Rio Grande do Sul transforma 400 mil toneladas de termoplásticos

Petroquímica

O Rio Grande do Sul transformou 400 mil toneladas de termoplásticos em 2006, contabilizada a soma das commodities, dos plásticos de engenharia e de alto desempenho, 50 mil a mais na comparação com 2005.

O Estado ultrapassou novamente o Paraná (380 mil toneladas) e se posicionou na terceira colocação entre os principais representantes da terceira geração petroquímica do País ao ficar atrás de São Paulo (1,8 mil t/ano) e Santa Catarina (760 mil t/ano).

Ainda assim existe um paradoxo. Se levado em conta apenas o volume das resinas poliolefínicas produzidas no pólo petroquímico de Triunfo, a 70 quilômetros de Porto Alegre, as vendas caíram 2,2%, de 285 mil toneladas, em 2005, para 279 mil em 2006.

Isso significa que a recuperação do consumo está calcada em matéria-prima importada. Os dados indicam ainda que os transformadores gaúchos compram apenas 10% das resinas produzidas no Estado. A segunda geração petroquímica da região processa aproximadamente 2,8 milhões de toneladas/ano.

Tal distorção é motivo de desconforto na cadeia produtiva.

Na tentativa de modificar esse quadro, os três elos da cadeia petroquímica gaúcha se uniram com o objetivo de aumentar para 25% o volume de resina produzida em Triunfo a ser consumida no arranjo produtivo local, ou seja, 350 mil toneladas/ano, até o fim dos próximos quatro anos.

O pilar da proposta engloba uma série de medidas fiscais e de recomposição da matriz produtiva como estratégia no sentido de aumentar a competitividade dos transformadores.

A primeira experiência neste aspecto responde pelo nome de RS Competitivo.

Entre 2005 e 2006, os fabricantes de embalagens flexíveis gaúchos foram beneficiados com uma queda de 17% para 12% do ICMS cobrado na compra das resinas e os primeiros resultados foram nitidamente expressivos.

A arrecadação de impostos em favor do Estado na cadeia petroquímica desde a Refinaria Alberto Pasqualini e nas três gerações seguintes (Copesul, fabricantes de resinas e transformadores) foi de R$ 1,788 bilhão em 2006, 13,2% de crescimento na comparação com 2004.

Caiu o valor cobrado, porém, o Estado recolheu mais dinheiro em cima da produção nominal.

“A redução do ICMS no plástico não altera o tributo ao consumidor final. O objetivo é equalizar o imposto ao longo da cadeia produtiva de tal forma a desonerar o peso das resinas sobre a indústria de transformação”, enfatiza o secretário-executivo do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Rio Grande do Sul (Sinplast), Gilberto Mosmann.

Para ele, a política de redução comprova que é possível elevar a arrecadação por meio do aumento do volume de vendas em lugar da pesada carga tributária. Contudo, o programa mais ousado em favor da competitividade da terceira geração petroquímica gaúcha ainda depende de uma difícil negociação com o governo estadual. Trata-se do Geraplast.

Se for aprovado na íntegra, e as chances são reais, o projeto irá reduzir de 17% para 9% o ICMS cobrado, desde que a indústria de transformação invista no aumento de produção por meio de ampliação de plantas industriais, construções de novas instalações e geração de emprego e renda.

Nessa contrapartida, os industriais deverão investir um total de R$ 300 milhões em novos ativos logo após a entrada em vigor do Geraplast. Somente se beneficiarão das vantagens tributárias aqueles que comprovarem a adesão efetiva ao programa com base em relatórios contendo o cumprimento das metas.

Com efeito, o Geraplast irá oferecer outras vantagens para quem adquirir máquinas e equipamentos fabricados dentro do Estado, com isenções de alíquotas.

Além disso, os transformadores teriam maiores prazos para recolhimento de ICMS com origem em outros Estados. Esse ponto é interessante porque o Rio Grande do Sul conta com três fabricantes de injetoras, dois de moinhos, construtores de roscas de extrusão e equipamentos de automação industrial, entre outros itens.

Basicamente, o Geraplast abrange a redução do ICMS, os programas Fundopem/Integrar de incentivo à abertura de novas fábricas com vocação exportadora, financiamento e ações da própria cadeia produtiva.

“Já nos reunimos em três ocasiões com o novo governo e voltaremos a conversar no começo de março”, antecipa o secretário-executivo.

Plástico Moderno, Petroquímica
Ipiranga Petroquímica bateu recorde histórico de vendas na região

A intenção é estender as isenções de forma mais ousada em termos de números para todo o conjunto da terceira geração.

Mosmann assinala que a petroquímica gaúcha é diferenciada pelo nível de integração. Numa ponta está a Refinaria Alberto Pasqualini, em Canoas, interligada à Companhia Petroquímica do Sul (Copesul) e aos quatro fabricantes de resinas poliolefínicas, a Ipiranga Petroquímica, a Braskem, a Innova e a Triunfo.

Na outra, existem 600 indústrias de transformação, as quais geram 24 mil postos de trabalho. Quase 90%, porém, contam com menos de cem empregados. Apenas 10% das empresas empregam entre 100 e 249 funcionários, e 2%, de 250 a 500.

A terceira geração petroquímica gaúcha se concentra em três regiões: Vale dos Sinos (Novo Hamburgo), Serra (Caxias do Sul) e Metropolitana (Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, Cachoeirinha).

Como explica Mosmann, a indústria é expressivamente diversificada e atua em segmentos como: calçados, embalagens rígidas e flexíveis, utilidades domésticas, brinquedos, componentes técnicos (peças e partes para a indústria automotiva, informática, telecomunicações, máquinas e implementos agrícolas, eletroeletrônica, eletrodomésticos, moveleira), construção civil, agricultura e móveis.

Outros produtos acabados e semi-acabados, como cordas, descartáveis, artigos de toucador, bobinas e lâminas, também compõem o amplo espectro dessa indústria.

Tal diversificação se interliga aos demais segmentos da economia por abastecer com embalagens, peças e componentes as indústrias de alimentos (embalagens para grãos, conservas, industrializados), calçados, e ainda as dos setores químico, moveleiro, têxtil, metal-mecânico (componentes para máquinas), automotivo, agricultura, fumo e bebidas, entre outros.

A alternativa do Geraplast é motivo de otimismo na segunda geração petroquímica local. “Toda a projeção econômica é positiva. O Rio Grande do Sul tem um componente importante por sua vocação produtiva alicerçada na agricultura.

Esse ano o setor deverá ser reaquecido por conta de uma paralisia de dois anos decorrente de uma seca e da crise financeira provocada pela quebra da safra de 2005”, acredita o diretor-comercial da Ipiranga Petroquímica, Eduardo Tergolina.

Para ele, o cenário de recuperação do setor primário deverá, num primeiro momento, aumentar as encomendas de embalagens flexíveis, principalmente de insumos como defensivos e nutrientes, e de embalagens destinadas ao consumo final, pois o Estado terá uma oferta maior de alimentos e irá importar menos.

A extrusão deve crescer também porque o Pólo já está em expansão para absorver nova demanda.

Plástico Moderno, Eduardo Tergolina, diretor-comercial da Ipiranga Petroquímica, Petroquímica
Tergolina confia na recuperação dos negócios para agricultura

“Começamos fazendo embalagens flexíveis para embalar as safras e os produtos da ponta do consumo. Depois vieram as caixas rígidas para bebidas que substituíram a madeira. Como as garrafas de vidro estão de volta, as caixas injetadas voltarão à cena”, projeta Tergolina.

Já o sopro, pondera o executivo da IPQ, não tem como crescer porque o carro-chefe dessa indústria é a produção de cosméticos, medicamentos e higiene, e esse parque fabril está centralizado em São Paulo, pela presença das unidades da Procter & Gamble e da Gessy Lever.

No entendimento de Tergolina, as vendas de resinas deverão superar 2006 em até 5%, o que somado aos 2,2% negativos resultaria num saldo positivo de 2,8%, ou 286 mil toneladas.

Apenas 10% das empresas empregam entre 100 e 249 funcionários, e 2%, de 250 a 500.

Quanto à queda de vendas por parte da segunda geração local em 2006, Tergolina credita também à entrada no mercado do polietileno processado no Rio de Janeiro.

“A Riopol concentrou o aumento do consumo de resinas nas regiões em que a logística ficou mais em conta, ou seja: a própria Região Sudeste e o centro do País.”

A média de resinas colocadas pela IPQ exclusivamente no mercado gaúcho é de 50 mil toneladas ano, 60% desse total corresponde aos negócios com polietileno de alta densidade, 10% com polipropileno e os demais polietilenos, 30%. Em julho último, a IPQ registrou um recorde histórico de vendas de resina na região: 60 mil toneladas.

O ano começa promissor também na visão da Braskem em termos de negócios no Rio Grande do Sul. De acordo com o vice-presidente, Alexandrino Alencar, assim que o Geraplast sair do papel o cenário será amplamente favorável.

Plástico Moderno, Alexandrino Alencar, vice-presidente, Petroquímica
Alencar: o Geraplast deverá
impulsionar a transformação

“O Geraplast cria as condições para a terceira geração crescer, mas é preciso um pouco mais de espírito empreendedor”, cutuca.

No Sul, a Braskem continuará a desenvolver novas resinas e mercados, qualificando seus produtos para agregar mais valor na cadeia produtiva.

Na área de PP e polietileno, 2007 será o ano da reafirmação dos nanocompósitos como aditivos.

Conforme Alencar, o Rio Grande do Sul já conta com empresas capazes de aumentar o consumo de produtos com maior tecnologia e valor agregados.

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Obs: esta contagem contempla apenas as commodities produzidas no Pólo Petroquímico de Triunfo, uma vez que o Rio Grande do Sul não produz plásticos de engenharia e de alto desempenho largamente consumidos na região de Caxias do Sul

Atualmente, a empresa do grupo Odebrecht produz 580 mil toneladas de polipropileno, o equivalente a 60% de sua atividade em Triunfo. Os 40% estão divididos em polietileno de alta densidade, linear e de baixa densidade. Como a Refap já deu partida em sua planta de propeno, prosseguem as negociações para permitir o aumento da capacidade de processar PP em Triunfo.

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Já o presidente da Innova, Flávio Barbosa, tem entendimento diferente com relação ao mercado específico de sua empresa em solo gaúcho. Apesar de contar com a única planta integrada de estireno e poliestireno do País, os transformadores gaúchos absorvem apenas 5% das vendas da Innova.

Oitenta e cinco por cento da resina vai para Santa Catarina, São Paulo, demais Estados e exterior. “O mercado para 2007 não é expressivo, uma vez que, pelo histórico do comportamento do mercado de PS, crescimento na casa de dois dígitos não é comum”, alerta Barbosa.

Da mesma forma, o presidente da Innova credita à entrada em vigor do Geraplast uma possível demanda nova por poliestirenos no Rio Grande do Sul, uma vez que, diante dos incentivos, em alguma região do Estado poderia surgir um incipiente parque para a produção de copos descartáveis e outros produtos como bandejas de alimentos. Atualmente, os principais consumidores de poliestireno em solo gaúcho são os fabricantes de calçados, de componentes para móveis, de utilidades domésticas e a construção civil.

Ainda assim, a Innova não se prende às dificuldades locais e tem investido em tecnologia de pesquisa para atender aos mercados de fora. Em 2006, consolidou a atuação do seu Centro de Tecnologia em Estirênicos (CTE), a fim de oferecer serviços diferenciados aos clientes de estireno e poliestireno.

Plástico Moderno, Flávio Barbosa, presidente da Innova, Petroquímica
Barbosa: transformação gaúcha consome só 5% do PS regional

“Com a consolidação do CTE, os projetos de desenvolvimento de mercado e aplicações ganharam novo impulso. Estão previstos novos aperfeiçoamentos e o crescimento do portfóliode produtos especiais em 2007”, antecipa Barbosa.

A estrutura do CTE é dotada de quatro modernos laboratórios equipados com recursos tecnológicos e uma equipe técnico-científica especializada no desenvolvimento de novos produtos, processos e aplicações, em sintonia com os mercados.Os projetos de desenvolvimento de produtos foram concentrados na ampliação da família de resinas derivada da tecnologia do R 870E-HIPS, com balanço otimizado entre rigidez e resistência ao impacto, cuja patente é totalmente vinculada à Innova.

O resultado é que a empresa está conseguindo também obter um poliestireno de alto impacto com excelente nível de transparência para embalagens termoformadas.

Conforme explicou Barbosa, a Innova prossegue sua política de investimento em parcerias estratégicas com clientes, fornecedores, fabricantes de equipamentos, universidades e centros de pesquisa.

Atualmente, busca a obtenção de nanocompostos em poliestireno e de simulação de processamento com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), além do uso da microscopia eletrônica para caracterizar novos produtos em parceria com a Universidade Luterana do Brasil (Ulbra).

A empresa mantém projetos tecnológicos com o Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes) e com o Grupo de Tecnologia da Petrobrás Energia, na Argentina. Há ainda um contrato com a italiana Polimeri para transferência de tecnologia na área de estireno e derivados do produto. O objetivo é sintonizar a Innova com as novas aplicações ditadas no mercado global.

Apesar da queda de consumo das resinas poliolefínicas de Triunfo, pelo menos uma empresa conseguiu bons resultados no Rio Grande do Sul. Rafael Navarro, gerente de marketing da Petroquímica Triunfo, afirma que a participação das suas vendas no RS, comparadas às vendas no Estado, cresceram mais de 10% e apenas 2% no Brasil.

“Sem dúvida, é um mercado promissor, a expectativa é de fortalecimento da Triunfo no Estado, uma vez preservadas as condições tributárias para a sua competitividade”, assinala Navarro.

O ano de 2006 foi de mudanças nas resinas da Triunfo, principalmente no EVA. “Criamos novos produtos e passamos a atuar em mercados que antes não atuávamos. Nosso objetivo é manter as conquistas de 2006 com os principais produtos como o TS 7028 e o TX 7003”, completa Navarro.

Terceira geração importou resinas – O presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), Orlando Marin, uma das três entidades representativas dos transformadores, confirma que a indústria tem aumentado a importação de resinas de outros Estados e de fora do País, principalmente da China e da Argentina.

Embora considere o Geraplast um marco importante na recuperação do setor, ele condena a política de preços adotada pela segunda geração petroquímica.

Plástico Moderno, Orlando Marin, presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), Petroquímica
Marin: moldadores se suprem em outros Estados e países

“O pólo precisa rever seus preços. A gente gostaria imensamente de comprar as resinas virgens aqui no Estado, mas importar de fora do País ou de outras regiões sai mais em conta porque não temos como repassar os preços de Triunfo ao produto final”, critica Marin.

O presidente do Simplás revelou que diversos segmentos estão reaquecidos como o de embalagens, componentes para construção civil e plásticos de engenharia, consumidos na região de Caxias do Sul, onde existe um parque responsável pela fabricação de autopeças de reposição. Neste ano, o segmento de máquinas agrícolas também deverá impulsionar as vendas, assim como a indústria de móveis, prevê o líder empresarial.

Na opinião de Marin, o crescimento do emprego formal no País já se reflete nos negócios de transformação, pois os fabricantes de utilidades domésticas também sentiram o aumento das encomendas. “Apesar do crescimento, houve uma perda de rentabilidade.

Crescemos 12% em vendas como um todo, mas ainda não há suporte para novos investimentos”, explica Marin. Nos seus cálculos, uma empresa que fatura R$ 1 milhão por mês necessitaria investir R$ 70 mil em máquinas, mas não existe fluxo de caixa que permita esse investimento.

Aspectos estruturais explicam o baixo consumo doméstico

A dificuldade do Rio Grande do Sul em aumentar o consumo de resinas poliolefínicas produzidas no pólo petroquímico de Triunfo – hoje em 10% (280 mil toneladas/ano) para um total de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas –, pode ser explicada por uma série de aspectos estruturais. O diretor-comercial da Ipiranga Petroquímica, Eduardo Tergolina, procura respostas até na sociologia para tentar explicar o problema.

“Estamos num Estado agrícola. O pólo se instalou aqui e tivemos de enfrentar dificuldades com ecologistas para levar o projeto adiante.” No entendimento de Tergolina, a vocação agrícola dos gaúchos revela uma certa dificuldade de seus empresários em modificar a mentalidade e partir na direção de novas alternativas de empreendimento.

Além disso, salientou, os sucessivos governos nunca se preocuparam em estimular o surgimento de um pólo de terceira geração. Na contramão e no sentido positivo, Santa Catarina criou todas as condições para o surgimento de centenas de empresas com vocação transformadora.

“O governo catarinense induziu o desenvolvimento da indústria de manufatura com todo tipo de incentivo, como a redução drástica do ICMS, dois anos de carência para recolhimento do imposto em alguns produtos e até com a doação de terrenos pelas prefeituras para quem quisesse se instalar em seus limites”, recorda Tergolina.

Com efeito, explicou, surgiram três pólos importantes: no sul, o “Vale dos descartáveis,” onde se proliferaram as fábricas para extrusão de embalagens flexíveis e produtos termoformados; ao norte, mais precisamente no Vale do Itajaí, ergueram-se grandes corporações como a Tigre e a Amanco e empresas periféricas, mas com iniciativas inovadoras; e tem ainda a região da Grande Florianópolis, também expressiva em embalagens flexíveis.

Mais recentemente foram criadas fábricas de flexíveis no oeste catarinense para atender os frigoríficos de frangos e suínos. “São empresários extremamente empreendedores, muitos originários do setor primário e que aceitaram o desafio de apostar em outro ramo da economia”, elogia.

Para Tergolina, esses pequenos empreendimentos com baixa tecnologia são justamente os que geram maior número de postos de trabalho porque não têm o mesmo nível de automação das grandes indústrias. “O oeste de Santa Catarina está repleto de fabricantes de embalagens flexíveis.

No Rio Grande do Sul as sacolas de supermercado são compradas no mercado de São Paulo. Os copos, bandejas, pratos e demais descartáveis são adquiridos justamente em Santa Catarina”, compara Tergolina.

Mais ainda: Santa Catarina dispõe de vantagens logísticas para distribuir a produção nos principais mercados do sudeste. Um exemplo é o trecho da BR 101 de Florianópolis a São Paulo, o qual está duplicado há mais de uma década.

Já o trecho sul, entre Osório, no Rio Grande do Sul, e a capital catarinense, só deverá ficar pronto em meados de 2008, isso se novos atrasos não forem anunciados pelo Ministério dos Transportes, como vem ocorrendo nos últimos meses. “Precisamos estancar a exportação de empregos para outros Estados e para fora do País”, apregoa o diretor-comercial da IPQ.

Assim como Santa Catarina, diversos Estados sem cadeia petroquímica integrada também concedem incentivos polpudos. Pernambuco, Goiás, Minas Gerais, Ceará e Espírito Santo também tomaram iniciativas semelhantes, assim como o Amazonas. A Bahia, que possui um sistema igualmente integrado da cadeia petroquímica, seguiu a mesma orientação para evitar a migração de seus transformadores locais.

Na opinião de Tergolina, nos últimos anos a situação até melhorou com a entrada em operação da fabricante de polipropileno biorientado Polo Films e com o crescimento da Fitesa, que processa não-tecidos em PP e exporta a produção para diversos países. As duas somadas absorvem quase dois terços do PP de Triunfo. “As demais empresas estão pulverizadas. Caxias do Sul ergueu um parque industrial de peças técnicas e praticamente não tem relação comercial com o pólo petroquímico”, finaliza o executivo da Ipiranga.

Petroquímicas apostam em expansões de capacidade

Novos ativos para aumentar a produção de petroquímicos de segunda geração estão em curso no pólo petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul. O mais importante neste momento é a ampliação da capacidade produtiva da Innova, empresa pertencente à Petrobrás Energia S.A. (PESA), da Argentina. Até o fim de 2008, a empresa elevará para 540 mil toneladas por ano sua capacidade para produzir etilbenzeno.

A planta atual, com capacidade para 190 mil t/ano está localizada dentro da área da Petroflex, a 1,2 quilômetros de distância. A nova unidade estará integrada aos atuais ativos da Innova. O investimento é de US$ 54 milhões e na etapa de construção das obras civis irá gerar mil empregos diretos. Num primeiro momento, servirá para estancar a compra de etilbenzeno da Argentina usado na obtenção de estireno.

Na etapa 2 será construída uma nova unidade de estireno, duplicando a atual capacidade de 250 mil t/ano para 500 mil t. O investimento é de US$ 114,8 milhões. Segundo o presidente da Innova, Flávio Barbosa, esses ativos visam: diminuir o déficit do mercado de estireno no País, substituir as importações, além de integrar energeticamente as plantas de etilbenzeno e de estireno.

Como as novas plantas foram concebidas com base em conceitos tecnológicos mais modernos, os custos de produção também devem ficar menores. Com isso, a estratégia da Innova é se consolidar como líder na América Latina na produção e venda de estireno.

Melhorias em controle ambiental devem ocorrer por conta do aumento da eficiência operacional com a integração da cadeia etilbenzeno, estireno e poliestireno. Em termos de negócios, a Innova pretende melhorar a oferta de matérias-primas para resinas acrílicas, poliéster, poliestireno expandido e borracha sintética.

A Innova é um ativo da Petrobrás Energia S.A. (PESA), da Argentina.Foi criada em 1997, ainda como empresa do grupo privado Peres Companc, posteriormente adquirido pela estatal do petróleo no Brasil. Entrou em operação em 2000, com um investimento inicial de US$ 217 milhões.

Em 2005, seu faturamento foi de US$ 386 milhões. Produziu 300 mil toneladas em petroquímicos e exportou 30 mil toneladas. Lidera o mercado brasileiro de estireno com 58% da comercialização e 26% do mercado de poliestireno. Contando com a produção da unidade argentina, detém 61% do mercado de estireno e 37% do mercado de poliestireno da América do Sul.

Além da Innova, duas plantas de Triunfo devem aumentar a produção em curto prazo. A Ipiranga Petroquímica está a um passo de fechar contrato para comprar propeno diretamente da Refinaria Alberto Pasqualini em Canoas e colocar sua planta de polipropileno à plena carga (150 mil toneladas/ano).

Atualmente processa uma média de 110 mil toneladas/ano. Ainda assim, a IPQ confirma para 2010 a partida da planta 2 de PP com capacidade para processar mais 200 mil toneladas/ano da commodity.

A Braskem também negocia com a Refap a compra de propeno para aumentar sua produção na planta atual de PP, que é de 580 mil toneladas, mas pode chegar a 700 mil toneladas/ano à plena carga. Aliás, esse é um problema que a petroquímica gaúcha enfrenta há anos, a falta de propeno para operar sua capacidade máxima em produzir polipropileno.

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