Embalagens

PET: Cerveja brasileira adota embalagem plástica e mira as torcidas

Jose Paulo Sant Anna
8 de novembro de 2019
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    Preparados – As garrafas de PET para cervejas precisam atender alguns requisitos técnicos diferentes em relação às dos refrigerantes. Existem, no entanto, características comuns. Elas precisam ser inodoras, resistentes, inquebráveis, permitir facilidade de manuseio, leveza e segurança. Também precisam aguentar a pressão interna gerada pelos gases presentes nos líquidos.

    Na opinião do presidente da Abipet, o PET oferece várias vantagens em relação ao vidro. As garrafas são mais leves, resistentes e seguras para consumidores, funcionários da cadeia produtiva e de logística. Elas gelam mais rápido que o vidro e mantêm a temperatura fria por mais tempo. Em relação ao alumínio, embora o plástico não gele mais rápido, mantém por mais tempo a temperatura fria. De quebra, são totalmente recicláveis.

    “Os investimentos para quem quer entrar no mercado de cerveja com embalagem PET são muito inferiores quando comparados a outros materiais e propiciam a democratização da distribuição e do consumo”, afirma Marçon. Para o dirigente, tanto os transformadores como os fabricantes de resina estão plenamente preparados para atender esse mercado.

    “Por parte dos transformadores houve grande movimento de atualização de tecnologia, que aportou forte crescimento de produtividade e capacidade”. O presidente da Abipet acrescenta que o envasador tem a seu dispor dezenas de fornecedores de embalagem que podem abastecê-lo de forma constante e rápida. “Pode ainda escolher por contratos de injeção/sopro ‘in house’, terceirizando a operação e reduzindo drasticamente o capital de giro relacionado com embalagem, além de outros arranjos”.

    Em relação aos fabricantes locais de resina, Marçon lembra que tanto a Indorama como a Alpek/PQS têm plantas moderníssimas, de classe mundial, com capacidade disponível para atender não só o mercado nacional como toda a América do Sul. “Eles atenderiam com tranquilidade a evolução do mercado de embalagens de cerveja”.

    Com a evolução da tecnologia, podem ser encontradas no mercado opções de embalagens fabricadas por diferentes processos. A escolha é feita caso a caso e depende de vários parâmetros. É preciso avaliar prazo de validade desejado, volume da embalagem, resistência mecânica, os níveis de barreira, como será o sistema de distribuição, para quais canais de venda o produto será destinado, entre outros aspectos. “Hoje no exterior existem produtos envasados em processos multicamadas, monocamadas com o uso de aditivos sequestrantes de oxigênio e outras especificidades”.

    Os equipamentos utilizados são os mesmos indicados para outras embalagens, com os devidos cuidados necessários para atender as especificações técnicas e normas legais de saúde previstas para os produtos alimentícios. As tampas usadas nas garrafas podem ser fabricadas nos materiais já existentes e usados em outros produtos; metálicos ou termoplásticos, com ou sem vedantes. “Eles seguem os padrões de mercado, o que facilita o trabalho dos designers de embalagens”.

    A questão volumétrica é um aspecto importante. Diferente do vidro e do alumínio, o PET permite o desenvolvimento de embalagens que atingem grandes volumes como os com 1, 2 ou até 3 litros. Além desses, também já existem no mercado os pequenos “barris”, que podem atingir 5, 10, 20 e até 30 litros.

    Meio ambiente – Não há como negar que a imagem do plástico perante parte da população e dos ambientalistas não é das melhores. Para o presidente da Abipet, isso se deve à carência de conhecimento técnico. “Os representantes da indústria de materiais concorrentes andam abusando de fake news ou navegando nos limites da ética para aproveitar essa onda”.

    Para ele, no entanto, os tomadores de decisões presentes nas empresas são capacitados para promover julgamentos corretos. “Estudos realizados por empresas e institutos respeitadíssimos nos EUA e Europa mostram que a embalagem PET tem vantagens ecológicas quando comparada com vidro e alumínio”, afirma.

    Para exemplificar, lembra que a conceituada empresa norte-americana Franklin Associates realizou um comparativo para refrigerantes, entre embalagens PET de 600 ml, garrafas de vidro de 250 ml e latas de 350 ml, compreendendo toda a cadeia, da produção da matéria-prima até o consumo e reciclagem. “O estudo mostrou que o PET, durante toda essa cadeia, consome 45% menos energia que o alumínio e gera 15 vezes menos resíduo sólido que o vidro”.

    Ele cita alguns outros dados nem sempre levados em conta pelos críticos do plástico. Em um caminhão carregado de cerveja em garrafas de vidro, mais de 40% do peso da carga está relacionado com a embalagem. No caso desse mesmo caminhão transportar cerveja em garrafas de PET, esse número cai para menos de 5%. “Isso traz tremenda eficiência em transporte e excelente redução das emissões atmosféricas”. Também menciona que seria muito fácil implantar nesse mercado um projeto de garrafas retornáveis, semelhante ao já existente para o vidro. “E as embalagens plásticas são 100% recicláveis”.



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