Plástico na Construção – Uso dos polímeros se consolida

Uso dos polímeros se consolida em setores já tradicionais e avança em novas aplicações

A Tigre divulga há anos que a participação de tubos e conexões representa menos de 3% do custo de uma obra, informação oriunda de um longo período de acompanhamento do segmento.

Na Europa, segundo a empresa portuguesa Ambiente, especializada na reciclagem, a participação dos materiais plásticos representa 10% de uma casa média.

Outro dado europeu indica que 17% do total da produção da indústria de plásticos é consumido pela construção civil. No Brasil, não há muitos dados, mas a Abiplast estima, em seu relatório mais recente, que 14,6% dos plásticos transformados sejam absorvidos em canteiros de obras.

Os números podem ser ainda mais impressionantes, como destaca Carlos Teruel, gerente de produtos da Tigre.

Apesar de ressaltar que os dados citados acima se restringem ao nicho de tubos e conexões, ele argumenta que já existem construções quase que totalmente baseadas no PVC.

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Teruel: construção de casas de PVC têm potencial para crescer

“As partes que fogem do material são a base de concreto, a estrutura metálica e o telhado galvanizado. Todo o restante é plástico”, diz ele.

O especialista lembra que o preenchimento das paredes, nesse caso, é feito normalmente, com o uso de concreto leve, embora possa ser executado até mesmo com areia, em construções temporárias.

“Diante de todas estas opções, não é possível ser exato, mas facilmente esta participação pode passar de 50% da obra”, informa.

Para os especialistas da Sabic, um dos grandes fabricantes mundiais de plásticos de engenharia, não existe nenhuma norma que indique o uso de materiais específicos para uma aplicação determinada, caso do PVC para tubulações. Na avaliação deles, cada polímero, com seu desempenho específico, acaba sendo aplicado quando existe uma boa relação entre desempenho e custo.

Segundo a empresa, os plásticos de engenharia são muito utilizados atualmente na área de acabamento das obras (componentes internos de metais, acessórios para banheiro/cozinha, chapas de PC), elétrica (interruptores, disjuntores) e na infraestrutura de construção (formas).

Não há dados percentuais sobre o uso de termoplásticos de engenharia (ETP) na área de construção civil, mas se estima que seja crescente a presença desses materiais. Para a Sabic, existem mais empresas com o arrojo necessário para converter peças metálicas, cerâmicas, termofixos, incluindo madeira, em ETP.

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Viviane Glugovskis- Mexichem – tubos de ferro fundido foram substituídos por plástico

Viviane Glugovskis, especialista em desenvolvimento de produtos da Mexichem Brasil para as marcas Amanco e Plastubos, prefere não arriscar uma estatística e diz que o índice de utilização de materiais plásticos pode variar de obra para obra.

Independentemente de métricas exatas, os técnicos ouvidos nessa reportagem são unânimes em afirmar que o plástico ganha um espaço cada vez maior na construção civil.

E mesmo em espaços tradicionais, como nas obras enterradas de saneamento, onde o PVC amplia sua participação. A maior inovação, de acordo com Teruel, da Tigre, é a tubulação de polietileno reticulado (PEX), totalmente flexível.

Esse produto permite as ligações ponto a ponto, usando um número reduzido de conexões. O resultado, na obra, é maior estanqueidade, alta flexibilidade e mais rapidez na hora da instalação.

A durabilidade é outra característica desse tipo de produto, na avaliação da Tigre, uma vez que as conexões são fabricadas com polissulfona (PSU) e não sofrem corrosão. O PEX segue um processo de evolução, ganhando mais terreno, ao lado de materiais que já estão se tornando tradicionais nas linhas de esgoto e na soldável para água fria.

Além dessas duas, Teruel ressalta outros dois segmentos que representam uma parcela considerável do faturamento da empresa: o CPVC para água quente e os eletrodutos e acessórios plásticos para eletricidade predial. “Ambos já estão virando tradição, tanto para a Tigre quanto para o mercado, recaindo naqueles casos em que o nome comercial da linha vira sinônimo do produto”, argumenta o executivo.

Viviane, da Mexichem, concorda com Teruel ao destacar o PEX. “A principal inovação são os sistemas maleáveis como o PEX monocamada, utilizado para água quente e fria, e o PEX multicamadas, indicado para gás”, complementa. Ela avalia que as principais aplicações de tubulação plástica em uma obra são sistemas de esgoto, água quente e fria, além de reservatórios.

Ao analisar o mercado de tubos e conexões, ela acredita que o maior uso acontece tanto nos segmento predial como na área de infraestrutura. No primeiro, as tubulações de cobre e aço galvanizado estão perdendo espaço para tecnologias plásticas, como PPR, CPVC e o já citado PEX.

Além de tubulações, o uso de reservatórios em fibrocimento também está dando lugar aos fabricados de plástico (PE), na análise da especialista. Os produtos da linha elétrica de plástico, caso dos quadros de distribuição e caixas de luz, também crescem em volume.

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Tubos de PEX são exemplos de inovação

Teruel, da Tigre, considera o segmento predial como obra comum, e avalia que as aplicações padrão já estão consolidadas, representadas pelos tubos para condução de esgoto doméstico, água fria e pela infraestrutura de rede elétrica, os chamados eletrodutos.

Na última década, no entanto, ele acredita que os materiais plásticos tiveram um marco, substituindo vários outros produtos. A transição aconteceu principalmente em aplicações como as caixas-d’água, anteriormente de fibrocimento, redes para condução de água quente, de metal, assim como os dispositivos de extinção de incêndio (sprinklers, em aplicações comerciais), também de metais.

Outras aplicações tradicionalmente de madeira, caso dos forros e revestimentos de piso, além de esquadrias como portas e janelas, passaram a adotar o PVC. “Todos eles estão sendo usados em larga escala, já que apresentam grandes benefícios e um custo que se mostra cada vez mais competitivo”, argumenta o executivo.

Da mesma forma, ele avalia que as casas de PVC têm espaço para crescer em escala comercial, apesar de ainda não serem um padrão de mercado. Foi esse cenário que impulsionou lançamentos recentes como os da marca Amanco, da Mexichem, na área predial, com produtos para linhas de água quente, e dos quadros de distribuição de PVC na linha elétrica.

O incremento do PVC em aplicações como forro e esquadrias exemplifica como os plásticos mudam o cenário da construção civil. O segmento já tem, desde 1988, sua própria entidade de classe, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Perfis de PVC para Construção Civil (Afap). Os associados têm um perfil majoritário: são empresas de extrusão de materiais plásticos, localizadas em todo o país, porém mais concentradas no Sul e Sudeste.

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José Carlos Rosa – Afap  – aposta em produtos criados de acordo com as normas técnicas

De acordo com José Carlos Rosa, diretor executivo da entidade, os 20 associados representam aproximadamente 75% do volume de forros de PVC produzidos e comercializados no Brasil, para ficarmos num só material.

Ele informa que, na área da construção civil, além do forro de PVC, alguns associados produzem forros modulares (forro placa), divisórias, tubos e portas sanfonadas, todos, é claro, de PVC. A linha de produtos ainda inclui acessórios e perfis extrudados para linha branca, entre outros.

O diretor executivo da Afap ressalta que o uso do PVC nessas áreas ainda enfrenta barreiras. “Historicamente, o plástico carrega restrições psicológicas em algumas aplicações.

Quem não se lembra da dificuldade de aceitação do material nos para-choques e painéis automotivos?”, destaca. Para ele, o nome genérico “plástico”, com suas características de múltiplas aplicações, é muitas vezes associado de forma equivocada com produtos menos nobres ou frágeis ou de pouca durabilidade. “No caso da construção civil isso é extremamente sensível”, lembra.

Uma das formas de evitar esse processo, de acordo com ele, é o investimento em qualidade. Rosa avalia que o forro de PVC, produzido dentro das normas técnicas, tem obtido boa aceitação no mercado ao qual se destina, o que inclui aplicações comerciais, industriais e em residências de cunho social, assim como em áreas molhadas de residências de médio padrão e nos hotéis.

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Forro de PVC tem tido boa aceitação no mercado

No entanto, uma grande barreira a ser superada é a do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) incidente sobre o forro de PVC. Enquanto outros materiais para o mesmo fim possuem alíquota zero, o forro de PVC arca com uma alíquota de 10%, o que dificulta o aumento de sua penetração e incentiva a sonegação.

Os produtos plásticos – importados ou não – de baixa qualidade também influenciam negativamente na imagem dos forros de PVC.

“Resumidamente, o produto não conforme tecnicamente, somado à sonegação, destrói o princípio da isonomia competitiva e afeta diretamente a credibilidade do mercado que representamos”, explica Rosa.

Ele avalia que as exigências das normas técnicas de desempenho de edificações, recentemente aprovadas e que dão especial destaque ao isolamento termoacústico, permitirão melhorias no conforto e habitabilidade das novas construções.

“Isso abre caminho para as esquadrias de PVC, que reconhecidamente possuem desempenho superior nesse quesito”, informa.

Esses materiais, aliás, estão posicionados de tal forma que conquistaram um nicho de produto nobre, durável e de excelente qualidade.

E talvez possam ser um exemplo de aplicação. O que eles precisam ganhar, no entanto, é maior participação de mercado.

De acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (Afeal), as esquadrias de PVC representariam apenas 1% do mercado total, contra 40% para os materiais de madeira, 39% para esquadrias de aço e 20% para os produtos feitos de alumínio.

No segmento de infraestrutura, tanto Teruel, da Tigre, como Viviane, da Mexichem, destacam os avanços. Para a executiva, os plásticos passaram a substituir tubos de cerâmica e ferro fundido, uma vez que as novas tecnologias permitem um desempenho similar aos materiais anteriormente adotados.

“As soluções plásticas em geral são mais leves, flexíveis, fáceis de instalar e normalmente apresentam um custo menor”, completa Viviane. Nesse mercado, a Amanco também avançou com novos coletores de esgoto e com a linha Biax, para adução de água e esgoto pressurizados.

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Fabricante apresenta novos coletores de esgoto

Teruel acredita que o crescimento no mercado de infraestrutura aconteça principalmente em saneamento, na adução de água, mas também há melhorias nas redes de esgoto. “Estamos vivenciando nessa área a substituição gradativa de tubos maciços por tubos corrugados. São produtos que têm, em média, somente 60% do peso da versão convencional”, informa.

O resultado da substituição é um benefício direto para todos os pontos da cadeia, que usa menos matéria-prima na fabricação, o que leva a custos menores de produto. A instalação dos novos dutos pode ser mais rápida e com um custo reduzido em relação aos métodos tradicionais.

“Ainda falando em infraestrutura, os materiais plásticos também vêm ganhando destaque em drenagem, substituindo com muita vantagem os tubos de concreto, tanto para deságue pluvial quanto para retenção e detenção das águas da chuva”, complementa Teruel.

A penetração dos materiais plásticos não se resume às obras enterradas e mais discretas, como se comprova pelo caso das esquadrias e forros de PVC.

Ainda mais destacado é o exemplo do policarbonato, cuja face mais visível são as arenas esportivas ao redor do mundo.

Do estádio olímpico, em Atenas, ao Aviva, de Dublin, há inúmeras construções usando o material. E o Brasil não deve fugir do policarbonato. A distribuidora brasileira Belmetal, que tem parceiros fabricantes no Brasil e no exterior, já trabalha há três anos com o plástico. Sérgio Freitas, gerente nacional de produtos, é o executivo que está à frente da operação na empresa, acumulando mais de 24 anos na comercialização do policarbonato.

“Hoje o material está consolidado, mas há duas décadas havia muita resistência e vários preconceitos”, argumenta. De acordo com o executivo, o policarbonato nasceu de demandas militares de um material tão transparente como o vidro, mas com resistência maior.

Resultado: uma chapa compacta desse plástico consegue ser 250 vezes mais resistente que o vidro, com a flexibilidade de poder ser curvado a frio. Essas qualidades, que hoje parecem claras, não foram vistas nos primeiros tempos, quando Freitas precisava convencer os arquitetos de que o policarbonato não era um tipo de acrílico, que iria amarelar ou ser riscado facilmente.

Atualmente, a grande aplicação do material está concentrada em coberturas e no mobiliário urbano, facilitando a manutenção e expondo menos as peças ao risco de vandalismo.

Uma comparação bem básica explica o porquê disso: imagine uma cobertura padrão de vidro e uma de policarbonato: cada metro do primeiro material vai ter que suportar um peso de 24 kg, enquanto a área coberta pelo policarbonato vai demandar em média 4,8 kg(tomando como exemplo espessuras entre oito mm e 10 mm).

Plástico, Sérgio Freitas, Gerente nacional de produtos, Plástico na construção - Uso dos polímeros se consolida em setores já tradicionais e avança em novas aplicações
Para Sérgio Freitas, setor sofre com falta de mão de obra especializada

“Essa flexibilidade fica ainda mais ressaltada quando se pensa que há um casamento perfeito entre policarbonato e estruturas de alumínio, amplificando a leveza e permitindo inúmeros recursos estéticos”, avalia Freitas.

Como especialista, ele destaca que as chapas compactas ainda não são preponderantes no Brasil, que opta por subtipo de policarbonato na construção civil: as chapas alveolares, com dupla parede.

Apesar do custo reduzido, elas ainda têm, em média, 30 vezes mais resistência que o vidro. Uma chapa alveolar de seis mm pode ainda ser mais leve, com 1,3 kg/m2. Mais barata que a sua similar compacta, esse tipo de chapa acabou sendo mais demandado pelo mercado brasileiro.

Outra evolução no uso do policarbonato na construção civil são as chapas refletivas, que recebem um tratamento especial e ajudam no conforto térmico de ambientes onde o material tem sido adotado como cobertura.

A produção de telhas amplia ainda mais as opções arquitetônicas e é um tipo de produto que ganhou viabilidade com a parceria da Belmetal com a israelense Palram, que domina a tecnologia de pontaem policarbonato. Nessecaso, a evolução da oferta não se limita a produtos: os parceiros agora introduziram um método construtivo usando o policarbonato.

Por ser fácil de instalar, a solução ajuda a vencer um dos grandes problemas do material em campo: a instalação, que deve ser feita por mão de obra especializada.

Um exemplo muito comum de má aplicação era a degradação de parte de algumas coberturas, mesmo as feitas com material de alta qualidade.

Como tem proteção contra raios UV na camada superior, o policarbonato pode ter uma vida útil longa, desde que aplicado com a parte protegida, obviamente, voltada para cima. “Tivemos algumas ocorrências que mostravam o despreparo da mão de obra nesse sentido”, lembra Freitas.

Um dos sistemas é o Sunpal, usado em coberturas e fechamentos, sendo ideal para projetos com designs arrojados em curvas.

Como tem uma camada protetora contra UV nos dois lados dos painéis de policarbonato, o material também é à prova de erro de instalação. Aliás, o sistema todo foi desenvolvido para ser racionalmente aplicado, quase como um Lego.

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Sistema Sunpal

O Sunglaze é outro sistema também produzido pela Palram que foi desenvolvido principalmente para vencer longos vãos, com alta resistência à carga.

A flexibilidade arquitetônica permite combinar projetos que envolvam espaços planos e curvos, apresentando a aparência de uma cobertura de vidro.

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Sistema Sunglaze

Assim como a Belmetal, a Day Brasil é um player importante na área de policarbonato no país e vê nos próximos megaeventos esportivos uma vitrine ampliada para o produto.

A empresa destaca a facilidade de montagem das chapas Thermoclick, produzidas pela Sabic, sua parceira de fabricação.

Além de práticas, elas agilizam o processo de instalação na obra.

De acordo com a Day Brasil, há uma economia em perfis estruturais, reduzindo custos de projeto.

O fato de serem chapas translúcidas, aproveitando a luz natural do ambiente, também acarreta a economia de energia.

E, por serem sustentáveis, também auxiliam na conquista do certificado LEED, importante nas chamadas construções verdes (que adotam padrões de edificação sustentáveis).

Outro material plástico distribuído pela Day Brasil são as chapas TecBond, usadas para revestimento de fachadas na substituição do aço, sendo mais leves e versáteis, agregando a funcionalidade de cores.

Os materiais metálicos, aliás, têm sido bastante substituídos pelos plásticos na construção civil.

Na avaliação da Sabic, isso também acontece na área de termoplásticos de engenharia (ETP), mas com uma diferença: a principal vantagem para o mercado de construção não é a redução de peso, mas sim a grande durabilidade (corrosão/oxidação dos metais).

Ainda mais destacado do que a substituição dos metais é o caso da madeira, usada para fabricação de formas em canteiros. Apesar de baratas, elas têm um limite de uso em campo, afora a questão ambiental. O concorrente mais próximo é o alumínio, que pode ser reutilizado muitas vezes, mas ainda é caro, principalmente para o mercado brasileiro, que trabalha tendo o preço como parâmetro definidor.

Aí entra a experiência inovadora da Metroform, especializada em sistemas construtivos, que desenvolveu uma forma usando a blenda Noryl (PPE-OS).

A empresa brasileira resolveu adotar a resina para criar um novo modelo de uso de formas nos canteiros, alugando-as em vez de vendê-las. A experiência inicial com material plástico envolveu uma blenda de PC/ABS, que não atingiu os requisitos de resistência mecânica e de custo determinados pela empresa.

Para Túlio Wolter, diretor da Metroform, eles tinham um projeto de produto excelente em mãos, mas com a resina errada. O trabalho de parceria envolveu principalmente a consideração dos aspectos de resistência química e uma aproximação entre a Sabic, fabricante de matéria-prima, e os moldadores contratados pela Metroform.

Usadas atualmente em projetos de larga escala, as formas da Metroform podem aumentar a produtividade das atividades de montagem e desmontagem em 50% quando comparadas a sistemas convencionais de formas. A empresa também pode adotar o modelo de aluguel, além de combinar as formas plásticas com sistemas de andaimes leves, complementados com pisos metálicos e proteções perimétricas, que permitem a construção de superfícies (paredes e lajes) em até três dias. A uniformidade das formas de plásticos também facilitou as atividades de nivelamento e enquadramento, pois permitiu geometrias mais precisas na construção.

Outro sistema construtivo que tem uso de plástico foi desenvolvido pela Poloplast, de Curitiba. A empresa foi criada em 2008, originada de uma divisão da MVC Plásticos, focada somente na área de construção. Com histórico de obras no Brasil como os postos policiais em Brasília e escolas em Alagoas, a empresa também tem uma experiência interessante em Angola. Lá ela construiu de habitações populares a casas de férias de padrão médio.

Usada em vários tipos de construção (exceto prédios), a tecnologia da Poloplast emprega painéis do tipo sanduíche, que podem variar de acordo com o tipo de projeto construtivo. A parte externa é formada por um compósito de resina poliéster com fibra de vidro e que usa metais como sistema estrutural. O enchimento envolve tipos diferenciados de materiais com propriedades termoacústicas personalizadas, que vão desde poliuretano até camadas de gesso acartonado.

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Posto policial emprega material compósito – Plástico na Construção

“Temos cumprido uma série de homologações técnicas, até para que o sistema possa ser usufruído em projetos com financiamento imobiliário governamental”, explica Erivelto Mussio, gerente de engenharia e desenvolvimento de mercado da Poloplast.

Ele coordena os vários trabalhos envolvendo o sistema nos institutos de pesquisa como IPT, de São Paulo, e universidades. A velocidade de construção, de acordo com o especialista, é uma das vantagens do sistema: enquanto uma casa de40 m2, usando técnicas de construção semi-industriais pode ser construída em torno de três meses, uma mesma residência desse tamanho pode ser erguida usando os painéis da Poloplast entre 15 e 20 dias. Ponto para o plástico.

Copa e Olimpíada

Os dois megaeventos esportivos que o Brasil vai sediar nos próximos anos têm exemplos comprovados, no exterior, de uso de materiais plásticos.

E o país pode aproveitar essa experiência não só nas arenas principais como também nos estádios de cidades de apoio. É o caso de Campinas, onde a arena da Ponte Preta, um dos times da cidade, está sendo reformada com o uso de poliuretano distribuído pela Belmetal. A parceira israelense da empresa brasileira, a Palram, possui um histórico em locais como Atenas e Dublin.

O estádio Aviva, da capital irlandesa, é um deles. Neste projeto, segundo a Palram, a empresa estendeu suas capacidades tanto em concepção, produção e logística, cobrindo o estádio nacional da Irlanda com uma solução feita sob medida, baseada em painéis de policarbonato enrugados de cor azulada da linha Palsun.

O desenho ondulado de uma arquitetura única permitiu a diminuição da espessura dos painéis do teto de 20 mil m2 em 65%, tornando a solução mais eficiente de acordo com a visão de arquitetura do projeto.

Já o Estádio Olímpico Oaka, em Atenas, foi um marco para a empresa do Oriente Médio, e um dos primeiros projetos de grande escala. O plano inicial do governo grego contemplava um telhado de vidro, mas os arquitetos foram convencidos a utilizar os painéis de policarbonato Palsun.

Para esse estádio, a Palram desenvolveu uma cor especial chamada Solar Olímpico, capaz de contribuir para o bloqueio da entrada de calor e ainda permitir a entrada da luz. No momento de conclusão, o Estádio Olímpico de Atenas foi o maior teto de policarbonato do mundo.

A Sabic também está de olho nas arenas do Brasil. O portfólio de soluções já  foi usado em mais de 50 estádios no mundo e a empresa ganhou, em 2010, seu segundo prêmio da European Polycarbonate Sheet Extruders como o Melhor Projeto e Inovação.

O projeto premiado foi justamente o do Estádio Aviva, de Dublin, já citado pela Palram. Outro exemplo de aplicação recente foi o Soccer City, na África do Sul. As chapas monolíticas Lexan, da Sabic, foram usadas na cobertura e no envidraçamento de escadas do estádio.

De acordo com a empresa, existem mais algumas aplicações de plásticos de alto desempenho focadas nas arenas. Uma delas é a construção dos assentos, que no Brasil deve seguir a norma NBR 15925. Para essa atividade, a Sabic oferece a resina Valox (PBT), composta localmente.

Com isso, os fabricantes de assentos ganham maior flexibilidade logística e de planejamento, evitando atrasos e reduzindo custos de estoque. Além de atender às novas normas da ABNT, o que inclui a UL94 V0 a três mm e as normas Reach, o PBT oferece alta resistência a impactos e outras propriedades de alto desempenho.

A resina também incorpora estabilizantes de UV, retardantes a chama e pigmentos. Essa composição economiza tempo e evita operações secundárias. Uma vantagem adicional é viabilizar a fabricação de assentos com paredes mais finas se comparadas aos materiais convencionais usados nesta aplicação.

Outro uso de plásticos de engenharia em projetos de estádios é a chapa Lexan Thermoclear com estrutura em X e três camadas, que oferece resistência a ventos e ao impacto até 250 vezes maior que o vidro.

A configuração em multicamadas do produto proporciona isolamento térmico e contribui para a certificação LEED, um dos requisitos fundamentais para construções sustentáveis. Outro benefício do produto é seu baixo peso, o que o torna econômico para o transporte e mais fácil de manipular e instalar em comparação com os pesados painéis de vidro.

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Cobertura de chapas de PC da Sabic, no SESI Ribeirão Preto-SP

Esses sistemas de chapas, com espessura de 40 e 50 mm, são opções para a aplicação na forma de revestimentos e fachadas de estádios. A economia de energia em relação ao sistema de envidraçamento tradicional de painel duplo também é destacada pela empresa, assim como as propriedades antigrafite e a conformidade com as normas de construção civil estabelecidas pela International Conference of Building Officials (ICBO).

O avanço dos plásticos na construção civil tem outros inimigos além dos impostos.

No caso dos forros de PVC, o fato de o processo de extrusão, na maioria das vezes, não gerar grandes dificuldades para novas empresas (entrantes) resultou no aumento dos players. Atualmente, cerca de 130 empresas produzem o material no Brasil, tornando o produto uma commodity, com acirradas disputas de preços.

“Somente produções em escala levam alguma vantagem nos custos de fabricação e na sobrevida num ambiente altamente competitivo”, explica o diretor executivo da Afap, José Carlos Rosa.

Carlos Teruel, gerente de produto da Tigre, explica que os problemas variam de acordo com a aplicação dada ao plástico, portanto, são os mais variados. “Em redes elétricas, por exemplo, a qualidade da matéria-prima empregada na confecção dos eletrodutos e caixas são fatores determinantes no bom funcionamento do sistema”, detalha.

Segundo ele, eletrodutos que dobram ou amassam com facilidade ou, pior ainda, que propagam chamas com facilidade, representam um risco permanente em qualquer obra.

No caso de hidráulica, ele chama a atenção para os tubos que não suportam pressões às quais são submetidos, podendo ocasionar vazamentos e muita dor de cabeça.

“Se a utilização do plástico cresce a cada dia, os problemas provenientes do plástico de má qualidade crescem junto”, resume. Na utilização de uma parede plástica, os problemas podem envolver desde os estruturais (perdas das propriedades mecânicas) até os estéticos (perda da pigmentação ou amarelamento).

Márcio Cordeiro, gerente de materiais, ambiente, saúde, segurança e qualidade da Mexichem Brasil para as marcas Amanco, Plastubos e Bidim, complementa lembrando que a qualidade dos produtos plásticos está diretamente ligada à qualidade da matéria-prima utilizada, ao processo de transformação empregado, à correta especificação do produto a ser aplicado na obra, bem como à sua perfeita instalação de acordo com as normas técnicas.

“No que tange aos produtos de PVC com aplicação na construção civil, a formulação ideal leva em consideração a aplicação do produto que será fabricado”, diz ele. Além da resina, outros aditivos são acrescidos para garantir as mais variáveis características físicas e químicas do produto.

Cordeiro destaca que os parâmetros relevantes para a seleção de tubos e conexões sempre serão as condições de vazão, pressão, temperatura e composição química da água ou líquido que vai escoar no sistema. E esses parâmetros são determinantes para a definição da composição da matéria-prima. “Ao PVC, de longe o mais consumido, juntam-se outros materiais, como polipropileno (PP), CPVC e PEX”, finaliza.

Parceria favorece setor

O relacionamento entre usuários na construção civil, fabricantes e quem está no meio do processo, é fundamental para os projetos serem bem-sucedidos, como aconteceu com a Metroform e a Sabic.

No caso do mercado de PVC, José Carlos Rosa, da Afap, destaca que, em volume, os principais fornecedores do setor são a Braskem e a Solvay. “Por tratar-se de commodity, o PVC tem seus preços regulados de acordo com o comportamento do mercado internacional.

Variações da cotação do dólar e do preço do petróleo também podem contribuir para oscilações”, explica. De acordo com ele, os associados da Afap têm acompanhado, com apreensão, a importação de produtos acabados, de origem chinesa, com preços irreais e de baixa qualidade.

Márcio Cordeiro, da Mexichem, destaca que os fornecedores de matérias-primas atuam como parceiros e são fundamentais na busca de novas oportunidades no mercado da construção civil.

“Normalmente, são fornecedores de renome internacional que conhecem outros mercados e nos ajudam a buscar boas oportunidades e inovações. Eles trazem alternativas mais econômicas e soluções técnicas para problemas que, muitas vezes, são de difícil tratativa”, explica. “Todos têm a consciência de que um depende do outro para se manter vivo nesse mercado fortemente competitivo e bastante agressivo.”

Para Carlos Teruel, da Tigre, o relacionamento é estreito. “O produtor e o transformador unidos vão muito mais longe. Desde o processo, estamos sempre buscando inovação e produtividade. A matéria-prima é ponto chave para que este objetivo seja alcançado.

Mas principalmente pelo mercado, que está sempre atrás de soluções sustentáveis, consumo de volumes cada vez menores de recursos naturais, durabilidade etc”, diz. Teruel destaca o caso do polietileno verde, resina com eteno derivado da cana-de-açúcar, como exemplo desta prática.

O fabricante da matéria-prima desenvolve a solução e o fabricante o aplica nos produtos destinados ao consumidor final, beneficiando todos os elos da cadeia, na avaliação do executivo.

Outro exemplo citado de relacionamento são os PSQs (Programas Setoriais da Qualidade), que permitem uma fiscalização do mercado com base em volumes de venda informados pelos produtores, garantindo a conformidade dos produtos comercializados no país.

 

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