Embalagens

PET – Um milhão de toneladas: esta será a nova capacidade nacional

Maria Aparecida de Sino Reto
26 de setembro de 2011
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    Para o presidente da Abipet, a entrada de mais um competidor no mercado brasileiro de PET deve propiciar para os transformadores a garantia de concorrência interna. “Mas não há grandes expectativas de mudanças na base, porque o Brasil já está inserido completamente em um contexto internacional há alguns anos”, constata. A gerente comercial para a América do Sul da M&G, Theresa Cristina Moraes, informa que a empresa está operando com 100% de sua capacidade. Nas expectativas dela, o setor deve crescer 4,5% neste ano. Ela não teme as dificuldades financeiras que o mundo atravessa e acredita que a demanda global deve manter seu ritmo ascendente, assim como o consumo brasileiro, que em sua opinião será pouco afetado. “Caso haja queda, a M&G tem a opção de exportar para o Mercosul”, diz.

    No entender dela, a indústria brasileira de PET ainda tem um largo caminho a percorrer até se emparelhar com o mercado internacional em termos de aplicações. Entre os segmentos ainda pouco explorados, ela menciona, por exemplo, os de sucos, leites e molhos. Outras tendências apontadas por ela dizem respeito ao uso de PET com barreira, “mas ainda limitante no preço”, e de PET verde, produzido localmente em pequena escala.

    A empresa disponibiliza para o mercado brasileiro dois grades: o PET Cleartuf Max e o PET Cleartuf Turbo. No entender de Theresa, ambos suprem todas as necessidades da transformação. O primeiro se destina a embalagens para bebidas carbonatadas, principalmente, além de óleos e outros produtos; e o segundo, frascos para água e embalagens para cosméticos, produtos farmacêuticos e outros.

    Plástico Moderno, Auri Marçon, Presidente da Abipet, Pet - Um milhão de toneladas: esta será a nova capacidade nacional

    Marçon saúda a chegada de mais um produtor local do polímero

    Pré-formas com sotaque – O presidente da Abipet se queixa da entrada desenfreada de pré-formas provenientes do Paraguai, em particular, e ainda de outros países do Mercosul, como Uruguai e Argentina. Os produtos atravessam a fronteira com vantagens competitivas sobre os fabricados localmente. Isso porque, aquelas empresas se beneficiam da importação de insumos sem pagamento da tarifa de importação e ainda aproveitam a guerra fiscal brasileira e entram por portos que cobram menos ICMS.

    “Existe um desequilíbrio, uma desatualização da regra de origem, o que gera desequilíbrio tributário. A regra exige da transformação um saldo tarifário, a agregação de valor ao produto, e isso não acontece com a resina transformada em pré-forma, pois mais de 80% da pré-forma é o valor da resina, portanto, não agrega valor”, desabafa Marçon.

    Ele explica que, além de isentas dos impostos de importação da resina, adquirida em regime draw back (que consiste na suspensão ou eliminação de tributos incidentes sobre insumos importados para utilização em produto exportado), as fabricantes de pré-formas daqueles países ainda recebem incentivos no regime do ICMS para importados em portos brasileiros.

    Por conta dessa avalanche de pré-formas no mercado nacional, que já inundaram o Sul, Marçon testemunha a mudança de diversos fabricantes locais do produto para aqueles países mencionados. “O Brasil perde em arrecadação e transfere empregos para o Mercosul e para a Ásia, de onde a resina é importada”, adverte. Segundo levantamento da Abipet, a importação de pré-formas dos países vizinhos atingiu 107,3 mil toneladas no ano passado, contra 101,5 mil, em 2009.

    O mercado de PET também sofre influências sui generis. Marçon conta que, no início deste ano, uma quebra de safra de algodão provocou alta nos preços da resina PET. A cotação do poliéster destinado às embalagens subiu influenciada por variações no mercado das fibras têxteis obtidas da mesma matéria-prima. “São questões pouco conhecidas do mercado.”

    A crise econômica, na visão dele, denuncia a distância brasileira da competitividade internacional e “mostra com clareza os desafios de produtividade e de manter a competitividade com a relação de câmbio em desvantagem internacional”. Os projetos da nova planta sinalizam que a indústria brasileira está atenta para esses passos necessários.

     

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