Plástico na construção – Sistemas construtivos de PVC e de termofixo propõem vantagens técnicas e financeiras para vencer o déficit habitacional brasileiro

Com projeções alentadoras, descoladas da crise imobiliária americana que contaminou o cenário internacional, a construção civil brasileira vive um dos melhores momentos de sua história. De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), a demanda nacional para este ano está quase toda contratada. Estimativas promissoras apontam para o setor um PIB da ordem de 10%, calcado na ampliação do crédito habitacional em recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, que deverá contribuir em 45% dos investimentos. Atenta às oportunidades, a indústria do plástico viu acender o sinal verde para lançar sua maior aposta na construção civil, com planos ambiciosos de transformar o cenário habitacional nos próximos anos. Trata-se de dois sistemas construtivos, desenhados como alternativas para reduzir o déficit brasileiro de moradias. Um privilegia o termoplástico, o PVC; o outro, um termofixo, o poliéster insaturado.

Em ambos os projetos, contam a seu favor vantagens relevantes como a redução drástica de desperdícios nas obras e no tempo de construção. A agilidade na montagem resulta, ainda, em economia com mão-de-obra. Os dois sistemas, igualmente, dispensam acabamento e oferecem isolamento térmico e acústico. Esses fatores, aliados a outros benefícios, os tornam interessantes e competitivos em relação à alvenaria.

Terreno propício – Carente de investimentos por muitos anos, a área de habitação e saneamento sinaliza um dos melhores momentos para, se não zerar, pelo menos reduzir a números menos vultosos o déficit brasileiro, cravado em oito milhões de moradias urgentes, das quais 6 milhões referentes a indivíduos com renda abaixo dos cinco salários mínimos. “A indústria da construção privada está entrando na seara da habitação popular, está demonstrando interesse nessa faixa”, comentou o gerente de desenvolvimento de mercado da Braskem, Luciano Nunes.

Plástico Moderno, Luciano Nunes, gerente de desenvolvimento de mercado da Braskem, Plástico na construção - Sistemas construtivos de PVC e de termofixo propõem vantagens técnicas e financeiras para vencer o déficit habitacional brasileiro
Nunes: sistema funciona como um processo de industrialização

Nesse contexto, sistemas com conotação de linha de produção somam pontos a favor. Se, ainda, eliminam os desperdícios de materiais (hoje, superiores a 10% da obra), sinônimo de economia substancial, e reduzem significativamente o tempo de construção, podem avançar diversas casas nesse jogo construtivo. Eis a fundação para as casas de plástico ganharem terreno na disputa com a tradicional alvenaria. “O sistema construtivo Concreto PVC oferece uma linha de montagem, um processo de industrialização”, explica Nunes.

Como as construtoras estão capitalizadas, o momento se mostra propício para decolar o sistema, que promete beneficiar do projetista ao usuário final. O caráter modular, sinônimo de versatilidade, favorece o projetista. A construtora ganha em diversos aspectos, tais como: quanto menos artesanal o processo, maior o controle sobre ele; a agilidade na construção equivale a menos mão-de-obra e menor custo, e outros mais. Para o consumidor, a conservação é simples e a durabilidade suplanta a da construção convencional.

Existem no mundo cinco tecnologias em sistemas construtivos com base em painéis de PVC preenchidos com concreto, segundo informações de Nunes. No Brasil, duas empresas dispõem do know-how, ambas no Rio Grande do Sul: a Plásticos Vipal S.A., com fábrica instalada em Porto Alegre, e a Royal do Brasil Technologies S.A., com escritório na mesma cidade. Cada empresa manipula sua própria formulação do composto de PVC. Em comum, ambos os compostos são elaborados com a resina fornecida pela Braskem, que investiu acima de R$ 800 mil em pesquisas (como avaliações térmicas, estudo do concreto mais adequado e com melhor custo etc.) e na divulgação do sistema, dirigido às construtoras. “Não está disponível ao consumidor final”, avisa.

As edificações atendem a todas as normas exigidas para a construção civil e têm aprovação do corpo de bombeiros. “Permitem ampliação com alvenaria e aceitam acabamento convencional, caso o consumidor queira a aparência tradicional: massa corrida, azulejo, pintura”, informa Nunes. Para limpeza, basta água e sabão. Ele ainda ressalta outras vantagens: menor consumo de água e energia na obra, redução substancial de resíduos de construção, durabilidade e baixa manutenção. Com todos esses atributos, o sistema exibe um custo bem competitivo: uma casa de 43 m² sai por cerca de R$ 21 mil.

Nos cálculos dele, existem no Brasil cerca de 500 construções do gênero, de diferentes portes: desde 28 m² até 1.200 m². Como, infelizmente, ainda existem muitas habitações em condições precárias de saneamento básico, o número sobe para 1.500, se incluídos os módulos sanitários (banheiros).
O gerente da Braskem prevê a comercialização de 20 mil a 30 mil edificações, no prazo de cinco anos. Ainda em 2008, os planos contemplam a construção de 2 mil casas, distribuídas em São Paulo, Mato Grosso e Alagoas. Em fase de fechamento de contrato, ele menciona outras 300 casas a serem construídas na região de Campinas-SP.

Entre as estratégias para impulsionar a construção das casas de PVC, a Braskem criou o projeto Concreto PVC, por meio de uma parceria recentemente firmada com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), a Royal e a Vipal, para o desenvolvimento de projetos com base no sistema.

Como primeiro resultado desse acordo, as empresas inauguraram, no final de março, uma casa de Concreto PVC de 43 m², na sede do Lar Santa Maria, uma organização não-governamental (Ong), em Cotia-SP. O evento contou com a participação de executivos e autoridades do setor de habitação interessados em conhecer o sistema, além de prefeitos de diversas cidades.

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Os módulos de perfis da Royal têm encaixe simples

Essa casa abriga a sede da rádio comunitária da Ong, batizada com o nome de José Carlos Pierucetti, arquiteto da Braskem idealizador desse sistema construtivo com fins sociais no país, morto no acidente da TAM, em São Paulo, em junho do ano passado.

O Lar Santa Maria atende jovens carentes, de 15 a 18 anos, com ações voltadas, em especial, a facilitar a entrada no mercado de trabalho. Além da rádio, a Ong aproveita as instalações para ministrar aulas de DJ e de locução para esses jovens.

A unidade instalada no Lar Santa Maria, construída em parceria com a Royal, consiste em um sistema de perfis leves de PVC, com encaixe simples dos módulos, depois montados e preenchidos com concreto e aço estrutural. Os painéis atuam como fôrma para o concreto e formam o acabamento interno e externo às paredes. A nova rádio da Ong serviu também para demonstrar a capacidade do material de permitir acabamentos convencionais, como azulejos, pintura e texturização, e de se integrar a outros sistemas: a casa tem uma extensão feita de alvenaria com blocos de concreto.

O vice-presidente da unidade de vinílicos da Braskem, Luis Felli, participou da inauguração e revelou perspectivas promissoras, sustentadas nas parcerias firmadas e nos recursos do PAC. “O foco do projeto é a moradia popular. O sistema garante flexibilidade, ganho de escala e implementação rápida.”

Made in Brasil – Fabricado no sul do país, o sistema construtivo Casaforte foi desenvolvido pela Medabil, que, há quatro anos, vendeu o negócio para a Vipal, líder no mercado brasileiro e na América Latina no segmento de borracha. A decisão de compra foi tomada com foco na diversificação em atividade que mantivesse o crescimento da empresa. “Buscamos setores com sinergia e identificamos no plástico essa oportunidade, com a expectativa brasileira de investimentos em infra-estrutura”, contou o diretor-executivo da Vipal, Carlos Humberto Amodeo Neto.

A área de plásticos é dividida em três unidades de negócios de produção e vendas: a de varejo (forros, portas sanfonadas, divisórias e acessórios para forros) representa cerca de 85% do volume de vendas e faturamento; a de esquadrias e perfis de PVC para montagem de portas e janelas responde por entre 10% e 12%; e o sistema construtivo detém parcela estimada em 3%.

Plástico Moderno, Carlos Humberto Amodeo Neto, diretor-executivo da Vipal, Plástico na construção - Sistemas construtivos de PVC e de termofixo propõem vantagens técnicas e financeiras para vencer o déficit habitacional brasileiro
Amodeo visa os loteamentos residenciais de baixa renda

A tecnologia Casaforte provém da empresa canadense Digigraph, com direitos concedidos à Vipal para uso no Brasil e na América Latina. “Nosso foco são as construtoras, na implementação de loteamentos residenciais de baixa renda, segmento em desenvolvimento no país, e também de projetos específicos, como módulos sanitários, estações de tratamento de esgoto, centros de saúde, escolas e outros”, informou Amodeo.

O sistema construtivo é constituído por paredes formadas por módulos “encaixáveis” dos perfis de PVC, do tipo macho-fêmea, preenchidos com concreto. Os módulos são encaixados verticalmente na obra, formando as paredes – uma fôrma natural para a concretagem. Trata-se de um processo industrializado, organizado em quatro etapas: montagem de radier, paredes, cobertura e acabamento.
As instalações hidráulicas e elétricas podem ser colocadas interna ou externamente aos perfis e o preenchimento dos módulos, feito com concreto convencional ou celular. O perfil (natural, pintado ou texturizado) é usado como acabamento final nas áreas internas e externas da construção. A construção de PVC é compatível com os materiais de alvenaria convencional.

A formulação, elaborada pela própria empresa e específica para a aplicação, tem na proteção ultravioleta o foco principal. “Como o PVC é uma resina intrinsecamente auto-extinguível, dispensa aditivos antichama.” Os compostos são analisados sistematicamente pelo laboratório de estruturas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O polímero, derivado do cloro, contém elevado teor dessa substância – quase 60% em peso –, razão pela qual apresenta baixo índice de inflamabilidade e alta taxa de extinção de chama no processo de combustão. Removida a fonte da chama, o fogo cessa imediatamente. As formulações de PVC rígido (como as dos perfilados), em particular, são muito resistentes à ignição e à propagação de chamas.

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Casaforte também assegura conforto térmico e acústico

Outra vantagem do PVC em ambiente de incêndio reside no fato de o polímero ter menos carbono na cadeia, sinônimo de menor emissão de gás carbônico. “Emite, sim, ácido clorídrico, que é irritante, mas não letal, como o monóxido e o dióxido de carbono. Não é o ácido clorídrico que provocará morte por asfixia”, defende Miguel Bahiense Neto, diretor-executivo do Instituto do PVC. De qualquer modo, é possível adicionar substâncias supressoras de fumaça e de reforço das propriedades antichama ao composto de PVC.

O diretor-executivo da Vipal enumera ainda outros benefícios da resina, revertidos para os imóveis fabricados com esse sistema alternativo. “A estrutura de PVC resiste ao impacto, não sofre ataque da cal ou cimento e apresenta elevada resistência química”, pondera Amodeo.

Ele atribui ao sistema vantagens como conforto térmico e acústico, outras propriedades intrínsecas da resina, e reforça o fato de acelerar a construção e diminuir os desperdícios: “Racionaliza o canteiro de obras e reduz as perdas a quase zero.” Segundo assegura, é possível construir uma casa em dez dias e dez casas em 40 dias.

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Os módulos fabricados pela Vipal, do tipo macho e fêmea, formam paredes de 75 mm

Sobrados – A Vipal está apta a produzir, por mês, cerca de 500 t de perfis, equivalente a algo como 400 casas de 50 m². Cada unidade construída carrega, em média, 1,2 tonelada de plástico. A empresa vende da ordem de 30 t a 50 t mensais. Os projetos atuais comportam até três pavimentos, mas Amodeo declara ter capacidade técnica para levantar edificações maiores. “Estarão, porém, sujeitas a estudo de engenharia estrutural”, avisa.

A espessura da parede é padrão: 75 mm. “Atende a todos os desempenhos técnicos requeridos pela norma de construção brasileira.” As metragens são customizadas de acordo com o projeto do cliente e embutem serviços de engenharia e apoio, explica o diretor-executivo.

Até o momento, a Vipal soma cerca de 200 casas instaladas no país, referentes a diversos projetos, os principais localizados no Sul, na Grande Porto Alegre. Amodeo destaca duas habitações-modelo instaladas no Senai de Alagoas como exemplo de casa típica da região. “Atende às necessidades climática e cultural.”

O processo da Vipal é todo automatizado e as casas saem prontas da empresa, com todos os perfis identificados e sob medida para a construção de cada unidade. Concreto incluso, o custo da obra gira em torno de R$ 500,00 o m², revela Amodeo.

Ele compartilha a opinião de que o momento é propício para deslanchar o sistema, graças à elevada capitalização das construtoras e aos diversos investimentos, de grande monta, por elas empreendidos. “As construtoras estão criando empresas específicas para atuar no segmento de baixa renda”, comenta o diretor-executivo, que comemora o fato de a Vipal estar sendo muito solicitada para participar desses projetos. “As perspectivas de concretizar negócios, disseminar e consolidar o conceito do Concreto PVC na construção civil são muito boas.” A meta dele é elevar a participação do sistema construtivo no faturamento da empresa de 3% para 5%, ainda neste ano.

Na opinião de Amodeo, os sistemas construtivos da Vipal e da Royal são muito semelhantes, com desempenho técnico similar. Ele aponta como diferenciais de sua empresa a garantia de fornecimento local e a logística. “Temos capacidade de transportar quatro vezes mais kits por carga em relação à concorrente, o que permite reduzir a necessidade de área disponível no canteiro de obras, sinônimo de racionalização e substancial redução no custo logístico.”

Produção argentina – Criada em Toronto, Canadá, há 38 anos, a Royal Group Technologies é renomada mundialmente no campo da extrusão, com atuação em diversos países, Brasil inclusive, onde instalou a sua filial Royal do Brasil Technologies S.A., em Porto Alegre. O diretor-geral da unidade brasileira, Carlos Torres, informa ter investido acima de R$ 4 milhões em desenvolvimento de mercado, desde seu estabelecimento no país, em 2000.

A tecnologia do sistema construtivo da Royal foi criada por sua matriz, bem como a formulação do composto de PVC. De acordo com o diretor, o material passou por ensaios para avaliar as resistências mecânica, química, à umidade, à intempérie, ao fogo, entre outras características, a fim de ser homologado em diversos países. Ele ressalta também o controle de qualidade, compreendido por três tipos de monitoramento, com o objetivo de assegurar qualidade adequada e uniforme. “Também foram feitos testes sobre as paredes terminadas do Concreto PVC, para avaliar seu comportamento e demonstrar sua viabilidade técnica”, declarou Torres.

Na verdade, tanto o composto da Vipal como o da Royal são exclusivos, pois cada empresa desenvolveu sua própria receita. A empresa de origem canadense ressalta algumas características de seu produto, como a ausência de chumbo na formulação e classe A para propriedades antichama. “Não propaga a chama e não goteja.” A proteção contra os raios ultravioleta é assegurada por vinte anos. “Sem perda de cor ou variações de qualquer tipo.”

Às vantagens já alardeadas para o sistema, o diretor da Royal acrescenta, ainda, a simplicidade na construção, a certeza nos custos de obra e a ausência de patologias (tais como cupins e brocas, comuns em madeira). No seu entender, as dificuldades em disseminar a alternativa do PVC consistem em lidar com a mudança de paradigmas no mercado e vencer a resistência ao uso de novas tecnologias na construção.

Os perfis fabricados pela Royal são processados por co-extrusão, propiciando um acabamento de brilho e cor. Montados como um “lego”, essas fôrmas ocas de PVC rígido são preenchidas com concreto, na obra. As paredes podem ter espessura de 64 mm, 100 mm ou 150 mm de acordo com o requerimento do projeto. “É feita uma fundação convencional, em cima são montados os kits ocos, inseridos os reforços de aço e instalações, e preenchidos com concreto. Depois, são feitos o telhado e os acabamentos de pisos, forros, louças e esquadrias”, resume Torres.

Os painéis de 100 mm e 150 mm de espessura suportam construções de até cinco andares, com o uso de concreto estrutural, dispensando vigas e colunas. As lajes podem ser feitas com sistemas convencionais e até mesmo com os painéis de PVC de 100 mm, dispostos na horizontal.

A tecnologia da Royal compreende módulos de duplo encaixe, montados verticalmente na obra. Saem da fábrica todos os perfis para a montagem de paredes, tetos, marcos e pré-marcos de janelas, condutores elétricos, rodapés, molduras e acessórios de acabamento. As instalações elétricas e hidráulicas são convencionais e instaladas no sentido vertical.

Plástico Moderno, Carlos Torres, diretor-geral da unidade brasileira, Plástico na construção - Sistemas construtivos de PVC e de termofixo propõem vantagens técnicas e financeiras para vencer o déficit habitacional brasileiro
Torres prevê a realização de bons negócios neste ano

Nos cálculos dele, para uma casa popular, com cerca de 36 m² de área, o kit de PVC das paredes e marcos de portas e janelas equivalem a aproximadamente 750 kg de resina. O custo gira em torno de R$ 500,00 o m², para a casa pronta.

A planta industrial da Royal, situada em Buenos Aires, Argentina, responsável por abastecer o Brasil, entre outros mercados, dispõe de uma capacidade aproximada de mil unidades de kits de casas do tipo popular (36 m² de área) por mês.

O diretor prevê o deslanche nas vendas em 2008: “A perspectiva de negócios neste ano é muito boa, pelo crescimento da demanda de tecnologias industrializadas para resolver a problemática da habitação popular”, comemora Torres.

O bom momento da construção civil brasileira suscita a hipótese de a Royal construir uma fábrica do gênero no Brasil, mas o seu diretor só vê a possibilidade de isso ocorrer no médio prazo. O sinal verde deve se acender quando a empresa consolidar uma demanda local mínima e contínua. Além disso, condiciona o fato à obtenção de condições vantajosas nas regiões com possibilidades de sediar a futura planta industrial e à consolidação de parcerias estratégicas com empresas locais para o investimento.

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CasaPrática emprega estrutura sanduíche nas paredes

Laminado termofixo – O sistema construtivo Wall System, projetado pela MVC Componentes Plásticos Ltda., empresa de São José dos Pinhais-PR, ligada ao grupo Marcopolo, dispensa concreto. A sustentação é metálica (o esqueleto é de aço), enquanto as paredes são constituídas por uma estrutura sanduíche, formada por três lâminas: uma de compósito (resina ortoftálica aditivada e reforçada com  fibra de vidro), um núcleo e outra de compósito. O núcleo tem na composição poliestireno expandido específico para uso na construção civil, fibras de vidro especiais e gesso. Os painéis revestem a estrutura metálica, formando as paredes internas, externas e o forro. A espessura da parede das casas é de 96 mm.

Além da alta resistência mecânica e química, do isolamento térmico e acústico (garantido pela presença do poliestireno expandido), essas placas possuem características auto-extinguíveis e de baixa emissão de fumaça, em caso de incêndio. Elaborados na MVC por processo automatizado de laminação contínua, os painéis podem sair da fábrica já coloridos, com pigmentação na resina ou em gel coat (acabamento).

Mentor do projeto, batizado de CasaPrática, Gilmar Lima, gerente-geral da MVC, enumera diversas vantagens do sistema: é modular, elimina desperdícios, possibilita uma montagem rápida, dispensa o uso de ferramenta pesada (porém, requer profissional especializado) e pintura. Quanto à durabilidade, a MVC assegura dez anos de garantia para o sistema e o dobro para suas paredes.

Plástico Moderno, Gilmar Lima, gerente-geral da MVC, Plástico na construção - Sistemas construtivos de PVC e de termofixo propõem vantagens técnicas e financeiras para vencer o déficit habitacional brasileiro
Lima entrou no setor para gerar maior valor agregado

Quando idealizou o projeto, Lima tinha em mente traçar uma estratégia para abrir nova área de atuação para os compósitos de alto desempenho produzidos pela empresa e bem conhecidos do setor automotivo. “A idéia era entrar na construção civil com um produto diferenciado, que gerasse valor agregado.” Segundo o gerente-geral, o objetivo inicial era o de desenvolver um produto capaz de atender à população de baixa renda e combater o déficit habitacional brasileiro.

O primeiro ano, 2003, foi dedicado ao estudo e definição dos materiais, com base na norma brasileira que rege a construção civil. O projeto deslanchou primeiro com a parceira tecnológica da MVC, a francesa Pôle Platurgie, que colaborou na formulação do composto. “Uma parte da tecnologia foi desenvolvida internamente na MVC e outra em conjunto com o centro de tecnologia francês e os fornecedores”, conta Lima.

Depois vieram os ensaios: a Universidade Federal de Minas Gerais respondeu pelos cálculos estruturais; o Instituto de Pesquisas Tecnológicas se encarregou dos testes de resistências à carga, ao impacto, colapso ao fogo e outros; e a Universidade Santa Maria analisou a isolação térmica e acústica. O resultado, na opinião de Lima, foi um produto com características superiores à alvenaria convencional. As partes hidráulicas e elétricas são definidas no projeto, integradas à parede.

O sistema consumiu mais um ano para obter a homologação. Só em 2005 a MVC conseguiu lançá-lo comercialmente, mas enfrentou forte preconceito. Consciente de que o mercado brasileiro seria um desafio, um processo lento de desenvolvimento, Lima lembra ter ouvido muito: “Casa de plástico? Pode cair……” Desde seu início até hoje, a CasaPrática absorveu investimentos da ordem de US$ 10 milhões.

Plástico Moderno, Plástico na construção - Sistemas construtivos de PVC e de termofixo propõem vantagens técnicas e financeiras para vencer o déficit habitacional brasileiro

Os sistemas, no entanto, não constituíam novidade no mercado externo, que considerou de alta performance o produto oferecido pela MVC. Primeiro país a apostar nessas construções, Angola constitui hoje um mercado consolidado e comprador sistemático, por intermédio de diversas construtoras parceiras. Além de casas de variados tamanhos (até de 100 m²), aquele país levantou também postos de saúde e escolas. “Uma escola de 1.500 m² foi construída em 38 dias e outra de 6.000 m², em 75 dias”, ressalta Lima. Depois de Angola, o sistema foi bem recebido na Venezuela, onde a empresa conta atualmente com um parceiro local.

Segundo o gerente-geral da MVC, Moçambique constitui outro país que consome um volume interessante das unidades de plástico reforçado e apresenta uma velocidade rápida de crescimento. O fabricante do sistema construiu 36 unidades no país africano. O conjunto foi montado em tempo recorde de 35 dias. A meta, agora – informa Lima –, é consolidar a fábrica e ter volume capaz de dar retorno ao investimento realizado.

Hora de decolar – Até o final do ano passado, a MVC produziu 30 mil m², considerando a área construída. O Brasil consumiu apenas 4 mil m² desse volume, destinado, em especial, a construções no Rio Grande do Sul, estado bastante exigente por questões climáticas, e já conhecedor de sistemas do gênero. Também foram instaladas algumas casas em Curitiba-PR e no interior de São Paulo, além dos postos de serviço da Gol Linhas Aéreas, espalhados pelo país. O uso do sistema da MVC no mercado nacional tem crescido, em particular, em projetos habitacionais no interior do país, informa Lima.

Só em 2007, a empresa comercializou quase 20 mil m². Neste ano, os negócios caminham igualmente bem. Até março, a MVC tinha contratado 20 mil m². “Em apenas três meses já produzimos volume igual ao de 2007 inteiro”, comemora Lima. A fabricante comercializa o sistema completo ou apenas os painéis. A capacidade instalada é de 10 mil m² de área construída por mês.

A viabilidade econômica dessas construções em projetos padronizados requer um mínimo de 800 m². Para casas, as medidas estabelecidas são de 42 m², 63 m², 72 m², 98 m² até 300 m². Para alojamentos ou kits emergenciais, 22 m², 30 m² e 36 m². A empresa também atende projetos especiais (medidas fora do padrão), mas só acima de 42 m² e um mínimo de 50 unidades.

Considerando apenas o sistema Wall System, sem o terreno, seu custo varia em torno de R$ 650 a R$ 750 o m² e inclui a montagem completa com base e fundação. Com o terreno, esse valor sobe para algo ao redor de R$ 800 a R$ 900, de acordo com a região a ser instalado. O sistema construtivo baseado em compósitos, porém, está limitado a construções de dois andares. Acima disso, a edificação perde competitividade.

Embora seu trabalho ainda seja mais reconhecido no exterior, Lima vê com bons olhos o potencial brasileiro. As expectativas são promissoras, mas a médio prazo – o tempo necessário para vencer a cultura ainda enraizada na construção tradicional.

Os métodos alternativos de edificação, com termoplástico ou termofixo, prometem revirar o mercado de construção civil brasileiro. Em ambos os casos, seus empreendedores apostam em ocupar um bom lugar ao sol. Afinal, o sistema convencional só já não basta para atender à demanda no ritmo acelerado exigido para suprir à imensa necessidade do mercado. E se existe um momento mais propício, a hora é essa.

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O bom desempenho da construção civil favorece, como nenhuma outra resina, o PVC, de longe o líder em aplicações nessa indústria que, sozinha, responde por algo em torno de 65% do consumo nacional do termoplástico, a maior parte (43%, no ano passado) destinada à produção de tubos e conexões, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

Reerguido junto com seu principal mercado, o policloreto de vinila também entra em um período de bonança. Além dos tubos e conexões, a resina compõe diversos itens de uso consolidado, como revestimentos de fios e cabos, pisos, portas sanfonadas, divisórias, forros, fôrmas de concreto, entre tantos outros itens. Após anos de desenvolvimento de mercado, o polímero ganha terreno também nos perfilados para janelas, em substituição à madeira e ao alumínio. “A vocação do PVC é a construção civil. A resina proporciona longo ciclo de vida aos produtos e concorre com os mais diversos materiais, em todos os segmentos relacionados a esse setor”, justifica Miguel Bahiense Neto, diretor-executivo do Instituto do PVC.

Lastreado na construção civil, ele prevê para o mercado de PVC crescimentos entre 6% e 7% em 2008 e em 2009, repetindo o desempenho do ano passado. Os projetos associados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, a curto e médio prazos, e as obras de infra-estrutura necessárias para o país sediar a Copa Mundial de Futebol em 2014 – hotéis, reformas em aeroportos e estádios, entre outras – sustentam as projeções. “O marco regulatório do setor sinaliza o crescimento do PVC no longo prazo”, declara. Ele se refere à lei, ainda a ser regulamentada, que deverá reger o saneamento básico – outra mola propulsora da resina.

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3 Comentários

  1. ESSE PRODUTO PARA FAZER PAREDE DE CONCRETO COM PVC, GOSTARIA DE SABER O PREÇO POR METRO E A ESPESSURA QUE FICARÁ A PAREDE.

  2. Gostei do modelo da casa . Gostaria de saber se fazem casa,no sul do este do Paraná .
    se deixa pronta . vejo comentar sobre casas de baixo custo . mais não encontro quem faz casas . Essa casa deve ser limpa não possui muita sujeira .

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