Plastech Brasil – Feira na Serra Gaúcha atrai visitantes qualificados

Prévia - Feira de Plásticos

Quantidade similar de expositores, com número maior de visitantes (relativamente à edição anterior, de 2013) e, por causa da conjuntura econômica desfavorável, perspectivas de geração de negócios pouco previsíveis: essas são as expectativas colocadas para a nova edição da Plastech Brasil, feira da cadeia dos plásticos realizada a cada dois anos na cidade de Caxias do Sul, na aprazível Serra Gaúcha, programada para 25 a 28 de agosto.

Assim como já havia acontecido em 2013, nesta edição – a quinta de sua história –, o evento contará com aproximadamente 250 expositores, ligados aos vários elos da cadeia do plástico: matérias-primas, máquinas e equipamentos, moldes, ferramentas e serviços.

Mas a quantidade de visitantes superará a marca dos 25 mil, podendo chegar até 30 mil, muito acima dos 23 mil da edição anterior, como prevê Célia Marin, coordenadora do evento.

“A atual conjuntura estimula a busca por informações, negócios e oportunidades, e a feira possibilita tudo isso, atraindo maior visitação”, ressalta.

Talvez confirmando a tese proposta pela coordenadora da Plastech, empresas que até agora nunca haviam registrado presença direta no evento este ano ali estrearão como expositoras.

Caso, por exemplo, das fabricantes de máquinas ASB Nissei, Moretto e Selltis, e da empresa de robótica Powermig.

Plástico Moderno, Plastech Brasil 2015 - Prévia: Feira na Serra Gaúcha atrai visitantes com elevada qualificação

3M – Plastech

Também a 3M, representada por sua divisão de materiais avançados, ali exporá pela primeira vez, para divulgar a tecnologia das Glass Bubbles, como são denominadas as microesferas ocas de vidro, aplicáveis em diversos  mercados: petróleo e gás (O&G), petroquímica, tintas e revestimentos, mineração, transportes, entre outros.

Plástico Moderno, Plastech Brasil Microesferas de vidro ocas ajudam a reduzir peso de peças plásticas
Plastech Brasil – 3M – Microesferas de vidro ocas ajudam a reduzir peso de peças plásticas

Por enquanto, essa tecnologia é usada em escala mais alta em setores como a indústria de O&G, onde contribui para o melhor isolamento térmico dos tubos de PP projetados para conduzir o petróleo desde o fundo do mar.

Já a indústria de tintas e revestimentos começa a aproveitá-la para, entre outras coisas, dotar seus produtos de melhor capacidade de espalhamento.

Agora, a 3M aposta em seu uso mais acentuado na indústria do plástico:

“Fora do Brasil, já temos também a aplicação de microesferas de vidro em plásticos, com benefícios de redução de peso, menor tempo de processo, melhor estabilidade dimensional, acabamento mais uniforme, menos perdas e reprocessamentos, além de economia de combustível”, destaca Kellen Busiol, gerente de produto da Divisão de Materiais Avançados da 3M.

Para enfatizar ainda mais sua aposta nos negócios provenientes da indústria do plástico, a 3M passou este ano a disponibilizar um serviço de consultoria para formulações de compostos plásticos otimizadas com aditivos e microesferas de vidro, e investiu em laboratórios – montados na fábrica de Sumaré-SP, onde iniciou em 2012 a produção brasileira desse item –, capazes de auxiliar os desenvolvimentos de aplicações e a geração de negócios nesse mercado.

“A indústria do plástico apresenta muitas oportunidades para essa área da 3M”, destaca Kellen.

Metas revistas – Plastech Brasil

Ao lado de alguns estreantes, expositores tradicionais da Plastech Brasil mantêm a presença na edição deste ano.

É o caso da fabricante de máquinas Pavan Zanetti, que ali exibirá duas máquinas: a injetora HXF – Série I, e a sopradora de pré-formas de PET Petmatic 3C/2L, dotada de itens como alimentador automático de pré-formas, painel de operação com display por toque, sistema de aquecimento de pré-formas por seções verticais de lâmpadas halogêneas e sistema de fechamento do molde com braçagens de cinco pontos, acionado por cilindro pneumático.

Plástico Moderno, Injetora HFX recebeu versão com maior capacidade produtiva
Injetora HFX recebeu versão com maior capacidade produtiva – Pavan Zanetti

A sopradora, explica Leandro Pavan, gerente de marketing da empresa, será destacada porque sua linha foi recentemente ampliada com uma versão com maior capacidade de produção, para até 7 mil frascos de 500 ml por hora.

Já a presença da injetora HXF se justifica por fatores como a existência, na região onde da feira, de muitas empresas nas quais a injeção é a tecnologia de produção de peças plásticas.

A HXF, diz Pavan, apresenta alto desempenho e grande economia de energia, adequando-se bem a aplicações como produção de brinquedos, pré-forma de PET, utilidades domésticas, produtos com paredes finas, produtos em PP/PL, além de PS, PC, conexões em PVC e materiais de engenharia, entre outros.

“E na Plastech ela estará utilizando um inversor de frequência que proporciona economia de energia de até 35% em comparação com injetoras de bomba fixa”, ressalta.

Pavan crê que, apesar da situação econômica adversa, haverá geração de negócios durante a Plastech Brasil.

“A situação está difícil para essa indústria, mas algumas empresas vêm adquirindo novas máquinas e há muitos retrofittings (atualizações) de equipamentos”, ressalta. “Mas estaremos lá também para manter e fidelizar clientes.”

Plástico Moderno, Elisangela: novos aditivos para melhorar produtos finais
Elisangela: novos aditivos para melhorar produtos finais

A possibilidade de fidelização e de relacionamento, aliás, constitui o atrativo principal da Plastech, como observa Elisangela Melo, gerente de vendas da indústria de masterbatches e aditivos Cromex, que exibirá sua vasta gama de produtos e serviços, inclusive com lançamentos, a exemplo de um aditivo redutor de odor para compostos e resinas olefínicas – indicado para produtos injetados e extrudados feitos com resina reciclada e recuperada –, um masterbatch preto superblack, e a linha de masterbatches líquidos Dispermix. Simultaneamente, a Cromex realçará a linha Microcolor, de compostos coloridos e aditivos customizados para rotomoldagem.

Na opinião de Elisangela, mesmo na complexa conjuntura na qual atua hoje a indústria do plástico, a Plastech se mantém como evento relevante para o setor.

“Sempre há um público expressivo e qualificado, e isso deve se manter neste ano”, comenta.

Mas, se o investimento nesse evento foi mantido, as metas da Cromex para o decorrer de 2015 precisaram ser reconsideradas:

“Esperávamos no início do ano um crescimento na casa de dois dígitos, mas agora estimamos uma expansão de aproximadamente 3%”, revela a gerente de vendas da empresa.

Plástico Moderno, Laércio Gonçalves - Activas : mercado plástico apresenta fraco desempenho
Laércio Gonçalves: mercado plástico apresenta fraco desempenho

Laércio Gonçalves, diretor da distribuidora Activas, não apresenta índices, mas também fala em revisão das metas:

“O momento é de crise para o mercado plástico e, consequentemente, para a Activas e isso faz com que nossas metas e previsões tenham de ser readequadas para a nova situação”, justificou.

“Tivemos queda no mercado a partir do final de abril deste ano e há previsões de que essa crise perdurará por mais alguns meses; muitas empresas têm sinalizado queda em seu faturamento mensal, e isso influencia diretamente o seu volume de compra”, acrescenta.

A Activas incluirá, entre as novidades de seu estande, um grade do copoliéster Tritan, da Eastman: o MXF 121, destinado ao segmento médico-hospitalar.

“É um material mais opaco, com excelente resistência química e ao impacto, além de propriedades retardantes de chamas e compatibilidade com iniciativas sustentáveis”, diz Gonçalves.

Outro destaque do estande da Activas será um agente de purga da linha Lusin, da Chem-Trend:

“É um material excelente para limpeza de máquinas injetoras e extrusoras, que além de facilitar o processo de troca de cor reduz seu tempo, e ainda contribui para a manutenção dos equipamentos, trazendo significativa redução nos custos”, afirma o diretor da empresa.

Plástico Moderno, Em 2013, Marin distribuiu bancos reciclados na feira para crianças
Em 2013, Marin distribuiu bancos reciclados na feira para crianças

Expectativas e novidades – Plastech

Num cenário no qual as próprias empresas participantes da Plastech buscam traduzir em valores mais modestos suas metas e seus objetivos comerciais, obviamente não é tarefa simples produzir prognósticos precisos sobre o potencial de geração de negócios do evento.

Em 2013, segundo informações dos organizadores, foi gerado um volume de negócios fechados na feira ou no prazo máximo dos doze meses seguintes superior a R$ 173 milhões.

“Com certeza serão estabelecidos negócios, mas não dá para dizer se eles serão concretizados durante o próprio evento, ou nos três, seis, ou oito meses posteriores”, observa a coordenadora Célia Marin.

Já Orlando Marin, presidente da feira e diretor do Simplás (Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho, entidade promotora do evento), argumenta que, até por precisarem atualmente se esforçar bastante para conseguir vendas, as empresas participantes trabalharão com preços bastante competitivos e isso o amplia o potencial de negócios do evento.

“Deve-se, também, lembrar que a crise passará e logo haverá gente interessada em investir”, enfatiza.

Além disso, prossegue Marin, se não ampliou a quantidade de expositores, a feira expandiu seu alcance e repercussão com novidades como o Fórum Plastech Brasil, programação paralela composta por debates e ações de capacitação pertinentes ao setor, focada em temas como tendências em materiais;

aplicações e processos em compósitos e borrachas sustentáveis; novidades de programas como Inovar-Auto e PICPlast (Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico); benefícios da reciclagem; combinação entre plástico, moda e estilo, entre outros.

Entre os nomes já confirmados para essa primeira edição do Fórum aparecem Luiz Moan, presidente da Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores), José Roberto Nogueira da Silva, diretor de Organização do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, e Miguel Bahiense, presidente do Plastivida – Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos. A participação nesse fórum é gratuita, mas é necessária inscrição prévia, pois há limites de vagas (informações e inscrições em plastechbrasil.com.br).

Também se acentuou nesta edição a presença de estandes coletivos, nos quais empresas que, por algum motivo não podem aparecer de maneira individualizada, unem esforços para uma participação conjunta. Este ano, além de estandes coletivos de entidades como Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), e da prefeitura da cidade gaúcha de Farroupilha – montados também em edições anteriores –, a Plastech terá a inédita presença de um projeto desse gênero desenvolvido pelo Simperj (Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado do Rio de Janeiro).

Haverá ainda a estreia dos estandes coletivos da Microempa (Associação das Empresas de Pequeno Porte do Nordeste do Rio Grande do Sul) e do Arranjo Produtivo Local Metalmecânico e Automotivo da Serra Gaúcha. Paralelamente, a Plastech Brasil abrangerá de maneira mais generalizada a cadeia petroquímica, a partir de presença mais incisiva de representantes de segmentos como compósitos, borracha e reciclagem.

Mas, com certeza, os negócios desenvolvidos nesse evento serão impactados pelas agruras da economia nacional e pela difícil conjuntura da indústria do plástico que, conforme diz Marin, até mesmo por ter grande parte de seus negócios atrelados ao fornecimento de matérias-primas para a produção de componentes intermediários de outros setores – como a construção civil, indústria automobilística e agronegócios –, sofre os reflexos da situação particular de cada uma delas.

Alguns desses segmentos do mercado consumidor de plásticos estão hoje praticamente paralisados: caso da produção de ônibus e, em menor escala, da fabricação de caminhões. “E muitas empresas que produzem peças para a indústria automobilística sequer estão trabalhando às sextas-feiras”, detalha.

Um dos reflexos dessa conjuntura é a redução do pessoal empregado pelo setor.

Na região centralizada pela cidade de Caxias do Sul, operam aproximadamente 550 empresas de transformação de plástico em um raio de aproximadamente 55 quilômetros.

“No ano passado elas empregavam por volta de 13 mil pessoas, mas esse número atualmente está em quase 10 mil”, conta Marin.

Até o final deste ano, ele projeta, não deve haver mudanças acentuadas nessa conjuntura desfavorável, mas a partir daí deve ter início um movimento de retomada dos negócios. “Difícil, porém, prever quando começará essa retomada e qual será sua intensidade, pois isso depende de muitos fatores”, ressalva o presidente da Plastech.

Leia sobre

Plástico Sul – O Plástico na serra gaúcha – Simplás

Memória – Revista Plástico Moderno

Saiba mais sobre a feira em http://www.plastechbrasil.com.br/

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