Compósitos

Plástico reforçado: Qualidade e produtividade elevadas permitem disputar aplicações mais rentáveis

Domingos Zaparolli
3 de janeiro de 2015
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    Plástico Moderno, Ponta do rotor de gerador eólico de eletricidade, fabricada pela MVC

    Ponta do rotor de gerador eólico de eletricidade, fabricada pela MVC

    As perspectivas para o biênio 2014-2015 não são das melhores para o mercado de materiais compósitos, como se verifica em toda a indústria brasileira de transformação. O quadro é de estagnação nos negócios. Mas importantes players desse mercado avaliam que se trata de uma situação conjuntural e o consumo brasileiro de compósitos entrará, em breve, em uma fase de crescimento significativo, com evolução acima da média dos demais segmentos da indústria a partir de 2016. Para isso, porém, dois fatores devem ser ajustados previamente. O primeiro é a melhora do ambiente de negócios do país, com uma retomada do crescimento econômico. O segundo diz respeito aos próprios fabricantes de compósitos. “As empresas do setor precisam se qualificar, ganhar competitividade e também mostrar ao consumidor as vantagens dos nossos produtos”, diz Gilmar Lima, presidente da Associação Latino-Americana de Materiais Compósitos (Almaco).

    Plástico Moderno, Lima: setor tem oportunidades, mas precisa de qualificação

    Lima: setor tem oportunidades, mas precisa de qualificação

    A estimativa de Lima é que o faturamento do setor esse ano cresça aproximadamente 1% em relação aos R$ 3,25 bilhões registrados em 2013. Em volume comercializado, porém, deverá haver uma queda, na casa de 2%, em relação às 210 mil toneladas processadas no ano anterior. O descompasso entre faturamento e volume é conseqüência, diz Lima, do aumento, repassado aos preços, do custo de matérias-primas e do melhor desempenho comercial de produtos com maior valor agregado. “2015 será também um ano complicado devido à conjuntura econômica do país, mas tenho expectativa de um desempenho um pouco melhor”, afirma.

    Lima diz que o potencial de crescimento do mercado brasileiro é muito grande, pois o consumo no país ainda é pequeno, algo como 10% do registrado pelos europeus, norte-americanos e asiáticos. “Nossos engenheiros, arquitetos e técnicos são formados para trabalhar com materiais tradicionais, metais, madeira e concreto. Mas os compósitos, por serem mais sustentáveis, leves e flexíveis, permitindo designs mais criativos, estão quebrando barreiras culturais e conquistando espaço”, diz. Para ajudar a popularizar o uso de materiais compósitos, a Almaco realizará em novembro de 2015 um evento no Hotel Transamérica, em São Paulo, denominado Compocity, no qual casas, postes, escolas, postos de saúde, pontos de ônibus e todos os demais itens do dia a dia das pessoas em uma cidade serão produzidos com compósitos. “As oportunidades de aplicação são infinitas”, diz. Ao mesmo tempo, a associação tem intensificado uma agenda de qualificação técnica e gerencial para os fabricantes de materiais compósitos, em grande maioria pequenas e médias empresas, para gerar competitividade ao setor. Lima acredita, no entanto, que a falta de normas técnicas no país para os materiais compósitos é uma barreira que dificulta a qualificação da produção e também a maior difusão do material entre os consumidores técnicos.

    Estudo da Almaco aponta a existência de mais de 50 mil aplicações catalogadas no mundo de produtos compósitos, de caixas d’água, tubos e pás eólicas a peças de barcos, ônibus, aviões e imóveis residenciais e comerciais. No Brasil, de acordo com levantamento realizado pela consultoria Maxiquim, das 210 mil toneladas processadas em 2013, 154 mil toneladas usaram como matéria-prima resinas poliéster. Desse total, 49% foram transformados em produtos para a construção civil, 17% foram para a área de transportes, 11% para uso em finalidades anticorrosivas e 6% empregadas em obras de saneamento. Outras 50 mil toneladas utilizaram resinas epóxi, sendo que 89% foram destinadas a equipamentos de geração de energia eólica e 6% foram para o mercado de petróleo.

    Novos materiais – Um impulso ao mercado brasileiro de compósito poderá ser dado com o aumento do uso de poliuretano, comum nos Estados Unidos e na Europa, principalmente na Alemanha e na Itália e em países do Leste Europeu, mas incipiente no Brasil. A avaliação é de Vinicius Serves, gerente de desenvolvimento de mercados da Dow. Ele diz que o poliuretano apresenta uma série de características que são importantes para a produção de compósitos. Entre elas leveza, versatilidade e tenacidade, que proporcionam materiais de alta durabilidade e resistência. Por conta dessas características a resina tem sido aplicada nesses países em composições tanto com fibra de vidro quanto de carbono, para a produção de peças para a indústria automobilística, onde é empregada em para-choques, grades e caixas de carga de pick-up, capô de tratores e painéis. Também é utilizada na indústria de aerogeradores e em materiais diversos, como tampas de bueiros, banheiras e postes de luz ou de sinalização.



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