Plástico no automóvel – Materiais de alto desempenho e plásticos de enhgenharia ganham espaço nos veículos leves e em caminhões

A sustentabilidade, aliás, é uma quarta tendência de alavancagem dos plásticos de engenharia, de acordo com Curti, da Rhodia. Ele havia listado o uso em peças de acabamento, depois a migração para o capô, seguida da adoção em peças funcionais estruturais. Para o especialista, nos próximos dez anos o apelo de peças sustentáveis deve também favorecer o uso dos plásticos de engenharia. É o caso do Sorona, nome comercial do polímero da DuPont, resina termoplástica renovável e de alta performance usada na produção do Toyota Prius, lançado em maio no Japão. O produto é empregado no painel de instrumento do sistema de ar-condicionado e contém entre 20% e 37% de fontes renováveis (em peso) derivadas da cana-de-açúcar. De acordo com a montadora japonesa, o PBT de alta performance tem características similares ou superiores ao PBT de origem fóssil.

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Plásticos reduziram peso e melhoraram desempenho em carro-conceito da Mercedes-Benz

Haroldo Paganini Rodrigues, chefe de produto da área de polímeros de alta performance da Evonik, lembra que a multinacional fabrica polímeros com matéria-prima de fontes renováveis, caso do óleo de mamona utilizado para a polimerização de diferentes produtos, alguns totalmente oriundos de materiais vegetais e outros combinando fontes renováveis e fósseis. Para José Carlos Belluco, gerente do negócio de plásticos de engenharia da Basf para a América do Sul, os plásticos de engenharia viabilizam a maior eficiência no consumo de combustível, além de menor emissão de CO2 na atmosfera, justificando seu apelo sustentável.

Ele dá um exemplo real da empresa, em parceria com a Mercedes-Benz, no conceito de smart for vision, da montadora alemã. O veículo experimental inclui produtos da indústria química como plásticos de alto desempenho, reforçados com fibras que melhoram as propriedades mecânicas, que permitiram a redução de 3 kg por roda, além de estabilidade térmica e química, dinâmica de força, resistência e boas características de funcionamento contínuo. “Os primeiros testes intensivos do produto mostram a capacidade de desempenho da roda toda de plástico e confirmam o potencial para possível uso em veículos de produção, o que aponta para uma tendência no setor automobilístico em geral”, avalia Belluco. Ainda em termos de redução de peso, a Basf desenvolveu a espuma do banco, com material que é aproximadamente de 10% a 20% mais leve do que outros similares e permite diferentes graus de dureza, o que agrega vantagens ergonômicas.

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Resina de alto desempenho da Basf reduziu três quilos por roda

A aplicação dos plásticos de engenharia não se restringe aos veículos leves, como prova a experiência recente da Rhodia com o sistema de fluido para freios. As exigências da fase 7 do Proconve vão requisitar um novo componente nos caminhões a serem fabricados no Brasil a partir de 2012. Trata-se do uso de uma solução de ureia a 32,5%, chamada de Arla 32, sigla para agente redutor de líquido automotivo, que deve agir diretamente na diminuição de óxidos de nitrogênio. Internacionalmente, o Arla 32 é conhecido como AdBlue e AUS 32 (Aqueous Urea Solution).

O papel da solução é reduzir quimicamente a emissão de óxidos de nitrogênio (NOx) em veículos com motores a diesel. Acoplado como aditivo ao sistema SCR (Selective Catalytic Reduction), o Arla 32 exige um reservatório e sistemas de distribuição em plásticos de alta performance e altamente resistentes, uma vez que a ureia se caracteriza pela sua agressividade. Quando diluída em água, a ureia produz a amônia que reduz a emissão de NOx no escapamento do veículo. As reações ocorrem no catalisador a altas temperaturas (entre 200ºC e 500ºC), gerando nitrogênio na forma de gás, além de vapor de água. Adicionalmente ao tanque de ureia, a tecnologia demanda ainda sensores para a dosagem eletrônica da solução.

Colucci, da DuPont, lembra que a multinacional já tem opções tecnológicas para essa área. Também é o caso da Ticona, segundo Ruecker. A empresa é um dos players envolvidos nesse processo e posiciona seu polietileno de alta densidade com fibra de vidro longa para atender à demanda da indústria. “As regulamentações só tendem a acelerar o uso de conteúdo tecnológico, principalmente nacional”, avalia.

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Tubulação flexível leva PA 12 da Evonik

Rodrigues, da Evonik, adianta que independentemente da regulamentação do Proconve 7, a área de caminhões tem várias opções de materiais de alto desempenho para controle da emissão de compostos voláteis orgânicos (VOC). É o caso das tubulações multicamadas desenvolvidas para situações agressivas. “Com a fabricação de modelos globais no Brasil, estamos preparados para oferecer às montadoras brasileiras o que há de mais moderno em tubulações multicamadas, combinando poliamidas PA12, que podem ser condutivas ou não e diversos polímeros de barreira, como PVDF, EVOH e EFEP”, detalha o especialista.

Ele acrescenta que a empresa possui dois tipos de poliamidas e dois sistemas multicamadas para utilização em veículos movidos a biodiesel. Outras quatro poliamidas foram criadas para atuar nos tubos do SCR, o que significa possível contato com a solução de ureia a 32,5%. “Acreditamos que esta aplicação ficará popular no Brasil no ano que vem com a nova regulamentação de emissão de voláteis para caminhões”, avalia Rodrigues. Ele destaca ainda duas outras inovações na área de caminhões: o tubo multicamadas termoplástico baseado em PA12 e um tipo especial de PP para tubulações de arrefecimento de motor, aplicação antes dominada por mangueiras de borracha.

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