PICPlast: Petroquímica e transformação somam forças para capacitar cadeia produtiva para exportar

Para os interessados, atingir o mercado externo pode se tornar mais fácil a partir da inscrição no Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast), iniciativa da Braskem, maior petroquímica das Américas, em conjunto da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

Enquanto as vendas internas não se apresentam muito animadoras, a recente desvalorização do real abre perspectivas favoráveis para aumentar as exportações de produtos plásticos transformados no Brasil.

Há muito tempo a exportação não surgia como saída tão interessante para os transformadores.

Na prática, conquistar a atenção dos compradores internacionais não é tão simples.

As empresas precisam estar com linhas de produção preparadas para oferecer produtos de qualidade, adequados aos padrões estabelecidos em outros países. Mais do que isso.

Elas devem estar cientes dos trâmites burocráticos necessários para a operação e conhecer detalhes sobre o funcionamento dos mercados a serem atingidos.

Todo esse preparo não se conquista da noite para o dia.

Para os interessados, atingir o mercado externo pode se tornar mais fácil a partir da inscrição no Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast), iniciativa da Braskem, maior petroquímica das Américas, em conjunto da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

Lançado em setembro de 2013, quando as condições para exportar eram bem menos atraentes, o projeto tem como principal vertente desenvolver programas de aumento de eficiência e acesso ao mercado internacional para a indústria brasileira de transformação.

Plástico Moderno, José Ricardo Roriz (Abiplast) e Guidolin (Braskem) reforçam o caixa do programa
Coelho (Abiplast) e Guidolin (Braskem) reforçam o caixa do programa

“O objetivo é desenvolver a cultura exportadora entre os participantes, promovendo a inserção internacional, a capacitação do empresário na formação de preço para exportação e a orientação para identificar oportunidades de negócios e praticar estratégias eficientes de divulgação e marketing internacional”

resume José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast.

PICPlast – O programa surgiu com objetivos ousados.

A meta inicial era dobrar a exportação brasileira de transformados de polietileno e polipropileno no prazo de dois anos.

De acordo com dados da PICPlast, do lançamento do programa até dezembro de 2014, 45 empresas conseguiram incrementar as vendas externas.

A venda resultante do incentivo dado pelo projeto alcançou o número de 34.740 toneladas. Ao todo, 141 empresas participam do projeto de capacitação para exportação.

Os números não ajudaram muito o desempenho global das exportações do setor, que sofreram com a taxa de câmbio vigente em 2014.

De acordo com a Abiplast, no ano passado foram exportadas 238 mil toneladas, contra 246 mil em 2013.

O valor arrecadado ficou na casa do US$ 1,38 bilhão, contra US$ 1,39 bilhão no exercício anterior.

Esses cálculos foram feitos com o valor médio do dólar na casa de R$ 2,33.

Para Luciano Guidolin, vice-presidente de Poliolefinas e Renováveis da Braskem, com o amadurecimento e intensificação das ações previstas pelo programa, esses números devem ser incrementados.

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A expectativa é atrair número maior de empresas.

“Acho que outros transformadores verão o papel estratégico do PICPlast para gerar cultura exportadora, compartilhar conhecimentos sobre o mercado, gerar divisas e contribuir para a geração de emprego, com o crescimento sustentável de nossa cadeia produtiva”.

De acordo com a Abiplast, a indústria brasileira de transformação conta com 11.670 empresas e gera cerca de 360 mil postos de trabalho diretos.

PICPlast – Outras preocupações

Para os transformadores brasileiros ainda distantes do nível de competitividade necessário para negociar com o mercado externo, o PICPlast oferece outros tipos de iniciativas positivas.

São incentivadas atitudes do tipo como melhorar a gestão da empresa, capacitar colaboradores para atuação mais competitiva, e promover treinamentos sobre inovação de processos para se obter soluções de maior qualidade e valor agregado.

Outra preocupação é a de estabelecer nova consciência de desenvolvimento sustentável para que cada empresa, cada colaborador, seja agente de promoção das vantagens do plástico.

A partir dessas prioridades, são desenvolvidas ações direcionadas.

Um exemplo foi o workshop sobre Desenvolvimento empresarial, desenvolvido em parceria com a Fundação Dom Cabral.

O programa, com seis aulas que envolveram temas como logística e cadeia de suprimentos, gestão de processos, custos e inovação entre outros, capacitou 33 empresas no ano passado.

Também foram promovidos workshops voltados para capacitação em custos e rentabilidade, palestras e consultoria em desenvolvimento gerencial e uma série de outras iniciativas.

“Temos a preocupação de aproveitar a realização de feiras e seminários para apresentar soluções aos participantes”, ressalta Coelho.

Um exemplo ocorreu em agosto do ano passado em Recife-PE. Tratou-se de um workshop, que contou como temas mercado internacional, estratégia de negócios e oportunidades comerciais no exterior.

O treinamento ocorreu em paralelo à Semana Industrial da feira Embala Nordeste.

Durante a realização da Agrishow 2014, feira de tecnologia agrícola realizada no final de maio em Ribeirão Preto-SP, foram apresentadas várias soluções desenvolvidas com plástico para o setor.

O trabalho foi realizado em parceria com transformadores.

As possibilidades de aplicação do plástico no agronegócio são muito amplas e foram expostos silo bolsa, carrocerias de caminhão em plástico para transporte de cana picada e grãos, membranas geossintéticas, box graneleiro, big bag para fertilizantes, embalagens para sementes, sacaria de ráfia e outros produtos.

Outra feira onde o projeto marcou presença foi a Concrete Show 2014, realizada no último mês de agosto, em São Paulo.

Foram apresentados de produtos já consolidados no mercado, como tubos de PVC e caixas d’água em polietileno (PE), a novas tecnologias, presentes, por exemplo, nas telhas e esquadrias em PVC e nas mantas acústicas para pisos fabricadas em polietileno expandido.

PICPlast – Caixa reforçado – Abiplast e Braskem

O custo para incrementar ainda mais ações do gênero não é baixo. Abiplast e Braskem resolveram “engordar” o caixa com o lançamento, em dezembro passado, durante a realização do 31º Encontro Nacional do Plástico, do Fundo Setorial Para a Promoção da Imagem do Plástico.

O fundo receberá aportes financeiros dos produtores de resinas e da cadeia de transformação, recursos a serem revertidos em ações de promoção das vantagens do plástico, de educação ambiental, promoção do consumo responsável e suporte para ampliação da reciclagem.

“É fundamental que mais empresas participem dessas ações e juntas possam estabelecer um novo patamar de competitividade para o setor de transformação”, afirma Guidolin.

As normas do Fundo Setorial preveem a contribuição de transformadores e fornecedores de resina que aderirem à causa.

Para os primeiros, a contribuição será de R$ 1,00 líquido por tonelada de resina adquirida.

Os fornecedores de resinas contribuirão com R$ 2,00 líquidos por tonelada vendida. “É a primeira vez que um projeto envolve os dois elos da cadeia de produção”, ressalta Coelho.

O montante será gerido por um comitê composto por seis membros eleitos por dois anos, três indicados pelos produtores de matéria prima e três pelos transformadores.

Cabe ao comitê decidir as ações a serem desenvolvidas. Para assegurar a boa governança, o Comitê Gestor terá autonomia para contratar auditoria independente para apoiar seus trabalhos.

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Brasil Central

Transformadores de vários estados do país estão se aproveitando das ações promovidas pelo projeto PICPlast.

Uma dessas empresas é de Goiânia-GO.

É a Grafigel, especializada na confecção e impressão de embalagens plásticas flexíveis, como rótulos para garrafas, sacos plásticos de baixa densidade e alta densidade, bobinas técnicas monocamadas ou laminadas e tampas injetadas.

A empresa, no mercado desde 1974, conta com 180 funcionários e mantém linhas de produção em atividade durante 24 horas por dia. Trabalha com os processos de injeção e extrusão.

Plástico Moderno, Olympio Abrão : Grafigel quer ampliar exportações no médio prazo
Abrão: Grafigel quer ampliar exportações no médio prazo

“No passado fizemos algumas exportações”, conta o diretor Olympio Abrão.

Ele se refere ao período entre 2003 e 2005, época em que o dólar se encontrava valorizado e valia a pena investir nessa estratégia.

A empresa vendia para o mercado sul-americano, México e outros países com os quais realizava negócios esporádicos. “De lá para cá o real se valorizou e passamos a nos dedicar apenas ao mercado interno”.

Na verdade, as vendas da empresa no Brasil se mantiveram em bom patamar nos últimos anos, inclusive em 2014, quando o setor de transformação apresentou resultados pífios.

Isso também não entusiasmou a empresa a prosseguir com as exportações.

Agora o interesse voltou.

A preocupação independe do cenário interno. “O ano de 2015 não começou bem, as vendas no primeiro semestre foram inferiores às do mesmo período do ano passado”.

A decisão de participar do programa de incentivo à produção se deu a partir de um convite feito pela Braskem.

“Estamos no projeto desde o início. Queremos trabalhar em conjunto com o setor, é preciso que todos remem para a mesma direção”.

Por enquanto, a empresa tem aproveitado os cursos oferecidos. “Nossos diretores têm aprendido bastante em relação a temas como gestão financeira e outros.

Também temos a intenção de nos aprimorar nas questões técnicas”, exemplifica.

O objetivo da Grafigel é voltar a exportar em médio e longo prazo. “Ainda temos muito a fazer”, admite.

A desvalorização do real ajuda. “Acho que o câmbio mais atrativo fica entre R$ 3,20 e R$ 3,30”.

Mas essa não é a única barreira a ser enfrentada.

“Temos que melhorar nossa competitividade, nossa produtividade. Queremos, quando voltarmos a exportar, que essa seja uma estratégia permanente, e não esporádica”.

Com a força do ABC – Embaquim é uma empresa de embalagens

Localizada em São Bernardo do Campo-SP, um dos municípios mais industrializados do país, a Embaquim é uma empresa de embalagens.

No mercado desde 1981, foi pioneira no mercado nacional na produção de bag in box e também fabrica bobinas, sacos plásticos e outros itens.

“Nossa linha é bastante diversificada, abrange de bolsas de 800 ml e embalagens intermediárias de 10 a 20 litros, a grandes recipientes, com volumes de até mil litros”, informa Renata Canteiro, diretora técnica.

A empresa conta com 170 funcionários e está equipada com máquinas de extrusão, injeção e linhas de acabamento.

A Embaquim participa do projeto PICPlast desde o ano passado, quando recebeu convite da Braskem.

A princípio, a adesão não veio acompanhada de muito entusiasmo. “Já tínhamos participado de outras iniciativas que não evoluíram muito”.

Depois de algumas reuniões, o ânimo aumentou bastante. “Queremos ter participação ampla, envolver toda a nossa equipe no projeto”.

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A empresa já conta com experiência em vendas no mercado externo. “Hoje, em torno de 10% de nosso faturamento é obtido no mercado internacional”.

Na lista de clientes, empresas de vários países da América do Sul, México e algumas vendas para Tailândia e Japão.

Não há uma meta de curto prazo para aumentar tal participação. “Queremos realizar um trabalho consistente, nos preparar para alcançar melhores resultados no futuro”.

Para alcançar esse objetivo, aproveita as ações do projeto para melhorar sua capacidade produtiva. “Estamos dando ênfase nos processos industriais, em como melhorar nossa competitividade”.

O foco não tão dirigido à melhoria dos produtos fabricados.

“Nossas embalagens já têm qualidade; nossa preocupação é melhorar a rentabilidade, precisamos chegar a custos de produção que nos tornem mais competitivos”.

Alcançado esse resultado, o sucesso nas vendas internacionais será perene. A valorização do dólar não deve ser o único fator a ser levado em conta. Mas que ajuda, ajuda.

Plástico Moderno, José Eduardo Pinheiro : CartaPlast estuda requisitos dos importadores
Pinheiro: CartaPlast estuda requisitos dos importadores

CartaPlast – Outro participante do projeto se encontra no município de Avaré-SP.

A CartaPlast está no mercado desde 1991. Seu carro chefe é a produção de sacolas plásticas biodegradáveis.

Também fornece filmes técnicos e bobinas picotadas, bastante usadas para embalar alimentos in natura, entre outras aplicações.

A empresa trabalha basicamente com o processo de extrusão e mantém time de noventa colaboradores.

Sua produção mensal fica entre 300 e 400 toneladas por mês.

“A Braskem nos fez o convite para participar do PICPlast há mais ou menos um ano”, informa o diretor José Eduardo Pinheiro.

O principal objetivo da empresa com a iniciativa é a de conquistar o mercado externo.

“Alguns de nossos produtos chegam ao exterior indiretamente, mediante vendas realizadas pelos nossos clientes, em especial para a América do Sul. Queremos passar a vender diretamente para outros países”.

Os conhecimentos obtidos nos cursos oferecidos pelo projeto têm sido valiosos.

“Estamos tendo acesso a informações importantes para qualificar nossa mão de obra, promover melhorias nos processos e entender aspectos importantes para ingressar no mercado externo”. Os primeiros passos para fechar negócios estão sendo dados. “Já estamos mantendo contatos com empresas da América Central e do Norte”.

As conversas têm evoluído bem.

“Em alguns casos já estamos em fase de negociação mais forte”.

Uma grande preocupação é entender as exigências dos consumidores internacionais, saber o que eles procuram. “Eles gostam de sacolas plásticas com gramatura diferenciada da usada por aqui, cobram maior qualidade”.

A demanda tem seu lado positivo. “Podemos vender produtos com maior valor agregado”. O lado negativo é atenuado pela política adotada pela empresa ao longo de sua história.

Os ajustes necessários para adaptar a linha de produção tem sido preocupação constante da empresa desde sua inauguração.

“Sempre nos preocupamos com a qualidade dos nossos produtos, em modernizar nossa linha de produção. Antes do PICPlast já estávamos bem preparados, mantemos parcerias com o IPT, temos certificados do Senai”, diz o diretor.

Os ensinamentos vindos do PICPlast enriquecem essa estratégia.

Um aspecto importante é a possibilidade que o programa gera para a empresa entrar em contato com o desenvolvimento de novas formulações de materiais.

“Temos que estar em dia com a melhoria das resinas”. Outra contribuição valiosa se dá no conhecimento dos trâmites burocráticos para a realização das vendas.

Caso, por exemplo, das informações sobre como funcionam as tributações envolvidas na operação.

A meta da empresa com vendas externas é ambiciosa.

No futuro, ela espera que esses negócios representem até 30% do faturamento. No momento, o projeto todo ainda está muito incipiente.

Um fator anima Pinheiro. “O atual patamar do dólar está muito favorável”.

A ideia, no entanto, é não atrelar as exportações apenas ao vai e vem da moeda, e sim de fazer da prática um ato contínuo. “É muito ruim interromper as exportações, provocamos a quebra de confiança com os clientes”, finaliza.

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