Plástico

Petroquímica

Fernando C. de Castro
12 de fevereiro de 2007
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    Plástico Moderno, Flávio Barbosa, presidente da Innova, Petroquímica

    Barbosa: transformação gaúcha consome só 5% do PS regional

    “Com a consolidação do CTE, os projetos de desenvolvimento de mercado e aplicações ganharam novo impulso. Estão previstos novos aperfeiçoamentos e o crescimento do portfóliode produtos especiais em 2007”, antecipa Barbosa.A estrutura do CTE é dotada de quatro modernos laboratórios equipados com recursos tecnológicos e uma equipe técnico-científica especializada no desenvolvimento de novos produtos, processos e aplicações, em sintonia com os mercados.Os projetos de desenvolvimento de produtos foram concentrados na ampliação da família de resinas derivada da tecnologia do R 870E-HIPS, com balanço otimizado entre rigidez e resistência ao impacto, cuja patente é totalmente vinculada à Innova.

    O resultado é que a empresa está conseguindo também obter um poliestireno de alto impacto com excelente nível de transparência para embalagens termoformadas.

    Conforme explicou Barbosa, a Innova prossegue sua política de investimento em parcerias estratégicas com clientes, fornecedores, fabricantes de equipamentos, universidades e centros de pesquisa.

    Atualmente, busca a obtenção de nanocompostos em poliestireno e de simulação de processamento com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), além do uso da microscopia eletrônica para caracterizar novos produtos em parceria com a Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). A empresa mantém projetos tecnológicos com o Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes) e com o Grupo de Tecnologia da Petrobrás Energia, na Argentina. Há ainda um contrato com a italiana Polimeri para transferência de tecnologia na área de estireno e derivados do produto. O objetivo é sintonizar a Innova com as novas aplicações ditadas no mercado global.

    Apesar da queda de consumo das resinas poliolefínicas de Triunfo, pelo menos uma empresa conseguiu bons resultados no Rio Grande do Sul. Rafael Navarro, gerente de marketing da Petroquímica Triunfo, afirma que a participação das suas vendas no RS, comparadas às vendas no Estado, cresceram mais de 10% e apenas 2% no Brasil.

    Plástico Moderno, Orlando Marin, presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), Petroquímica

    Marin: moldadores se suprem em outros Estados e países

    “Sem dúvida, é um mercado promissor, a expectativa é de fortalecimento da Triunfo no Estado, uma vez preservadas as condições tributárias para a sua competitividade”, assinala Navarro.O ano de 2006 foi de mudanças nas resinas da Triunfo, principalmente no EVA. “Criamos novos produtos e passamos a atuar em mercados que antes não atuávamos. Nosso objetivo é manter as conquistas de 2006 com os principais produtos como o TS 7028 e o TX 7003”, completa Navarro.

    Terceira geração importou resinas – O presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), Orlando Marin, uma das três entidades representativas dos transformadores, confirma que a indústria tem aumentado a importação de resinas de outros Estados e de fora do País, principalmente da China e da Argentina.

    Embora considere o Geraplast um marco importante na recuperação do setor, ele condena a política de preços adotada pela segunda geração petroquímica. “O pólo precisa rever seus preços. A gente gostaria imensamente de comprar as resinas virgens aqui no Estado, mas importar de fora do País ou de outras regiões sai mais em conta porque não temos como repassar os preços de Triunfo ao produto final”, critica Marin.
    O presidente do Simplás revelou que diversos segmentos estão reaquecidos como o de embalagens, componentes para construção civil e plásticos de engenharia, consumidos na região de Caxias do Sul, onde existe um parque responsável pela fabricação de autopeças de reposição. Neste ano, o segmento de máquinas agrícolas também deverá impulsionar as vendas, assim como a indústria de móveis, prevê o líder empresarial.
    Na opinião de Marin, o crescimento do emprego formal no País já se reflete nos negócios de transformação, pois os fabricantes de utilidades domésticas também sentiram o aumento das encomendas. “Apesar do crescimento, houve uma perda de rentabilidade. Crescemos 12% em vendas como um todo, mas ainda não há suporte para novos investimentos”, explica Marin. Nos seus cálculos, uma empresa que fatura R$ 1 milhão por mês necessitaria investir R$ 70 mil em máquinas, mas não existe fluxo de caixa que permita esse investimento.

    Aspectos estruturais explicam o baixo consumo doméstico

    A dificuldade do Rio Grande do Sul em aumentar o consumo de resinas poliolefínicas produzidas no pólo petroquímico de Triunfo – hoje em 10% (280 mil toneladas/ano) para um total de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas –, pode ser explicada por uma série de aspectos estruturais. O diretor-comercial da Ipiranga Petroquímica, Eduardo Tergolina, procura respostas até na sociologia para tentar explicar o problema.

    “Estamos num Estado agrícola. O pólo se instalou aqui e tivemos de enfrentar dificuldades com ecologistas para levar o projeto adiante.” No entendimento de Tergolina, a vocação agrícola dos gaúchos revela uma certa dificuldade de seus empresários em modificar a mentalidade e partir na direção de novas alternativas de empreendimento.

    Além disso, salientou, os sucessivos governos nunca se preocuparam em estimular o surgimento de um pólo de terceira geração. Na contramão e no sentido positivo, Santa Catarina criou todas as condições para o surgimento de centenas de empresas com vocação transformadora.

    “O governo catarinense induziu o desenvolvimento da indústria de manufatura com todo tipo de incentivo, como a redução drástica do ICMS, dois anos de carência para recolhimento do imposto em alguns produtos e até com a doação de terrenos pelas prefeituras para quem quisesse se instalar em seus limites”, recorda Tergolina.
    Com efeito, explicou, surgiram três pólos importantes: no sul, o “Vale dos descartáveis,” onde se proliferaram as fábricas para extrusão de embalagens flexíveis e produtos termoformados; ao norte, mais precisamente no Vale do Itajaí, ergueram-se grandes corporações como a Tigre e a Amanco e empresas periféricas, mas com iniciativas inovadoras; e tem ainda a região da Grande Florianópolis, também expressiva em embalagens flexíveis. Mais recentemente foram criadas fábricas de flexíveis no oeste catarinense para atender os frigoríficos de frangos e suínos. “São empresários extremamente empreendedores, muitos originários do setor primário e que aceitaram o desafio de apostar em outro ramo da economia”, elogia.

    Para Tergolina, esses pequenos empreendimentos com baixa tecnologia são justamente os que geram maior número de postos de trabalho porque não têm o mesmo nível de automação das grandes indústrias. “O oeste de Santa Catarina está repleto de fabricantes de embalagens flexíveis. No Rio Grande do Sul as sacolas de supermercado são compradas no mercado de São Paulo. Os copos, bandejas, pratos e demais descartáveis são adquiridos justamente em Santa Catarina”, compara Tergolina.

    Mais ainda: Santa Catarina dispõe de vantagens logísticas para distribuir a produção nos principais mercados do sudeste. Um exemplo é o trecho da BR 101 de Florianópolis a São Paulo, o qual está duplicado há mais de uma década. Já o trecho sul, entre Osório, no Rio Grande do Sul, e a capital catarinense, só deverá ficar pronto em meados de 2008, isso se novos atrasos não forem anunciados pelo Ministério dos Transportes, como vem ocorrendo nos últimos meses. “Precisamos estancar a exportação de empregos para outros Estados e para fora do País”, apregoa o diretor-comercial da IPQ.

    Assim como Santa Catarina, diversos Estados sem cadeia petroquímica integrada também concedem incentivos polpudos. Pernambuco, Goiás, Minas Gerais, Ceará e Espírito Santo também tomaram iniciativas semelhantes, assim como o Amazonas. A Bahia, que possui um sistema igualmente integrado da cadeia petroquímica, seguiu a mesma orientação para evitar a migração de seus transformadores locais.
    Na opinião de Tergolina, nos últimos anos a situação até melhorou com a entrada em operação da fabricante de polipropileno biorientado Polo Films e com o crescimento da Fitesa, que processa não-tecidos em PP e exporta a produção para diversos países. As duas somadas absorvem quase dois terços do PP de Triunfo. “As demais empresas estão pulverizadas. Caxias do Sul ergueu um parque industrial de peças técnicas e praticamente não tem relação comercial com o pólo petroquímico”, finaliza o executivo da Ipiranga.

    Petroquímicas apostam em expansões de capacidade

    Novos ativos para aumentar a produção de petroquímicos de segunda geração estão em curso no pólo petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul. O mais importante neste momento é a ampliação da capacidade produtiva da Innova, empresa pertencente à Petrobrás Energia S.A. (PESA), da Argentina. Até o fim de 2008, a empresa elevará para 540 mil toneladas por ano sua capacidade para produzir etilbenzeno.

    A planta atual, com capacidade para 190 mil t/ano está localizada dentro da área da Petroflex, a 1,2 quilômetros de distância. A nova unidade estará integrada aos atuais ativos da Innova. O investimento é de US$ 54 milhões e na etapa de construção das obras civis irá gerar mil empregos diretos. Num primeiro momento, servirá para estancar a compra de etilbenzeno da Argentina usado na obtenção de estireno.

    Na etapa 2 será construída uma nova unidade de estireno, duplicando a atual capacidade de 250 mil t/ano para 500 mil t. O investimento é de US$ 114,8 milhões. Segundo o presidente da Innova, Flávio Barbosa, esses ativos visam: diminuir o déficit do mercado de estireno no País, substituir as importações, além de integrar energeticamente as plantas de etilbenzeno e de estireno.

    Como as novas plantas foram concebidas com base em conceitos tecnológicos mais modernos, os custos de produção também devem ficar menores. Com isso, a estratégia da Innova é se consolidar como líder na América Latina na produção e venda de estireno. Melhorias em controle ambiental devem ocorrer por conta do aumento da eficiência operacional com a integração da cadeia etilbenzeno, estireno e poliestireno. Em termos de negócios, a Innova pretende melhorar a oferta de matérias-primas para resinas acrílicas, poliéster, poliestireno expandido e borracha sintética.

    A Innova é um ativo da Petrobrás Energia S.A. (PESA), da Argentina.Foi criada em 1997, ainda como empresa do grupo privado Peres Companc, posteriormente adquirido pela estatal do petróleo no Brasil. Entrou em operação em 2000, com um investimento inicial de US$ 217 milhões. Em 2005, seu faturamento foi de US$ 386 milhões. Produziu 300 mil toneladas em petroquímicos e exportou 30 mil toneladas. Lidera o mercado brasileiro de estireno com 58% da comercialização e 26% do mercado de poliestireno. Contando com a produção da unidade argentina, detém 61% do mercado de estireno e 37% do mercado de poliestireno da América do Sul.

    Além da Innova, duas plantas de Triunfo devem aumentar a produção em curto prazo. A Ipiranga Petroquímica está a um passo de fechar contrato para comprar propeno diretamente da Refinaria Alberto Pasqualini em Canoas e colocar sua planta de polipropileno à plena carga (150 mil toneladas/ano). Atualmente processa uma média de 110 mil toneladas/ano. Ainda assim, a IPQ confirma para 2010 a partida da planta 2 de PP com capacidade para processar mais 200 mil toneladas/ano da commodity. A Braskem também negocia com a Refap a compra de propeno para aumentar sua produção na planta atual de PP, que é de 580 mil toneladas, mas pode chegar a 700 mil toneladas/ano à plena carga. Aliás, esse é um problema que a petroquímica gaúcha enfrenta há anos, a falta de propeno para operar sua capacidade máxima em produzir polipropileno.



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