PET – Injeção da pré-forma exige diferenciações no processo

O transformador responsável por soprar uma pré-forma de PET e moldá-la nos mais variados formatos de embalagens desconhece, talvez, as particularidades que o processamento da resina para a confecção dessa peça solicita. Tanto a máquina como o molde exigem especificações diferenciadas. Igualmente, a transformação do polímero na pré-forma impõe a adoção de sistemas rígidos de controle de temperatura e outros tantos periféricos imprescindíveis para a obtenção de peças sem defeitos.

Duas marcas europeias são referências nesse mercado: a canadense Husky e a suíça Netstal. Indiscutíveis a qualidade e a precisão dessas máquinas. O senão apontado pela concorrência fica por conta do alto investimento. Ambas, porém, defendem a relação custo/benefício.

O mercado de PET tem papel relevante nos negócios tanto dentro da Husky como da Netstal. “Por sermos uma empresa de capital fechado, não podemos divulgar dados detalhados, entretanto, estimamos nossa participação global neste segmento em aproximadamente 60%; em países como o Brasil, esta participação é ainda maior”, diz o diretor da América do Sul da Husky, Evandro Cazzaro. Segundo ele, os mercados de pré-formas de PET e tampas para embalagens de bebidas são os mais representativos para a empresa em âmbito global.

Plástico Moderno, Evandro Cazzro, Diretor da Husky, PET - Injeção da pré-forma exige diferenciações no processo
Cazzaro estima em mais de 60% a participação global no setor

Suas impressões sobre o mercado de PET são alentadoras. É fato que as embalagens para bebidas registraram um forte desempenho nos últimos anos na América Latina. E esse desempenho reflete nas estimativas de Cazzaro. Ele detectou um primeiro semestre mais lento, porém, aguarda expansão entre 4% e 5% em 2011 e prevê ainda um potencial consistente para os próximos anos, vinculado aos eventos esportivos de grande monta programados para o país: a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016.

Gerente de divisão Netstal, do grupo KraussMaffei, no país, Ítalo Zavaglia enxerga fortes tendências para a resina em novos mercados e aplicações, até então dominados por outros materiais. Como exemplo das novas possibilidades de expansão para as embalagens de PET ele menciona frascos para cosméticos e para leite. Segundo o executivo, o ano passado foi um dos melhores para a empresa no segmento de PET no país. Zavaglia também sentiu o início deste ano desacelerado, porém já percebe uma sinalização de retomada do mercado e acredita que até o final deste ano volte ao ritmo embalado em que se encontrava.

O que vem por aí – Pautado pelas expectativas de crescimento, Cazzaro acalenta diversos projetos para o mercado brasileiro, entre os quais relata a conversão, que espera ocorrer ao longo de 2012, de uma parcela substancial das embalagens para gargalos mais leves. Também desperta o interesse do diretor o uso crescente de PET reciclado nos frascos. “A Husky oferece novas tecnologias que permitem a utilização desse material revalorizado sem comprometimento à qualidade do produto e à produtividade dos sistemas”, ressalta Cazzaro.

Na opinião dele, o mercado latino-americano – em especial o brasileiro – está sempre atrás de novas tecnologias, com foco particular naquelas que propiciam menores custos operacionais e economia de material gerada pela redução de pesos. “Isso fica evidenciado na grande procura pela nossa mais recente linha de sistemas HPP 4.0, o sistema de fabricação de pré-formas mais produtivo do mercado, proporcionalmente superior aos mercados norte-americano e europeu”, enaltece.

Plástico Moderno, PET - Injeção da pré-forma exige diferenciações no processo
Célula produtiva recém instalada em fábrica da Bombril

No parecer do seu diretor, a Husky se destaca no segmento de embalagens para bebidas e alimentos por disponibilizar uma célula produtiva completa, desde a injetora, molde e câmara quente até robô de extração, controlador de temperatura e equipamentos periféricos de secagem, transporte e refrigeração. “Todos esses componentes trabalham de forma integrada para garantir o alto grau de repetibilidade e confiabilidade necessários para essas aplicações”, ressalta.

Batizada HyPET High-Performance, a família de máquinas para injeção de pré-formas da Husky embute diversas características diferenciadas. O diretor destaca a unidade de injeção especial de duplo estágio, com plastificação contínua, e estação de transferência e câmara de acumulação da matéria-prima que, em conjunto com um sistema hidráulico, também especial, garante a potência necessária para plastificação e injeção de até 1.800 quilos por hora da resina.

A célula, explica Cazzaro, ainda dispõe de robô integrado de entrada lateral, com placa extratora refrigerada de até quatro posições com sistema Coolpik de resfriamento pós-moldagem, além de unidade de fechamento hidromecânico para assegurar a velocidade, a precisão e a limpeza exigidas na moldagem das pré-formas. O gerenciamento do processo é efetuado pelo comando Polaris, que integra todas as funções dos componentes da célula, incluindo os equipamentos periféricos.

O diretor ainda imputa à série HyPET High-Performance, assim como a outras injetoras da marca, altas cadências de produtividade que, “aliadas à alta repetibilidade e confiabilidade resultam em produtos manufaturados de maior grau de qualidade”. Também os moldes e câmaras quentes embutem tecnologia própria. São moldes para pré-formas de PET com até 192 cavidades, além de moldes para tampas (Husky-KTW) e uma linha completa de câmaras quentes para diversas aplicações. A carteira de produtos inclui os equipamentos periféricos para transporte, desumidificação e refrigeração, além de serviços de desenvolvimento de embalagens, entre outros.

Dentro do mesmo conceito dos sistemas integrados de pré-formas de PET, a Husky oferece ao mercado brasileiro sistema completo para injeção de tampas para bebidas, fruto da recente aquisição da empresa europeia KTW, segundo Cazzaro, a maior fabricante global de moldes para tampas. A intenção, enfatiza, é oferecer “a maior e melhor estrutura entre os fabricantes de bens de capital para este segmento na região”.

Especialistas no assunto– O PET consiste num dos principais negócios da Netstal, no ramo há 28 anos. Embora o segmento represente parcela importante da produção, a empresa também fabrica injetoras para tampas, embalagens de paredes finas, peças médicas e técnicas. A importância do mercado de PET chega a ponto de a Netstal contar com funcionários dedicados a esse segmento, especialistas concentrados em um departamento com atuação independente. “Desta maneira oferecemos soluções completas, desenvolvidas por pessoas altamente competentes”, infere Zavaglia.

Plástico Moderno, Ítalo Zavaglia, Gerente de divisão Netstal, PET - Injeção da pré-forma exige diferenciações no processo
Zavaglia: ano passado foi um dos melhores para a empresa

São três as plataformas de injetoras para pré-formas de PET da Netstal: 200 t, 400 t e 600 t de forças de fechamento, abrangendo de 48 até 192 cavidades. Ele relata que as máquinas são construídas somente com peças europeias, sinônimo de velocidade, precisão e confiabilidade.

“Garantimos a qualidade suíça, oferecendo o melhor custo/benefício do mercado.” Essa relação envolve tempo de ciclo, consumo de energia, eficiência e gastos com manutenção, entre outros aspectos. Dependendo do produto injetado, o gerente argumenta que no final dos cálculos o custo da máquina por peça produzida é reduzido e favorece o investimento.

Ao transformador que procura a melhor relação custo/benefício, ele sugere o equipamento de 400 toneladas, de médio porte, capaz de acomodar moldes de até 128 cavidades conforme o desenho da pré-forma. “Alguns concorrentes alcançam 96 ou no máximo 112 cavidades em máquinas do mesmo porte, o que nos dá uma vantagem de no mínimo 10%”, compara.

Essas células produtivas desenvolvidas pela Netstal só embarcam em direção à fábrica do cliente após passar por testes na matriz. Segundo informa Zavaglia, técnicos responsáveis pela instalação dos equipamentos recebem treinamento de cerca de cinco meses na Suíça. “O que garante a eles total conhecimento de nossas máquinas.”

As injetoras para pré-formas exibem uma série de características distintas dos modelos convencionais, particularmente pela inserção de moldes com alto número de cavidades, e adequadas ao peso e espessura elevados das peças moldadas. Associar essas características com alta produtividade exige manobras complexas. “A unidade de injeção precisa ser desenhada para propiciar capacidades de plastificação elevadas”, exemplifica Zavaglia.

Segundo ele descreve, as máquinas da Netstal possuem uma rosca de extrusão, ou duas, no caso da máquina de maior porte, separadas do cilindro de injeção, que é alimentado por elas. Essa configuração permite que os parafusos girem ininterruptamente durante o ciclo, porquanto a injeção e o recalque são feitos pelo cilindro de injeção. A vantagem, diz ele, reside no fato de o equipamento não precisar interromper a plastificação de material para injetar ou recalcar. “Dosa durante todo o tempo de ciclo, aumentando a capacidade de plastificação e tornando os ciclos mais rápidos”, explica.

Outro diferencial diz respeito ao resfriamento. Como a espessura de parede das pré-formas é grossa, necessita de tempos de resfriamento mais longos no molde, o que aumentaria o tempo de ciclo. Para equalizar a questão e promover ciclos rápidos, a máquina, pormenoriza Zavaglia, divide o tempo de resfriamento entre o molde e as estações de refrigeração externas, manipuladas por robôs. “Desta maneira, encurta-se o tempo de ciclo, pois parte do resfriamento da pré-forma é feita nos próximos ciclos, nas estações de refrigeração externa”, complementa.

Também o sistema de manipulação é desenhado para impedir o toque (e, por conseqüência, marcas) entre as pré-formas ainda quentes. Uma das vantagens nas células produtivas da Netstal apontadas pelo gerente é o sistema de manipulação vertical. “Com isso, a máquina requer pouco espaço horizontal no layout de nossos clientes”, destaca.

Plástico Moderno, Rodrigo Henrique Lopes, Gerente comercial, PET - Injeção da pré-forma exige diferenciações no processo
Lopes: os principais componentes da injetora têm origem europeia

Montagem local – Para quem não pode ou não precisa investir em equipamentos top de linha, há outras opções de máquinas importadas ou de fabricação local. Empresa brasileira com nome asiático, a Tsong Cherng atua no país há mais de vinte anos e ocupa hoje ampla fábrica em São Bernardo do Campo-SP. Entre as várias opções de injetoras, a empresa oferece modelos para pré-formas de PET. O foco, porém, são projetos diferenciados, de menores escalas produtivas, mas de maiores valores agregados, como garrafas de PET retornáveis. O gerente comercial Rodrigo Henrique Lopes explica que só a carcaça das injetoras montadas no país provém de Taiwan. “Os componentes elétricos, hidráulicos e eletrônicos são de origem europeia”, faz questão de ressaltar.

De acordo com o gerente industrial Newton Tien, a estrutura e os projetos das máquinas têm origem no país asiático. A família destinada a esse setor inclui injetoras com forças de fechamento desde 200 t até 550 t. Na empresa brasileira, a equipe técnica efetua modificações para configurar o equipamento sob medida, em acordo com as necessidades do cliente. “Nosso pessoal tem capacidade para fazer alterações no projeto da máquina para atender às especificações e otimizar o processamento daquela pré-forma que o cliente requer”, comenta.

Entre os diferenciais, Lopes lembra o chassi maior do equipamento, pois o PET exige uma rosca com relação LD mínima de 24, requisito reológico da resina para a obtenção de uma perfeita homogeneização. Por consequência, o motor hidráulico para fazer girar essa rosca precisa ter maior torque. “O software também é diferenciado para efetuar a abertura e o fechamento do sistema valvulado do molde”, ressalta.

Outra empresa brasileira no ramo de injeção de pré-formas de PET tem renome na área de sopro: a Pavan Zanetti. De acordo com o diretor comercial Newton Zanetti, os negócios envolvendo injetoras equivalem a algo em torno de 10%. “Atuamos ainda com limitação nesse setor, pois viemos ao longo desse tempo desenvolvendo parceiros no segmento de moldes de injeção e periféricos para desumidificação da resina em ciclo fechado.” Ele já conta com parceiros que considera excelentes nessas áreas, razão pela qual tem conseguido relações custo/benefício de projetos completos (injetoras, moldes e periféricos) mais interessantes. “O que proporcionará melhores resultados em um futuro próximo”, prognostica.

Plástico Moderno, Newton Zanetti, Diretor comercial, PET - Injeção da pré-forma exige diferenciações no processo
Zanetti: as injetoras são rápidas, silenciosas, de alta eficiência energética e seguem as normas de segurança

A propósito, o diretor já esperava uma melhora nos resultados neste ano, porém houve uma queda geral nas vendas de máquinas, que ecoou também no segmento de PET. O encolhimento nos negócios reflete, na opinião dele, os rescaldos da crise econômica global. A realização da Brasilplast, em maio, proporcionou um alívio momentâneo, mas o balanço previsto para 2011 não sinaliza crescimento. “No geral, o ano está se apresentando inferior ao ano passado e deverá fechar com decréscimo de negócios.”

Ele considera insatisfatória a fatia de 10% e promete perseguir participação maior nesse mercado, conquistando novas aplicações. Com o olhar adiante, ele vê espaço para embalagens sopradas serem convertidas de polietilenos, polipropileno e PVC para PET. Mas isso também dependerá muito dos preços do poliéster. As injetoras da família específica para PET ofertadas pela Pavan são fabricadas por parceiros seus na China e importadas sem ônus para os seus clientes. Pelo acordo estabelecido com aquelas empresas, os equipamentos são fornecidos com características negociadas entre ambas.

“São injetoras rápidas, silenciosas, com motores de alta eficiência energética e totalmente compatíveis com as nossas normas de segurança”, destaca. E ainda faz questão de salientar que o serviço de assistência técnica conta com pessoal da Pavan, peças de reposição em estoque e serviço de apoio tecnológico.

No caso dos moldes, Zanetti optou por desenvolver parceiros brasileiros. O diretor da Pavan endossa os dizeres dos fornecedores de moldes quanto à exigência de precisão extrema, utilização de ótimos materiais, porta-moldes e bicos quentes com controle eficiente, e acrescenta ser indispensável um bom projeto. “O conjunto de injetora, molde e periféricos dará capacidade de produção, eficiência e custo/benefício para produzir em condições de competir com os grandes fabricantes de máquinas do setor”, diz.Plástico Moderno, PET - Injeção da pré-forma exige diferenciações no processo

Para médios e pequenos– Máquinas made in Brasil, as injetoras para PET da Romi derivam de projetos recentes da empresa, que detectou uma lacuna no mercado de engarrafadores. A injeção de pré-forma entrou nos negócios no ano passado, com a proposta de ampliar as opções de equipamentos para pequenos e médios engarrafadores, com produções em torno de três mil até quatro mil embalagens por hora, e fechar o ciclo produtivo, verticalizando a sua produção: injeção das pré-formas, sopro da garrafa e injeção da tampa. Os principais segmentos visados pela empresa são os de água mineral e produtos de limpeza. “Nossa intenção é oferecer qualidade e preços acessíveis aos clientes de menor porte”, explica o diretor de comercialização de máquinas Alberto Lago Filho.

Plástico Moderno, PET - Injeção da pré-forma exige diferenciações no processo
Série Primax foi configurada para injetar PET

A empresa aproveitou a configuração da injetora convencional Primax 220 H (de híbrida) e a readequou para a nova função, de onde nasceu a série Primax H PET. À estreante, de 220 toneladas de força de fechamento, sucederam-se outros modelos e agora a família comporta desde 170 até 450 toneladas de força de fechamento. A Romi oferece automação total, desde a alimentação, transporte das pré-formas, até a retirada dos frascos para a linha de envasamento e armazenamento. Para se ter uma ideia, os equipamentos capacitados a maiores escalas chegam a produzir da ordem de cinco mil frascos de 500 ml por hora, sinônimo de altos níveis de produtividade.

Plástico Moderno, Alberto Lago Filho, Diretor de comercialização de máquinas, PET - Injeção da pré-forma exige diferenciações no processo
Lago não tem pretensões de atuar com os grandes volumes

Embora planeje evoluir os desenvolvimentos para equipamentos de maiores portes, Lago confessa não ter a pretensão de entrar no mercado de grandes volumes.

O diretor explica que as características básicas construtivas e dimensionais das injetoras Primax já favoreciam o novo projeto, pois a série conta com distância maior entre colunas, o que permite o uso de moldes grandes. A nova configuração exigiu a mudança nos perfis das roscas de plastificação para atender às particularidades de processamento do PET, e também na motorização da plastificação, com alta velocidade e alto torque. Além disso, a fabricante enclausurou a unidade de moldagem a fim de evitar a condensação de ar (e impedir a absorção de umidade pela resina, altamente higroscópica) e implementou simultaneidade de movimentos (abertura, extração, fechamento e plastificação), para acelerar o processo.

Quanto aos moldes, a empresa tem uma parceria com a Qualicad, com a qual promove desenvolvimento conjunto, inclusive de pré-formas. Segundo Lago, o molde para pré-forma de PET é extremamente delicado e exige um rigoroso controle de temperatura, crítica no processo. Requer também um balanceamento igualmente rígido do fluxo de material dentro do molde. Apesar da parceria, o diretor da Romi oferece ao cliente livre-arbítrio para escolher o molde de sua preferência.

 

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