede da atmosfera, enquanto o da rota petroquímica veio do subsolo; ao final do ciclo de vida, o carbono emitido pelo primeiro não será adicional ao que existia na atmosfera antes do polímero ser produzido, bem diferente do caso da resina obtida do petróleo”, compara Carlos.

    Leonora valoriza igualmente a contribuição da resina de origem alcoolquímica para a captura de carbono do ambiente. “Os esforços da Braskem para o desenvolvimento sustentável estão alinhados com os conceitos da economia de baixo carbono, que valoriza iniciativas e negócios de baixa emissão como forma de colaborar na redução dos efeitos de mudança climática.” Ela ainda lembra outro ponto a favor das resinas ditas verdes: o fato de esses produtos possuírem as mesmas características dos de origem



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