PET – Particularidades da resina impõem diversos cuidados à fabricação dos moldes

Enquanto as pré-formas de PET requerem altíssima precisão nas medidas das paredes e gargalos, a própria resina tem particularidades que pedem cuidados diferenciados no seu processamento e na confecção do molde. Altamente higroscópica, a resina exige um controle rígido de umidade. Além disso, as suas características reológicas tornam a confecção do molde das pré-formas uma tarefa complexa, para a qual são necessárias habilidades diferenciadas desde a escolha dos materiais. Cada componente dessas ferramentas requer material e tratamento térmico específico ao tipo de solicitação mecânica dele exigida, como tração, atrito, compressão e transmissão de calor. Imprescindível a incorporação de sistemas de câmara quente. “O molde é o coração da célula de fabricação de pré-formas”, define o diretor na América do Sul da Husky, Evandro Cazzaro.

O gerente de divisão Netstal, do grupo KraussMaffei, Ítalo Zavaglia, pormenoriza os diferenciais: “Os moldes de PET devem cumprir exigências específicas. Entre outros requisitos, sua câmara quente deve ser desenhada para receber um alto volume de injeção e todas as cavidades devem ter agulhas especiais para fechamento, pois a espessura do ponto de injeção é muito alta para refrigerar por si só durante o ciclo; então é necessário um sistema de fechamento para garantir o acabamento perfeito do ponto de injeção.”

Plástico Moderno, PET - Particularidades da resina impõem diversos cuidados à fabricação dos moldes
Netstal adquire molde de parceiros suiço e alemão

Além disso, Newton Zanetti, diretor comercial da Pavan Zanetti, fabricante de máquinas também atuante no ramo de PET, lembra os cuidados diferenciados com esses moldes de injeção das pré-formas, entre os quais a precisão extrema e a necessidade de ótimos materiais, porta-moldes e bicos quentes com controle eficiente. Os diretores da Moltec, Eduardo Cunha, e da Qualicad, Gilberto Moreira de Melo, produtores de moldes, concordam em número, grau e gênero.

“Os moldes devem possuir ajustes com precisões nas peças fundamentais, como machos, matrizes, porta-machos e alojamentos da câmara quente de milésimos de milímetros; além disso, cada componente requer material e tratamento térmico específicos para a sua aplicação”, ensina Melo.

Em sintonia fina com o diretor da Qualicad, o diretor da Moltec referenda a importância do uso de materiais específicos e de alta qualidade para cada componente do molde e o respeito às tolerâncias muito estreitas, também por ele avaliadas em milésimos, nas medidas. Ressalta, ainda, que a usinagem desses componentes requer controle de produção e de qualidade no acabamento. “O PET é uma das resinas mais exigentes em precisão na injeção e a produção desses moldes exige equipamentos que propiciem essas condições.”

Por conta do fato de a injeção de pré-formas processar espessuras de paredes muito grossas e, ainda assim, requisitar ciclos rápidos, os moldes dessas peças devem possuir, como explica Melo, uma excelente troca térmica e movimentos mecânicos complexos. “São moldes de muitas cavidades.”

Gerente industrial da Tsong Cherng, Newton Tien endossa a opinião de seus colegas de mercado e acrescenta que, nos projetos de moldes para injetar pré-formas de PET, seus sistemas de câmaras quentes requerem controle apurado de temperatura, essencial no processo. “Cada cavidade precisa de um controle individual de temperatura”, comenta. A empresa importa de Taiwan quase todos os componentes dos moldes e executa a montagem e os ajustes em sua fábrica em São Bernardo do Campo-SP.

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Equipamento da Tsong é configurado sob medida

Os sistemas de câmara quente desses moldes fogem à regra. Adquiridos da coreana Yudo, são considerados pelo gerente comercial da Tsong, Rodrigo Henrique Lopes, como uma das mais renomadas tecnologias em âmbito global, similares aos projetos europeus. Esses componentes possuem avanço e recuo das válvulas gate, e controlador de temperatura para todas as cavidades, entre outras especificações.

A empresa fornece moldes de até 96 cavidades. “Nosso foco é vender a célula de injeção, máquina e molde, otimizando o projeto de acordo com o processo”, diz Lopes.Plástico Moderno, PET - Particularidades da resina impõem diversos cuidados à fabricação dos moldes

Tanto a canadense Husky como a suíça Netstal oferecem sistemas para até 192 cavidades, com qualidade e precisão reconhecidas até pela concorrência, que junto com o elogio alega, porém, tratar-se de equipamentos de custo quase impeditivo para uma grande parcela da transformação.

Cazzaro argumenta a seu favor o fato de a Husky ser a única fabricante de sistemas completos, que incluem os seus moldes e câmaras quentes, para o segmento de pré-formas de PET. Os moldes, porém, não são vendidos avulsos. O foco da empresa é o fornecimento de toda a célula de fabricação integrada. “Já tivemos casos de comercialização separada, contudo acreditamos que este setor mantém a sua característica de demanda por células integradas de produção”, justifica.

Também a Netstal dá preferência para o fornecimento do sistema completo: máquina, molde e todos os seus periféricos. Porém, diferentemente da Husky, não produz os moldes. A empresa suíça conta com dois fabricantes preferenciais, a também suíça Otto Hofstetter, principal fornecedora (além dos excelentes atributos dos moldes, vence também pela proximidade), e a alemã MHT.

Do frasco ao molde – Para o seu diretor, a Moltec se destaca com o diferencial de oferecer, além da produção do molde, a possibilidade de desenvolver para o cliente desde o projeto da pré-forma. “Projetamos o desenho e fazemos testes piloto para alcançar o peso ideal da pré-forma”, explica Cunha, orgulhoso. Segundo ele, o desenvolvimento abrange desde embalagens de PET, que buscam redução de peso, até a migração de outros materiais para o poliéster.

“Oferecemos a solução completa para adequar o produto do cliente à melhor otimização possível.” Moldes de até 24 cavidades podem ser testados na própria Moltec, acima disso, o diretor propõe duas opções: no cliente ou no fabricante da injetora.

Cunha ainda ressalta o fato de dispor de softwares e hardwares 3D de CAD/CAE/CAM para a criação de desenvolvimento dos produtos. Os moldes específicos para injeção de pré-formas de PET representam em torno de 20% dos negócios da Moltec, desde 1971 no ramo de moldes, e há quatorze anos no segmento de PET. Os moldes de 24 cavidades e até um litro por cavidade lideram as solicitações. A produção da Moltec comporta projetos para pré-formas de PET com até 48 cavidades.

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Tsong monta no país moldes de até 96 cavidades

O diretor não especifica números, mas comemora o bom resultado da área no ano passado, lamenta a freada sofrida no primeiro semestre deste ano, mas tem expectativas alentadoras para a segunda metade de 2011, com previsões de repetir os resultados do mesmo período em 2010. Mas os preços dos moldes importados, mais competitivos por conta da valorização do real, ainda afetam os negócios.

Quanto ao temor dos reflexos no país das incertezas financeiras no mercado internacional, o executivo prefere conclamar o setor a “aproveitar o momento para criar oportunidades”.

Sobre a concorrência asiática, Cunha diz ter a impressão de que caiu a importação desses moldes. No entender dele, a grande incidência de problemas gerados por eles aos seus usuários provocaram a queda.

Não há milagre– “Em um primeiro momento, o preço dos moldes asiáticos é tentador, mas a curto prazo sai muito caro e muitas vezes não se paga”, opina Melo. Sem radicalismos, ele admite que na Ásia também há bons fabricantes. “Mas o preço não é baixo como os anunciados por muitos importadores, que não trazem qualidade e não dão assistência técnica”, adverte.

Plástico Moderno, Eduardo Cunha, Diretor da Moltec, PET - Particularidades da resina impõem diversos cuidados à fabricação dos moldes
Cunha projeta o desenho e faz testes piloto das pré-formas

Outra dificuldade enfrentada pelo setor, lembrada pelo diretor da Qualicad, diz respeito a um boom de pequenos transformadores de pré-formas, usuários de máquinas e moldes asiáticos, com um custo de processo e produtividade não condizentes com a realidade brasileira. “Muitos não conseguiram pagar a energia elétrica, encargos sociais e impostos; vários estão paralisando a produção e alguns descobriram da pior maneira: fechando as portas. Hoje existem muitos moldes e máquinas seminovas à venda, porém não se pagam. A tendência agora é trabalhar a produtividade e o custo baixo”, desabafa.

No entender de Melo, a sobrevivência do setor depende da aplicação de muita técnica. Mesmo com todos os entraves, ele conseguiu elevar acima de 30% os serviços de manutenção e dobrar a produção de moldes no ano passado. “O mercado está começando a assimilar os altos custos de produção e procurando opções rentáveis”, informa.

Atuante há 35 anos no segmento de injeção de plásticos, e há seis na fabricação e reforma de moldes para pré-formas de PET, a Qualicad produz moldes de até 72 cavidades. “Mas podemos estudar portes maiores”, se predispõe. O projeto próprio de construção se fundamenta, em particular, na experiência de manutenção em moldes canadenses, americanos e europeus. O diretor também alega saber onde os moldes asiáticos têm problemas. Desses ingredientes, nasceu sua receita.

[toggle_simple title=”Reciclagem cresce mesmo com coleta seletiva incipiente” width=”Width of toggle box”]

A despeito do problema crônico que representa a ineficiência do sistema de coleta seletiva, o brasileiro ainda mantém posição relevante entre os maiores recicladores de PET do mundo. No ano passado, 282 mil toneladas de embalagens pós-consumo receberam destinação adequada e promoveram um crescimento de 7,6% sobre o volume reaproveitado no ano anterior. O índice de reciclagem das embalagens de PET pós-consumo alcançou 55,8% no ano passado, um volume considerado alto diante das dificuldades do setor. Afinal, outros países que apresentam elevados índices de reciclagem da resina contam com coleta seletiva abrangente e estruturada, consciência ambiental mais adiantada e território a ser administrado menor. Esses dados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet) em seu 7º Censo de Reciclagem do PET no Brasil, realizado pela Nous Consulting. O desempenho do PET reciclado em faturamento também apresentou desempenho positivo, elevado de R$ 1,09 bilhão, em 2009, para R$ 1,18 bilhão neste ano, um avanço de 8,2%.

Os resultados do levantamento, apresentados pelo presidente da entidade, Auri Marçon, apontam que as empresas do setor investiram em capacidade de reciclagem e em inovação. “Mas o parque instalado tem forte ociosidade e será difícil continuar crescendo sem um sistema público de coleta seletiva que possibilite o retorno das embalagens pós-consumo à indústria”, reivindica.

Se esse contexto persistir, o Brasil tende a perder essa posição de destaque em âmbito global. De acordo com o assessor da Abipet, Hermes Contesini, existe uma barreira para o crescimento da reciclagem. Maduro, o setor conta com empresas consolidadas, com tendência a se manterem sadias e ativas – mostra o estudo. Tem, portanto, demanda concreta. Porém, indisponibilidade de material para alimentar essa expansão. “O produto existe, mas não está acessível porque falta coleta seletiva.” Por essa razão, a evolução nos últimos anos na taxa de reciclagem avançou pouco desde 2009, quando computou 55,6%.

O maior destino para o PET revalorizado ainda é o setor têxtil, que absorve 38% do total. As resinas insaturadas e alquídicas aparecem em segundo lugar (19%), as embalagens em terceiro (17%). A maior parcela das embalagens de PET recicladas, segundo o apontamento, são revalorizadas no formato de flakes (65%).
O presidente da Abipet ressaltou que o mercado brasileiro passa por um momento de transformação com respeito à consciência ambiental. A nova legislação para o gerenciamento dos resíduos sólidos comprova essa mudança de postura. “O desafio, agora, é aumentar a disponibilidade de matéria-prima para reciclagem.”

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