Distribuição de Produtos Químicos – Potencial atrai investidores

Perspectivas - Distribuição de Produtos Químicos

A distribuição de produtos químicos começou o ano com expectativas mais positivas do que as do início do ano passado.

O setor projeta a reversão de uma curva de demanda mantida em depressão durante os dois últimos anos, embora não alimente esperanças de um ano magnífico para vendas e resultados.

“O governo colocou a economia no caminho certo, com mais alguns acertos e o país vai se recuperar, melhorando o ambiente de negócios”, avaliou Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim).

“Ainda será um ano difícil, mas pensar em crescimento zero do PIB já é um alento, depois de uma queda de 8% em dois anos; isso nos permite antever melhores dias em 2018.”

Pode parecer pouco, mas as recentes vitórias contra o avanço da inflação e pela contenção de gastos da União (mediante a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 55/2016, promulgada como Emenda Constitucional 95) já mudaram a percepção internacional do país.

Com isso, investidores voltaram a manifestar interesse em participar de empreendimentos locais.

Isso se reflete, por exemplo, na venda da gigante nacional quantiQ (Braskem) para a GTM Holdings (distribuidora latino-americana controlada pelo fundo de private equity Advent International), por R$ 550 milhões, concluída em janeiro de 2017.

Ainda que se considere a longa maturação de um movimento desse porte e a intenção anteriormente declarada pela Braskem em sair dessa atividade, a orientação mais realista e racional da economia brasileira contribuiu para a sua efetivação.

“Há capital sobrando no mundo, os países desenvolvidos oferecem remuneração muito baixa, mas os investidores são muito seletivos, não colocam suas fichas em qualquer lugar”, comentou Medrano.

País de dimensões continentais, com uma população de 200 milhões de habitantes que vivem sob um regime democrático, sem convulsões sociais, o Brasil é atraente.

Falta realizar algumas reformas institucionais, no campo previdenciário, trabalhista, tributário e fiscal para melhorar a competitividade global, porém.

Como salientou o dirigente setorial, a recessão econômica provocada pelo aumento dos juros acabou dando resultados contra a inflação, que estava muito acima da meta oficial. Isso se deu com forte pressão social, evidenciada pelo aumento do desemprego.

“O remédio amargo funcionou, mas as causas da crise não foram tocadas ainda, ou seja, o excesso de gastos públicos, a tributação excessiva e os exageros legislativos em vários campos”, criticou.

Distribuição de Produtos Químicos
Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim)

Os distribuidores químicos nacionais apontam os efeitos nocivos desses dois anos consecutivos de recessão que os levaram a cortar despesas de modo profundo.

“Fomos muito além da gordura, acabamos cortando até músculos e ossos; os custos despencaram, mas o faturamento também, isso levou a um estrangulamento do capital de giro das empresas”, comentou Medrano.

Levantamento anual realizado pela Associquim informa que o faturamento setorial havia caído de US$ 6,8 bilhões, em 2014, para US$ 5,5 bilhões, em 2015.

Embora o estudo sobre 2016 ainda não tenha sido concluído, a estimativa da associação é de um aumento de 2% no faturamento dolarizado para o período. Isso ficou longe de recuperar a queda verificada no ano anterior, mas já é um sinal positivo.

Mal comparando, a economia brasileira faz lembrar um avião na cabeceira da pista, acionando as turbinas para iniciar a decolagem.

“Quem conseguiu preservar uma boa fatia do capital de giro, terá melhores condições para se recuperar mais rápido, acompanhando a volta dos clientes”, disse. “Mas quem se endividou, com os juros absurdos do mercado, esses enfrentarão grandes dificuldades.”

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Mais concentração na Distribuição de Produtos Químicos

O panorama global da distribuição química aponta para mais uma rodada de concentração de negócios.

“Está em curso uma grande redução no número de fornecedores de produtos químicos na Índia e na China, que são as grandes fontes de suprimentos do mundo atualmente, seja por razões econômicas ou por restrições ambientais”, apontou. “A tendência é de reforçar o conceito de global supplier.”

Nos Estados Unidos, o grande cento de consumo, o mercado de distribuição está se concentrando cada vez mais.

“No setor químico, a concentração começou pelas pontas da cadeia, ou seja, fabricantes e consumidores industriais finais; a distribuição demorou um pouco para entrar nessa tendência, mas é irreversível, já se prevê que restarão apenas três megadistribuidores no mercado.”

No Brasil, a distribuição química ainda tem espaço para crescer, pois representa apenas 12% das vendas totais dessa indústria, abaixo da média de 20% verificada nos países mais avançados.

O dirigente setorial considera o fato de as indústrias, tanto a montante quanto a jusante na cadeia, terem reduzido seus quadros de pessoal, abrindo oportunidades para os distribuidores assumirem novas responsabilidades, via prestação de serviços, como controle de estoques, análises, preparação de amostras etc.

“O problema disso está na forma de remunerar essas transferências de tarefas, mas já se nota um entendimento melhor entre os elos da cadeia, todos interessados em agregar valor aos seus negócios”, comentou.

No atual panorama econômico, a manutenção de estoques elevados de produtos acaba representando um custo desnecessário e de difícil recuperação pelas empresas comerciais.

“O distribuidor ganha dinheiro girando as mercadorias e não fazendo inventário, por isso não é preciso ter uma estrutura de armazenagem muito grande”, afirmou.

Nesse ponto, ele vê uma deficiência no mercado local que poderá ser aproveitada por eventuais interessados: faltam operadores logísticos qualificados para lidar com produtos químicos.

São empresas que se especializam em transportes e armazenamento, prestando apoio fundamental para os comerciantes do ramo, ainda mais quando se consideram as fragilidades da infraestrutura logística nacional.

Isso se torna ainda mais relevante quando se considera o peso da produção agropecuária nacional. “O setor agro brasileiro é moderno e constantemente atualizado, este ano vai puxar para cima o PIB com uma grande safra”, comentou Medrano.

Os distribuidores nacionais buscam mais negócios nessa direção, revelando agilidade e capacidade de adaptação. Em 2016, as vendas para quase todos os segmentos de mercado sofreram retração.

Mesmo áreas tradicionalmente resistentes aos humores da economia nacional, como a produção de alimentos e cosméticos, foram negativamente afetadas pela queda do poder aquisitivo da população.

“O setor farmacêutico ainda saiu ileso dessa crise, mas não cresceu”, avaliou.

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