Compósitos

Plástico reforçado: Qualidade e produtividade elevadas permitem disputar aplicações mais rentáveis

Domingos Zaparolli
3 de janeiro de 2015
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    O cenário é bem diferente na paranaense MVC, dirigida pelo presidente da Almaco, Gilmar Lima. “Estamos na contramão do mercado, estamos crescendo em 2014 aproximadamente 157%. E este crescimento está sustentado pelos segmentos da construção civil e eólico e pela inquietude constante da empresa e sua equipe em inovar e criar novas soluções para nichos de mercado.” Segundo Lima, a companhia mantém uma equipe de 40 profissionais trabalhando em pesquisa e desenvolvimento e firmou alianças com centros de tecnologia e universidades.

    A MVC Soluções em Plásticos foi criada em 1989, em São José dos Pinhais-PR, como fruto de uma parceria entre os grupos Artecola e Marcopolo, com foco na indústria automotiva. Em 2011 ampliou os negócios para a construção civil, desenvolvendo o sistema construtivo Wall System, composto por estrutura sanduíche de lâminas em plástico reforçado com fibra de vidro e núcleo com isolamento térmico e acústico. Hoje atua nos mercados automotivo, transporte, agronegócios, energia eólica, construção civil e indústria geral, mantendo unidades fabris em São José dos Pinhais-PR, Catalão-GO, Sete Lagoas-MG, Caxias do Sul-RS, Camaçari-BA, Maceió-AL e Itumbiara-GO que fabricam componentes de termoplásticos e termofixos por meio dos processos de extrusão, vacuum forming, RTM, infusão, laminação contínua e pultrusão.

    O crescimento da companhia em 2014 foi, em parte, resultado de novos nichos de mercado explorados na área de construção civil. A empresa entregou uma escola municipal em Atalaia-AL e chegou à marca de quase mil casas para o programa Minha Casa Minha Vida. Segundo Lima, apesar de o compósito Wall System ser mais caro do que a alvenaria, o sistema construtivo agiliza o processo de construção. No sistema, o canteiro de obra se transforma em uma linha de montagem de peças fabricadas. “Uma escola que levaria um ano e meio para ser construída, pode ser montada em apenas seis meses”, diz. O sistema também barateia o acabamento. “No final da obra, há uma redução de custos de 20%, com qualidade e durabilidade equivalentes ou até mesmo superiores”, afirma.

    Segundo Lima, a meta da MVC é chegar em 2018 com um faturamento acima de R$ 1 bilhão no segmento de construção civil, que vai exigir uma expansão significativa da capacidade de produção da companhia. Outras importantes fontes de crescimento nos próximos anos, aponta o executivo, deverão ser os segmentos eólico, transportes e agronegócio, além de dois novos mercados ainda em estudo, sobre os quais prefere não comentar ainda. A empresa também programa, a partir de 2015, o inicio de seu processo de internacionalização.

    Em 2014 a companhia ampliou em mais de 20 mil m² sua área fabril e, para 2015 e 2016, deve implantar mais 30 mil m². “Até 2017 queremos chegar a dez unidades em diferentes estados do Brasil.” Uma das metas para o período é desenvolver o processo de prensagem a quente (SMC). A empresa também estuda uma aliança com a portuguesa Inapal, fabricante de compósitos automotivos, com o objetivo de formar uma joint venture no Brasil.

    As boas perspectivas de encomendas do setor de óleo e gás levaram a Edra Equipamentos a ampliar seu foco de negócios. A empresa fundada em 1998, em Ipeúna-SP, marcou até aqui sua atuação no segmento bancário, fornecendo caixas eletrônicos, mobiliário e itens de comunicação visual de agências. Jorge Braescher, presidente da companhia, informa que a empresa entrará no segmento de tubos, acessórios e equipamentos de plataformas on e offshore. Em uma primeira fase a empresa irá investir R$ 30 milhões em uma fábrica de tubulações para o transporte de óleo, água salgada, gases e fluidos. A linha de produção entrará em operação no segundo trimestre de 2015 e terá capacidade para produzir cerca de 300 km/ano de tubulações de até 40 polegadas de diâmetro. “Em um segundo momento, vamos agregar ao nosso portfólio outras soluções em compósitos de alta performance para as operações de prospecção, extração e refino de petróleo”, infroma Braescher. A expectativa da companhia é que o setor de óleo e gás gere uma receita anual de R$ 150 milhões em cinco anos.

    As perspectivas também são positivas para a catarinense Pultrusão do Brasil. O diretor comercial Rogério Menegaz Rodrigues avalia que o mercado brasileiro ainda é incipiente, mas tem grande potencial. No Brasil, ele estima, são produzidas 12 mil toneladas/ano de produtos pultrudados, basicamente pequenas peças, como grades de piso. Nos Estados Unidos, onde o mercado está mais desenvolvido, a produção é 70 vezes maior. Rodrigues diz que o modesto desempenho brasileiro, em parte, é consequência da baixa qualificação técnica das empresas do setor. Por isso, a Pultrusão do Brasil optou há 4 anos por se diferenciar, investindo por volta de US$ 1 milhão em aprimoramento tanto de seus processos industriais quanto de seus produtos, além de realizar parcerias com centros de tecnologia, como o convênio recentemente firmado com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). “Hoje temos uma companhia com padrão tecnológico que nos possibilita concorrer globalmente”, afirma. Os resultados desse investimento em qualificação começam a aparecer agora. A empresa, fundada há 18 anos, registrou uma produção mensal de 70 toneladas em sua fábrica em Passo de Torres-SC. Um único contrato na área de construção civil fechado no final do ano já ampliará em 200 toneladas a demanda apenas em 2015.



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