Plástico

Petroquímica

Fernando C. de Castro
12 de fevereiro de 2007
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    Outros produtos acabados e semi-acabados, como cordas, descartáveis, artigos de toucador, bobinas e lâminas, também compõem o amplo espectro dessa indústria. Tal diversificação se interliga aos demais segmentos da economia por abastecer com embalagens, peças e componentes as indústrias de alimentos (embalagens para grãos, conservas, industrializados), calçados, e ainda as dos setores químico, moveleiro, têxtil, metal-mecânico (componentes para máquinas), automotivo, agricultura, fumo e bebidas, entre outros.

    A alternativa do Geraplast é motivo de otimismo na segunda geração petroquímica local. “Toda a projeção econômica é positiva. O Rio Grande do Sul tem um componente importante por sua vocação produtiva alicerçada na agricultura. Esse ano o setor deverá ser reaquecido por conta de uma paralisia de dois anos decorrente de uma seca e da crise financeira provocada pela quebra da safra de 2005”, acredita o diretor-comercial da Ipiranga Petroquímica, Eduardo Tergolina.

    Plástico Moderno, Alexandrino Alencar, vice-presidente, Petroquímica

    Alencar: o Geraplast deverá
    impulsionar a transformação

    Para ele, o cenário de recuperação do setor primário deverá, num primeiro momento, aumentar as encomendas de embalagens flexíveis, principalmente de insumos como defensivos e nutrientes, e de embalagens destinadas ao consumo final, pois o Estado terá uma oferta maior de alimentos e irá importar menos. A extrusão deve crescer também porque o Pólo já está em expansão para absorver nova demanda. “Começamos fazendo embalagens flexíveis para embalar as safras e os produtos da ponta do consumo. Depois vieram as caixas rígidas para bebidas que substituíram a madeira. Como as garrafas de vidro estão de volta, as caixas injetadas voltarão à cena”, projeta Tergolina.

    Já o sopro, pondera o executivo da IPQ, não tem como crescer porque o carro-chefe dessa indústria é a produção de cosméticos, medicamentos e higiene, e esse parque fabril está centralizado em São Paulo, pela presença das unidades da Procter & Gamble e da Gessy Lever.

    No entendimento de Tergolina, as vendas de resinas deverão superar 2006 em até 5%, o que somado aos 2,2% negativos resultaria num saldo positivo de 2,8%, ou 286 mil toneladas.

    Apenas 10% das empresas empregam entre 100 e 249 funcionários, e 2%, de 250 a 500.

    Quanto à queda de vendas por parte da segunda geração local em 2006, Tergolina credita também à entrada no mercado do polietileno processado no Rio de Janeiro.

    “A Riopol concentrou o aumento do consumo de resinas nas regiões em que a logística ficou mais em conta, ou seja: a própria Região Sudeste e o centro do País.”

    A média de resinas colocadas pela IPQ exclusivamente no mercado gaúcho é de 50 mil toneladas ano, 60% desse total corresponde aos negócios com polietileno de alta densidade, 10% com polipropileno e os demais polietilenos, 30%. Em julho último, a IPQ registrou um recorde histórico de vendas de resina na região: 60 mil toneladas.

    O ano começa promissor também na visão da Braskem em termos de negócios no Rio Grande do Sul. De acordo com o vice-presidente, Alexandrino Alencar, assim que o Geraplast sair do papel o cenário será amplamente favorável. “O Geraplast cria as condições para a terceira geração crescer, mas é preciso um pouco mais de espírito empreendedor”, cutuca.

    No Sul, a Braskem continuará a desenvolver novas resinas e mercados, qualificando seus produtos para agregar mais valor na cadeia produtiva. Na área de PP e polietileno, 2007 será o ano da reafirmação dos nanocompósitos como aditivos. Conforme Alencar, o Rio Grande do Sul já conta com empresas capazes de aumentar o consumo de produtos com maior tecnologia e valor agregados.

    Plástico Moderno, Petroquímica

    Obs: esta contagem contempla apenas as commodities produzidas no Pólo Petroquímico de Triunfo, uma vez que o Rio Grande do Sul não produz plásticos de engenharia e de alto desempenho largamente consumidos na região de Caxias do Sul

    Atualmente, a empresa do grupo Odebrecht produz 580 mil toneladas de polipropileno, o equivalente a 60% de sua atividade em Triunfo. Os 40% estão divididos em polietileno de alta densidade, linear e de baixa densidade. Como a Refap já deu partida em sua planta de propeno, prosseguem as negociações para permitir o aumento da capacidade de processar PP em Triunfo.

    Plástico Moderno, Petroquímica

    Já o presidente da Innova, Flávio Barbosa, tem entendimento diferente com relação ao mercado específico de sua empresa em solo gaúcho. Apesar de contar com a única planta integrada de estireno e poliestireno do País, os transformadores gaúchos absorvem apenas 5% das vendas da Innova. Oitenta e cinco por cento da resina vai para Santa Catarina, São Paulo, demais Estados e exterior. “O mercado para 2007 não é expressivo, uma vez que, pelo histórico do comportamento do mercado de PS, crescimento na casa de dois dígitos não é comum”, alerta Barbosa.

    Da mesma forma, o presidente da Innova credita à entrada em vigor do Geraplast uma possível demanda nova por poliestirenos no Rio Grande do Sul, uma vez que, diante dos incentivos, em alguma região do Estado poderia surgir um incipiente parque para a produção de copos descartáveis e outros produtos como bandejas de alimentos. Atualmente, os principais consumidores de poliestireno em solo gaúcho são os fabricantes de calçados, de componentes para móveis, de utilidades domésticas e a construção civil.

    Ainda assim, a Innova não se prende às dificuldades locais e tem investido em tecnologia de pesquisa para atender aos mercados de fora. Em 2006, consolidou a atuação do seu Centro de Tecnologia em Estirênicos (CTE), a fim de oferecer serviços diferenciados aos clientes de estireno e poliestireno.



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