Plástico

Plástico nos automóveis: Inovar-auto abre caminho para ampliar as aplicações dos polímeros na indústria automobilística nacional

Marcelo Fairbanks
10 de julho de 2014
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    Espaço para crescer ainda há, mesmo sem apostar na substituição entre resinas. Basta verificar que o uso de plásticos avançados nos automóveis brasileiros ainda se situa perto da metade da quantidade consumida na Europa e nos Estados Unidos, embora esteja crescendo.

    “O uso de polímeros de engenharia representa, atualmente, entre 14 e 15 kg por veículo no Brasil, contra a média de 25 a 30 kg nos Estados Unidos, Europa e Japão. Essa diferença é localizada, principalmente, nos sistemas de segurança, motor e transmissão, com maior uso de polímeros especiais em peças ou na integração de sistemas”, comentou Colucci, da DuPont.

    Em uma conta rápida, considerando a produção de carros de passeio de 2013, de 2,7 milhões de unidades, o consumo desses plásticos no Brasil deve ter girado por volta de 40 mil t. Caso a indústria nacional se aproxime da média americana, consumindo 25 kg por carro, essa quantidade pode subir para 67 mil t/ano, sem considerar o aumento da produção anual do setor.

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    Os números apresentados por Colucci se referem aos plásticos de engenharia em um sentido estrito, considerando as resinas de alto desempenho aplicadas apenas aos carros de passeio. A Consultoria MaxiQuim, em seu estudo MMO (MaxiQuim Market Outlook), estimou em 236 mil t o consumo aparente dos plásticos de engenharia (ABS, PAs, POM, compostos de PP, PC e PBT) usados pelo setor automotivo brasileiro como um todo (veja artigo da especialista Taís Marcon Bett nesta edição).

    Em média, a literatura aponta a participação dos plásticos, de qualquer tipo, no peso total dos automóveis de passeio entre 10% e 15%. Dessa forma, um carro como o VW Gol, com peso informado pela montadora de 975 kg, carregaria quase 110 kg de polímeros sintéticos. O lado irônico desse percentual é que ele tende a cair, pois o peso das peças plásticas chega a ser 50% menor que as fabricadas de aço e 30% abaixo do peso das de alumínio. Quando se aumenta muito o uso de peças plásticas, o peso relativo das metálicas remanescentes acaba ficando maior.

    Suzana Kupidlowski alerta para as diferenças do uso dos plásticos em vários mercados internacionais. “O uso de plásticos nos automóveis brasileiros é inferior ao utilizado em outras regiões, como os Estados Unidos, onde há carros maiores, e Europa, onde a maior diferença é a alta tecnologia embarcada. Entretanto, alguns modelos de carros brasileiros apresentam maior teor de plásticos do que veículos produzidos no Japão, por exemplo, onde há excessiva utilização de metal”, comparou.

    Os plásticos superam os metais em outros aspectos além do menor peso. “A relação custo-benefício favorece a troca com inúmeras vantagens, uma delas é a facilidade de produzir uma peça plástica com uma única injeção e, assim, obter uma peça com mais de uma funcionalidade, uma característica dificilmente obtida com metais”, salientou Luís Roxo, da Basf. “A facilidade de produzir uma peça com design mais arrojado é também uma característica do plástico.”

    Aplicações mais complexas – A presença dos materiais plásticos nos automóveis é mais significativa nos itens de acabamento interno e externo, como conchas de espelhos retrovisores, puxadores de portas, espumas, tetos e painéis. No entanto, está crescendo o uso de polímeros na parte quente e mais agressiva dos carros, o compartimento do motor.

    A Rhodia, empresa do grupo Solvay, oferece um portfólio de compostos em poliamida 6, 6.6 e 6.10 para diversas demandas da indústria automobilística. “Além dos requisitos de redução de peso na substituição de metal e melhor eficiência energética, oferecemos soluções para peças que necessitem de resistência ao fogo, barreira a fluidos – para sistema de combustível –, alta resistência química e também mantenham boa performance a altas temperaturas”, afirmou Suzana Kupidlowski.

    Ela apontou algumas aplicações sob o capô que já adotaram a poliamida para a substituição de metais. É o caso dos coletores de admissão de ar, peças próximas ao motor, restritor de torque, carcaças de filtros, tanques de radiadores, galeria de combustível, tampa de comando de válvulas, etc. Ela salientou a aplicação de poliamida na confecção de bicos injetores de combustível, com alívio do peso no conjunto, propiciando a redução do consumo de combustível.

    Essa região quente também é atendida pelo portfólio da Lanxess. “Nesse caso, as poliamidas da marca Durethan são muito utilizadas e ainda temos boas oportunidade para substituição metálica, por exemplo, em bandejas de óleo (oil pans) e nas tampas de válvulas”, disse Maróstica.

    A Basf também atua com poliamidas 6 e 6.6, mas seu portfólio inclui PBT, PC e o poliacetal (POM). “Devido à sua excelente resistência química, o POM pode atuar como bomba de combustível dentro do tanque, sem ser atacado pela gasolina ou pelo álcool”, comentou Roxo. Outros materiais que compõem a linha de produtos da companhia para automóveis são o poliuretano e o poliuretano termoplástico (TPU).



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