Plástico reforçado: Qualidade e produtividade elevadas permitem disputar aplicações mais rentáveis

Plástico Moderno, Ponta do rotor de gerador eólico de eletricidade, fabricada pela MVC
Ponta do rotor de gerador eólico de eletricidade, fabricada pela MVC

As perspectivas para o biênio 2014-2015 não são das melhores para o mercado de materiais compósitos, como se verifica em toda a indústria brasileira de transformação. O quadro é de estagnação nos negócios. Mas importantes players desse mercado avaliam que se trata de uma situação conjuntural e o consumo brasileiro de compósitos entrará, em breve, em uma fase de crescimento significativo, com evolução acima da média dos demais segmentos da indústria a partir de 2016. Para isso, porém, dois fatores devem ser ajustados previamente. O primeiro é a melhora do ambiente de negócios do país, com uma retomada do crescimento econômico. O segundo diz respeito aos próprios fabricantes de compósitos. “As empresas do setor precisam se qualificar, ganhar competitividade e também mostrar ao consumidor as vantagens dos nossos produtos”, diz Gilmar Lima, presidente da Associação Latino-Americana de Materiais Compósitos (Almaco).

Plástico Moderno, Lima: setor tem oportunidades, mas precisa de qualificação
Lima: setor tem oportunidades, mas precisa de qualificação

A estimativa de Lima é que o faturamento do setor esse ano cresça aproximadamente 1% em relação aos R$ 3,25 bilhões registrados em 2013. Em volume comercializado, porém, deverá haver uma queda, na casa de 2%, em relação às 210 mil toneladas processadas no ano anterior. O descompasso entre faturamento e volume é conseqüência, diz Lima, do aumento, repassado aos preços, do custo de matérias-primas e do melhor desempenho comercial de produtos com maior valor agregado. “2015 será também um ano complicado devido à conjuntura econômica do país, mas tenho expectativa de um desempenho um pouco melhor”, afirma.

Lima diz que o potencial de crescimento do mercado brasileiro é muito grande, pois o consumo no país ainda é pequeno, algo como 10% do registrado pelos europeus, norte-americanos e asiáticos. “Nossos engenheiros, arquitetos e técnicos são formados para trabalhar com materiais tradicionais, metais, madeira e concreto. Mas os compósitos, por serem mais sustentáveis, leves e flexíveis, permitindo designs mais criativos, estão quebrando barreiras culturais e conquistando espaço”, diz. Para ajudar a popularizar o uso de materiais compósitos, a Almaco realizará em novembro de 2015 um evento no Hotel Transamérica, em São Paulo, denominado Compocity, no qual casas, postes, escolas, postos de saúde, pontos de ônibus e todos os demais itens do dia a dia das pessoas em uma cidade serão produzidos com compósitos. “As oportunidades de aplicação são infinitas”, diz. Ao mesmo tempo, a associação tem intensificado uma agenda de qualificação técnica e gerencial para os fabricantes de materiais compósitos, em grande maioria pequenas e médias empresas, para gerar competitividade ao setor. Lima acredita, no entanto, que a falta de normas técnicas no país para os materiais compósitos é uma barreira que dificulta a qualificação da produção e também a maior difusão do material entre os consumidores técnicos.

Estudo da Almaco aponta a existência de mais de 50 mil aplicações catalogadas no mundo de produtos compósitos, de caixas d’água, tubos e pás eólicas a peças de barcos, ônibus, aviões e imóveis residenciais e comerciais. No Brasil, de acordo com levantamento realizado pela consultoria Maxiquim, das 210 mil toneladas processadas em 2013, 154 mil toneladas usaram como matéria-prima resinas poliéster. Desse total, 49% foram transformados em produtos para a construção civil, 17% foram para a área de transportes, 11% para uso em finalidades anticorrosivas e 6% empregadas em obras de saneamento. Outras 50 mil toneladas utilizaram resinas epóxi, sendo que 89% foram destinadas a equipamentos de geração de energia eólica e 6% foram para o mercado de petróleo.

Novos materiais – Um impulso ao mercado brasileiro de compósito poderá ser dado com o aumento do uso de poliuretano, comum nos Estados Unidos e na Europa, principalmente na Alemanha e na Itália e em países do Leste Europeu, mas incipiente no Brasil. A avaliação é de Vinicius Serves, gerente de desenvolvimento de mercados da Dow. Ele diz que o poliuretano apresenta uma série de características que são importantes para a produção de compósitos. Entre elas leveza, versatilidade e tenacidade, que proporcionam materiais de alta durabilidade e resistência. Por conta dessas características a resina tem sido aplicada nesses países em composições tanto com fibra de vidro quanto de carbono, para a produção de peças para a indústria automobilística, onde é empregada em para-choques, grades e caixas de carga de pick-up, capô de tratores e painéis. Também é utilizada na indústria de aerogeradores e em materiais diversos, como tampas de bueiros, banheiras e postes de luz ou de sinalização.

Outras duas vantagens em relação ao poliéster insaturado, segundo o executivo, é seu reduzido impacto ambiental, uma vez que o poliéster apresenta alta taxa de compostos orgânicos voláteis (VOCs na sigla em inglês) por serem diluídos em solvente estireno. O poliuretano também aumenta a velocidade da produção, gerando produtividade. Serves diz que o poliuretano pode ser empregado em diversos processos da indústria de compósitos, como RTM, infusão, em processos por spray ou mesmo em pultrusão Serves reconhece, porém, que os compósitos a base de poliuretano não devem deslanchar no Brasil enquanto os sistemas produtivos forem basicamente manuais. “A viabilidade do poliuretano exige processos automatizados. Essa situação só ocorrerá quando a indústria brasileira de compósitos operar com escalas maiores de produção”, diz.

Plástico Moderno, Ehlke: PAEK inovador disputa aplicações no setor aeroespacial
Ehlke: PAEK inovador disputa aplicações no setor aeroespacial

Lima, da Almaco, compartilha dessa opinião, mas faz a ressalva de que esses equipamentos automatizados são muito caros no Brasil, faltam recursos para investir entre as empresas do setor e há pouca disponibilidade no BNDES para financiar esses investimentos. Um dos poucos fabricantes de compósitos a base de poliuretano no Brasil é a Fastplas Automotive, que faz peças como para-choques, para-lamas, estribos e grades frontais para a indústria de veículos pesados, como caminhões, ônibus e máquinas agrícolas. Segundo o diretor comercial Rosário Rodrigues Júnior, o uso do poliuretano em peças compósitas nesse segmento de mercado é uma tendência certa.

Uma novidade no mercado em termos de resinas para compósitos foi apresentada globalmente no terceiro trimestre de 2014 pela Victrex. A companhia inglesa fabricante de poliariletercetonas de alta performance (PEEK), desenvolveu um novo polímero PAEK e uma tecnologia híbrida de moldagem por injeção em temperaturas entre 360º e 400º. A solução foi desenvolvida em parceria com a Tri-Mack Plastics Manufacturing Corp., empresa especializada em moldagem de alta temperatura de resinas termoplásticas e compósitos para o setor aeroespacial.

Ricardo Ehlke, gerente de marketing da Victrex, diz que o novo compósito deve disputar mercado com metais, como alumínio, titânio, inox e aço carbono, com a vantagem de permitir uma redução de até 60% no peso das peças em relação ao aço inoxidável e ao titânio, oferecendo propriedades mecânicas equivalentes em resistência, rigidez e fadiga. O executivo diz que a expectativa da empresa, em um primeiro momento, é conquistar clientes na indústria de aeronaves, civis e militares, no mercado espacial, principalmente em componentes de satélites que exijam peso baixo e resistência a temperaturas altas, e na indústria automobilística, em peças estruturais de suporte para motor e câmbio. “São segmentos de mercado em que as vendas são de longa maturação. Pensamos que os primeiros resultados comerciais no Brasil devem ocorrer em três a cinco anos”, diz.

Em fibras, uma característica do mercado brasileiro de compósitos é a predominância das feitas de vidro. As fibras de carbono estão restritas basicamente à indústria de aerogeradores eólicos, que consomem 90% das três mil toneladas anuais vendidas no país. Fornecedores de fibra carbono, porém, têm a expectativa de ampliar esse mercado atendendo a indústria aeroespacial, formada no Brasil principalmente pelos fornecedores da Embraer, e a indústria automobilística. Mas terão que concorrer com novas soluções de fibra de vidro de alto desempenho que estão chegando ao país.

Um exemplo é a fibra de vidro E7, da chinesa Jushi, que está sendo apresentada aos produtores de compósitos brasileiros. Oswaldo Andarcia, gerente comercial da Jushi, diz que a fibra E7 possui resistência 30% superior à da fibra de vidro convencional e também é produzida de forma sustentável, com vidro verde, sem boro e sem fluoreto de silício. “No exterior, o E7 tem substituído a fibra de carbono nos compósitos para aerogeradores e em aplicações nas indústrias aeroespacial e militar”, diz.

Consumo – O desempenho das vendas de materiais compósitos em 2014 foi bastante heterogêneo e as perspectivas para 2015 também variam bastante. Um segmento em que os negócios ficaram abaixo da expectativa foi a indústria automobilística, que os emprega principalmente em peças e partes de veículos pesados. Rosário Rodrigues, da Fastplas, revela decepção com os negócios deste ano, uma vez que a produção desses veículos ficou abaixo do previsto. Segundo a Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), entre janeiro e outubro a produção de caminhões recuou 24,6% em relação a 2013, a de ônibus 13,3% e a produção de máquinas agrícolas caiu 15,6% em relação ao ano anterior. “Estamos com uma ociosidade de 30% nas nossas linhas de produção”, informa. A companhia mantém fábricas nas paulistas Diadema e Sorocaba e na mineira Juiz de Fora.

O cenário é bem diferente na paranaense MVC, dirigida pelo presidente da Almaco, Gilmar Lima. “Estamos na contramão do mercado, estamos crescendo em 2014 aproximadamente 157%. E este crescimento está sustentado pelos segmentos da construção civil e eólico e pela inquietude constante da empresa e sua equipe em inovar e criar novas soluções para nichos de mercado.” Segundo Lima, a companhia mantém uma equipe de 40 profissionais trabalhando em pesquisa e desenvolvimento e firmou alianças com centros de tecnologia e universidades.

A MVC Soluções em Plásticos foi criada em 1989, em São José dos Pinhais-PR, como fruto de uma parceria entre os grupos Artecola e Marcopolo, com foco na indústria automotiva. Em 2011 ampliou os negócios para a construção civil, desenvolvendo o sistema construtivo Wall System, composto por estrutura sanduíche de lâminas em plástico reforçado com fibra de vidro e núcleo com isolamento térmico e acústico. Hoje atua nos mercados automotivo, transporte, agronegócios, energia eólica, construção civil e indústria geral, mantendo unidades fabris em São José dos Pinhais-PR, Catalão-GO, Sete Lagoas-MG, Caxias do Sul-RS, Camaçari-BA, Maceió-AL e Itumbiara-GO que fabricam componentes de termoplásticos e termofixos por meio dos processos de extrusão, vacuum forming, RTM, infusão, laminação contínua e pultrusão.

O crescimento da companhia em 2014 foi, em parte, resultado de novos nichos de mercado explorados na área de construção civil. A empresa entregou uma escola municipal em Atalaia-AL e chegou à marca de quase mil casas para o programa Minha Casa Minha Vida. Segundo Lima, apesar de o compósito Wall System ser mais caro do que a alvenaria, o sistema construtivo agiliza o processo de construção. No sistema, o canteiro de obra se transforma em uma linha de montagem de peças fabricadas. “Uma escola que levaria um ano e meio para ser construída, pode ser montada em apenas seis meses”, diz. O sistema também barateia o acabamento. “No final da obra, há uma redução de custos de 20%, com qualidade e durabilidade equivalentes ou até mesmo superiores”, afirma.

Segundo Lima, a meta da MVC é chegar em 2018 com um faturamento acima de R$ 1 bilhão no segmento de construção civil, que vai exigir uma expansão significativa da capacidade de produção da companhia. Outras importantes fontes de crescimento nos próximos anos, aponta o executivo, deverão ser os segmentos eólico, transportes e agronegócio, além de dois novos mercados ainda em estudo, sobre os quais prefere não comentar ainda. A empresa também programa, a partir de 2015, o inicio de seu processo de internacionalização.

Em 2014 a companhia ampliou em mais de 20 mil m² sua área fabril e, para 2015 e 2016, deve implantar mais 30 mil m². “Até 2017 queremos chegar a dez unidades em diferentes estados do Brasil.” Uma das metas para o período é desenvolver o processo de prensagem a quente (SMC). A empresa também estuda uma aliança com a portuguesa Inapal, fabricante de compósitos automotivos, com o objetivo de formar uma joint venture no Brasil.

As boas perspectivas de encomendas do setor de óleo e gás levaram a Edra Equipamentos a ampliar seu foco de negócios. A empresa fundada em 1998, em Ipeúna-SP, marcou até aqui sua atuação no segmento bancário, fornecendo caixas eletrônicos, mobiliário e itens de comunicação visual de agências. Jorge Braescher, presidente da companhia, informa que a empresa entrará no segmento de tubos, acessórios e equipamentos de plataformas on e offshore. Em uma primeira fase a empresa irá investir R$ 30 milhões em uma fábrica de tubulações para o transporte de óleo, água salgada, gases e fluidos. A linha de produção entrará em operação no segundo trimestre de 2015 e terá capacidade para produzir cerca de 300 km/ano de tubulações de até 40 polegadas de diâmetro. “Em um segundo momento, vamos agregar ao nosso portfólio outras soluções em compósitos de alta performance para as operações de prospecção, extração e refino de petróleo”, infroma Braescher. A expectativa da companhia é que o setor de óleo e gás gere uma receita anual de R$ 150 milhões em cinco anos.

As perspectivas também são positivas para a catarinense Pultrusão do Brasil. O diretor comercial Rogério Menegaz Rodrigues avalia que o mercado brasileiro ainda é incipiente, mas tem grande potencial. No Brasil, ele estima, são produzidas 12 mil toneladas/ano de produtos pultrudados, basicamente pequenas peças, como grades de piso. Nos Estados Unidos, onde o mercado está mais desenvolvido, a produção é 70 vezes maior. Rodrigues diz que o modesto desempenho brasileiro, em parte, é consequência da baixa qualificação técnica das empresas do setor. Por isso, a Pultrusão do Brasil optou há 4 anos por se diferenciar, investindo por volta de US$ 1 milhão em aprimoramento tanto de seus processos industriais quanto de seus produtos, além de realizar parcerias com centros de tecnologia, como o convênio recentemente firmado com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). “Hoje temos uma companhia com padrão tecnológico que nos possibilita concorrer globalmente”, afirma. Os resultados desse investimento em qualificação começam a aparecer agora. A empresa, fundada há 18 anos, registrou uma produção mensal de 70 toneladas em sua fábrica em Passo de Torres-SC. Um único contrato na área de construção civil fechado no final do ano já ampliará em 200 toneladas a demanda apenas em 2015.

A pultrusão é um processo contínuo de fabricação de perfis de plástico, em que a massa de fibras de vidro impregnadas por resinas termofixas com cargas e aditivos é puxada através de um molde de aço pré-aquecido, no qual se dá o processo de polimerização. O material pultrudado é 75% mais leve que o aço e 30% mais leve que o alumínio, é imune à corrosão e tem alta resistência química, térmica e elétrica. A resistência mecânica pode ser comparada ao do aço. Mas é aí que pecam muitos dos fabricantes brasileiros, na avaliação de Rodrigues, por não investirem na garantia da qualidade de seus produtos. “Nosso diferencial é justamente o desenvolvimento da engenharia de cada produto, estudando a necessidade de cada mercado, realizando os cálculos estruturais necessários e só disponibilizando o produto final depois de devidamente testado e aprovado”, diz. Entre os segmentos de mercado que a companhia aposta crescer nos próximos anos estão o de estruturas e telhas para fechamento de galpões, estruturas e painéis para torres de resfriamento de água, escadas, guarda-corpos, plataformas, postes para eletrificação, bandejamento elétrico e telas protetoras.

Plástico Moderno, Araújo: mercado quer elevado desempenho técnico e ambiental
Araújo: mercado quer elevado desempenho técnico e ambiental

Matérias-primas – A produção de compósitos envolve toda uma cadeia de fornecedores de resinas, adesivos e aditivos químicos. Apesar dos negócios andarem de lado em 2014, muitas dessas empresas desenvolvem produtos e novas estratégias comercias visando obter um melhor posicionamento quando o mercado retomar sua linha de crescimento. André Luiz de Oliveira, gerente de desenvolvimento de mercado da Reichhold, diz que a desaceleração da economia afetou os negócios, mas que a companhia está confiante numa retomada, principalmente no segmento de construção civil e de transportes. Para a produção de compósitos, a Reichhold fornece resinas poliéster insaturadas, epóxi éster-vinílicas e fenólicas, além de gel coats para acabamento externo e proteção.

A grande aposta da companhia, diz Oliveira, está no desenvolvimento do mercado de produtos ambientalmente sustentáveis. Em 2014 a companhia lançou mundialmente uma nova resina, a Advalite. Trata-se de uma resina vinil híbrida livre de estireno ou qualquer monômero diluente, o que permite aplicações com índices de VOC bastante inferiores aos apresentados por resinas éster-vinílicas tradicionais. A resina, segundo Oliveira, apresenta boas propriedades mecânicas e de resistência a temperaturas até 200ºC. Ela é curada com iniciadores de radicais livres convencionais e inibidores, proporcionando maior flexibilidade e agilidade no processamento em relação às resinas epóxi. Oliveira reconhece, porém, que a falta de legislação no Brasil para restringir a emissão de VOC deve tornar mais lenta a evolução comercial da Advalite. Os primeiros usos previstos são em radomes (conchas de proteção de radares), peças de aviões e no assoalho onde são instaladas as baterias de carros elétricos.

A Ashland é fabricante global de resinas poliéster e éster-vinilicas e também de adesivos estruturais, com fábrica em Araçariguama-SP. Rodrigo Oliveira, gerente de vendas e marketing, diz que a companhia possui resinas poliéster para todos os processos utilizados no mercado brasileiro de compósitos, tanto em laminação, RTM, BMC, pultrusão e infusão, bem como a linha completa de adesivos. No momento, a empresa se prepara para trazer para o país um processo de RTM de baixa contração que dispensa moldes aquecidos, desenvolvido nos Estados Unidos. Globalmente, a empresa trabalha no desenvolvimento de uma resina éster-vinílica da linha Derakane para a aplicação em caminhões-tanque para o transporte de combustíveis, que está a cargo da subsidiária chinesa da companhia, além de promover novas resinas para serem aplicadas no sistema produtivo SMC, para atender solicitações da indústria automobilística americana por materiais mais leves.

Plástico Moderno, Fruet prepara lançamento de dois adesivos sem solventes
Fruet prepara lançamento de dois adesivos sem solventes

A Evonik possui uma série de soluções para a indústria de compósitos que envolve resinas termoplásticas e termofixas, aditivos, agentes reológicos, materiais de núcleo, modificadores de resinas termofixas e reticulantes. Luiz Eduardo Araújo, responsável pela área de desenvolvimento de novos negócios, diz que a Evonik tem se pautado pelo desenvolvimento de resinas termoplásticas que permitam a produção de estruturas eficientes e que os polímeros estão disponíveis tanto na forma de pellets quanto em pó, e apresentam baixa viscosidade, o que permite gerar elevados teores de impregnação nas fibras. Araújo diz que a principal tendência em relação à evolução das resinas é a busca de sustentabilidade ambiental, tanto pela substituição de matérias-primas provenientes de petróleo por fontes renováveis, como pela redução de VOC e resinas livres de estireno. Ele diz que também se buscam ganhos voltados para o desempenho das resinas, como a melhora na temperatura de transição vítrea (Tg), diminuição da absorção de umidade e redução dos ciclos de cura das resinas. Fatores que garantem a maior estabilidade, maior tempo de armazenamento e o avanço na eficiência dos processos. “Novos materiais também estão sendo desenvolvidos por meio de blendas de poliéster com outros polímeros, gerando compostos com as mais variadas propriedades, como termoplásticos, biodegradáveis, biocompatíveis”, diz.

Nos compósitos, os adesivos estruturais substituem fixações mecânicas como rebites, parafusos e soldas, aumentando a velocidade de produção e melhorando o aspecto visual das peças. Tiago Fruet, gestor de contas da Lord, comenta que a empresa possui linhas de produtos no Brasil para atender os segmentos de poliuretanos, acrílicos e epóxis. E programa dois lançamentos de adesivos sem solventes para os próximos meses, sendo uma linha de adesivos base acrílica low read-through, para eliminação de marcação de chapas finas, e outra de adesivos também base acrílica para aplicação em spray em painéis, principalmente em painéis sanduíche.

Por sua vez, a Chem-Trend, especializada em agentes desmoldantes e conhecida no Brasil pela sua linha de produtos Chemlease, o momento é de preparação para o lançamento no país dos produtos Zyvax, fabricante americana adquirida em 2013 pelo grupo alemão. Os produtos Zyvax são voltados para compósitos avançados de fibra de vidro, e foi a primeira empresa a comercializar desmoldantes livres de solventes orgânicos, feitos à base de água. No Brasil o primeiro produto a ser comercializado a partir de 2015 será um desmoldante de alta performance para a indústria de compósitos para o setor aeroespacial, informa o executivo de contas Marcelo Bianchini.

Plástico Moderno, Lacovella: insumos químicos proporcionam economia de tempo
Lacovella: insumos químicos proporcionam economia de tempo

Roberto Lacovella, sócio-diretor da distribuidora de produtos químicos Redelease, informa que a companhia fechou recentemente parceria para representar no Brasil a italiana Lechler, especializada em tintas de alta performance, e a americana Hernon, produtora de adesivos, solventes e fixadores. A empresa já representa companhias como Ashland, Lord, Chem Trend, Owens Corning, além das resinas fenólicas e acrílicas do SI Group, dos peróxidos orgânicos para compósitos da Akzo Nobel, das tintas poliuretânicas da Impergel e dos formulados para preparo de superfície Ycon. Lacovella diz que a Redelease planeja trazer agora duas novas linhas de produtos voltadas para o processo de infusão. Uma linha de silicones de cura rápida e altíssimo alongamento, usados na confecção de contramoldes. E uma linha de elementos de núcleo para substituir as funções do peel ply, filme e manta de fluxo, reduzindo em 70% o tempo na preparação do molde.

Outra novidade entre as distribuidoras é o acordo recentemente fechado pela Colormix, empresa do grupo Formitex, controlador da Bandeirante Brazmo, com o grupo alemão BYK. Segundo o gerente técnico e comercial Carlos Simal, a Colormix atuará no segmento de compósitos representando os agentes reológicos e os aditivos da BYK.

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