Embalagens

PET – Particularidades da resina impõem diversos cuidados à fabricação dos moldes

Maria Aparecida de Sino Reto
26 de setembro de 2011
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    “Oferecemos a solução completa para adequar o produto do cliente à melhor otimização possível.” Moldes de até 24 cavidades podem ser testados na própria Moltec, acima disso, o diretor propõe duas opções: no cliente ou no fabricante da injetora.

    Cunha ainda ressalta o fato de dispor de softwares e hardwares 3D de CAD/CAE/CAM para a criação de desenvolvimento dos produtos. Os moldes específicos para injeção de pré-formas de PET representam em torno de 20% dos negócios da Moltec, desde 1971 no ramo de moldes, e há quatorze anos no segmento de PET. Os moldes de 24 cavidades e até um litro por cavidade lideram as solicitações. A produção da Moltec comporta projetos para pré-formas de PET com até 48 cavidades.

    Plástico Moderno, PET - Particularidades da resina impõem diversos cuidados à fabricação dos moldes

    Tsong monta no país moldes de até 96 cavidades

    O diretor não especifica números, mas comemora o bom resultado da área no ano passado, lamenta a freada sofrida no primeiro semestre deste ano, mas tem expectativas alentadoras para a segunda metade de 2011, com previsões de repetir os resultados do mesmo período em 2010. Mas os preços dos moldes importados, mais competitivos por conta da valorização do real, ainda afetam os negócios.

    Quanto ao temor dos reflexos no país das incertezas financeiras no mercado internacional, o executivo prefere conclamar o setor a “aproveitar o momento para criar oportunidades”.

    Sobre a concorrência asiática, Cunha diz ter a impressão de que caiu a importação desses moldes. No entender dele, a grande incidência de problemas gerados por eles aos seus usuários provocaram a queda.

    Não há milagre– “Em um primeiro momento, o preço dos moldes asiáticos é tentador, mas a curto prazo sai muito caro e muitas vezes não se paga”, opina Melo. Sem radicalismos, ele admite que na Ásia também há bons fabricantes. “Mas o preço não é baixo como os anunciados por muitos importadores, que não trazem qualidade e não dão assistência técnica”, adverte.

    Plástico Moderno, Eduardo Cunha, Diretor da Moltec, PET - Particularidades da resina impõem diversos cuidados à fabricação dos moldes

    Cunha projeta o desenho e faz testes piloto das pré-formas

    Outra dificuldade enfrentada pelo setor, lembrada pelo diretor da Qualicad, diz respeito a um boom de pequenos transformadores de pré-formas, usuários de máquinas e moldes asiáticos, com um custo de processo e produtividade não condizentes com a realidade brasileira. “Muitos não conseguiram pagar a energia elétrica, encargos sociais e impostos; vários estão paralisando a produção e alguns descobriram da pior maneira: fechando as portas. Hoje existem muitos moldes e máquinas seminovas à venda, porém não se pagam. A tendência agora é trabalhar a produtividade e o custo baixo”, desabafa.

    No entender de Melo, a sobrevivência do setor depende da aplicação de muita técnica. Mesmo com todos os entraves, ele conseguiu elevar acima de 30% os serviços de manutenção e dobrar a produção de moldes no ano passado. “O mercado está começando a assimilar os altos custos de produção e procurando opções rentáveis”, informa.

    Atuante há 35 anos no segmento de injeção de plásticos, e há seis na fabricação e reforma de moldes para pré-formas de PET, a Qualicad produz moldes de até 72 cavidades. “Mas podemos estudar portes maiores”, se predispõe. O projeto próprio de construção se fundamenta, em particular, na experiência de manutenção em moldes canadenses, americanos e europeus. O diretor também alega saber onde os moldes asiáticos têm problemas. Desses ingredientes, nasceu sua receita.

    Reciclagem cresce mesmo com coleta seletiva incipiente

    A despeito do problema crônico que representa a ineficiência do sistema de coleta seletiva, o brasileiro ainda mantém posição relevante entre os maiores recicladores de PET do mundo. No ano passado, 282 mil toneladas de embalagens pós-consumo receberam destinação adequada e promoveram um crescimento de 7,6% sobre o volume reaproveitado no ano anterior. O índice de reciclagem das embalagens de PET pós-consumo alcançou 55,8% no ano passado, um volume considerado alto diante das dificuldades do setor. Afinal, outros países que apresentam elevados índices de reciclagem da resina contam com coleta seletiva abrangente e estruturada, consciência ambiental mais adiantada e território a ser administrado menor. Esses dados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet) em seu 7º Censo de Reciclagem do PET no Brasil, realizado pela Nous Consulting. O desempenho do PET reciclado em faturamento também apresentou desempenho positivo, elevado de R$ 1,09 bilhão, em 2009, para R$ 1,18 bilhão neste ano, um avanço de 8,2%.

    Os resultados do levantamento, apresentados pelo presidente da entidade, Auri Marçon, apontam que as empresas do setor investiram em capacidade de reciclagem e em inovação. “Mas o parque instalado tem forte ociosidade e será difícil continuar crescendo sem um sistema público de coleta seletiva que possibilite o retorno das embalagens pós-consumo à indústria”, reivindica.

    Se esse contexto persistir, o Brasil tende a perder essa posição de destaque em âmbito global. De acordo com o assessor da Abipet, Hermes Contesini, existe uma barreira para o crescimento da reciclagem. Maduro, o setor conta com empresas consolidadas, com tendência a se manterem sadias e ativas – mostra o estudo. Tem, portanto, demanda concreta. Porém, indisponibilidade de material para alimentar essa expansão. “O produto existe, mas não está acessível porque falta coleta seletiva.” Por essa razão, a evolução nos últimos anos na taxa de reciclagem avançou pouco desde 2009, quando computou 55,6%.

    O maior destino para o PET revalorizado ainda é o setor têxtil, que absorve 38% do total. As resinas insaturadas e alquídicas aparecem em segundo lugar (19%), as embalagens em terceiro (17%). A maior parcela das embalagens de PET recicladas, segundo o apontamento, são revalorizadas no formato de flakes (65%).
    O presidente da Abipet ressaltou que o mercado brasileiro passa por um momento de transformação com respeito à consciência ambiental. A nova legislação para o gerenciamento dos resíduos sólidos comprova essa mudança de postura. “O desafio, agora, é aumentar a disponibilidade de matéria-prima para reciclagem.”

     

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