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PET: Técnica de transformação evolui e reduz consumo de resina por unidade

Jose Paulo Sant Anna
21 de março de 2016
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    Plástico Moderno, Frascos de PET para domissanitários produzidos por equipamento de sopro da Pavan Zanetti

    Frascos de PET para domissanitários produzidos por equipamento de sopro da Pavan Zanetti

    O uso da resina PET no Brasil deve fechar o ano com queda em relação a 2014. No primeiro semestre, os cálculos da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet) apontam uma redução 4% e 6%. No ano passado, depois de vários anos de crescimento elevado, houve redução no uso do PET pela primeira vez no mercado brasileiro. Foram consumidas 608 mil toneladas, contra 620 mil toneladas em 2013.

    Do total, em torno de 70% foi destinado para a indústria de refrigerantes, sendo o restante dividido entre outras aplicações. Merece destaque especial o mercado de água mineral. Também promissores são os segmentos de leite, sucos, chás, óleos comestíveis, cosméticos e materiais de higiene e limpeza, entre outros. O total consumido representa a demanda aparente, leva em conta o total de resina virgem consumida no país mais os dados das transações internacionais de pré-formas. Em 2014, as importações de pré-formas superaram em 115 mil toneladas as exportações.

    No ano passado, o Brasil se tornou autossuficiente na produção da matéria-prima. Conta com dois produtores instalados junto à petroquímica Suape, em Pernambuco, capazes de abastecer com folga o mercado interno e ainda exportar parte da produção. Um deles é a PQS, ligada à Petrobras, que começou a operar no final do ano passado e tem instalações voltadas para atingir a capacidade máxima de 450 mil toneladas por ano. A outra é a empresa de origem italiana Mossi & Ghisolfi (M&G), que já atua há um bom tempo por aqui e tem capacidade de produção em torno de 550 mil toneladas por ano.

    Plástico Moderno, Marçon: peso de uma garrafa de PET caiu 26% em dez anos

    Marçon: peso de uma garrafa de PET caiu 26% em dez anos

    De acordo com Auri Marçon, diretor executivo da Abipet, os dados de mercado precisam ser avaliados com certo cuidado. Para ele, a redução do consumo verificada de 2014 para cá não deve ser toda creditada à crise econômica, é preciso levar em conta uma atenuante. Com a evolução da tecnologia, o peso das garrafas usadas para embalar os refrigerantes e demais produtos vem sofrendo queda significativa.

    “Houve a combinação de dois fatores. Em uma primeira etapa, as formulações da resina oferecidas ao mercado se aperfeiçoaram. Em seguida, os equipamentos usados para a transformação se sofisticaram, em especial os de injeção, utilizados na fabricação das pré-formas. Mesmo mais leves, as embalagens de hoje apresentam a mesma resistência, aguentam a pressão das bebidas gaseificadas e podem ser empilhadas sem qualquer problema”. Dessa forma se tornou possível aumentar o número de garrafas obtidas com o mesmo volume da resina.

    O dirigente apresenta alguns números que ajudam a compreender esse cenário. “Nos últimos dez anos o peso da garrafa de refrigerante caiu 26%. Nos últimos cinco anos, algumas garrafas de água tiveram seus pesos reduzidos de 18 para 11 gramas”. Por isso, a queda estimada entre 4% a 6% do consumo da matéria-prima não significa a redução na mesma proporção no número de encomendas de embalagens. Não existem dados atualizados sobre o total de unidades produzidas.

    Em uma análise baseada em sua experiência, Marçon acredita em pequena redução no consumo de refrigerantes no mercado interno esse ano, motivada pela crise econômica. Essa queda é compensada em parte pelo fortalecimento do uso da resina em outras aplicações. Entre elas, o nicho de garrafas para água mineral, que se torna a cada dia mais promissor para os transformadores. “A demanda por garrafas para água vem crescendo na casa dos dois dígitos mesmo com a crise”, assegura. Os mercados de leite, sucos, óleos comestíveis e energéticos são outros com evolução acima da média.

    Um novo aspecto deve alterar os resultados do setor no segundo semestre. Trata-se do forte aumento da cotação do dólar. Para Marçon, a variação cambial já está provocando consequências. “O real fraco já está provocando a queda na importação da resina”. Esse fato também se deve, é lógico, à entrada em funcionamento da PQS em setembro do ano passado. No caso das pré-formas a situação é um tanto diferente, as consequências da variação cambial não vão ser sentidas em curto prazo. “Somos abastecidos por outros países do Mercosul, os fornecedores contam com contratos de longo prazo”.

    Vale uma ressalva. Os preços internacionais das matérias-primas são calculados com base nas cotações da moeda norte-americana em diversos locais do mundo. “Na verdade, toda a indústria química funciona em torno do valor do dólar”. Por isso, com a desvalorização do real, os transformadores sofrem. Menos mal que os preços dos derivados do petróleo sofreram redução nos últimos tempos, o que ameniza a situação. “O pior problema é a instabilidade da moeda, que gera dúvidas entre os empresários”.


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