Compósitos

Plástico reforçado: Qualidade e produtividade elevadas permitem disputar aplicações mais rentáveis

Domingos Zaparolli
3 de janeiro de 2015
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    A pultrusão é um processo contínuo de fabricação de perfis de plástico, em que a massa de fibras de vidro impregnadas por resinas termofixas com cargas e aditivos é puxada através de um molde de aço pré-aquecido, no qual se dá o processo de polimerização. O material pultrudado é 75% mais leve que o aço e 30% mais leve que o alumínio, é imune à corrosão e tem alta resistência química, térmica e elétrica. A resistência mecânica pode ser comparada ao do aço. Mas é aí que pecam muitos dos fabricantes brasileiros, na avaliação de Rodrigues, por não investirem na garantia da qualidade de seus produtos. “Nosso diferencial é justamente o desenvolvimento da engenharia de cada produto, estudando a necessidade de cada mercado, realizando os cálculos estruturais necessários e só disponibilizando o produto final depois de devidamente testado e aprovado”, diz. Entre os segmentos de mercado que a companhia aposta crescer nos próximos anos estão o de estruturas e telhas para fechamento de galpões, estruturas e painéis para torres de resfriamento de água, escadas, guarda-corpos, plataformas, postes para eletrificação, bandejamento elétrico e telas protetoras.

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    Matérias-primas – A produção de compósitos envolve toda uma cadeia de fornecedores de resinas, adesivos e aditivos químicos. Apesar dos negócios andarem de lado em 2014, muitas dessas empresas desenvolvem produtos e novas estratégias comercias visando obter um melhor posicionamento quando o mercado retomar sua linha de crescimento. André Luiz de Oliveira, gerente de desenvolvimento de mercado da Reichhold, diz que a desaceleração da economia afetou os negócios, mas que a companhia está confiante numa retomada, principalmente no segmento de construção civil e de transportes. Para a produção de compósitos, a Reichhold fornece resinas poliéster insaturadas, epóxi éster-vinílicas e fenólicas, além de gel coats para acabamento externo e proteção.

    A grande aposta da companhia, diz Oliveira, está no desenvolvimento do mercado de produtos ambientalmente sustentáveis. Em 2014 a companhia lançou mundialmente uma nova resina, a Advalite. Trata-se de uma resina vinil híbrida livre de estireno ou qualquer monômero diluente, o que permite aplicações com índices de VOC bastante inferiores aos apresentados por resinas éster-vinílicas tradicionais. A resina, segundo Oliveira, apresenta boas propriedades mecânicas e de resistência a temperaturas até 200ºC. Ela é curada com iniciadores de radicais livres convencionais e inibidores, proporcionando maior flexibilidade e agilidade no processamento em relação às resinas epóxi. Oliveira reconhece, porém, que a falta de legislação no Brasil para restringir a emissão de VOC deve tornar mais lenta a evolução comercial da Advalite. Os primeiros usos previstos são em radomes (conchas de proteção de radares), peças de aviões e no assoalho onde são instaladas as baterias de carros elétricos.

    A Ashland é fabricante global de resinas poliéster e éster-vinilicas e também de adesivos estruturais, com fábrica em Araçariguama-SP. Rodrigo Oliveira, gerente de vendas e marketing, diz que a companhia possui resinas poliéster para todos os processos utilizados no mercado brasileiro de compósitos, tanto em laminação, RTM, BMC, pultrusão e infusão, bem como a linha completa de adesivos. No momento, a empresa se prepara para trazer para o país um processo de RTM de baixa contração que dispensa moldes aquecidos, desenvolvido nos Estados Unidos. Globalmente, a empresa trabalha no desenvolvimento de uma resina éster-vinílica da linha Derakane para a aplicação em caminhões-tanque para o transporte de combustíveis, que está a cargo da subsidiária chinesa da companhia, além de promover novas resinas para serem aplicadas no sistema produtivo SMC, para atender solicitações da indústria automobilística americana por materiais mais leves.

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    A Evonik possui uma série de soluções para a indústria de compósitos que envolve resinas termoplásticas e termofixas, aditivos, agentes reológicos, materiais de núcleo, modificadores de resinas termofixas e reticulantes. Luiz Eduardo Araújo, responsável pela área de desenvolvimento de novos negócios, diz que a Evonik tem se pautado pelo desenvolvimento de resinas termoplásticas que permitam a produção de estruturas eficientes e que os polímeros estão disponíveis tanto na forma de pellets quanto em pó, e apresentam baixa viscosidade, o que permite gerar elevados teores de impregnação nas fibras. Araújo diz que a principal tendência em relação à evolução das resinas é a busca de sustentabilidade ambiental, tanto pela substituição de matérias-primas provenientes de petróleo por fontes renováveis, como pela redução de VOC e resinas livres de estireno. Ele diz que também se buscam ganhos voltados para o desempenho das resinas, como a melhora na temperatura de transição vítrea (Tg), diminuição da absorção de umidade e redução dos ciclos de cura das resinas. Fatores que garantem a maior estabilidade, maior tempo de armazenamento e o avanço na eficiência dos processos. “Novos materiais também estão sendo desenvolvidos por meio de blendas de poliéster com outros polímeros, gerando compostos com as mais variadas propriedades, como termoplásticos, biodegradáveis, biocompatíveis”, diz.



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