Plástico

Plástico nas embarcações: Plástico reforçado com fibra de vidro reina na produção náutica do país

Renata Pachione
14 de maio de 2014
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    Raio x – As resinas de poliéster insaturado são as mais utilizadas na fabricação dos barcos atualmente. As preferências recaem sobre as ortoftálicas e aquelas à base de diciclopentadieno (DCPD). As resinas isoftálicas também integram o grupo, porém em um grau muito menor. No ranking do consumo de compósitos de poliéster, a indústria náutica responde por 4%. A construção civil é a líder com 49%; em seguida estão os segmentos do transporte (17%), corrosão (11%) e saneamento (6%), segundo dados divulgados pela Almaco.

    A fibra de vidro é a escolha do mercado náutico – e do setor de compósitos em geral. Em termos de custo-benefício, é o reforço ideal, sem dúvida. Há a opção da fibra de carbono, que apesar do desempenho excepcional, conforme avalia Lima, ainda é cara. “Mas está crescendo em segmentos como o automotivo e isto é um sinal de que os fabricantes de barcos precisam estar atentos”, avisa.

    Plástico Moderno, Para Oliveira, uso da infusão a vácuo tem crescido por causa dos ganhos ao meio ambiente

    Para Oliveira, uso da infusão a vácuo tem crescido por causa dos ganhos ao meio ambiente

    A fibra de carbono é um tema recorrente e antigo, mas patina no universo das intenções, não só pelo seu custo, mas também porque o seu uso é restrito. “Ela entra em casos muito técnicos de utilizações muito avançadas”, explica Oliveira. A tendência é a de que as fibras combinadas como vidro, carbono e a aramida terão cada vez mais demanda neste segmento.

    Rengifo endossa o discurso. Para ele, sim, existe abertura para aumentar o consumo de fibras consideradas mais avançadas, como carbono e aramida, mas este ainda está atrelado a aplicações de altíssimo desempenho como em iates de competição, a exemplo de America’s Cup ou da Volvo Ocean Race, e em megaiates de luxo.

    No Brasil, os moldes abertos ainda são os mais utilizados. “Este cenário deverá mudar nos próximos cinco anos, por questão de meio ambiente, qualidade e competitividade”, ratifica Lima. Por enquanto, os moldes fechados são a escolha somente dos fabricantes de barcos de médio e grande porte. A realidade dos compósitos não é muito diferente. Os moldes abertos representam 56 % do mercado geral.

    Ainda em termos de processos, existe uma inclinação da indústria naval à utilização de procedimentos de melhor adequação ambiental. Técnicas como vacuum bag e prepregs (pré-impregnados) estão sendo aplicadas por vários estaleiros no mundo, o que indica uma preferência por moldes fechados. Eles diminuem a incidência de formação de bolhas, geram economia de resina e também reduzem a emissão de odor.

    Uma das apostas da Reichhold é a infusão a vácuo. “Apesar de não ser propriamente uma novidade, seu uso tem crescido bastante, assim como os moldes fechados, como um todo, sobretudo por causa das questões ambientais e da qualidade das peças”, aponta Oliveira. O baixo custo em moldes, a melhoria do acabamento do produto final e o maior controle do processo são alguns dos benefícios.

    Plástico Moderno, Para Oliveira, uso da infusão a vácuo tem crescido por causa dos ganhos ao meio ambiente

    Para Oliveira, uso da infusão a vácuo tem crescido por causa dos ganhos ao meio ambiente

    A infusão trata-se de uma possibilidade para se operar em um ambiente mais limpo e organizado e com reduzida exposição ao estireno e menor emissão de solventes, mantendo a resistência e a rigidez das peças. No entanto, o custo dos reforços é elevado, pois são utilizados tecidos mais sofisticados e combinações de mantas de fibra de vidro/tecido. Há também o risco de print through (marcação das fibras no gelcoat) nas peças, devido à contração associada ao processo de laminação em etapa única (maior exotermia), além de não ser indicado para a confecção de peças pequenas.

    Segundo a empresa, este processo é o primeiro passo para os fabricantes que desejam migrar da moldagem aberta para a fechada, principalmente na fabricação de peças de grande porte, como casco e convés de barco. A companhia, inclusive, indica para o processo a Polylite 32835-00. De acordo com a fabricante, a resina apresenta excelente fluidez, ótima adesão interlaminar, menor contração e baixo teor de monômero de estireno, entre outros.

    A Reichhold destaca também o gelcoat para infusão Norpol NGA 2 20000-S. Apesar de não ser lançamento, é considerado uma novidade no portfólio da empresa, por ser um produto muito versátil e que traz uma série de vantagens por ter viscosidade adequada para o seu uso, além da elevada durabilidade, segundo a fabricante. Para o segmento naval de alto desempenho, uma alternativa é o Norpol CPG, desenvolvido para minimizar o problema do amarelecimento nas embarcações. Sua proposta é reduzir significativamente a presença de formação de bolhas d’água entre o gel e o laminado (efeito conhecido como osmose) e apresentar excelente acabamento com brilho intenso.

    A companhia oferece ao mercado náutico nacional uma grande variedade de resinas da linha Polylite. Fundada em 1927, a Reichhold é a maior fornecedora global de resinas de poliéster insaturado para a indústria de compósitos e se considera uma das fornecedoras líderes no desenvolvimento de tecnologias inovadoras para a indústria náutica.

    Novidades à vista – Quanto a novos processos, o flex molding ou o RTM skin, desenvolvido pela empresa brasileira MVC, são apresentados como alternativas inovadoras para este segmento. O RTM skin é usado hoje na produção de componentes automotivos, como a cobertura da carenagem de tratores, parachoques dianteiro e traseiro de ônibus e em partes complexas para o mercado de energia eólica, que anteriormente eram feitas pelo processo de infusão. Ele é indicado para peças com formas complexas e ângulos negativos, pois permite a fabricação e a extração das mesmas do molde com maior facilidade, devido ao seu contramolde flexível. Essa técnica foi inspirada no processo flex molding utilizado pela empresa americana MVP. Entre seus benefícios estão: maior velocidade no processo, fabricação de peças leves e com altas propriedades mecânicas e redução de custo.

    As principais novidades desenvolvidas para a indústria náutica são materiais cada vez mais leves e com desempenho igual ou superior aos tradicionais. Por isso, os fornecedores de matérias-primas investem no setor com produtos diferenciados.

    Plástico Moderno, Crystic assegura o máximo desempenho ao intemperismo e alta resistência química

    Crystic assegura o máximo desempenho ao intemperismo e alta resistência química

    No portfólio da NovaScott os destaques são os gelcoats náuticos Crystic, formulados e desenvolvidos especificamente para o máximo desempenho em intemperismo, resistência química e às bolhas, e acabamento estético, além de retenção de brilho, com a possibilidade de serem produzidos em uma ampla gama de cores. Segundo Rengifo, uma novidade trata-se do gelcoat Crystic Permabright que foi pensado para ter a melhor resistência às intempéries disponível no mercado. “Ele tem até duas vezes mais estabilidade de cor em intemperismo que um gelcoat Iso-NPG padrão, e até quatro vezes mais que um gelcoat isoftálico padrão”, diz.

    Outros destaques são a barreira para acabamento estético Crestacoat 5000PA, que ajuda a reduzir o efeito de print through e melhora significativamente o brilho e o acabamento espelhado nas peças, atingindo níveis, em muitos casos, superiores aos da indústria automotiva.

    Rengifo também ressalta a linha de gelcoats éster-vinílicos e as resinas para construção de moldes. Entre os adesivos estruturais, há o Crestomer e o Crestabond para o mercado náutico, além das pastas de colagem Crystic. “Estes adesivos ajudam os fabricantes de barcos a obter uma melhor produtividade, acabamento estético melhorado, e um desempenho mecânico superior nos seus produtos”, afirma.

    O portfólio da Novapol conta ainda com resinas de laminação de barcos Cristalan L-120 e Cristalan 802, além da nova resina para infusão a vácuo Cristalan INF-510, e uma linha completa de produtos auxiliares, tais como fibra de vidro, catalisadores e desmoldantes.

    A empresa britânica Scott Bader e a Andercol, controladora da Novapol Plásticos (empresa química do Grupo Mundial), criaram a joint venture NovaScott Especialidades Químicas para oferecer ao mercado do plástico reforçado com fibra de vidro da América Latina produtos químicos especializados com fabricação no Brasil. O portfólio inclui a produção local de gelcoats da marca Crystic, com a supervisão técnica da Scott Bader, e a comercialização de adesivos estruturais Crestabond, Crestomer e de pastas de colagem Crystic, além de resinas especiais uretano-acrílicas Crestapol, entre outros produtos. A Novapol entrou em funcionamento em dezembro do ano passado e tem sede no Espírito Santo.



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