Plástico na Construção – Uso dos polímeros se consolida

Uso dos polímeros se consolida em setores já tradicionais e avança em novas aplicações

A Tigre divulga há anos que a participação de tubos e conexões representa menos de 3% do custo de uma obra, informação oriunda de um longo período de acompanhamento do segmento.

Na Europa, segundo a empresa portuguesa Ambiente, especializada na reciclagem, a participação dos materiais plásticos representa 10% de uma casa média.

Outro dado europeu indica que 17% do total da produção da indústria de plásticos é consumido pela construção civil. No Brasil, não há muitos dados, mas a Abiplast estima, em seu relatório mais recente, que 14,6% dos plásticos transformados sejam absorvidos em canteiros de obras.

Os números podem ser ainda mais impressionantes, como destaca Carlos Teruel, gerente de produtos da Tigre.

Apesar de ressaltar que os dados citados acima se restringem ao nicho de tubos e conexões, ele argumenta que já existem construções quase que totalmente baseadas no PVC.

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Teruel: construção de casas de PVC têm potencial para crescer

“As partes que fogem do material são a base de concreto, a estrutura metálica e o telhado galvanizado. Todo o restante é plástico”, diz ele.

O especialista lembra que o preenchimento das paredes, nesse caso, é feito normalmente, com o uso de concreto leve, embora possa ser executado até mesmo com areia, em construções temporárias.

“Diante de todas estas opções, não é possível ser exato, mas facilmente esta participação pode passar de 50% da obra”, informa.

Para os especialistas da Sabic, um dos grandes fabricantes mundiais de plásticos de engenharia, não existe nenhuma norma que indique o uso de materiais específicos para uma aplicação determinada, caso do PVC para tubulações. Na avaliação deles, cada polímero, com seu desempenho específico, acaba sendo aplicado quando existe uma boa relação entre desempenho e custo.

Segundo a empresa, os plásticos de engenharia são muito utilizados atualmente na área de acabamento das obras (componentes internos de metais, acessórios para banheiro/cozinha, chapas de PC), elétrica (interruptores, disjuntores) e na infraestrutura de construção (formas).

Não há dados percentuais sobre o uso de termoplásticos de engenharia (ETP) na área de construção civil, mas se estima que seja crescente a presença desses materiais. Para a Sabic, existem mais empresas com o arrojo necessário para converter peças metálicas, cerâmicas, termofixos, incluindo madeira, em ETP.

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Viviane Glugovskis- Mexichem – tubos de ferro fundido foram substituídos por plástico

Viviane Glugovskis, especialista em desenvolvimento de produtos da Mexichem Brasil para as marcas Amanco e Plastubos, prefere não arriscar uma estatística e diz que o índice de utilização de materiais plásticos pode variar de obra para obra.

Independentemente de métricas exatas, os técnicos ouvidos nessa reportagem são unânimes em afirmar que o plástico ganha um espaço cada vez maior na construção civil.

E mesmo em espaços tradicionais, como nas obras enterradas de saneamento, onde o PVC amplia sua participação. A maior inovação, de acordo com Teruel, da Tigre, é a tubulação de polietileno reticulado (PEX), totalmente flexível.

Esse produto permite as ligações ponto a ponto, usando um número reduzido de conexões. O resultado, na obra, é maior estanqueidade, alta flexibilidade e mais rapidez na hora da instalação.

A durabilidade é outra característica desse tipo de produto, na avaliação da Tigre, uma vez que as conexões são fabricadas com polissulfona (PSU) e não sofrem corrosão. O PEX segue um processo de evolução, ganhando mais terreno, ao lado de materiais que já estão se tornando tradicionais nas linhas de esgoto e na soldável para água fria.

Além dessas duas, Teruel ressalta outros dois segmentos que representam uma parcela considerável do faturamento da empresa: o CPVC para água quente e os eletrodutos e acessórios plásticos para eletricidade predial. “Ambos já estão virando tradição, tanto para a Tigre quanto para o mercado, recaindo naqueles casos em que o nome comercial da linha vira sinônimo do produto”, argumenta o executivo.

Viviane, da Mexichem, concorda com Teruel ao destacar o PEX. “A principal inovação são os sistemas maleáveis como o PEX monocamada, utilizado para água quente e fria, e o PEX multicamadas, indicado para gás”, complementa. Ela avalia que as principais aplicações de tubulação plástica em uma obra são sistemas de esgoto, água quente e fria, além de reservatórios.

Ao analisar o mercado de tubos e conexões, ela acredita que o maior uso acontece tanto nos segmento predial como na área de infraestrutura. No primeiro, as tubulações de cobre e aço galvanizado estão perdendo espaço para tecnologias plásticas, como PPR, CPVC e o já citado PEX.

Além de tubulações, o uso de reservatórios em fibrocimento também está dando lugar aos fabricados de plástico (PE), na análise da especialista. Os produtos da linha elétrica de plástico, caso dos quadros de distribuição e caixas de luz, também crescem em volume.

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Tubos de PEX são exemplos de inovação

Teruel, da Tigre, considera o segmento predial como obra comum, e avalia que as aplicações padrão já estão consolidadas, representadas pelos tubos para condução de esgoto doméstico, água fria e pela infraestrutura de rede elétrica, os chamados eletrodutos.

Na última década, no entanto, ele acredita que os materiais plásticos tiveram um marco, substituindo vários outros produtos. A transição aconteceu principalmente em aplicações como as caixas-d’água, anteriormente de fibrocimento, redes para condução de água quente, de metal, assim como os dispositivos de extinção de incêndio (sprinklers, em aplicações comerciais), também de metais.

Outras aplicações tradicionalmente de madeira, caso dos forros e revestimentos de piso, além de esquadrias como portas e janelas, passaram a adotar o PVC. “Todos eles estão sendo usados em larga escala, já que apresentam grandes benefícios e um custo que se mostra cada vez mais competitivo”, argumenta o executivo.

Da mesma forma, ele avalia que as casas de PVC têm espaço para crescer em escala comercial, apesar de ainda não serem um padrão de mercado. Foi esse cenário que impulsionou lançamentos recentes como os da marca Amanco, da Mexichem, na área predial, com produtos para linhas de água quente, e dos quadros de distribuição de PVC na linha elétrica.

O incremento do PVC em aplicações como forro e esquadrias exemplifica como os plásticos mudam o cenário da construção civil. O segmento já tem, desde 1988, sua própria entidade de classe, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Perfis de PVC para Construção Civil (Afap). Os associados têm um perfil majoritário: são empresas de extrusão de materiais plásticos, localizadas em todo o país, porém mais concentradas no Sul e Sudeste.

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José Carlos Rosa – Afap  – aposta em produtos criados de acordo com as normas técnicas

De acordo com José Carlos Rosa, diretor executivo da entidade, os 20 associados representam aproximadamente 75% do volume de forros de PVC produzidos e comercializados no Brasil, para ficarmos num só material.

Ele informa que, na área da construção civil, além do forro de PVC, alguns associados produzem forros modulares (forro placa), divisórias, tubos e portas sanfonadas, todos, é claro, de PVC. A linha de produtos ainda inclui acessórios e perfis extrudados para linha branca, entre outros.

O diretor executivo da Afap ressalta que o uso do PVC nessas áreas ainda enfrenta barreiras. “Historicamente, o plástico carrega restrições psicológicas em algumas aplicações.

Quem não se lembra da dificuldade de aceitação do material nos para-choques e painéis automotivos?”, destaca. Para ele, o nome genérico “plástico”, com suas características de múltiplas aplicações, é muitas vezes associado de forma equivocada com produtos menos nobres ou frágeis ou de pouca durabilidade. “No caso da construção civil isso é extremamente sensível”, lembra.

Uma das formas de evitar esse processo, de acordo com ele, é o investimento em qualidade. Rosa avalia que o forro de PVC, produzido dentro das normas técnicas, tem obtido boa aceitação no mercado ao qual se destina, o que inclui aplicações comerciais, industriais e em residências de cunho social, assim como em áreas molhadas de residências de médio padrão e nos hotéis.

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Forro de PVC tem tido boa aceitação no mercado

No entanto, uma grande barreira a ser superada é a do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) incidente sobre o forro de PVC. Enquanto outros materiais para o mesmo fim possuem alíquota zero, o forro de PVC arca com uma alíquota de 10%, o que dificulta o aumento de sua penetração e incentiva a sonegação.

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