Plástico

Plástico nos automóveis: Inovar-auto abre caminho para ampliar as aplicações dos polímeros na indústria automobilística nacional

Marcelo Fairbanks
10 de julho de 2014
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    Ele apontou como exemplos dessas exigências a redução de consumo de combustível e de emissões, que deve aumentar o número de motores com recirculação de gases de exaustão (EGR). “Com isso, a temperatura do motor deve subir, aumentando a demanda pelas poliamidas, como a nossa Durethan, tanto para moldagem por injeção quanto por sopro”, avaliou.

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    Outra vertente de atuação é a redução do peso dos veículos, mediante a utilização de plásticos de alta tecnologia. “Essa é uma tendência clara, pois 100 kg de redução de peso em um veículo geram uma economia de 0,5 litro de combustível por 100 km rodados e 11,65 g a menos de CO2 por km”, salientou Maróstica. Ele também ressaltou que as peças plásticas frequentemente são mais baratas do que componentes feitos de chapas de aço que precisam ser dobradas, prensadas ou soldadas, exigindo uma quantidade maior de operações.

    Suzana Kupidlowski, gerente do setor automotivo da área de Plásticos de Engenharia da Solvay (inclui os produtos da Rhodia, adquirida pelo grupo belga), aposta nos benefícios que o Inovar-Auto vai gerar por exigir a nacionalização de conteúdo nos carros fabricados no Brasil, favorecendo o setor de autopeças. “Acreditamos que esse programa incentivará o crescimento do uso de materiais sintéticos nos automóveis, entretanto o governo brasileiro ainda não se posicionou sobre quando será implantado o rastreamento deste conteúdo nacional, aspecto muito importante para concretizar essa iniciativa” considerou, apontando que alguns modelos de veículos montados no país ainda utilizam material importado.

    “Além do Inovar-Auto, a chegada de novos fabricantes ao Brasil certamente trará – mas neste momento inicial ainda não é visível – um aumento de demanda por plásticos mais modernos”, avaliou Suzana. Ela prevê que a crescente procura por veículos mais potentes e sofisticados exigirá dos materiais plásticos maior desempenho e propriedades aprimoradas de resistência à temperatura, retardância a chama e barreira a fluidos.

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    “Também considero muito positiva a entrada de novos fabricantes de automóveis no Brasil, por aumentar a demanda por polímeros especiais para a indústria de conversão local. Isto melhora a nossa capacidade de acesso a novas tecnologias e o valor da cadeia de suprimento da indústria automotiva”, comentou Colucci.

    “O Inovar-Auto deve favorecer o setor, pois uma das finalidades desse programa é incentivar ou estimular o crescimento da tecnologia dentro do país e, com isso, tanto as montadoras, como os fabricantes de resinas começam a expandir e trazer para cá a tecnologia que antes estava enraizada apenas nas matrizes dessas empresas”, avaliou Luís Roxo, coordenador de negócios de materiais de performance da Basf. Como um dos principais objetivos do programa é reduzir a massa dos automóveis, ele enxerga nisso uma grande oportunidade para o mercado de resinas em geral e, como consequência, o aumento do volume de plásticos aplicados no segmento.

    Sofisticação da demanda – Tradicionalmente, as resinas plásticas com maior penetração no segmento automotivo são o ABS (acrilonitrila-butadieno-estireno) e o PP, puro ou em compostos, notadamente na parte externa ou no compartimento dos passageiros. Sob o capô do motor, local onde predominam altas temperaturas e estão presentes hidrocarbonetos e fluidos de variada composição química (nos sistemas hidráulicos, de freios e de arrefecimento, por exemplo), as poliamidas conseguiram se estabelecer. Atualmente, outros materiais sintéticos se apresentam para disputar todas essas aplicações, bastando superar o alto custo que lhes é peculiar.



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