Plástico na Construção – Uso dos polímeros se consolida

Uso dos polímeros se consolida em setores já tradicionais e avança em novas aplicações

Os produtos plásticos – importados ou não – de baixa qualidade também influenciam negativamente na imagem dos forros de PVC.

“Resumidamente, o produto não conforme tecnicamente, somado à sonegação, destrói o princípio da isonomia competitiva e afeta diretamente a credibilidade do mercado que representamos”, explica Rosa.

Ele avalia que as exigências das normas técnicas de desempenho de edificações, recentemente aprovadas e que dão especial destaque ao isolamento termoacústico, permitirão melhorias no conforto e habitabilidade das novas construções.

“Isso abre caminho para as esquadrias de PVC, que reconhecidamente possuem desempenho superior nesse quesito”, informa.

Esses materiais, aliás, estão posicionados de tal forma que conquistaram um nicho de produto nobre, durável e de excelente qualidade.

E talvez possam ser um exemplo de aplicação. O que eles precisam ganhar, no entanto, é maior participação de mercado.

De acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (Afeal), as esquadrias de PVC representariam apenas 1% do mercado total, contra 40% para os materiais de madeira, 39% para esquadrias de aço e 20% para os produtos feitos de alumínio.

No segmento de infraestrutura, tanto Teruel, da Tigre, como Viviane, da Mexichem, destacam os avanços. Para a executiva, os plásticos passaram a substituir tubos de cerâmica e ferro fundido, uma vez que as novas tecnologias permitem um desempenho similar aos materiais anteriormente adotados.

“As soluções plásticas em geral são mais leves, flexíveis, fáceis de instalar e normalmente apresentam um custo menor”, completa Viviane. Nesse mercado, a Amanco também avançou com novos coletores de esgoto e com a linha Biax, para adução de água e esgoto pressurizados.

Plástico, Plástico na construção - Uso dos polímeros se consolida em setores já tradicionais e avança em novas aplicações
Fabricante apresenta novos coletores de esgoto

Teruel acredita que o crescimento no mercado de infraestrutura aconteça principalmente em saneamento, na adução de água, mas também há melhorias nas redes de esgoto. “Estamos vivenciando nessa área a substituição gradativa de tubos maciços por tubos corrugados. São produtos que têm, em média, somente 60% do peso da versão convencional”, informa.

O resultado da substituição é um benefício direto para todos os pontos da cadeia, que usa menos matéria-prima na fabricação, o que leva a custos menores de produto. A instalação dos novos dutos pode ser mais rápida e com um custo reduzido em relação aos métodos tradicionais.

“Ainda falando em infraestrutura, os materiais plásticos também vêm ganhando destaque em drenagem, substituindo com muita vantagem os tubos de concreto, tanto para deságue pluvial quanto para retenção e detenção das águas da chuva”, complementa Teruel.

A penetração dos materiais plásticos não se resume às obras enterradas e mais discretas, como se comprova pelo caso das esquadrias e forros de PVC.

Ainda mais destacado é o exemplo do policarbonato, cuja face mais visível são as arenas esportivas ao redor do mundo.

Do estádio olímpico, em Atenas, ao Aviva, de Dublin, há inúmeras construções usando o material. E o Brasil não deve fugir do policarbonato. A distribuidora brasileira Belmetal, que tem parceiros fabricantes no Brasil e no exterior, já trabalha há três anos com o plástico. Sérgio Freitas, gerente nacional de produtos, é o executivo que está à frente da operação na empresa, acumulando mais de 24 anos na comercialização do policarbonato.

“Hoje o material está consolidado, mas há duas décadas havia muita resistência e vários preconceitos”, argumenta. De acordo com o executivo, o policarbonato nasceu de demandas militares de um material tão transparente como o vidro, mas com resistência maior.

Resultado: uma chapa compacta desse plástico consegue ser 250 vezes mais resistente que o vidro, com a flexibilidade de poder ser curvado a frio. Essas qualidades, que hoje parecem claras, não foram vistas nos primeiros tempos, quando Freitas precisava convencer os arquitetos de que o policarbonato não era um tipo de acrílico, que iria amarelar ou ser riscado facilmente.

Atualmente, a grande aplicação do material está concentrada em coberturas e no mobiliário urbano, facilitando a manutenção e expondo menos as peças ao risco de vandalismo.

Uma comparação bem básica explica o porquê disso: imagine uma cobertura padrão de vidro e uma de policarbonato: cada metro do primeiro material vai ter que suportar um peso de 24 kg, enquanto a área coberta pelo policarbonato vai demandar em média 4,8 kg(tomando como exemplo espessuras entre oito mm e 10 mm).

Plástico, Sérgio Freitas, Gerente nacional de produtos, Plástico na construção - Uso dos polímeros se consolida em setores já tradicionais e avança em novas aplicações
Para Sérgio Freitas, setor sofre com falta de mão de obra especializada

“Essa flexibilidade fica ainda mais ressaltada quando se pensa que há um casamento perfeito entre policarbonato e estruturas de alumínio, amplificando a leveza e permitindo inúmeros recursos estéticos”, avalia Freitas.

Como especialista, ele destaca que as chapas compactas ainda não são preponderantes no Brasil, que opta por subtipo de policarbonato na construção civil: as chapas alveolares, com dupla parede.

Apesar do custo reduzido, elas ainda têm, em média, 30 vezes mais resistência que o vidro. Uma chapa alveolar de seis mm pode ainda ser mais leve, com 1,3 kg/m2. Mais barata que a sua similar compacta, esse tipo de chapa acabou sendo mais demandado pelo mercado brasileiro.

Outra evolução no uso do policarbonato na construção civil são as chapas refletivas, que recebem um tratamento especial e ajudam no conforto térmico de ambientes onde o material tem sido adotado como cobertura.

A produção de telhas amplia ainda mais as opções arquitetônicas e é um tipo de produto que ganhou viabilidade com a parceria da Belmetal com a israelense Palram, que domina a tecnologia de pontaem policarbonato. Nessecaso, a evolução da oferta não se limita a produtos: os parceiros agora introduziram um método construtivo usando o policarbonato.

Por ser fácil de instalar, a solução ajuda a vencer um dos grandes problemas do material em campo: a instalação, que deve ser feita por mão de obra especializada.

Um exemplo muito comum de má aplicação era a degradação de parte de algumas coberturas, mesmo as feitas com material de alta qualidade.

Como tem proteção contra raios UV na camada superior, o policarbonato pode ter uma vida útil longa, desde que aplicado com a parte protegida, obviamente, voltada para cima. “Tivemos algumas ocorrências que mostravam o despreparo da mão de obra nesse sentido”, lembra Freitas.

Um dos sistemas é o Sunpal, usado em coberturas e fechamentos, sendo ideal para projetos com designs arrojados em curvas.

Como tem uma camada protetora contra UV nos dois lados dos painéis de policarbonato, o material também é à prova de erro de instalação. Aliás, o sistema todo foi desenvolvido para ser racionalmente aplicado, quase como um Lego.

Plástico, Plástico na construção - Uso dos polímeros se consolida em setores já tradicionais e avança em novas aplicações
Sistema Sunpal

O Sunglaze é outro sistema também produzido pela Palram que foi desenvolvido principalmente para vencer longos vãos, com alta resistência à carga.

A flexibilidade arquitetônica permite combinar projetos que envolvam espaços planos e curvos, apresentando a aparência de uma cobertura de vidro.

Plástico, Plástico na construção - Uso dos polímeros se consolida em setores já tradicionais e avança em novas aplicações
Sistema Sunglaze

Assim como a Belmetal, a Day Brasil é um player importante na área de policarbonato no país e vê nos próximos megaeventos esportivos uma vitrine ampliada para o produto.

A empresa destaca a facilidade de montagem das chapas Thermoclick, produzidas pela Sabic, sua parceira de fabricação.

Além de práticas, elas agilizam o processo de instalação na obra.

De acordo com a Day Brasil, há uma economia em perfis estruturais, reduzindo custos de projeto.

O fato de serem chapas translúcidas, aproveitando a luz natural do ambiente, também acarreta a economia de energia.

E, por serem sustentáveis, também auxiliam na conquista do certificado LEED, importante nas chamadas construções verdes (que adotam padrões de edificação sustentáveis).

Outro material plástico distribuído pela Day Brasil são as chapas TecBond, usadas para revestimento de fachadas na substituição do aço, sendo mais leves e versáteis, agregando a funcionalidade de cores.

Os materiais metálicos, aliás, têm sido bastante substituídos pelos plásticos na construção civil.

Na avaliação da Sabic, isso também acontece na área de termoplásticos de engenharia (ETP), mas com uma diferença: a principal vantagem para o mercado de construção não é a redução de peso, mas sim a grande durabilidade (corrosão/oxidação dos metais).

Ainda mais destacado do que a substituição dos metais é o caso da madeira, usada para fabricação de formas em canteiros. Apesar de baratas, elas têm um limite de uso em campo, afora a questão ambiental. O concorrente mais próximo é o alumínio, que pode ser reutilizado muitas vezes, mas ainda é caro, principalmente para o mercado brasileiro, que trabalha tendo o preço como parâmetro definidor.

Aí entra a experiência inovadora da Metroform, especializada em sistemas construtivos, que desenvolveu uma forma usando a blenda Noryl (PPE-OS).

A empresa brasileira resolveu adotar a resina para criar um novo modelo de uso de formas nos canteiros, alugando-as em vez de vendê-las. A experiência inicial com material plástico envolveu uma blenda de PC/ABS, que não atingiu os requisitos de resistência mecânica e de custo determinados pela empresa.

Para Túlio Wolter, diretor da Metroform, eles tinham um projeto de produto excelente em mãos, mas com a resina errada. O trabalho de parceria envolveu principalmente a consideração dos aspectos de resistência química e uma aproximação entre a Sabic, fabricante de matéria-prima, e os moldadores contratados pela Metroform.

Usadas atualmente em projetos de larga escala, as formas da Metroform podem aumentar a produtividade das atividades de montagem e desmontagem em 50% quando comparadas a sistemas convencionais de formas. A empresa também pode adotar o modelo de aluguel, além de combinar as formas plásticas com sistemas de andaimes leves, complementados com pisos metálicos e proteções perimétricas, que permitem a construção de superfícies (paredes e lajes) em até três dias. A uniformidade das formas de plásticos também facilitou as atividades de nivelamento e enquadramento, pois permitiu geometrias mais precisas na construção.

Outro sistema construtivo que tem uso de plástico foi desenvolvido pela Poloplast, de Curitiba. A empresa foi criada em 2008, originada de uma divisão da MVC Plásticos, focada somente na área de construção. Com histórico de obras no Brasil como os postos policiais em Brasília e escolas em Alagoas, a empresa também tem uma experiência interessante em Angola. Lá ela construiu de habitações populares a casas de férias de padrão médio.

Usada em vários tipos de construção (exceto prédios), a tecnologia da Poloplast emprega painéis do tipo sanduíche, que podem variar de acordo com o tipo de projeto construtivo. A parte externa é formada por um compósito de resina poliéster com fibra de vidro e que usa metais como sistema estrutural. O enchimento envolve tipos diferenciados de materiais com propriedades termoacústicas personalizadas, que vão desde poliuretano até camadas de gesso acartonado.

Plástico, Plástico na construção - Uso dos polímeros se consolida em setores já tradicionais e avança em novas aplicações
Posto policial emprega material compósito – Plástico na Construção

“Temos cumprido uma série de homologações técnicas, até para que o sistema possa ser usufruído em projetos com financiamento imobiliário governamental”, explica Erivelto Mussio, gerente de engenharia e desenvolvimento de mercado da Poloplast.

Ele coordena os vários trabalhos envolvendo o sistema nos institutos de pesquisa como IPT, de São Paulo, e universidades. A velocidade de construção, de acordo com o especialista, é uma das vantagens do sistema: enquanto uma casa de40 m2, usando técnicas de construção semi-industriais pode ser construída em torno de três meses, uma mesma residência desse tamanho pode ser erguida usando os painéis da Poloplast entre 15 e 20 dias. Ponto para o plástico.

Página anterior 1 2 3Próxima página

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios