Pet: Multicamada oferece praticidade e segurança para embalar lácteos

Plástico Moderno, Garrafas para leite devem apresentar barreira à luz
Garrafas para leite devem apresentar barreira à luz
Plástico Moderno, Laticínio paulista usa garrafas feitas de PET desde 2012
Laticínio paulista usa garrafas feitas de PET desde 2012

Um grande trunfo do avanço da indústria do plástico nos últimos anos tem por base a versatilidade das resinas, capazes de substituir outros materiais em aplicações as mais distintas. No momento, um novo nicho de mercado com enorme potencial de negócios surge no Brasil para fornecedores de insumos e equipamentos, além dos transformadores. Trata-se das garrafas de PET para embalar leite do tipo longa vida, que começam a “pipocar” no mercado local. No exterior elas são usadas com maior intensidade há alguns anos.

Duas marcas de leite se encontram entre as pioneiras dessa alternativa por aqui, Shefa e Leitíssimo. A gigante de origem suíça Nestlé não comercializa leite longa vida. Mas foi a primeira a lançar no Brasil bebidas lácteas para consumo individual em garrafinhas de PET. Hoje, conta com quatro marcas desses produtos com essa embalagem sendo vendidas nas gôndolas dos pontos de venda.

O “adversário” a ser batido pelos representantes do setor do plástico é forte. Nos últimos anos as embalagens cartonadas conquistaram grande presença nesse segmento. A estimativa dos especialistas é de que elas dominam mais de 90% desse segmento de mercado. O grande nome na fabricação dessas embalagens no Brasil é a multinacional Tetra Pak. Outra empresa internacional com atuação na área é a Sig.

Os representantes da indústria do plástico reconhecem que a substituição das famosas “caixinhas” não ocorrerá em curto prazo. A perspectiva desses profissionais é de conquistar espaço aos poucos. Ayrton Irokawa, gerente de vendas da Krones, fornecedora de projetos e equipamentos para linhas de produção de embalagens de bebidas, sejam elas de plástico, metal ou vidro, fala sobre a sua expectativa. Ele diz conhecer duas marcas de leite longa vida com esse tipo de embalagem hoje no Brasil e acredita que esse mercado deve chegar a oito marcas dentro de três ou quatro anos.

Plástico Moderno, Nunes: indústria do leite está receptiva para o uso do PET
Nunes: indústria do leite está receptiva para o uso do PET

A expectativa é confirmada por outras empresas. No time dos otimistas encontra-se Ítalo Zavaglia, gerente de vendas do grupo Krauss Maffei, fornecedora de injetoras para produção de pré-formas para leite com a marca Netstal. “Esse mercado existe e é próspero. Vai ser um processo lento, o PET deve ganhar mercado à medida que o mercado cresce e surjam novas linhas de produção ou ocorra substituição das linhas antigas”, avalia.

Marco Nunes, coordenador de desenvolvimento da Engepack, pioneira no Brasil e uma das principais empresas do país na fabricação de pré-formas de PET para embalagens, ainda não tem clientes no setor de laticínios. Mas está de olho nesse nicho de atuação e apoia a opinião dos demais entrevistados. “Um dos nossos objetivos é entrar nesse mercado. Já atendemos duas consultas de laticínios esse ano, existe um movimento dessas empresas para adotar o plástico”, diz.

A Romi, fabricante de máquinas injetoras e sopradoras indicadas para a operação de transformação das garrafas, é outro exemplo. “O mercado de produtos lácteos está em constante crescimento e desenvolve embalagens para melhor acondicionamento e qualidade do leite”, explica William dos Reis, diretor da unidade de negócios de máquinas para plástico. Essa movimentação ainda não é representativa para os resultados da fabricante de máquinas. “Mas é uma tendência e estamos totalmente preparados para essas mudanças”.

Plástico Moderno, Reis: injetoras e sopradoras para PET têm alto desempenho e baixo consumo
Reis: injetoras e sopradoras para PET têm alto desempenho e baixo consumo

De forma rápida ou lenta, qualquer avanço significa muito. O segmento de leite longa vida envolve números astronômicos. A técnica chegou ao Brasil no início da década de 80. Nos últimos vinte anos, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria do Leite Longa Vida (ABLV), o aumento do consumo apresentou evolução espetacular. De um volume anual da ordem de 450 milhões de litros no início da década de 90, saltou para mais de 6 bilhões de litros em 2012.

O Brasil é um dos países em que o leite longa vida é mais consumido. O motivo é fácil de ser explicado. O leite refrigerado é muito perecível, precisa ser distribuído com agilidade. As dimensões continentais do país e os problemas de transporte existentes por aqui dificultam essa operação. No exterior, caso dos Estados Unidos e de países europeus, o leite refrigerado tem maior aceitação.

Vale lembrar: até a década de 80, grandes volumes de leite eram comercializados em saquinhos de polietileno, com prazos de validade bastante reduzidos. Hoje o uso desse tipo de embalagem ainda ocorre, mas caiu muito e se restringe a algumas regiões. No passado mais remoto, reinava o vidro.

Plástico Moderno, Reis: injetoras e sopradoras para PET têm alto desempenho e baixo consumo
Reis: injetoras e sopradoras para PET têm alto desempenho e baixo consumo

Uma questão de cor – O leite longa vida é homogeneizado e submetido à ultrapasteurização, o que significa aquecê-lo a 130ºC por dois a quatro segundos, mediante processo térmico de fluxo contínuo, com imediato resfriamento à temperatura inferior a 32ºC. Em seguida, é feito o acondicionamento em condições assépticas nas embalagens. Estas são prévia e devidamente esterilizadas e, uma vez preenchidas, hermeticamente fechadas. A combinação dessas etapas permite que o leite possa ser mantido fora da geladeira, antes de aberto, por até 120 dias. As maiores dificuldades do processo de fabricação ocorrem durante as etapas anteriores à esterilização do leite.

Quando o assunto recai na fabricação das garrafas, existem cuidados adicionais que precisam ser adotados em relação às outras embalagens feitas de PET. Os diferenciais se concentram na etapa da injeção das pré-formas utilizadas. A preocupação está nos cuidados a serem tomados com a cor do recipiente, pois o leite precisa ser protegido da passagem de luz.

Plástico Moderno, Produção higiênica de preformas da Engepack para bebidas
Produção higiênica de preformas da Engepack para bebidas

Por outro lado, por uma questão de marketing, as garrafas apresentadas aos consumidores aparecem nas gôndolas preferencialmente com a cor branca. Para evitar problemas na preservação do produto, uma saída bastante adotada é a de injetar as pré-formas com duas camadas de PET, sendo a interna enriquecida com masterbatch de coloração escura. As injetoras usadas na operação normalmente são dotadas de componentes especiais para realizar a operação.

Existem outros processos de fabricação. Utilizar pré-formas com apenas uma camada feita de matéria-prima enriquecida com aditivos que garantam a opacidade adequada é um deles. Outro é a produção de embalagens feitas em três camadas, que foram as primeiras usadas para essa finalidade no mercado mundial. O processo de sopro dessas pré-formas, voltado para a obtenção do formato da garrafa desejado, é bastante similar ao normalmente utilizado pelas indústrias do ramo.

Empecilhos e vantagens – Procurada pela redação da Plástico Moderno, a Tetra Pak não se pronunciou até o fechamento desta edição sobre a possibilidade do mercado se tornar mais competitivo para seu produto. O fato de se tratar de uma concorrência incômoda, no entanto, é indisfarçável. No exterior, a empresa já lançou garrafas feitas com cartonados, muito parecidas com as embalagens de PET existentes no mercado.

Os representantes da indústria do plástico acreditam que a luta pelo mercado será acirrada. Além da boa qualidade dos cartonados, o principal obstáculo se concentra no sistema de comercialização adotado pela principal concorrente. “A Tetra Pak oferece para os laticínios os equipamentos necessários em regime de comodato, ela obtém lucro vendendo o cartão”, explica Nunes. A estratégia reduz bastante o investimento inicial necessário para a implantação das linhas de produção. “Por isso, muitos laticínios ainda veem a substituição com um pé atrás”.

Plástico Moderno, Equipamento pode envasar 60 mil garrafas de leite por hora
Equipamento pode envasar 60 mil garrafas de leite por hora

Uma vez implantada a linha, o custo da embalagem plástica é vantajoso, garantem os empresários do ramo. “Conforme o caso, a garrafa de PET chega a custar 40% menos do que o cartonado”, calcula Irokawa. O número não é confirmado por Zavaglia, da Krauss Maffei, e Nunes, da Engepack. Mas eles também afirmam ser a embalagem plástica mais econômica. O quanto, depende das condições da linha de produção.

Ainda de acordo com os representantes da indústria do plástico, o PET oferece inúmeras vantagens. Uma delas está no campo do marketing. Ninguém duvida do poder da embalagem para conquistar o consumidor nos pontos de venda. “As caixas de leite são todas muito parecidas, as marcas não ganham destaque. No caso do PET é muito fácil obter designs exclusivos, capazes de distinguir os produtores de leite”, diz Nunes.

A funcionalidade também é apontada pelo executivo. “Com a garrafa podemos colocar tampas maiores e mais funcionais, que facilitam o uso e permitem maior proteção ao produto depois de aberto. Ela pode ser mantida deitada na geladeira, por exemplo, sem perigo de vazamento”. Também podem ser criadas garrafas com maior capacidade, como as de dois ou três litros, por exemplo.

A capacidade das linhas de produção é destacada por Irokawa. “Com o PET podemos criar sem dificuldade uma linha de fabricação de 60 mil garrafas por hora. Com os cartonados, esse número chega a 18 mil”. A facilidade de reciclagem é outro trunfo apontado pelo profissional da Krones. “As garrafas são feitas 100% em PET”, reforça. Ele reconhece a possibilidade de reciclagem dos cartonados, mas diz ser esta uma operação bem mais complexa para ser realizada.

Plástico Moderno, Embalagem permite consumir a bebida sem usar canudinho
Embalagem permite consumir a bebida sem usar canudinho

Palavra de quem paga – Laticínios brasileiros que já adotaram o PET explicam a decisão. A Shefa está no mercado desde 1976. Com parque industrial instalado em uma fazenda em Amparo-SP, produz leite, bebidas derivadas da soja e outros produtos. Ela também vende leite pasteurizado em saquinhos e leite longa vida em embalagens cartonadas.

De acordo com Pedro Ribeiro, diretor comercial, desde o início de suas atividades, a empresa procura adotar postura inovadora. “Iniciamos com a produção de leite tipo A, diferente dos concorrentes que trabalhavam com o saquinho”, exemplifica. Na década de 80, passou a produzir leite longa vida em cartonados que foram se sofisticando ao longo do tempo.

A embalagem de PET começou a ser comercializada pelo laticínio em abril de 2012. Ela tem dupla camada de proteção, sendo a interna escura para fazer barreira à luz. A empresa portuguesa Logoplaste foi selecionada para produzir as embalagens in house, na planta instalada na empresa, em Amparo. Para o diretor, a aposta valeu a pena, apesar do investimento mais elevado para implantar a linha de produção.

“É uma embalagem muito valorizada, que se destaca junto ao público mais exigente, é inovadora, mais resistente, 100% reciclável e proporciona refrigeração mais rápida do que as cartonadas”. A tampa, com diâmetro de 4 cm, é 60% maior do que a das embalagens cartonadas e possui também lacre de alumínio de segurança para proteção total do produto.

A Nestlé iniciou a venda de bebidas lácteas prontas para o consumo em garrafas PET em janeiro de 2010. O objetivo, de acordo com informações prestadas pela empresa, foi oferecer uma embalagem moderna, portátil e de fácil manuseio, que pode ser aberta e fechada várias vezes e consumida em qualquer momento do dia e lugar. Hoje, com esse tipo de solução são comercializadas as marcas Alpino, Neston, Suflair e Nescau Shake. Este último, apresentado como uma bebida com o sabor do Nescau e a textura do milk shake, foi lançado no último mês de maio.

As pré-formas são produzidas por fornecedores e a embalagem final é soprada e enchida na unidade da Nestlé instalada em Araçatuba-SP. De acordo com a empresa, as embalagens apresentam volume e formato diferenciados, possibilitam o consumo em maior escala do que as caixinhas cartonadas. Por dispensarem os canudinhos, são vistas de forma mais positiva pelo público masculino.

Soluções completas – Companhia de atuação internacional, fundada na Alemanha em 1951, a Krones se encontra no mercado brasileiro desde 1981. Por aqui, conta com 360 funcionários. A empresa planeja, desenvolve e fabrica máquinas e linhas completas para áreas de processo, enchimento e tecnologia de embalagens. Na área do PET, ela fornece todos os equipamentos da linha de produção, inclusive as sopradoras. A exceção fica por conta das injetoras necessárias para produzir as pré-formas.

“Na fábrica da Shefa temos alguns equipamentos, como os de enchimento asséptico e as rotuladoras, e somos responsáveis pela maior parte dos equipamentos instalados na Nestlé”, informa Irokawa. O gerente de vendas vê no mercado lácteo uma grande oportunidade de negócios. “Não acredito que o PET vá substituir totalmente os cartonados, mas as facilidades oferecidas pelo plástico são atraentes. Temos recebidos muitas consultas de laticínios interessados em conhecer a tecnologia”, revela. O aspecto mais interessante, para ele, é o custo reduzido da embalagem em relação ao cartonado. “Os produtores de leite trabalham com margem de lucro muito reduzida”, comenta.

Com grande experiência na área de refrigerantes, Irokawa lembra que o leite longa vida exige equipamentos com alguns diferenciais. “As enchedoras precisam ter cuidados de higiene mais intensos”. No caso da sopradoras, não existem muitas diferenças, além do rigor presente em todos os produtos voltados para a indústria alimentícia. “A possibilidade de mudança de formato da embalagem é muito positiva, a mesma máquina pode fabricar garrafas com diferentes capacidades, de 300 ml a um litro”, exemplifica. As tampas podem ter diâmetros maiores. “Ao abrir as caixinhas, que têm tampas menores, os consumidores sempre correm o risco de provocar golfadas de leite e, por isso, derramar o produto”. Experiência pela qual já passaram todos os usuários das caixinhas, em especial quando estas estão cheias.

Plástico Moderno, Equipamento suíço é flexível e gera preformas com duas camadas
Equipamento suíço é flexível e gera preformas com duas camadas

Injetoras e sopradoras – Representante nacional no mercado dessas máquinas, a Romi se diz preparada para atender a demanda do mercado. A empresa fabrica injetoras e sopradoras voltadas para o mercado do PET. Para a fabricação de pré-formas, ele recomenda a linha de injetoras Romi PET, com modelos de força de fechamento de 80 a 450 toneladas. “São máquinas de alto desempenho e baixo consumo energético”, garante Reis. O diretor também recomenda as sopradoras da linha de PET, dotadas com acionamentos pneumáticos e sistema de recuperação de ar que reduz o consumo do compressor.

As injetoras Netstal, do grupo Krauss Maffei, são fabricadas na Suíça. “Temos um projeto flexível de máquina, oferecemos soluções de acordo com as necessidades dos clientes”, revela Zavaglia. As máquinas com dois canhões de injeção, que permitem a fabricação de pré-formas com duas camadas de PET com cores capazes de proteger o leite, são as mais procuradas para esse tipo de aplicação.

“Temos sido consultados por transformadores interessados em atender os laticínios. Esse mercado existe, é próspero, mas deve crescer de forma lenta”, avalia o executivo. Ele credita a velocidade reduzida ao fato do investimento inicial necessário para a implantação de uma linha ser maior do que no caso das embalagens cartonadas. “Como o custo de fabricação da garrafa é menor, o custo final fica parecido. Com o tempo acho que muitos produtores de leite longa vida vão optar pelo plástico”.

Pré-formas – Com sede na cidade de Simões Filho, na região urbana de Salvador-BA, a Engepack mantém também fábricas de produção de pré-formas nos estados de São Paulo e Paraná. No passado, manteve unidades de sopro in house na sede dos clientes. “Hoje nos concentramos na operação de injeção, temos apenas uma unidade de sopro em um cliente no Paraná”, explica Nunes. A área de refrigerantes é o carro-chefe da empresa. “Um de nossos grandes clientes é a Coca-Cola”. Ela também atua nas áreas de águas minerais, refrescos e outros produtos.

“Não temos nenhum cliente do setor de leite. Já participamos de duas concorrências e temos know how para isso”, garante o coordenador. A empresa aposta, para esse nicho de mercado, no processo de injeção normal, feito em uma etapa. “A injeção de duas camadas custa mais caro”, justifica. Para garantir a qualidade da pré-forma, o caminho das pedras passa pelo uso de pigmentos especiais, capazes de garantir a barreira à luz necessária para o produto. “Usamos pigmentos especiais que garantem a opacidade das embalagens brancas”, afirma.

3 Comentários

  1. Olá, eu gostaria de saber se vocês vendem ou tem conhecimento de algum fornecedor dessas garrafas própria para comércio do leite ! Obrigada

  2. Boa noite sou o Ivanildo trabalho com sistema de reciclagem estou avisando de antemão que a empresa de vocês estão trabalhando com um material que é impossível a reciclagem ela não entra em nenhum ponto na cadeia de reciclagem porém estou avisando que eu estarei fazendo um vídeo contra as embalagem que vocês produzem gostaria de saber se vocês tem alguma ideia em mudar de tipo de embalagem pois gostaria que vocês mudassem o tipo de embalagem para uma embalagem ecológica assim a reciclagem tornaria possível a parte branca ela é reciclável pois vocês colocam um produto preto dentro das embalagens que é impossível a sua reciclagem em vários tipos de cadeia de reciclagem pet devido a essa impossibilidade percebo que a empresa de vocês não está dentro das normas de reciclagem por isso vou estar fazendo um vídeo divulgando a incompatibilidad do produtos de vocês no mercado de hoje necessita de antemão agradeço a oportunidade e aguardo uma resposta ok

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