Plástico no automóvel – Materiais de alto desempenho e plásticos de enhgenharia ganham espaço nos veículos leves e em caminhões

Plástico Moderno, Plástico no automóvel - Materiais de alto desempenho e plásticos de enhgenharia ganham espaço nos veículos leves e em caminhões
Maróstica aposta no avanço de plásticos de engenharia em autopeças como front-ends

Guert Ruecker, gerente automotivo OEM da Ticona para a América do Sul, confirma a avaliação do executivo da Sabic. Para ele, a adoção de módulos frontais completos, caso do extinto Fiat Stylo, é uma retomada da indústria nacional e trata-se de uma iniciativa que deve voltar como tendência na indústria automotiva brasileira, principalmente em razão do desempenho desses módulos. “São peças formadas por uma estrutura feita por pultrusão e não extrusão, ou seja, uma extrusão puxada, que traciona o reforço, que pode ser desde fibra de vidro até aramida, e o recobre”, detalha. O módulo frontal não só otimiza a linha de produção em virtude da modularidade como também tem reflexos até mesmo na questão da redução do seguro. Como tem um tempo de reparo menor, por ser uma peça única, seu processo de conserto é agilizado. Ao ser destruído de forma quase que uniforme numa colisão, o módulo também não abala a estrutura do carro, minimizando impactos.

Anderson Maróstica, especialista técnico da unidade de Semi-Crystalline Products (SCP) da Lanxess, também aposta no uso de peças fabricadas totalmente com plástico de engenharia, caso dos painéis frontais e dos pedais de freio, mas o momento atual ainda é o de peças híbridas, com presença de metal. “Pode-se usar a alma de metal com sobreposição de poliamida reforçada com fibra de vidro ou ainda a totalidade com o plástico de engenharia”, explica. Para ele, é necessário que as montadoras locais sejam participantes ativas do processo de desenvolvimento, a fim de vencer as barreiras culturais.

“Um projeto comum entre a Lanxess e a Audi europeia resultou na substituição completa do porta malas, feito de metal, por plástico de alto desempenho, uma poliamida 66 com 60% de fibra de vidro”, detalha. Segundo ele, trata-se de uma peça interna de quase 2 kg, talvez uma das maiores já produzidas por injeção. Além de reduzir 30% do peso do produto final, a nova peça resultou na diminuição de 30% do custo do componente e em 70% do ferramental para fabricação. Isso foi possível pela redução de 15 fases de estamparia (moldes estampados) para dois moldes.

Plástico Moderno, Guert Ruecker, Gerente automotivo OEM da Ticona, Plástico no automóvel - Materiais de alto desempenho e plásticos de enhgenharia ganham espaço nos veículos leves e em caminhões
Ruecker ressalta que refugo de peças pintadas
é de quase 30%

Assim como os especialistas da Rhodia e da Sabic, Ruecker destaca que as mudanças trazidas pelos plásticos de engenharia devem ser amplas para justificar sua adoção. Isso explica a cessão de espaço da poliamida entre as matérias-primas. Não que ela não seja predominante entre os plásticos de alto desempenho, mas sua escassez combinada com preço ascendente tende a favorecer outros plásticos de engenharia. Um exemplo são os produtos à base de poliéster, que atendem melhor as condições de peças submetidas às intempéries, mas também favorecem o uso em componentes estruturais.

Os compostos de polipropileno com fibra longa também poderão ser uma opção, favorecendo os transformadores, uma vez que o produto agrega desempenho e não é higroscópico, ou seja, não demanda uma pré-secagem no processo. O polipropileno com talco também tem sido substituído pelos polipropilenos com fibra longa, para evitar os riscos do primeiro material, além dos ganhos como maior resistência estrutural. Mas, mesmo cedendo espaço, a poliamida ainda manterá seus nichos. Tendo avançado bem como substituto de metais, o produto deve permanecer como opção segura para alguns componentes como o radiador. Por ser higroscópica, ela ganha e perde 2% do peso somente pela ação da umidade. Uma vez colocada num meio hidratado e aquecido, caso do ambiente do radiador, sua performance é muito bem definida.

Da mesma forma, os parceiros das montadoras avaliam a eliminação da fase de pintura, com o uso de peças moldadas que já incluam o processo. “Hoje existe uma etapa de injeção, que depois será seguida pela pintura. Ora, o refugo das peças pintadas é de quase 30%, porque qualquer risco reprova a peça. Com o uso do sistema combinado, elimina-se uma etapa, simplifica-se o processo”, avalia Ruecker. Simielli concorda com ele, destacando o molding in color, tecnologia que combina moldagem e pintura de peças. “Há blendas que favorecem esse processo com um resultado final excelente, principalmente considerando a produção de componentes na cor do veículo, o que fortalece os recursos de design, que pesam muito na escolha do consumidor”, explica.

Uma outra tendência na avaliação de Ruecker envolve a criação de produtos com alta resistência à agressividade dos combustíveis ou mesmo de produtos que estão sendo acrescentados aos carros para reduzir os efeitos da poluição. “Nós trabalhamos com testes que sempre consideram uma resistência maior do que o projeto pede”, explica. “No Brasil, por exemplo, temos que levar em conta a possibilidade de existência de combustíveis adulterados, o que influencia no desenvolvimento de produtos direcionados a esse mercado”, complementa.

O especialista também acrescenta a futura obrigatoriedade da presença de air bag duplo de série a partir de 2014 em todos os veículos fabricados no Brasil, incluindo os populares. A adição desse componente chama a atenção para a presença cada vez maior de sensores nos carros, uma vez que a tecnologia do air bag exige isso. E não é só ele. Os chamados “kits conforto”, que incluem acionamentos eletrônicos de vidros, também demandam maior sensoreamento. A ainda indefinida obrigatoriedade de rastreadores nos veículos também poderá impulsionar a indústria de plásticos de engenharia.

Página anterior 1 2 3 4 5 6Próxima página

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios