Plástico

Plástico nos automóveis: Inovar-auto abre caminho para ampliar as aplicações dos polímeros na indústria automobilística nacional

Marcelo Fairbanks
10 de julho de 2014
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    A DuPont aprimorou a polimerização das poliamidas com a tecnologia Shield, mediante a qual produz o Zytel Plus, capaz de suportar temperaturas de serviço de 210ºC a 220ºC. “Muitos projetos ficavam limitados pelo coeficiente térmico das poliamidas convencionais, em torno de 150ºC”, explicou Colucci. O Zytel Plus, como afirmou, foi criado com base nas megatendências da indústria automotiva: menos peso, controle de emissões e melhor eficiência de combustão. “Ele pode ser considerado para projetos de cárter, filtros de óleo, sistema de exaustão, válvulas termostáticas, tampa de motor, dutos de ar e intercooler para o sistema turbo entre outras aplicações”, salientou.

    Colucci informa que a indústria automotiva mundial prepara lançamentos de motores menores, com turbocompressores, e isso aumentará significativamente a rotação e a demanda térmica interna do powertrain (motor e câmbio).

    Plástico Moderno, TPEs da FCC são usados em vedações e acabamentos

    TPEs da FCC são usados em vedações e acabamentos

    Acabamento superior – A facilidade de moldagem dos polímeros sintéticos faz a alegria dos designers da indústria automotiva. Além das vantagens estéticas, esses materiais também melhoraram o conforto e a segurança interna dos veículos. Basta comparar o painel frontal da cabine de passageiros dos carros atuais com o velho “peito de aço” dos fusquinhas para se perceber quanto avanço houve nesses aspectos.

    “Os elastômeros termoplásticos estão ampliando sua participação nos itens de acabamento interno e externo dos carros, conferindo toque suave para as peças e reduzindo seu peso, ajudando a tornar mais econômicos os automóveis”, comentou Carlos Botelho, gerente-comercial da FCC. A empresa de Campo Bom-RS é a maior produtora desses elastômeros na América Latina, com fábricas no Ceará, na Bahia e no Uruguai, além da matriz.

    Botelho salienta a versatilidade desses materiais, com os quais é possível produzir peças com características diferentes, com mais flexibilidade, brilho, sensibilidade ao toque e variações de cor. “Um exemplo está na indústria de higiene pessoal, as escovas de dentes mais avançadas possuem áreas mais rígidas e também áreas mais suaves ao toque, e isso também pode ser obtido em autopeças, oferecendo alternativas para os designers do setor”, disse.

    A FCC oferece elastômeros termoplásticos (TPE) e elastômeros termoplásticos dinamicamente vulcanizados (TPV) ao setor automotivo. Os primeiros são muito usados nas vedações das janelas, portas e ar condicionado dos carros, com toque emborrachado. Os TPVs encontram aplicações no cofre do motor, como isolantes ou vedantes, suportando bem as altas temperaturas.

    Segundo Botelho, a substituição de plásticos tradicionais por elastômeros termoplásticos não requer grandes investimentos por parte dos transformadores. Além disso, também eles são uma alternativa para borrachas e metais. “É o caso de grades, spoilers, para-choques, para-lamas, racks de teto e volantes, com a vantagem de oferecer maior conforto e aprimorar a parte acústica, por reduzir ruídos no carro, criados pelo impacto ou atrito de peças”, comentou.

    A moldagem é idêntica à dos termoplásticos. Segundo a FCC, uma peça de TPE pode ser produzida em 40 a 50 segundos, enquanto a mesma unidade feita de borracha levaria pelo menos 5 minutos. Além disso, o TPE é reciclável.

    Botelho aponta espaço para o crescimento do mercado de materiais plásticos para automóveis, pois a utilização de elastômeros termoplásticos pelas montadoras no exterior é mais alta que por aqui. “Um exemplo é o da Chrysler, recentemente adquirida pela Fiat, que vai se instalar em Pernambuco; essa montadora usa mais elastômeros termoplásticos em seus carros do que a Fiat, e pode ajudar a ampliar os parâmetros de uso para a indústria”, considerou.

    Com amplo portfólio de produtos, entre os quais as poliamidas (PA), tereftalato de polibutadieno (PBT), poliacetal (POM), poliuretano e poliuretano termoplástico (TPU), a Basf se apresenta como um dos principais fornecedores de plásticos de engenharia para o mercado automotivo. “Temos aplicações em todas as áreas dos automóveis e todas elas estão crescendo com sucesso”, afirmou Roxo.

    A Rhodia/Solvay também indica suas poliamidas para aplicações externas. “Nossos produtos estão presentes em maçanetas, suportes de espelhos retrovisores, racks de teto, calotas e outros”, comentou Suzana. Em partes internas, os pedais de comando – sujeitos a frequentes solicitações mecânicas – exemplificam o uso desses materiais.

    A Lanxess criou a tecnologia híbrida metal-plástico, ampliando as possibilidades de utilização das suas poliamidas, que também podem ser aplicadas na forma de chapas mistas de compósitos-plásticos. “Colocamos nosso time de especialistas à disposição dos fornecedores de peças originais e agregadores Tier 1 par ao desenvolvimento conjunto de aplicações como front-ends, bandejas de óleo, caixas de air bags e suportes de estepes, que já usam a nossa PA 6 na Europa”, comentou Maróstica. Todas as iniciativas de substituição metálica requerem análises extensas de engenharia, incluindo simulações virtuais para validação, especialmente quando envolvem componentes estruturais dos veículos. “Todo esse esforço pode reduzir o peso das peças e também o custo de produção entre 10% e 40%, dependendo de cada caso”, afirmou.



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