PET – Um milhão de toneladas: esta será a nova capacidade nacional

Plástico Moderno, Pet - Um milhão de toneladas: esta será a nova capacidade nacional

Só muitos anos depois de consagradas no exterior, as embalagens de PET chegaram ao Brasil. O crescimento acelerado compensou o tempo perdido e, da primeira garrafa soprada em solo nacional (flagrada com exclusividade por Plástico Moderno, estampada na capa de julho de 1988) aos dias atuais, o mercado brasileiro de polietileno tereftalato amadureceu e avança agora em ritmo mais moderado. Nesse ínterim, os volumes parcos na oferta local da resina àquela época ganharam escalas de respeito e a disponibilidade nacional do polímero deve quase dobrar e atingir um milhão de toneladas até 2013, conforme previsto sem computar eventuais atrasos na programação.

No ano passado, o seu consumo aparente atingiu cerca de 560 mil toneladas (contra 12 milhões de toneladas em âmbito global), volume que considera resinas e pré-formas importadas e equivale a um crescimento da ordem de 7,5% sobre 2009, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet). As expectativas de expansão para este ano ficam em patamar parecido, entre 6,5% e 7,0%, segundo o presidente da entidade, Auri Marçon.

Isso porque, para ele, o PET já domina amplamente os grandes mercados: bebidas carbonatadas, água e óleo comestível. Só essas três indústrias juntas absorveram 90% da demanda doméstica. “O Brasil está bem amadurecido nesses mercados”, justifica. Não à toa. A introdução do polímero na indústria de embalagens proporcionou um avanço extraordinário à indústria de refrigerantes. Com suas alardeadas vantagens, a resina também cativou por completo os segmentos de óleo comestível e água mineral.

A receita desse sucesso é um pacote de características que inclui propriedades atóxicas, alta transparência e brilho, excelente barreira a gases e odores, grandes resistências química e mecânica (ao impacto), além da leveza em comparação a outros materiais. Agora o PET vislumbra novos caminhos para sua escalada, entre eles os mercados de leite, de potes de boca larga e de cosméticos.

Em tempos de sustentabilidade em alta, o presidente da Abipet defende o material nas embalagens para refrigerantes, baseado em um estudo americano. “Em análise de ciclo de vida, o PET é, em quase todas as categorias, a melhor escolha em relação a materiais concorrentes nas questões de meio ambiente”, justifica Marçon.

A atual oferta brasileira supre até 550 mil toneladas anuais, capacidade instalada do único produtor do polímero, o grupo italiano Mossi & Ghisolfi. Single line instalada em Ipojuca-PE, a fábrica brasileira emprega a rota de PTA (ácido tereftálico purificado) e se situa como a maior do mundo, junto com a similar mexicana, construída pouco tempo antes pelo grupo em Altamira.

Novo competidor – Mas se os projetos da Petroquisa, braço da Petrobras atuante nas áreas química e petroquímica, seguirem os cronogramas previstos, uma nova fábrica de 450 mil toneladas de PET para embalagens deve quebrar a hegemonia da M&G no mercado brasileiro no segundo semestre de2012. A estatal, porém, ainda busca um sócio para o novo complexo petroquímico, a Petroquímica Suape (Companhia Petroquímica de Pernambuco), fator que pode jogar adiante os planos de inauguração.

A ser instalado também no município de Ipojuca, o complexo compreende a produção de PET e fios de poliéster (240 mil t/ano) integrados à produção do PTA, esta de cerca de 700 mil toneladas anuais. A sobra de PTA (cerca de 105 mil t/ano) será destinada ao mercado. Como informa o diretor superintendente da Petroquímica Suape, Richard Ward, o empreendimento seguirá em etapas, a começar pela produção do filamento texturizado, da unidade de fios de poliéster. A fase seguinte envolve a planta de PTA e as polimerizações, dividida em duas fases (fibras têxteis e resina grau garrafa), além de outros tipos de filamentos de poliéster. “Já estamos produzindo cerca de 100 toneladas mensais do fio texturizado, com o funcionamento de duas das 64 máquinas desse processo, que estarão em plena operação no primeiro trimestre de2012.”

O presidente da Abipet aproveitou a ocasião da divulgação dos resultados do 7º Censo de Reciclagem do PET no Brasil para mostrar a radiografia atual da indústria nacional do PET e as projeções dos próximos anos. Segundo o cronograma, a capacidade instalada brasileira da resina sobe em duas etapas, das atuais 550 mil toneladas anuais, oferecidas pela M&G, para 850 mil t/ano em 2012, com a partida da primeira unidade produtiva da nova planta de PET da Petroquímica Suape.

Por conta da nova oferta, a disponibilidade doméstica terá uma ampla folga sobre a demanda interna, o que forçará a exportação de parcela das suas produções. Nova adição é esperada para 2013, com a entrada em operação do segundo trem da Petroquímica Suape, quando a soma de capacidade de ambas as produtoras alcançará um milhão de toneladas anuais.

Mas para o diretor superintendente da nova concorrente, o quadro de superoferta não deverá perdurar além de dois ou três anos. Richard Ward enseja um forte crescimento no consumo nacional da resina, sustentado pelos novos nichos conquistados, aumento do poder aquisitivo do cidadão brasileiro e reforçado ainda pelos jogos da Copa do Mundo de 2014 e pelos Jogos Olímpicos, em 2016, que serão sediados no país. Até lá, ele prevê crescimento para o setor a taxas superiores a 11% ao ano. Possíveis reflexos da crise econômica global não assustam o diretor. “Estamos muito otimistas com a economia brasileira e a receptividade do mercado sobre a entrada em operação em breve de nossas unidades produtivas.”

Para o presidente da Abipet, a entrada de mais um competidor no mercado brasileiro de PET deve propiciar para os transformadores a garantia de concorrência interna. “Mas não há grandes expectativas de mudanças na base, porque o Brasil já está inserido completamente em um contexto internacional há alguns anos”, constata. A gerente comercial para a América do Sul da M&G, Theresa Cristina Moraes, informa que a empresa está operando com 100% de sua capacidade. Nas expectativas dela, o setor deve crescer 4,5% neste ano. Ela não teme as dificuldades financeiras que o mundo atravessa e acredita que a demanda global deve manter seu ritmo ascendente, assim como o consumo brasileiro, que em sua opinião será pouco afetado. “Caso haja queda, a M&G tem a opção de exportar para o Mercosul”, diz.

No entender dela, a indústria brasileira de PET ainda tem um largo caminho a percorrer até se emparelhar com o mercado internacional em termos de aplicações. Entre os segmentos ainda pouco explorados, ela menciona, por exemplo, os de sucos, leites e molhos. Outras tendências apontadas por ela dizem respeito ao uso de PET com barreira, “mas ainda limitante no preço”, e de PET verde, produzido localmente em pequena escala.

A empresa disponibiliza para o mercado brasileiro dois grades: o PET Cleartuf Max e o PET Cleartuf Turbo. No entender de Theresa, ambos suprem todas as necessidades da transformação. O primeiro se destina a embalagens para bebidas carbonatadas, principalmente, além de óleos e outros produtos; e o segundo, frascos para água e embalagens para cosméticos, produtos farmacêuticos e outros.

Plástico Moderno, Auri Marçon, Presidente da Abipet, Pet - Um milhão de toneladas: esta será a nova capacidade nacional
Marçon saúda a chegada de mais um produtor local do polímero

Pré-formas com sotaque – O presidente da Abipet se queixa da entrada desenfreada de pré-formas provenientes do Paraguai, em particular, e ainda de outros países do Mercosul, como Uruguai e Argentina. Os produtos atravessam a fronteira com vantagens competitivas sobre os fabricados localmente. Isso porque, aquelas empresas se beneficiam da importação de insumos sem pagamento da tarifa de importação e ainda aproveitam a guerra fiscal brasileira e entram por portos que cobram menos ICMS.

“Existe um desequilíbrio, uma desatualização da regra de origem, o que gera desequilíbrio tributário. A regra exige da transformação um saldo tarifário, a agregação de valor ao produto, e isso não acontece com a resina transformada em pré-forma, pois mais de 80% da pré-forma é o valor da resina, portanto, não agrega valor”, desabafa Marçon.

Ele explica que, além de isentas dos impostos de importação da resina, adquirida em regime draw back (que consiste na suspensão ou eliminação de tributos incidentes sobre insumos importados para utilização em produto exportado), as fabricantes de pré-formas daqueles países ainda recebem incentivos no regime do ICMS para importados em portos brasileiros.

Por conta dessa avalanche de pré-formas no mercado nacional, que já inundaram o Sul, Marçon testemunha a mudança de diversos fabricantes locais do produto para aqueles países mencionados. “O Brasil perde em arrecadação e transfere empregos para o Mercosul e para a Ásia, de onde a resina é importada”, adverte. Segundo levantamento da Abipet, a importação de pré-formas dos países vizinhos atingiu 107,3 mil toneladas no ano passado, contra 101,5 mil, em 2009.

O mercado de PET também sofre influências sui generis. Marçon conta que, no início deste ano, uma quebra de safra de algodão provocou alta nos preços da resina PET. A cotação do poliéster destinado às embalagens subiu influenciada por variações no mercado das fibras têxteis obtidas da mesma matéria-prima. “São questões pouco conhecidas do mercado.”

A crise econômica, na visão dele, denuncia a distância brasileira da competitividade internacional e “mostra com clareza os desafios de produtividade e de manter a competitividade com a relação de câmbio em desvantagem internacional”. Os projetos da nova planta sinalizam que a indústria brasileira está atenta para esses passos necessários.

 

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