Máquinas e Equipamentos

Plástico no automóvel: Advento do carro elétrico gera desafios adicionais

Jose Paulo Sant Anna
30 de outubro de 2019
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    Plástico Moderno - Ilustração da Covestro mostra integração de plásticos com novas demandas automotivas

    Ilustração da Covestro mostra integração de plásticos com novas demandas automotivas

    Requisitos técnicos ficam mais rígidos e advento do carro elétrico gera desafios adicionais

    A substituição de outros materiais pelo plástico ocorre desde os anos 60 nas peças presentes nos automóveis. A iniciativa proporciona a produção de veículos mais leves e econômicos, objetivo perseguido de forma incansável pela indústria automobilística. O uso do plástico também permite o aproveitamento de processos de fabricação mais fáceis e econômicos do que os utilizados com outros materiais, além de permitir aos projetistas adotar designs de veículos mais arrojados.

    Como os itens fabricados pela indústria de autopeças atuam em condições rigorosas de desempenho, as resinas utilizadas em muitas aplicações necessitam de elevado grau de sofisticação. O desafio tem sido enfrentado com muitos investimentos pelas gigantes do mundo químico, que têm preocupação constante na pesquisa e desenvolvimento de novas formulações. São empresas como Basf, Covestro, Solvay, Radici, DuPont e a brasileira Braskem, entre outras.

    Plástico Moderno - Fazolare: faróis mais potentes trocam o PC pelas sulfonas

    Fazolare: faróis mais potentes trocam o PC pelas sulfonas

    As novidades apresentadas para os clientes do setor são constantes. Não por acaso. Onde se encontram instalações da indústria automobilística se desenvolve um milionário nicho de mercado para o setor de transformação. No Brasil, por exemplo, no primeiro semestre deste ano foram fabricados 1,47 milhões de veículos automotores, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Some-se ao plástico utilizado nesse volume de veículos novos o das peças comercializadas pelo mercado de manutenção e se chega a números para lá de expressivos.

    De acordo com Nicolai Duboc, responsável por desenvolvimento de negócios de polipropileno da Braskem, o segmento automobilístico é de grande relevância para a empresa, tanto por seu porte quanto pela contribuição do plástico na evolução sustentável do setor. “Ao todo, cerca de 4% da nossa produção de resinas (PE, PP e PVC) é destinada para este mercado anualmente, para as mais variadas aplicações”. Ele informa que, em média, um automóvel possui hoje em torno de 50 kg de peças e acessórios feitos de resinas termoplásticas, quantidade que substitui em torno de 350 kg do aço usado anteriormente.

    Josimar Fazolare, diretor de marketing e vendas na América do Sul da Solvay, lembra que, em volume de vendas, o setor automotivo representa a maior fatia de mercado para a companhia atualmente. Pensamento similar tem Murilo Feltran, gerente de marketing e produto de materiais de performance da Basf. “O setor automobilístico é o que mais demanda os plásticos de engenharia da Basf. Eles estão presentes em praticamente todo o veículo, como nos acabamentos da parte interna e na parte mecânica, em peças como embreagem, acelerador, câmbio e outras”. Outros profissionais ligados a outras marcas dão depoimentos que seguem a mesma toada.

    Resinas e especialidades – A Braskem oferece diversas opções de resinas para o segmento automotivo. Entre elas, Duboc ressalta o polietileno, utilizado em tanques de combustível, reservatórios e dutos. “Os principais grades utilizados nestas aplicações são os HS4506, HS4606A, HS5407 e GF4950, GF4950HS”. O polipropileno é bastante utilizado em para-choques, painéis de portas e outros componentes. “Na linha de polipropileno, os carros-chefes são os copolímeros de alto teor de borracha (CP396XP, CP295 e EP200K), que tem como finalidade trazer propriedades diferenciadas de resistência ao impacto”. Ele também cita fórmulas desenvolvidas para aplicações mais técnicas, como a CP 393, de ótima estabilidade dimensional, e a TI2900C, que permite bom fluxo durante os processos de transformação, de modo a eliminar marcas em peças grandes de espessura fina.

    O executivo também destaca a linha Amppleo, resina de polipropileno com propriedade de High Melt Strength (alta resistência do material fundido), desenvolvida para a produção de espumas. “A família de resinas modificadas de EVA (copolímero de etileno e acetato de vinila), comercializada sob a marca Evance, pode ser customizada para cada tipo de aplicação e tem o setor automotivo como um de seus segmentos foco”. No campo do PVC, a empresa fornece um compósito com pó de MDF. “Com alta durabilidade, maior leveza e 100% reciclável, essa ‘madeira plástica’ se apresenta como solução para aplicações como carrocerias e pisos de ônibus e caminhões”.

    A Braskem também oferece ampla gama de produtos químicos usados na produção automotiva em tintas, lubrificantes, pneus e borrachas, peças internas e até nas carrocerias dos veículos. Entre eles, a linha de resinas hidrocarbônicas Unilene, indicadas para a produção de compostos de borracha de alto desempenho. “Esse produto é amplamente utilizado na produção de pneus”, informa Rafael Segatto Catelan, gerente de contas na área.



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