Compósitos

Plástico reforçado: Qualidade e produtividade elevadas permitem disputar aplicações mais rentáveis

Domingos Zaparolli
3 de janeiro de 2015
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    Outras duas vantagens em relação ao poliéster insaturado, segundo o executivo, é seu reduzido impacto ambiental, uma vez que o poliéster apresenta alta taxa de compostos orgânicos voláteis (VOCs na sigla em inglês) por serem diluídos em solvente estireno. O poliuretano também aumenta a velocidade da produção, gerando produtividade. Serves diz que o poliuretano pode ser empregado em diversos processos da indústria de compósitos, como RTM, infusão, em processos por spray ou mesmo em pultrusão Serves reconhece, porém, que os compósitos a base de poliuretano não devem deslanchar no Brasil enquanto os sistemas produtivos forem basicamente manuais. “A viabilidade do poliuretano exige processos automatizados. Essa situação só ocorrerá quando a indústria brasileira de compósitos operar com escalas maiores de produção”, diz.

    Plástico Moderno, Ehlke: PAEK inovador disputa aplicações no setor aeroespacial

    Ehlke: PAEK inovador disputa aplicações no setor aeroespacial

    Lima, da Almaco, compartilha dessa opinião, mas faz a ressalva de que esses equipamentos automatizados são muito caros no Brasil, faltam recursos para investir entre as empresas do setor e há pouca disponibilidade no BNDES para financiar esses investimentos. Um dos poucos fabricantes de compósitos a base de poliuretano no Brasil é a Fastplas Automotive, que faz peças como para-choques, para-lamas, estribos e grades frontais para a indústria de veículos pesados, como caminhões, ônibus e máquinas agrícolas. Segundo o diretor comercial Rosário Rodrigues Júnior, o uso do poliuretano em peças compósitas nesse segmento de mercado é uma tendência certa.

    Uma novidade no mercado em termos de resinas para compósitos foi apresentada globalmente no terceiro trimestre de 2014 pela Victrex. A companhia inglesa fabricante de poliariletercetonas de alta performance (PEEK), desenvolveu um novo polímero PAEK e uma tecnologia híbrida de moldagem por injeção em temperaturas entre 360º e 400º. A solução foi desenvolvida em parceria com a Tri-Mack Plastics Manufacturing Corp., empresa especializada em moldagem de alta temperatura de resinas termoplásticas e compósitos para o setor aeroespacial.

    Ricardo Ehlke, gerente de marketing da Victrex, diz que o novo compósito deve disputar mercado com metais, como alumínio, titânio, inox e aço carbono, com a vantagem de permitir uma redução de até 60% no peso das peças em relação ao aço inoxidável e ao titânio, oferecendo propriedades mecânicas equivalentes em resistência, rigidez e fadiga. O executivo diz que a expectativa da empresa, em um primeiro momento, é conquistar clientes na indústria de aeronaves, civis e militares, no mercado espacial, principalmente em componentes de satélites que exijam peso baixo e resistência a temperaturas altas, e na indústria automobilística, em peças estruturais de suporte para motor e câmbio. “São segmentos de mercado em que as vendas são de longa maturação. Pensamos que os primeiros resultados comerciais no Brasil devem ocorrer em três a cinco anos”, diz.

    Em fibras, uma característica do mercado brasileiro de compósitos é a predominância das feitas de vidro. As fibras de carbono estão restritas basicamente à indústria de aerogeradores eólicos, que consomem 90% das três mil toneladas anuais vendidas no país. Fornecedores de fibra carbono, porém, têm a expectativa de ampliar esse mercado atendendo a indústria aeroespacial, formada no Brasil principalmente pelos fornecedores da Embraer, e a indústria automobilística. Mas terão que concorrer com novas soluções de fibra de vidro de alto desempenho que estão chegando ao país.

    Um exemplo é a fibra de vidro E7, da chinesa Jushi, que está sendo apresentada aos produtores de compósitos brasileiros. Oswaldo Andarcia, gerente comercial da Jushi, diz que a fibra E7 possui resistência 30% superior à da fibra de vidro convencional e também é produzida de forma sustentável, com vidro verde, sem boro e sem fluoreto de silício. “No exterior, o E7 tem substituído a fibra de carbono nos compósitos para aerogeradores e em aplicações nas indústrias aeroespacial e militar”, diz.

    Consumo – O desempenho das vendas de materiais compósitos em 2014 foi bastante heterogêneo e as perspectivas para 2015 também variam bastante. Um segmento em que os negócios ficaram abaixo da expectativa foi a indústria automobilística, que os emprega principalmente em peças e partes de veículos pesados. Rosário Rodrigues, da Fastplas, revela decepção com os negócios deste ano, uma vez que a produção desses veículos ficou abaixo do previsto. Segundo a Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), entre janeiro e outubro a produção de caminhões recuou 24,6% em relação a 2013, a de ônibus 13,3% e a produção de máquinas agrícolas caiu 15,6% em relação ao ano anterior. “Estamos com uma ociosidade de 30% nas nossas linhas de produção”, informa. A companhia mantém fábricas nas paulistas Diadema e Sorocaba e na mineira Juiz de Fora.



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