PET: Cerveja brasileira adota embalagem plástica e mira as torcidas

Plástico Moderno - Cerveja brasileira adota embalagem plástica e mira as torcidas de futebol e público de grandes eventos

Cerveja brasileira adota embalagem plástica e mira as torcidas de futebol e público de grandes eventos

Em agosto chegou ao mercado a primeira cerveja com escala comercial considerável embalada em garrafas de PET. Trata-se da Salzburg, produto da indústria de bebidas NewAge, no mercado desde 1988 e produtora e distribuidora sob licença das marcas internacionais Schweppes, Crush e Gini, além de refrigerantes e cervejas com marcas próprias. O transformador responsável pela manufatura das embalagens é a multinacional Amcor, no mercado brasileiro desde 1998 – no país conta com seis plantas instaladas.

“Há mais de 10 anos a tecnologia para fabricação de embalagens de PET já atende perfeitamente o mercado de cerveja, principalmente no que diz respeito a prazos de validade do produto. Muitas empresas, de grande porte ou regionais, já fazem uso dessa embalagem em diversos países, como Bélgica, Dinamarca, Japão, Estados Unidos, República Checa e Rússia”, informa Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet). Entre as marcas, ele cita Carlsberg, Heineken, Inbev, Kirin e Coopers, entre outras.

Esse nicho de mercado é para lá de promissor. A indústria da cerveja no Brasil produz cerca de 15 bilhões de litros por ano. As latinhas de alumínio e garrafas de vidro são soberanas entre as embalagens e esse cenário não deve se transformar de maneira rápida. Mas isso não desanima os representantes do setor do plástico. Devido ao tamanho do mercado, cada ponto percentual conquistado será motivo para muita comemoração.

Marçon explica que, no Brasil, poucas empresas são responsáveis por grande volume da produção. Ele não tem como saber as estratégias a serem adotadas por essas gigantes no futuro. “Todas mantêm absoluta confidencialidade sobre seus projetos”. Mas demonstra otimismo. “Temos a percepção que no passado havia mais restrições. Nos últimos anos, acredito que se intensificaram os movimentos de desenvolvimento de embalagens PET”.

Ele entende que a forma de integração dessa embalagem ao consumidor brasileiro talvez tenha que passar por estágios de aprendizado. No exterior, por exemplo, o uso se intensificou em paralelo ao atendimento da necessidade dos consumidores. “Em alguns países, as embalagens PET começaram e hoje são bastante utilizadas em eventos fechados e de grandes públicos, como nos campos de futebol, arenas esportivas, autódromos ou em shows. Na maioria desses eventos o foco é a segurança, mas também tem a vantagem de, no final, poder coletar as embalagens vazias facilmente e encaminhá-las para a reciclagem”.

Uma tendência do mercado nacional pode facilitar a adoção do plástico. Nos últimos anos, tem se multiplicado o número de fabricantes artesanais, que podem se transformar em “portas de entrada” para o uso de embalagens alternativas. De acordo com a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), no início do ano, o Brasil contava com 700 cervejarias, número dez vezes maior do que há uma década. Só em 2018 foram registradas 185 novas fábricas.

Preparados – As garrafas de PET para cervejas precisam atender alguns requisitos técnicos diferentes em relação às dos refrigerantes. Existem, no entanto, características comuns. Elas precisam ser inodoras, resistentes, inquebráveis, permitir facilidade de manuseio, leveza e segurança. Também precisam aguentar a pressão interna gerada pelos gases presentes nos líquidos.

Na opinião do presidente da Abipet, o PET oferece várias vantagens em relação ao vidro. As garrafas são mais leves, resistentes e seguras para consumidores, funcionários da cadeia produtiva e de logística. Elas gelam mais rápido que o vidro e mantêm a temperatura fria por mais tempo. Em relação ao alumínio, embora o plástico não gele mais rápido, mantém por mais tempo a temperatura fria. De quebra, são totalmente recicláveis.

“Os investimentos para quem quer entrar no mercado de cerveja com embalagem PET são muito inferiores quando comparados a outros materiais e propiciam a democratização da distribuição e do consumo”, afirma Marçon. Para o dirigente, tanto os transformadores como os fabricantes de resina estão plenamente preparados para atender esse mercado.

“Por parte dos transformadores houve grande movimento de atualização de tecnologia, que aportou forte crescimento de produtividade e capacidade”. O presidente da Abipet acrescenta que o envasador tem a seu dispor dezenas de fornecedores de embalagem que podem abastecê-lo de forma constante e rápida. “Pode ainda escolher por contratos de injeção/sopro ‘in house’, terceirizando a operação e reduzindo drasticamente o capital de giro relacionado com embalagem, além de outros arranjos”.

Em relação aos fabricantes locais de resina, Marçon lembra que tanto a Indorama como a Alpek/PQS têm plantas moderníssimas, de classe mundial, com capacidade disponível para atender não só o mercado nacional como toda a América do Sul. “Eles atenderiam com tranquilidade a evolução do mercado de embalagens de cerveja”.

Com a evolução da tecnologia, podem ser encontradas no mercado opções de embalagens fabricadas por diferentes processos. A escolha é feita caso a caso e depende de vários parâmetros. É preciso avaliar prazo de validade desejado, volume da embalagem, resistência mecânica, os níveis de barreira, como será o sistema de distribuição, para quais canais de venda o produto será destinado, entre outros aspectos. “Hoje no exterior existem produtos envasados em processos multicamadas, monocamadas com o uso de aditivos sequestrantes de oxigênio e outras especificidades”.

Os equipamentos utilizados são os mesmos indicados para outras embalagens, com os devidos cuidados necessários para atender as especificações técnicas e normas legais de saúde previstas para os produtos alimentícios. As tampas usadas nas garrafas podem ser fabricadas nos materiais já existentes e usados em outros produtos; metálicos ou termoplásticos, com ou sem vedantes. “Eles seguem os padrões de mercado, o que facilita o trabalho dos designers de embalagens”.

A questão volumétrica é um aspecto importante. Diferente do vidro e do alumínio, o PET permite o desenvolvimento de embalagens que atingem grandes volumes como os com 1, 2 ou até 3 litros. Além desses, também já existem no mercado os pequenos “barris”, que podem atingir 5, 10, 20 e até 30 litros.

Meio ambiente – Não há como negar que a imagem do plástico perante parte da população e dos ambientalistas não é das melhores. Para o presidente da Abipet, isso se deve à carência de conhecimento técnico. “Os representantes da indústria de materiais concorrentes andam abusando de fake news ou navegando nos limites da ética para aproveitar essa onda”.

Para ele, no entanto, os tomadores de decisões presentes nas empresas são capacitados para promover julgamentos corretos. “Estudos realizados por empresas e institutos respeitadíssimos nos EUA e Europa mostram que a embalagem PET tem vantagens ecológicas quando comparada com vidro e alumínio”, afirma.

Para exemplificar, lembra que a conceituada empresa norte-americana Franklin Associates realizou um comparativo para refrigerantes, entre embalagens PET de 600 ml, garrafas de vidro de 250 ml e latas de 350 ml, compreendendo toda a cadeia, da produção da matéria-prima até o consumo e reciclagem. “O estudo mostrou que o PET, durante toda essa cadeia, consome 45% menos energia que o alumínio e gera 15 vezes menos resíduo sólido que o vidro”.

Ele cita alguns outros dados nem sempre levados em conta pelos críticos do plástico. Em um caminhão carregado de cerveja em garrafas de vidro, mais de 40% do peso da carga está relacionado com a embalagem. No caso desse mesmo caminhão transportar cerveja em garrafas de PET, esse número cai para menos de 5%. “Isso traz tremenda eficiência em transporte e excelente redução das emissões atmosféricas”. Também menciona que seria muito fácil implantar nesse mercado um projeto de garrafas retornáveis, semelhante ao já existente para o vidro. “E as embalagens plásticas são 100% recicláveis”.

O case Salzburg – Inovação e diferenciação foram peças chaves da estratégia da NewAge ao adotar a embalagem PET para a cerveja Salzburg. “Esse dois conceitos são o nome do jogo no mercado de cervejas artesanais no Brasil”, explica Fabio Violin, presidente da fabricante de bebidas. Para ele, a flexibilidade da embalagem PET permite desenvolver um substituto exclusivo para o vidro que proporciona amplo apelo ao consumidor em toda a América Latina.

Para Felipe Salles, diretor de desenvolvimento de negócios da Amcor no Brasil, à medida que o mercado de cervejas artesanais cresce, se torna mais fácil fazer parcerias para alcançar designs atraentes e economias de custo com garrafas PET. A transformadora se posiciona como uma das líderes em embalagens PET para bebidas alcóolicas nos EUA e se mostra disposta a trazer todo seu conhecimento para o mercado brasileiro. “Possuímos capacidade instalada no país e a empresa está apta a investir em recursos que façam sentido para novos negócios, desde que alinhados com nossa estratégia”.

Com 600 ml de volume, as garrafas da cerveja Salzburg são rígidas e contam com aditivo de barreira que impede a entrada e saída de oxigênio, fator indispensável para a manutenção do produto até quatro meses de vida na prateleira. A garrafa também possui projeto capaz de suportar o processo de pasteurização ao qual a bebida é submetida sem que ocorram deformações.

Um aspecto que chama a atenção é o design do gargalo, que permite a utilização do mesmo tipo de tampas utilizadas para as garrafas de vidro sem nenhum problema ou perda de gás. As garrafas são totalmente compatíveis com os processos de reciclagem utilizados no país. Os equipamentos de injeção e sopro utilizados na sua fabricação são os mesmos indicados para outras embalagens de PET.

Vodka também entra no PET

Oferecer embalagens para outros tipos de bebidas alcoólicas também faz parte da estratégia da Amcor no Brasil. Entre elas, destaque para a vodca. Depois de ser pioneira ao lançar, em 2014, embalagens para a Smirnoff, a empresa acaba de lançar as garrafas de PET para a marca Stoliskoff.

As novas garrafas contam com volume de 1.750 ml. Para produzi-las, a empresa utiliza tecnologia que permite aparência premium, semelhante à do vidro. As espessuras de parede possibilitam o aproveitamento das mesmas tampas usadas nas garrafas de vidro, que garantem a procedência e inviolabilidade do líquido.

Os equipamentos de injeção e sopro são os mesmos utilizados em outras embalagens em PET. De acordo com a empresa, o plástico é mais leve, oferece maior segurança em toda a cadeia de produção e consumo. Ele permite levar a bebida sem riscos em espaços públicos, onde o vidro é um problema.

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