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Plástico no Offshore: Riquezas do pré-sal abrem novos campos de uso para os plásticos de alto desempenho

Maria Aparecida de Sino Reto
11 de setembro de 2013
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    Plástico Moderno, Santos aponta o PPS como forte candidato a aplicações no pré-sal

    Santos aponta o PPS como forte candidato a aplicações no pré-sal

    Polímeros em águas profundas – Vários fabricantes atentos já se mostram dispostos a mergulhar mais fundo no mar. Expectativas de ampliar a participação dos polímeros e suprir em novos projetos parte da demanda gerada pela exploração do pré-sal empolgam Simone Orosco, gerente de desenvolvimento e marketing, e Bruno Balico dos Santos, engenheiro de desenvolvimento, ambos da Ticona. Segundo informam, atualmente, as poliamidas 11 e 12 e o PVDF cumprem principalmente o papel de barreira química como revestimento interno em risers e umbilicais, embora as poliamidas ainda possam ser utilizadas na camada externa. O polietileno convencional e o polietileno reticulado também concorrem para esse revestimento exterior.

    “A exploração do pré-sal envolve extrações de petróleo cada vez mais profundas, exigindo requisitos mais elevados de propriedades e polímeros de alta performance, como o PPS, que possui grande potencial para uso nestas aplicações graças à sua alta resistência química, elevada barreira a gases, alta resistência térmica e mecânica”, enfatiza Simone.

    Acontece que, quanto mais profunda for a exploração, maiores serão as exigências dos materiais empregados no processo. O entusiasmo de Santos reside no fato de os materiais de barreira química aplicados atualmente nas tubulações não cumprirem os requisitos para a aplicação na exploração do pré-sal, de ambiente altamente agressivo, caracterizado por alta pressão, problemas de permeabilidade, de compatibilidade química e de temperaturas muito elevadas, que podem chegar até cerca de 150oC.

    Plástico Moderno, Fibras de PEUAPM da Ticona reforçam o interior de mangueira para fluidos hidráulicos

    Fibras de PEUAPM da Ticona reforçam o interior de mangueira para fluidos hidráulicos

    As poliamidas não suportam tanto calor. Razão pela qual o engenheiro aposta no polissulfeto de fenileno, o PPS, um polímero semicristalino, retardante à chama inerente e que resiste a ambientes mais agressivos, mantendo suas propriedades sob temperaturas mais elevadas (até 175oC o grade modificado ao impacto flexível e sem qualquer plastificante; e até 200oC o grade rígido).

    Ele explica que as PAs 11 e 12 normalmente apresentam temperatura de uso contínuo em torno de 90oC, “mas quando avaliamos seu índice de permeabilidade a gases, como o CO2, acima de 60oC há uma grande perda de manutenção de sua propriedade de barreira, enquanto o PPS se mantém constante”, defende.

    O material entra como barreira química em atuação conjunta com o aço, este responsável pela resistência mecânica (impede que a tubulação colapse). O polímero evita que tanto o gás quanto o óleo permeiem a tubulação. O fato é que, além da alta temperatura, a maior pressão nas profundidades do pré-sal também exige resistência mecânica e barreira química mais elevadas. “Quanto maior a pressão, maior a possibilidade de liberação de componentes voláteis, que poderiam ocasionar a deterioração das camadas estruturais dos cabos”, infere Santos.

    Plástico Moderno, Fibras de PEUAPM da Ticona reforçam o interior de mangueira para fluidos hidráulicos

    Fibras de PEUAPM da Ticona reforçam o interior de mangueira para fluidos hidráulicos

    O executivo enfatiza que o PPS tem absorção de umidade quase nula, de apenas 0,02%. Assegura estabilidade dimensional e propriedade de barreira química superior a substâncias como CO2, ácido sulfúrico, etanol, metanol e ainda ao sour gas. Tem excelente resistência à permeação a hidrocarbonetos e a outros fluidos. “O PPS também possui maior resistência ao fluido supercrítico, uma combinação de gases sob alta pressão, normalmente encontrada na extração do pré-sal e que tem alto poder solvente”, reforça. Simone ainda lembra que o polissulfeto de fenileno confere elevada resistência ao acúmulo de parafina, substância que tem a tendência de aderir ao metal, provocando entupimentos nas tubulações.

    Atualmente, o PPS compõe peças de bombas e vedação e reveste tubos de aço para produção onshore e offshore tradicional, nos risers e umbilicais; e ainda em aplicações onshore, como nos tubos de distribuição de fluido. Por seus atributos e ainda pelo cumprimento de outras especificações, Simone e Santos vislumbram uma excelente oportunidade para aumentar a presença do polímero no setor de óleo e gás, agora em aplicações na exploração das riquezas do pré-sal.



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