PETtalk: Vantagens da resina sobre outros materiais

Reunião da cadeia produtiva enfatiza as vantagens da resina sobre outros materiais

A cadeia produtiva do PET (tereftalato de polietileno) compareceu em peso no PETtalk 2023, encontro organizado pela Associação Brasileira da Indústria do PET em 28 de março, na capital paulista, para discutir novos caminhos para o setor.

O PETtalk reuniu fabricantes de resina PET (Alpek e Indorama, no Brasil), convertedores da resina em preformas e laminados, recicladores, e fornecedores de tecnologia e equipamentos, bem como representantes dos segmentos consumidores do material na forma de embalagens.

Cada um contribuiu com sua visão de mercado e com avanços em tecnologia e abordagem do tema em seus ramos de atuação.

O sucesso da resina se tornou também uma dificuldade, pois o aumento de visibilidade no mercado atraiu críticas e forte oposição com base em aspectos ambientais nem sempre fundamentados.

“A indústria precisa se defender bem, temos apanhado demais”, recomendou Maximilian Yoshioka, presidente do conselho da Abipet e também diretor da Indorama Ventures Polímeros.

PETtalk: Vantagens da resina sobre outros materiais ©Q Foto: Abipet/Leandro Godoi
Yoshioka: PET apanha demais com acusações sem fundamento

“Há mais de 30 ações civis públicas contra materiais feitos de PET, a maioria delas não tem nenhuma base científica.”

Uma das principais tarefas da associação é reunir dados de mercado, informações técnicas e científicas para comprovar que esse poliéster é sustentável e competitivo, podendo ser reciclado inúmeras vezes sem perder suas características.

Yoshioka destacou que a Abipet concluiu em 2022 o 12º Censo da Reciclagem do PET no Brasil (com dados coletados em 2021) e está finalizando um amplo estudo sobre o ciclo de vida da resina no Brasil.

“Até meados deste ano, divulgaremos essa análise”, disse.

Auri Marçon, presidente-executivo da Abipet, provocou a plateia ao afirmar que “o setor não fez a lição de casa direito”.

Como explicou, há base científica abundante para sustentar que o PET é um material com propriedades excelentes para confeccionar embalagens seguras e econômicas, além de ser completamente reciclável.

O censo da reciclagem funciona como um banco de dados capaz de gerar orientações para direcionar os esforços setoriais no sentido mais adequado.

“O censo indicou que entre 25% e 30% do PET pós-consumo coletado é desperdiçado, indicando que o design da embalagem é ruim ou o material coletado tem problemas, ou ambos”, comentou.

Os dados também revelam que a cadeia de suprimentos do PET reciclado (rPET) é confiável.

“A maior oferta de materiais para reciclagem provém dos sucateiros e dos catadores, é um sistema viável, seguro e com impacto social positivo, pois a atividade representa a transferência de R$ 3,5 bilhões anuais para os envolvidos.”

O momento é propício para a cadeia produtiva se unir e discutir novos rumos.

Como explicou Marçon, a regulação oficial do conteúdo de rPET nas novas embalagens está nascendo e precisa ser bem feita, para não prejudicar a circularidade do uso da resina.

“A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou a exigência de um conteúdo mínimo de rPET em embalagens, é uma ideia boa, mas pretendia estabelecer metas irreais; vamos atuar agora com um grupo de trabalho para discutir a regulamentação da norma em bases realistas”, explicou.

Demanda crescente – O consumo de resina PET virgem grau garrafa no Brasil cresceu 15% entre 2016 e 2022, quando chegou a 688 mil t/ano, segundo levantamento feito pela Abipet.

PETtalk: Vantagens da resina sobre outros materiais ©Q Foto: Abipet/Leandro Godoi
Marçon: quase 30% do material coletado acaba desperdiçado

“Se incluirmos o consumo de resina PET reciclada grau garrafa, teremos 800 mil t/ano de resina, ou seja, o crescimento desse mercado no período alcançou 32%”, salientou Marçon.

Ele também observou que o peso médio das garrafas feitas de PET diminuiu 23% de 2016 a 2022, fruto de avanços de tecnologia e design.

Associando essa informação com o citado aumento de 32% no consumo de resina, chega-se à conclusão que a produção de garrafas de PET no Brasil avançou 55% no período.

A capacidade de produção instalada de PET grau garrafa virgem no país permanece estável desde 2015, na casa de um milhão de t/ano, enquanto a capacidade de reciclagem de PET pós-consumo chega a 480 mil t/ano.

Dados do censo da reciclagem mostram que a quantidade de resina efetivamente reciclada em 2021 foi de 359 mil t, equivalentes a 56,4% das garrafas descartadas pelos consumidores.

Dessa quantidade, 29% foi encaminhada para a produção de pré-formas, 24% para produtos têxteis, 17% para termoformagem, 13% para aplicações químicas, 11% para fitas de arquear, 4% para lâminas e chapas, e 2% para outros.

No caso das pré-formas recicladas, 64% delas é destinada para embalagens alimentícias; as demais são usadas pelo setor de domissanitários (25%) e cosméticos (7%).

A Abipet estimou em 140 o número de empresas ligadas à reciclagem do PET no Brasil, das quais 101 participaram do censo setorial, um processo que exigiu preenchimento de questionários e visitas presenciais.

Apesar da complexidade e da longa duração, o trabalho permitiu enxergar pontos importantes desse segmento de mercado, formado por empresas bem estabelecidas, 90% delas com mais de cinco anos de operação.

Nos últimos anos, o número de empresas capaz de realizar mais etapas do processo de reciclagem do PET aumentou, evidenciando ganhos de escala e investimentos em tecnologia.

A maioria, ou 67% das empresas, ainda está na primeira etapa, de moagem e lavagem do material coletado.

Outros 15% já adicionaram capacidade de extrusão, filtração e granulação do material.

A fase mais avançada do processo, que compreende também a pós-condensação da resina, está sendo realizada por 18% das recicladoras.

Outra abordagem do censo revelou um alto grau de concentração de negócios.

“Verificamos que cinco empresas respondem por 50% do total de PET reciclado no país”, revelou Marçon.

Por um lado, isso indica obtenção de ganhos de escala e disponibilidade de capital para investimento, mas também implica a necessidade de buscar resíduos de fontes cada vez mais distantes, arcando com os custos logísticos.

“Os dados do censo mostram que o Brasil tem capacidade instalada suficiente para reciclar o PET, o nosso desafio é impedir que os produtos usados sejam enviados para os aterros”, disse Marçon.

PETtalk: Vantagens da resina sobre outros materiais ©Q Foto: Abipet/Leandro Godoi
APLICAÇÕES DO PET RECICLADO

Obstáculos a remover – O censo da reciclagem também apontou a necessidade de promover mudanças.

As empresas ouvidas indicaram que a maior dificuldade encontrada por elas na reciclagem do material coletado está ligada aos rótulos apensados às garrafas.

Rótulos tipo sleeve feitos de PVC ou mesmo de PET, embalagens com rótulos colados, e rótulos metalizados representam o maior problema para os recicladores, pela dificuldade de promover a separação perfeita dos materiais.

“A rotulagem é o maior problema, então é preciso desenvolver alternativas mais amigáveis para a reciclagem”, recomendou Marçon.

Outras reclamações apontadas pelo censo se referem às garrafas coloridas (com exceção das azuis e verdes), as impressas por silk screen e as que embalaram óleos comestíveis.

O censo permitiu observar que algumas intervenções geram resultados muito positivos para aumentar a reciclagem de PET e de outros materiais.

Eles podem ser resumidos em aumentar a coleta seletiva dos resíduos, aumentar o número de grandes centrais de triagem, e aumentar o número de cooperativas de catadores.

A visão dos usuários – Segmentos importantes de mercado, óleos comestíveis e bebidas não alcoólicas respondem por 80% do consumo de PET grau garrafa no mercado brasileiro.

E ambos se mostram atentos aos problemas ambientais ligados aos materiais pós-consumo.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) congrega empresas que produzem 85% do óleo de soja consumido no país, usando preferencialmente garrafas de PET.

PETtalk: Vantagens da resina sobre outros materiais ©Q Foto: Abipet/Leandro Godoi
Pires: sistema Emcicla apoia reciclagem em 13 estados

“As 135 milhões de t de soja colhidas em 2022 deram origem, entre outros, a 10 milhões de t de óleo, dos quais 8,9 milhões ficaram no mercado interno”, informou Bernardo Pires, gerente de sustentabilidade da associação.

Há 15 anos, ela montou o sistema de gestão de logística reversa de embalagens denominado Emcicla.

“De 2018 para cá, o sistema movimentou 46.839 mil t de resíduos de PET recuperados, atuando em 13 estados com 25 cooperativas de catadores”, relatou.

Vitor Bicca, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (Abir) e também vice-presidente de relações governamentais da Coca-Cola, informou que a associação representa 71 empresas que abasteceram 90% do mercado nacional com mais 32 bilhões de litros de seus produtos em 2021.

PETtalk: Vantagens da resina sobre outros materiais ©Q Foto: Abipet/Leandro Godoi
Bicca: associados da Abir reciclam 60% das embalagens

“O setor é muito exposto, é fundamental ter uma agenda positiva tanto em questões sociais, de saúde e também nas embalagens, nestas buscando redução de volumes e aumento da logística reversa e da reciclagem”, salientou.

No caso do PET, os associados da Abir estão se aproximando de reciclar 60% das embalagens utilizadas.

“Nosso desafio atual é reciclar os 40% restantes, que estão seguindo para aterros”, disse. Ele ressaltou que o uso de resinas recicladas nas embalagens é crescente e segue a tendência mundial.

Bicca destacou que o consumo de bebidas refrigerantes teve seu pico de demanda em 2013, sofrendo quedas significativas entre 2015 e 2018, recuperadas parcialmente em 2021 e 2022.

“O segmento de mercado que mais cresce é o de água mineral, que supera o dos refrigerantes”, comentou.

Mas a regulamentação das embalagens para água foi criada na década de 1930 e é considerada ultrapassada pela Abir.

“Até há alguns anos, não se admitia o uso de resina reciclada de PET nas águas”, disse, recomendando a revisão e atualização da norma.

A fabricante global de embalagens Amcor defendeu o uso crescente de PET e, principalmente de rPET, em seus produtos, tendo em vista a superioridade da resina frente aos materiais alternativos.

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Herrera: trocar PET por vidro criaria um desastre ambiental

“O alumínio e o vidro têm pegada de carbono quase quatro vezes maior que o PET usado em embalagens”, avaliou Mariano Herrera Menghi, diretor de inovação de desenvolvimento de produto e PMO da Amcor Rigid Packing da América Latina, salientando que 95% das embalagens rígidas fornecidas pela companhia são recicláveis.

“A ideia de substituir o PET por vidro ou alumínio criaria um desastre ecológico”, ressaltou.

Além da vantagem ambiental, a preferência pelo PET também se deve ao fato de a resina permitir melhor design e oferecer melhores soluções para os clientes, como explicou o diretor de Amcor, empresa que investe US$ 100 milhões por ano em P&D, para um faturamento mundial de US$ 15 bilhões anuais.

“A incorporação de rPET é possível e desejável nos nossos produtos”, afirmou. Além disso, ele ressaltou o fato de embalagens rígidas de PET serem adequadas para reenchimento, uma tendência global.

O executivo também apontou o uso futuro de ferramentas digitais para identificar e acompanhar cada embalagem durante seu ciclo de vida como forma de melhor compreender o mercado e apoiar estratégias de fortalecimento da economia circular.

O design orientado para sustentabilidade aumenta a vantagem da resina e também abre novas aplicações, por exemplo, na embalagem de cerveja, que exige resistência ao processo de pasteurização.

“Sucos embalados a quente também podem contar com o PET e rPET para substituir o vidro”, salientou.

A tecnologia PowerPost, que altera o formato da base das garrafas e, com isso, permite reduzir seu peso em 30% sem prejuízo de seu desempenho, é um exemplo de aplicação sustentável de resinas PCR.

Mesmo nos produtos lácteos, o rPET está abrindo passagem. “Desenvolvemos para a Nestlé no Brasil soluções para uso de resina pós-consumo em leite e iogurtes, com sucesso”, informou.

Evolução nas máquinas – Uma das explicações para o sucesso da cadeia do PET é a forte interação entre os seus elos. Quando o setor sinaliza uma necessidade de mercado, surgem alternativas inovadoras para supri-la, como as palestras do PETtalk evidenciaram.

PETtalk: Vantagens da resina sobre outros materiais ©Q Foto: Abipet/Leandro Godoi
Grunewald exibe bandeja para alimentos feita de PET-PCR

“Está faltando resina PET PCR no mundo, mesmo com o aumento das operações de reciclagem, principalmente porque a demanda global está crescendo em todos os segmentos de mercado”, ressaltou Andres Grunewald, diretor da alemã Gneuss para a América Latina.

Ele mencionou que o setor têxtil, tradicional líder na reciclagem de PET, está sofrendo com essa escassez.

“Muitos países obrigam a dar destino correto para plásticos PCR, isso levou a fechar ciclos e a buscar fontes alternativas para cumprir as metas de inclusão de reciclados.”

Grunewald mencionou que a produção de bandejas de PET para alimentos foi afetada pela falta de material PCR para cumprir o esquema bandeja a bandeja.

“A tecnologia tradicional de reciclagem não oferece a mesma viscosidade, prejudicando o produto final”, explicou.

Além disso, os flakes de PET grau garrafa eventualmente utilizados apresentam viscosidade mais elevada, um problema que pode ser minorado com a mistura com flakes de outros tipos de PET, uma operação complexa.

Outra fonte de material PCR para bandejas seria o aproveitamento de resíduos de PET com polietileno, mas a tecnologia usual teria problemas com a degradação do PE e na redução da transparência do produto final, como explicou.

Também o aproveitamento de resíduos de BOPET (biorientado) e de têxteis pela via tradicional encontra dificuldades com as cores e viscosidade baixa.

A Gneuss desenvolveu tecnologia de extrusão com múltiplas roscas e alta taxa de degasagem, capaz de retirar contaminantes voláteis e também sólidos do material pós-consumo, gerando resinas aprovadas para contato direto com alimentos, sem a necessidade de etapa de pós-condensação.

Com essa tecnologia, oferece vários tipos de sistemas completos de reciclagem.

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PET AVANÇA NO BRASIL

O sistema MRS pode processar de 200 a 2,5 mil kg/h de PET, mas pode operar com poliolefinas, PS, PLA e outros.

“É uma linha compacta, mas também proporciona uma redução do índice de viscosidade entre a entrada e a saída do material”, comentou Grunewald.

A variação MRS Jump permite reduzir essa queda de viscosidade por aumentar o tempo de residência sob vácuo de 1 a 2 milibar.

Por sua vez, a linha Omni vai diretamente para produção de chapas, fitas ou filmes, sem passar pela peletização, com alto grau de automação e eficiência na filtração, admitindo dosagem de aditivos.

“É um sistema com alta flexibilidade na entrada e na saída dos materiais, com versões Omni Max e Omni Boost, configuradas para diferentes aplicações, como o processamento de PET POY (filamento têxtil) para gerar bandejas transparentes”, explicou Grunewald.

A Krones, especialista em linhas completas de envase, apresentou também suas linhas completas de reciclagem de PET.

“Configuramos as linhas usando algumas tecnologias nossas e outras, obtidas de parceiros de qualidade reconhecida mundialmente”, comentou Fábio Brilhadori Martins, coordenador de vendas de soluções para reciclagem.

“Atuamos desde o design, logística e confecção das embalagens até o envase e a reciclagem, com isso fechamos todo o ciclo do PET.”

Os sistemas começam com as linhas de seleção e classificação de materiais (fornecidos pela Tomra e Stadler, além de inspetores de garrafas NRT, entre outros), seguidas de lavagem (MetaPure) e lavagem intensa com soda caústica, passando por flotação, lavagem final, secagem e peneiramento.

No sistema MetaPure (da Krones), a descontaminação é feita com reator aquecido durante três a quatro horas, retirando voláteis. Em seguida, o material vai à extrusão, formado pellets. Daí por diante, começa o processo de transformação final.

“O sistema foi configurado para ocupar entre 2 mil e 3 mil m2, ou seja, é compacto, e consome pouca água, soda e energia”, salientou Martins.

“Temos mais de 20 plantas completas instaladas no mundo e algumas em estudo na América Latina.”

Paulo Carmo, gerente de negócios da Husky Technologies, elogiou a indústria do PET por aceitar muito bem as inovações e discutir em alto nível a tecnologia oferecida em todos os segmentos.

A Husky promoveu uma pesquisa com clientes mediante a qual identificou cinco pontos principais.

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Carmo: clientes pedem sistemas mais eficientes e sustentáveis

“Os clientes querem cumprir suas metas de sustentabilidade por meio da redução do consumo de resinas virgens, querem reduzir riscos da cadeia de suprimentos, buscam formar e reter talentos nas suas organizações, bem como usar mais ferramentas de automação, e diminuir custos com energia”, apontou.

Carmo também identificou cinco tendências mundiais para o setor de embalagem: smart packaging (tecnologias que ofereçam mais segurança e informações sobre o conteúdo), compostabilidade, flexibilidade e conveniência (para os consumidores), aumento do tempo de prateleira, incremento na economia circular.

Esses são os pontos que impulsionam o desenvolvimento tecnológico do setor, segundo o executivo.

“Há uma tensão permanente entre funcionalidade e estética nas embalagens”, afirmou Carmo.

“Mercados emergentes tendem a valorizar mais a beleza, transparência, textura e o luxo; os países mais desenvolvidos olham mais para a redução do peso, possibilidade de fechar novamente a embalagem e pela longa vida do embalado”.

Na sua visão, há vários caminhos para avançar no setor, buscando reciclagem e reúso de qualidade, uso de insumos de origem natural renovável e garantia de segurança para o consumidor, especialmente em aplicações com alimentos.

Na alta tecnologia, a Husky oferece sistemas de garrafas sem rótulo, com melhor aproveitamento na reciclagem.

“Colocamos um aditivo especial que se sensibiliza com a aplicação de feixe de laser, ficando gravadas as informações com alta qualidade, sem prejudicar a reciclagem pela adição de materiais de rotulagem”, explicou Carmo.

Um desenvolvimento em fase de testes de estanqueidade e segurança é a tampa de garrafas feita de PET. “Com isso, teremos garrafas monomateriais, que dispensam a separação da tampa, hoje feita de PEAD, do corpo para a reciclagem”, salientou.

O uso de PET reciclado (rPET) é valorizado pela companhia que, porém, aponta algumas variáveis que podem interferir no sucesso da aplicação.

“O controle de todo o processo de reciclagem é fundamental”, disse. “Já temos equipamento com capacidade para produzir 13 mil t/ano de garrafas de rPET no Japão.”

A Husky oferece o sistema Direct Melt, linha dedicada à reciclagem de PET com extrusora, filtro, reator, filtro final e injetora integrados.

“Essa integração permite reduzir o consumo de energia”, afirmou. O sistema conta com monitoramento remoto, gerando dados para desenvolvimentos futuros. “Lembro que a tecnologia sozinha não resolve nada sem ações concretas”, concluiu.

A Alpek comprou em maio de 2022 a Octal, produtora de resina PET e chapas em Omã, termoformados de PET na Arábia Saudita e de chapas de rPET nos EUA.

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Rameix: tecnologia DPET gera chapas logo após polimerização

“Criamos o processo DPET, de transformação da resina em termoformados em apenas três etapas: polimerização, calandragem e termoformagem, com alta precisão e repetibilidade”, salientou Luis Rameix, diretor de vendas e marketing.

O sistema serve também para rPET, oferecendo redução no consumo de energia, englobando a oferta de formulações proprietárias de aditivos de desempenho criadas ao longo dos anos pela companhia.

“Estamos estudando agora a reciclagem química de plásticos”, disse.

A Indorama Ventures pretende alcançar a meta de reciclar 50 bilhões de garrafas de PET por ano a partir de 2025, quando também reduzirá em 10% o consumo de eletricidade, água e emissões de gás carbônico.

“Já somos o maior produtor e reciclador de PET no mundo e vamos chegar às 50 bilhões de garrafas recicladas, a mesma quantidade que foi reciclado no mundo entre 2011 e 2021”, comentou Colm Jordan líder global de defesa e educação para PET da Indorama Ventures.

Considerando todos os tipos de PET, a companhia pretende reciclar 750 mil t/ano em 2025, chegando a 1,5 milhão de t/ano em 2030.

Considerando a geração global de lixo, Jordan apontou que, ao contrário do senso comum, os plásticos representam apenas 12% em peso. Entre os plásticos encontrados no lixo, o PET tem uma participação de 11%, perdendo longe para as poliolefinas.

“Apesar disso, a população vê as garrafas plásticas e as sacolinhas de mercado como os grandes vilões do meio ambiente”, criticou Jordan, apontando a criação de um “pânico dos plásticos” pela divulgação de informações distorcidas, que não diferenciam os tipos de plásticos e suas aplicações, desprezando seus efeitos positivos.

A Indorama Ventures apoia a iniciativa Waste Hero (WasteHeroEducation.com), pela qual materiais e planos de aulas para todas as faixas etárias abordam os temas ligados à reciclagem de vários materiais, com indicação de referências, para educar os futuros consumidores a respeitar o ambiente com base em dados científicos.

“O material está disponível também em português”, disse Jordan.

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