Petróleo & Energia

Petrobras: Estatal realinha projetos para elevar a produção e reforçar a geração de caixa – Perspectivas 2018

Marcelo Fairbanks
27 de Março de 2018
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    Plástico Moderno, FPSO Pioneiro de Libra

    FPSO Pioneiro de Libra

    A Petrobras começa o ano com um peso a menos nas costas. Ao celebrar um acordo de US$ 3 bilhões com investidores nos Estados Unidos, sem admissão de culpa, a companhia se livrou de um possível prejuízo maior e reduziu riscos futuros, ao determinar e limitar o valor a ser desembolsado nesse caso.

    O acordo está alinhado com as atuais diretrizes da companhia, de melhorar a gestão de caixa, aumentando a previsibilidade e otimizando seu tamanho e alocação, bem como reduzir o risco associado ao fluxo de caixa da companhia, como foi explicitado no Plano de Negócios 2018-2022 da Petrobras. A companhia opera com a meta de chegar a um endividamento de 2,5 (dívida líquida /Ebitda ajustado) até o final deste ano, indicador considerado salutar pelos analistas de mercado para companhias desse setor. É bom lembrar que esse número era de 5,1 em 2015, tendo sido reduzido para 3,2 no segundo trimestre de 2017. Isso foi conseguido por um esforço combinado de alienação de ativos, redução de custos e aumento de eficiência das operações.

    Os cálculos dos analisas consultados pela companhia indicam uma tendência de alta nos preços do Brent (óleo leve de referência), passando da média de US$ 53/barril em 2017 para US$ 73 em 2022. A estimativa da companhia é de um avanço da taxa cambial para US$ 3,80 até 2022. Dadas as suas características típicas, quanto mais caro fica um barril de petróleo, mais fácil para uma petroleira recuperar seus investimentos. Considerando o barril a US$ 53, a meta de 3,3 de endividamento é factível. Caso o petróleo Brent chegue a US$ 70, a tendência é de se alcançar um endividamento bem menor, próximo a 2.

    O plano da companhia inclui a instalação de 19 novos sistemas de produção de óleo/gás no Brasil até 2022. Desses, oito devem ser instalados já em 2018. Outro pico de instalações está previsto para 2021, com seis unidades, incluindo as revitalizações de Marlim, módulos 1 e 2. Com isso, a companhia espera aumentar a produção de óleo e gás de 2,6 milhões de barris de óleo equivalente (boed) em 2018 para 3,4 milhões de boed em 2022. Essa previsão já considera os desinvestimentos previstos da companhia.

    Para tanto, a Petrobras pretende investir US$ 74,5 bilhões no período 2018-2022, dos quais 81% em exploração e produção, área mais rentável dos seus negócios. O perfil de investimentos em E&P também prioriza o reforço de caixa. Dos US$ 60,3 bilhões direcionados para a área, 77% serão alocados no desenvolvimento da produção das reservas existentes. A exploração ficará com 11%, enquanto a formação de infraestrutura operacional receberá 12% dos investimentos da área. A atividade exploratória deverá ser acelerada no novo plano de negócios. A média anual de poços exploratórios passará dos 15, em 2016-2017, para 29 (de 2018 a 2022), garantindo a continuidade das operações.

    A preferência dos projetos também é dada à região do pré-sal, cujos retornos são mais atraentes, com poços mais produtivos. O pré-sal ficará com 58% dos investimentos em E&P. A diretriz da área aponta para selecionar os projetos mais rentáveis e atuar com custos mais competitivos.

    A Petrobras investirá US$ 13,1 bilhões em refino e gás natural até 2022. Refino, transporte e comercialização ficarão com a maior fatia do bolo: 66%. Gás e energia terão 28% e apenas 6% serão direcionados para biocombustíveis e distribuição. O foco dos projetos está em criar estruturas para escoar a produção de gás do pré-sal, que está aumentando. Além disso, pretende intensificar o programa de qualidade do diesel e iniciar a construção do segundo trem de produção da Rnest (Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco), projeto que depende de encontrar um parceiro internacional adequado. Melhorias operacionais para assegurar a continuidade operacional com alta segurança também estão entre as prioridades.

    Gerando caixa – Com o objetivo de melhorar seus indicadores financeiros e ajustar o foco das operações, a Petrobras promove um plano de alienação de ativos. Em 2017, isso rendeu aos cofres da empresa US$ 4,5 bilhões, incluindo a oferta pública inicial de ações da Petrobras Distribuidora, a parceira estratégica com a Statoil no campo de Roncador e a venda do campo de Azulão. Até 2022, o plano de negócios prevê capturar mais US$ 21 bilhões nesse processo.

    Além disso, a Petrobras instituiu novos critérios para a comercialização dos seus produtos finais, especialmente os combustíveis automobilísticos. Desde o início da gestão de Pedro Parente, a companhia procura aproximar os preços dos derivados dos praticados nos principais mercados mundiais, com a adição de um spread que remunere custos de internação. Com isso, de julho a novembro, como informou a companhia, os preços do diesel e da gasolina sempre ficaram acima das referências, respectivamente, a região do Golfo nos Estados Unidos e média europeia.


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