Economia

Notícias: Solvay vende negócio mundial de poliamida 6.6 para a BASF

Jose Paulo Sant Anna
22 de dezembro de 2017
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    A aquisição dos negócios de poliamida do Grupo Solvay pela Basf por € 1,6 bilhão promete agitar o mercado dessa matéria prima. Ele está previsto para ser concluído até o terceiro trimestre de 2018, depois da aprovação por parte dos órgãos regulatórios dos países envolvidos. Até lá, o grupo Solvay continua sendo o responsável pela produção desta matéria-prima em todas as plantas que têm no mundo, inclusive a que conta no Brasil.

    Plástico Moderno, Matias: produção brasileira de intermediários será mantida

    Matias: produção brasileira de intermediários será mantida

    “Ao integrar os negócios da Solvay e Rhodia com os da recém-adquirida Cytec, surgiu a necessidade de acertar o portfólio e também o aspecto financeiro, já que a companhia é muito ciosa de seu investment grade”, explicou José Matias, presidente do Grupo Solvay na América Latina. Nesse sentido, a Solvay (que atua com a marca Rhodia no Brasil) decidiu alienar produtos mais maduros, sujeitos a grandes variações de preços e margens. Ela já havia saído do ramo de PVC e compostos (em acordos realizados com Indupa e Dacarto) e filter tow (filtros para cigarros).

    A PA 6.6 é obtida pela polimerização do sal N (ou sal de náilon), formado pela reação entre ácido adípico (obtido a partir do ciclohexano) e hexametileno diamina (HMD). Há anos, a Solvay/Rhodia fabrica sua HMD com base na adiponitrila (ADP) fornecida por uma joint venture situada na Europa, formada entre ela e a sua concorrente Invista. Essa adiponitrila é derivada de butadieno.

    Na Europa, a Solvay se comprometeu a transferir para a Basf sua participação nessa joint venture, bem como a fabricação de HMD, ácido adípico, sal N e a polimerização de plásticos de engenharia. “Não temos produção de fibras têxteis na Europa”, salientou Matias.

    No caso brasileiro, no qual a produção de fibras têxteis de poliamida 6.6 é muito relevante, o acordo tem alcance diferente do europeu. “Manteremos nossa presença nos intermediários de poliamida, como ciclohexano, ácido adípico, HMD (com ADP importada) e sal N, tudo isso instalado em Paulínia-SP, bem como na polimerização têxtil de Santo André-SP”, informou. Mas a Solvay transferirá para a Basf a unidade de plásticos de São Bernardo do Campo-SP.

    Com isso, fica garantida a permanência da produção local dos derivados de fenol e acetona, entre os quais o bisfenol A, ácido salicílico e solventes especiais. Matias comentou que a metade da produção brasileira de ácido adípico é consumida internamente pela companhia e o restante se destina à fabricação de poliuretano para calçados, área na qual firmou acordo de suprimento com a Basf em julho deste ano. Em relação ao sal N, metade é encaminhada para a área têxtil e o restante para os plásticos de engenharia (marcas Technyl e Stabamid).

    A Solvay não sairá do negócio de plásticos de engenharia, embora fique sem suas instalações atuais. “Temos atuação forte em polímeros fluorados usados para impressão 3D, revestimentos para tubos no setor de óleo e gás, e peças e partes aeronáuticas”, informou. Esses materiais são importados e negociados em volumes menores do que a PA 6.6.

    Matias considerou que a saída do PA 6.6 não terá impacto muito grande na região, limitando-se entre 5% e 10% do faturamento. “Perderemos vendas de resinas, mas ganharemos com as vendas de sal N para a Basf, isso era transferência intracompany”, explicou. No mundo, o negócio vendido teve faturamento de € 1,3 bilhão em 2016, para vendas líquidas totais do Grupo Solvay de € 10,9 bilhões, dos quais € 1,1 bilhão obtidos na América Latina.

    A Basf comemorou a negociação por reforçar sua atuação em poliamidas, tanto por aumentar sua capacidade de polimerização de PA 6.6, quanto pelo acesso mais amplo à adiponitrila na Europa. A companhia alemã também atua em PA 6 (de caprolactama). No Brasil, a Basf adquiriu há alguns anos a divisão de polímeros de PA 6 Mazzaferro, em São Bernardo do Campo-SP, unidade desativada, substituída por importações.



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    Um Comentário


    1. Jeferson Andrade

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