Plástico na Construção – Uso dos polímeros se consolida

Uso dos polímeros se consolida em setores já tradicionais e avança em novas aplicações

Copa e Olimpíada

Os dois megaeventos esportivos que o Brasil vai sediar nos próximos anos têm exemplos comprovados, no exterior, de uso de materiais plásticos.

E o país pode aproveitar essa experiência não só nas arenas principais como também nos estádios de cidades de apoio. É o caso de Campinas, onde a arena da Ponte Preta, um dos times da cidade, está sendo reformada com o uso de poliuretano distribuído pela Belmetal. A parceira israelense da empresa brasileira, a Palram, possui um histórico em locais como Atenas e Dublin.

O estádio Aviva, da capital irlandesa, é um deles. Neste projeto, segundo a Palram, a empresa estendeu suas capacidades tanto em concepção, produção e logística, cobrindo o estádio nacional da Irlanda com uma solução feita sob medida, baseada em painéis de policarbonato enrugados de cor azulada da linha Palsun.

O desenho ondulado de uma arquitetura única permitiu a diminuição da espessura dos painéis do teto de 20 mil m2 em 65%, tornando a solução mais eficiente de acordo com a visão de arquitetura do projeto.

Já o Estádio Olímpico Oaka, em Atenas, foi um marco para a empresa do Oriente Médio, e um dos primeiros projetos de grande escala. O plano inicial do governo grego contemplava um telhado de vidro, mas os arquitetos foram convencidos a utilizar os painéis de policarbonato Palsun.

Para esse estádio, a Palram desenvolveu uma cor especial chamada Solar Olímpico, capaz de contribuir para o bloqueio da entrada de calor e ainda permitir a entrada da luz. No momento de conclusão, o Estádio Olímpico de Atenas foi o maior teto de policarbonato do mundo.

A Sabic também está de olho nas arenas do Brasil. O portfólio de soluções já  foi usado em mais de 50 estádios no mundo e a empresa ganhou, em 2010, seu segundo prêmio da European Polycarbonate Sheet Extruders como o Melhor Projeto e Inovação.

O projeto premiado foi justamente o do Estádio Aviva, de Dublin, já citado pela Palram. Outro exemplo de aplicação recente foi o Soccer City, na África do Sul. As chapas monolíticas Lexan, da Sabic, foram usadas na cobertura e no envidraçamento de escadas do estádio.

De acordo com a empresa, existem mais algumas aplicações de plásticos de alto desempenho focadas nas arenas. Uma delas é a construção dos assentos, que no Brasil deve seguir a norma NBR 15925. Para essa atividade, a Sabic oferece a resina Valox (PBT), composta localmente.

Com isso, os fabricantes de assentos ganham maior flexibilidade logística e de planejamento, evitando atrasos e reduzindo custos de estoque. Além de atender às novas normas da ABNT, o que inclui a UL94 V0 a três mm e as normas Reach, o PBT oferece alta resistência a impactos e outras propriedades de alto desempenho.

A resina também incorpora estabilizantes de UV, retardantes a chama e pigmentos. Essa composição economiza tempo e evita operações secundárias. Uma vantagem adicional é viabilizar a fabricação de assentos com paredes mais finas se comparadas aos materiais convencionais usados nesta aplicação.

Outro uso de plásticos de engenharia em projetos de estádios é a chapa Lexan Thermoclear com estrutura em X e três camadas, que oferece resistência a ventos e ao impacto até 250 vezes maior que o vidro.

A configuração em multicamadas do produto proporciona isolamento térmico e contribui para a certificação LEED, um dos requisitos fundamentais para construções sustentáveis. Outro benefício do produto é seu baixo peso, o que o torna econômico para o transporte e mais fácil de manipular e instalar em comparação com os pesados painéis de vidro.

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Cobertura de chapas de PC da Sabic, no SESI Ribeirão Preto-SP

Esses sistemas de chapas, com espessura de 40 e 50 mm, são opções para a aplicação na forma de revestimentos e fachadas de estádios. A economia de energia em relação ao sistema de envidraçamento tradicional de painel duplo também é destacada pela empresa, assim como as propriedades antigrafite e a conformidade com as normas de construção civil estabelecidas pela International Conference of Building Officials (ICBO).

O avanço dos plásticos na construção civil tem outros inimigos além dos impostos.

No caso dos forros de PVC, o fato de o processo de extrusão, na maioria das vezes, não gerar grandes dificuldades para novas empresas (entrantes) resultou no aumento dos players. Atualmente, cerca de 130 empresas produzem o material no Brasil, tornando o produto uma commodity, com acirradas disputas de preços.

“Somente produções em escala levam alguma vantagem nos custos de fabricação e na sobrevida num ambiente altamente competitivo”, explica o diretor executivo da Afap, José Carlos Rosa.

Carlos Teruel, gerente de produto da Tigre, explica que os problemas variam de acordo com a aplicação dada ao plástico, portanto, são os mais variados. “Em redes elétricas, por exemplo, a qualidade da matéria-prima empregada na confecção dos eletrodutos e caixas são fatores determinantes no bom funcionamento do sistema”, detalha.

Segundo ele, eletrodutos que dobram ou amassam com facilidade ou, pior ainda, que propagam chamas com facilidade, representam um risco permanente em qualquer obra.

No caso de hidráulica, ele chama a atenção para os tubos que não suportam pressões às quais são submetidos, podendo ocasionar vazamentos e muita dor de cabeça.

“Se a utilização do plástico cresce a cada dia, os problemas provenientes do plástico de má qualidade crescem junto”, resume. Na utilização de uma parede plástica, os problemas podem envolver desde os estruturais (perdas das propriedades mecânicas) até os estéticos (perda da pigmentação ou amarelamento).

Márcio Cordeiro, gerente de materiais, ambiente, saúde, segurança e qualidade da Mexichem Brasil para as marcas Amanco, Plastubos e Bidim, complementa lembrando que a qualidade dos produtos plásticos está diretamente ligada à qualidade da matéria-prima utilizada, ao processo de transformação empregado, à correta especificação do produto a ser aplicado na obra, bem como à sua perfeita instalação de acordo com as normas técnicas.

“No que tange aos produtos de PVC com aplicação na construção civil, a formulação ideal leva em consideração a aplicação do produto que será fabricado”, diz ele. Além da resina, outros aditivos são acrescidos para garantir as mais variáveis características físicas e químicas do produto.

Cordeiro destaca que os parâmetros relevantes para a seleção de tubos e conexões sempre serão as condições de vazão, pressão, temperatura e composição química da água ou líquido que vai escoar no sistema. E esses parâmetros são determinantes para a definição da composição da matéria-prima. “Ao PVC, de longe o mais consumido, juntam-se outros materiais, como polipropileno (PP), CPVC e PEX”, finaliza.

Parceria favorece setor

O relacionamento entre usuários na construção civil, fabricantes e quem está no meio do processo, é fundamental para os projetos serem bem-sucedidos, como aconteceu com a Metroform e a Sabic.

No caso do mercado de PVC, José Carlos Rosa, da Afap, destaca que, em volume, os principais fornecedores do setor são a Braskem e a Solvay. “Por tratar-se de commodity, o PVC tem seus preços regulados de acordo com o comportamento do mercado internacional.

Variações da cotação do dólar e do preço do petróleo também podem contribuir para oscilações”, explica. De acordo com ele, os associados da Afap têm acompanhado, com apreensão, a importação de produtos acabados, de origem chinesa, com preços irreais e de baixa qualidade.

Márcio Cordeiro, da Mexichem, destaca que os fornecedores de matérias-primas atuam como parceiros e são fundamentais na busca de novas oportunidades no mercado da construção civil.

“Normalmente, são fornecedores de renome internacional que conhecem outros mercados e nos ajudam a buscar boas oportunidades e inovações. Eles trazem alternativas mais econômicas e soluções técnicas para problemas que, muitas vezes, são de difícil tratativa”, explica. “Todos têm a consciência de que um depende do outro para se manter vivo nesse mercado fortemente competitivo e bastante agressivo.”

Para Carlos Teruel, da Tigre, o relacionamento é estreito. “O produtor e o transformador unidos vão muito mais longe. Desde o processo, estamos sempre buscando inovação e produtividade. A matéria-prima é ponto chave para que este objetivo seja alcançado.

Mas principalmente pelo mercado, que está sempre atrás de soluções sustentáveis, consumo de volumes cada vez menores de recursos naturais, durabilidade etc”, diz. Teruel destaca o caso do polietileno verde, resina com eteno derivado da cana-de-açúcar, como exemplo desta prática.

O fabricante da matéria-prima desenvolve a solução e o fabricante o aplica nos produtos destinados ao consumidor final, beneficiando todos os elos da cadeia, na avaliação do executivo.

Outro exemplo citado de relacionamento são os PSQs (Programas Setoriais da Qualidade), que permitem uma fiscalização do mercado com base em volumes de venda informados pelos produtores, garantindo a conformidade dos produtos comercializados no país.

 

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