Economia

Pólo Camaçari 30 anos – Infra-estrutura e logística

Jose Valverde
7 de agosto de 2008
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    Malha ferroviária – Com referência ao transporte ferroviário, as queixas no 2º Pólo continuam as mesmas de anos anteriores, com destaque para o tempo incerto e prolongado – nunca menos de dez dias – que os trens da Ferrovia Centro Atlântica precisam para cumprir os pouco mais de 1.600 quilômetros entre a Bahia e São Paulo (Camaçari e Paulínia). A lerdeza é atribuída principalmente aos gargalos – na Bahia, as travessias por quatro cidades: Candeias, Santo Amaro e as vizinhas, separadas pelo Rio Paraguaçu, Cachoeira e São Félix.

    Atravessar o Paraguaçu é um atentado ao patrimônio histórico, no caso à combalida ponte de ferro com lastro de madeira, relíquia do 2º Império. É requerida uma operação especial para a ponte sobreviver ao sofrimento: a travessia vagão por vagão – e são 40. A locomotiva deixa um vagão do outro lado e volta de ré para rebocar o próximo. E assim, diariamente, um trem, às vezes dois, parte ou chega – parte conduzindo resinas ensacadas da Braskem em vagões não-apropriados para tal carga, e chega com suprimentos para a fábrica da Ford.

    O almejado contorno ferroviário de Cachoeira e São Félix, 18 quilômetros de novos trilhos e uma ponte de 800 metros, é uma obra executada de acordo com o sistema stop-and-go, uma realização já perdida na sucessão de prazos previstos para a conclusão – os últimos estabelecidos pelo PAC, que anexou a obra ao rol das realizações prometidas.

    A conclusão desse contorno, juntamente com a dos previstos para Candeias e Santo Amaro, é solicitada no documento entregue ao governador Jaques Wagner na cerimônia alusiva aos trinta anos do 2º Pólo.

    Em Minas Gerais, há mais dois importantes gargalos a serviço da morosidade: a própria travessia de Belo Horizonte, e a da Serra do Tigre, no caminho para o Triângulo Mineiro.

    Malha rodoviária –Também para a malha rodoviária são solicitadas obras de “restauração e readequação”, para as BR 324 e BR 116 – genericamente em toda a extensão destas ligações com o Sudeste, marcadas pela buraqueira, que retarda e onera fretes e gerenciamento de risco – e também para a malha local do Recôncavo (BA 093), limitada aos 195 quilômetros que interligam Salvador e 17 municípios, incluindo os quatro onde há indústrias – Camaçari, Dias d’Ávila, Simões Filho e Candeias. Em Candeias fica também o Porto de Aratu.

    Como são muitas obras, o relatório sugere que o primeiro passo deveria ser a assinatura de um protocolado convênio de cooperação com o BNDES, o Banco Mundial e a International Finance Corporation (IFC) para a análise de propostas apresentadas, em virtude da realização das obras no âmbito das Parcerias Público-Privadas e do regime de concessões. Alguns dias depois das comemorações, gestores das três instituições estiveram em Salvador para assinar o convênio, anunciado pelo governo como “importante passo para a recuperação da malha viária”.

    O relatório aponta também a necessidade da conclusão de uma via exclusiva para veículos pesados entre a entrada de Salvador (BR 324) e o Porto de Salvador – um iniciado percurso de 5,1 quilômetros, incluindo um túnel de 150 metros e um viaduto de 350 metros, que desde o começo do governo Lula permanece paralisado. Desde então, a realização mais visível foi a mudança no nome desta via – de Via Portuária, nomeada pelo governo anterior, para Via Expressa, nome de batismo no PAC.

     

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