Aditivos e Masterbatches

Plástico no automóvel: Resinas apostam no futuro do setor

Jose Paulo Sant Anna
28 de agosto de 2015
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    Os números de vendas de veículos deste ano não são animadores. De acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), no primeiro quadrimestre, foram vendidas 893,6 mil unidades, registrando queda de 19,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Os números do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotores (Sindipeças) também não são positivos. No primeiro trimestre, o faturamento líquido nominal (com inflação e sem impostos) sofreu retração de 16,2% na comparação com igual período do ano passado. Houve queda nas vendas dos segmentos de montadoras, 21,9%; intrassetorial, 18,9%; e mercado externo, 8%. Apenas a reposição registrou crescimento, de 4,1%. Os números se referem às respostas dadas por empresas que representam 31% do faturamento da indústria de autopeças no Brasil.

    Os resultados, é lógico, preocupam os representantes dos fornecedores de matérias-primas. Eles, no entanto, demonstram confiança em relação a esse mercado no futuro. Para Heitor Trentin, gerente de contas de polipropileno da Braskem, os desafios enfrentados desde 2014 pelo setor automobilístico impactam as estimativas de crescimento, mas há fatores que ajudam a compensar a balança, como o lançamento de modelos que usam maior quantidade de plástico no projeto e a introdução de novas formulações em fase final de desenvolvimento.

    Para ele, a nacionalização de resinas, compostos e peças antes importados também colabora. A tendência decorre do programa Inovar-Auto, que reduz impostos de automóveis com maior conteúdo nacional, e pela recente desvalorização cambial, que equilibrou a competitividade dos materiais produzidos localmente. Quando se pensa em prazos maiores, a perspectiva é ótima. “O percentual de plástico nos carros deve subir de atuais 15% para 25% a 30% em 2030”, calculou.

    Rogério Colucci, diretor de marketing e vendas América Latina da DuPont Polímeros de Performance, entende que a indústria automotiva brasileira está passando por grande transformação. “Vivemos momento econômico conturbado, com impactos no mercado automotivo”. Isso não tira o ânimo da empresa. “Queremos liderar os desafios da indústria automotiva com novos projetos, aplicando conhecimento aliado ao nosso portfólio de produtos diferenciados. O Brasil é foco de atenção na DuPont e, como tal, possui status privilegiado para novos investimentos”, enfatizou.

    Posição parecida tem Suzana Kupidlowski, gerente do mercado automotivo da Solvay. “O Grupo Solvay, que com a Rhodia atua no Brasil há 96 anos, continua acreditando no potencial do mercado brasileiro e mantém todos os seus projetos de inovação, trabalhando continuamente na parceria com seus clientes e investindo na região”. Para Suzana, as vendas atuais refletem o momento da conjuntura econômica vivida por todo o setor industrial, incluindo o automotivo e seus fornecedores diretos e indiretos.

    “A indústria vive período desafiador, pressionado por aumento de custos e diante de um ambiente macroeconômico difícil, que requer medidas estruturais de ajuste da economia”. Para ela, o setor vem fazendo sua lição de casa, desenvolvendo programas de excelência operacional e ajustando suas atividades à demanda do mercado. “É importante que as medidas que estejam ao alcance do governo sejam adotadas o mais rápido possível”, completou.



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