Plástico nas Embarcações – Plástico reforçado com fibra de vidro

Plástico reforçado com fibra de vidro reina na produção náutica do país

 

Raio X – As resinas de poliéster insaturado são as mais utilizadas na fabricação dos barcos atualmente.

As preferências recaem sobre as ortoftálicas e aquelas à base de diciclopentadieno (DCPD). As resinas isoftálicas também integram o grupo, porém em um grau muito menor.

No ranking do consumo de compósitos de poliéster, a indústria náutica responde por 4%. A construção civil é a líder com 49%; em seguida estão os segmentos do transporte (17%), corrosão (11%) e saneamento (6%), segundo dados divulgados pela Almaco.

A fibra de vidro é a escolha do mercado náutico – e do setor de compósitos em geral. Em termos de custo-benefício, é o reforço ideal, sem dúvida.

Há a opção da fibra de carbono, que apesar do desempenho excepcional, conforme avalia Lima, ainda é cara. “Mas está crescendo em segmentos como o automotivo e isto é um sinal de que os fabricantes de barcos precisam estar atentos”, avisa.

Plástico Moderno, Para Oliveira, uso da infusão a vácuo tem crescido por causa dos ganhos ao meio ambiente
Para Oliveira, uso da infusão a vácuo tem crescido por causa dos ganhos ao meio ambiente

A fibra de carbono é um tema recorrente e antigo, mas patina no universo das intenções, não só pelo seu custo, mas também porque o seu uso é restrito. “Ela entra em casos muito técnicos de utilizações muito avançadas”, explica Oliveira.

A tendência é a de que as fibras combinadas como vidro, carbono e a aramida terão cada vez mais demanda neste segmento.

Rengifo endossa o discurso.

Para ele, sim, existe abertura para aumentar o consumo de fibras consideradas mais avançadas, como carbono e aramida, mas este ainda está atrelado a aplicações de altíssimo desempenho como em iates de competição, a exemplo de America’s Cup ou da Volvo Ocean Race, e em mega iates de luxo.

No Brasil, os moldes abertos ainda são os mais utilizados. “Este cenário deverá mudar nos próximos cinco anos, por questão de meio ambiente, qualidade e competitividade”, ratifica Lima.

Por enquanto, os moldes fechados são a escolha somente dos fabricantes de barcos de médio e grande porte. A realidade dos compósitos não é muito diferente. Os moldes abertos representam 56 % do mercado geral.

Ainda em termos de processos, existe uma inclinação da indústria naval à utilização de procedimentos de melhor adequação ambiental.

Técnicas como vacuum bag e prepregs (pré-impregnados) estão sendo aplicadas por vários estaleiros no mundo, o que indica uma preferência por moldes fechados.

Eles diminuem a incidência de formação de bolhas, geram economia de resina e também reduzem a emissão de odor.

Uma das apostas da Reichhold é a infusão a vácuo. “Apesar de não ser propriamente uma novidade, seu uso tem crescido bastante, assim como os moldes fechados, como um todo, sobretudo por causa das questões ambientais e da qualidade das peças”, aponta Oliveira.

O baixo custo em moldes, a melhoria do acabamento do produto final e o maior controle do processo são alguns dos benefícios.

Plástico Moderno, Para Oliveira, uso da infusão a vácuo tem crescido por causa dos ganhos ao meio ambiente
Para Oliveira, uso da infusão a vácuo tem crescido por causa dos ganhos ao meio ambiente

A infusão trata-se de uma possibilidade para se operar em um ambiente mais limpo e organizado e com reduzida exposição ao estireno e menor emissão de solventes, mantendo a resistência e a rigidez das peças.

No entanto, o custo dos reforços é elevado, pois são utilizados tecidos mais sofisticados e combinações de mantas de fibra de vidro/tecido.

Há também o risco de print through (marcação das fibras no gelcoat) nas peças, devido à contração associada ao processo de laminação em etapa única (maior exotermia), além de não ser indicado para a confecção de peças pequenas.

Segundo a empresa, este processo é o primeiro passo para os fabricantes que desejam migrar da moldagem aberta para a fechada, principalmente na fabricação de peças de grande porte, como casco e convés de barco.

A companhia, inclusive, indica para o processo a Polylite 32835-00.

De acordo com a fabricante, a resina apresenta excelente fluidez, ótima adesão inter laminar, menor contração e baixo teor de monômero de estireno, entre outros.

A Reichhold destaca também o gelcoat para infusão Norpol NGA 2 20000-S.

Apesar de não ser lançamento, é considerado uma novidade no portfólio da empresa, por ser um produto muito versátil e que traz uma série de vantagens por ter viscosidade adequada para o seu uso, além da elevada durabilidade, segundo a fabricante.

Para o segmento naval de alto desempenho, uma alternativa é o Norpol CPG, desenvolvido para minimizar o problema do amarelecimento nas embarcações.

Sua proposta é reduzir significativamente a presença de formação de bolhas d’água entre o gel e o laminado (efeito conhecido como osmose) e apresentar excelente acabamento com brilho intenso.

A companhia oferece ao mercado náutico nacional uma grande variedade de resinas da linha Polylite.

Reichhold

Fundada em 1927, a Reichhold é a maior fornecedora global de resinas de poliéster insaturado para a indústria de compósitos e se considera uma das fornecedoras líderes no desenvolvimento de tecnologias inovadoras para a indústria náutica.

Novidades à vista

Plásticos nas Embarcações – Quanto a novos processos, o flex molding ou o RTM skin, desenvolvido pela empresa brasileira MVC, são apresentados como alternativas inovadoras para este segmento.

O RTM skin é usado hoje na produção de componentes automotivos, como a cobertura da carenagem de tratores, para-choques dianteiro e traseiro de ônibus e em partes complexas para o mercado de energia eólica, que anteriormente eram feitas pelo processo de infusão.

Ele é indicado para peças com formas complexas e ângulos negativos, pois permite a fabricação e a extração das mesmas do molde com maior facilidade, devido ao seu contramolde flexível.

Essa técnica foi inspirada no processo flex molding utilizado pela empresa americana MVP.

Entre seus benefícios estão: maior velocidade no processo, fabricação de peças leves e com altas propriedades mecânicas e redução de custo.

As principais novidades desenvolvidas para a indústria náutica são materiais cada vez mais leves e com desempenho igual ou superior aos tradicionais.

Por isso, os fornecedores de matérias-primas investem no setor com produtos diferenciados.

Plástico Moderno, Crystic assegura o máximo desempenho ao intemperismo e alta resistência química
Crystic assegura o máximo desempenho ao intemperismo e alta resistência química

No portfólio da NovaScott os destaques são os gelcoats náuticos Crystic, formulados e desenvolvidos especificamente para o máximo desempenho em intemperismo, resistência química e às bolhas, e acabamento estético, além de retenção de brilho, com a possibilidade de serem produzidos em uma ampla gama de cores.

Segundo Rengifo, uma novidade trata-se do gelcoat Crystic Permabright que foi pensado para ter a melhor resistência às intempéries disponível no mercado.

“Ele tem até duas vezes mais estabilidade de cor em intemperismo que um gelcoat Iso-NPG padrão, e até quatro vezes mais que um gelcoat isoftálico padrão”, diz.

Outros destaques são a barreira para acabamento estético Crestacoat 5000PA, que ajuda a reduzir o efeito de print through e melhora significativamente o brilho e o acabamento espelhado nas peças, atingindo níveis, em muitos casos, superiores aos da indústria automotiva.

Rengifo também ressalta a linha de gelcoats éster-vinílicos e as resinas para construção de moldes.

Entre os adesivos estruturais, há o Crestomer e o Crestabond para o mercado náutico, além das pastas de colagem Crystic. “Estes adesivos ajudam os fabricantes de barcos a obter uma melhor produtividade, acabamento estético melhorado, e um desempenho mecânico superior nos seus produtos”, afirma.

O portfólio da Novapol conta ainda com resinas de laminação de barcos Cristalan L-120 e Cristalan 802, além da nova resina para infusão a vácuo Cristalan INF-510, e uma linha completa de produtos auxiliares, tais como fibra de vidro, catalisadores e desmoldantes.

A empresa britânica Scott Bader e a Andercol, controladora da Novapol Plásticos (empresa química do Grupo Mundial), criaram a joint venture NovaScott Especialidades Químicas para oferecer ao mercado do plástico reforçado com fibra de vidro da América Latina produtos químicos especializados com fabricação no Brasil.

O portfólio inclui a produção local de gelcoats da marca Crystic, com a supervisão técnica da Scott Bader, e a comercialização de adesivos estruturais Crestabond, Crestomer e de pastas de colagem Crystic, além de resinas especiais uretano-acrílicas Crestapol, entre outros produtos.

A Novapol entrou em funcionamento em dezembro do ano passado e tem sede no Espírito Santo.

A Lord, por sua vez, disponibiliza em seu portfólio adesivos estruturais para várias aplicações de colagem no barco, tais como a colagem de casco ao convés e a colagem de chassis de reforço do casco, entre outras. Não por acaso, a empresa tem investido no desenvolvimento de sistemas de uso de adesivos mais voltados às necessidades do setor náutico.

A questão é que cada vez mais os estaleiros utilizam adesivos estruturais. Na avaliação de Helvio Manke, gerente de vendas para a América do Sul da Lord, as vantagens passam principalmente pelos ganhos de produtividade devido à rapidez de colagem, e diminuição do peso total da embarcação. “Isso aumenta a eficiência energética do barco e reduz o ruído”, comenta.

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