Tintas – Indústria prevê recuperar vendas

Perspectivas 2016

A indústria brasileira de tintas e vernizes encerrou 2015 com indicadores pintados de vermelho. Historicamente, o setor sempre se mostrou capaz de atravessar períodos difíceis da economia nacional com notável resiliência. Mas, anos seguidos de dificuldades políticas e econômicas conseguiram a proeza de levar essa indústria a apresentar redução de volumes vendidos em dois exercícios consecutivos.

Em parte, a capacidade de manter bons resultados pode ser atribuída ao fato de os produtos do setor servirem a muitos diferentes segmentos consumidores, da construção civil à produção automobilística, passando por embalagens e manutenção industrial.

Com um leque amplo de possibilidades de negócios, sempre foi possível manter algum equilíbrio, embora dois segmentos – as linhas decorativas imobiliárias e a pintura automotiva original – tenham participação muito expressiva nos negócios.

Plástico Moderno, Ferreira: precisamos ser cada vez mais competentes em tudo
Ferreira: precisamos ser cada vez mais competentes em tudo

Em 2015, segundo estimativas da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), o volume vendido do setor encolheu 7% em relação ao ano anterior.

Esse percentual superou as estimativas da entidade apresentadas em dezembro, durante o Enaiq, porque os resultados efetivos do último mês de 2015 ficaram muito aquém do projetado.

E 2014 já havia sido ruim, com redução de 1,2%. “Em 2015, os dois segmentos de maior volume de vendas, o automotivo e o imobiliário apresentaram péssimo desempenho e impactaram a demanda de tintas e vernizes”, explicou Dilson Ferreira, presidente executivo da associação.

A produção de automóveis no Brasil diminuiu 22,8% em 2015, deixando de consumir as tintas correspondentes no período, produtos de alto valor, que incorporam tecnologias avançadas para atender os requisitos exigidos pelas montadoras. “O momento não foi igualmente ruim para todos, pois vemos alguns modelos, os mais sofisticados de algumas companhias, de produção anual pequena, ainda com fila de espera de 90 dias”, comentou.

A retração de demanda foi acompanhada pela elevação dos custos dos fabricantes de tintas, exigindo ajustes. “A pressão da taxa de câmbio em 2015 foi muito superior à redução observada nos preços internacionais dos insumos, um item muito importante quando se sabe que o setor usa grande quantidade de insumos importados, muitos dos quais não têm produção local”, salientou.

Mesmo os produtos locais, como os solventes derivados do petróleo, demoraram a apresentar redução de preços, acompanhando o mercado global.

A resposta a esses impactos varia muito entre as associadas da Abrafati. “Não acompanhamos diretamente essas medidas, que refletem as estratégias de cada empresa, mas se percebe claramente uma tendência pela redução geral de custos e de buscar um aprofundamento do foco nas áreas de competência”, afirmou. Em alguns casos, a redução de quadro de funcionários foi inevitável.

A Abrafati recomenda ao setor investir na qualificação do pessoal e também para manter atualizada a produção. “Nos esforçamos para repassar as inovações tecnológicas e as visões atuais das cadeias produtivas mediante seminários, cursos e do nosso congresso internacional”, apontou. “Precisamos ser cada vez mais competentes, em todas as áreas, da administração à produção e ao setor comercial.”

Redenção imobiliária – Tintas

O anúncio da retomada de financiamentos do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) em 2016 trouxe um pouco de alento aos fabricantes de tintas. “Isso é apenas uma parte do que foi prometido na campanha presidencial de 2014”, apontou Dilson Ferreira.

Na época, a candidata à reeleição prometeu financiar a construção de 3 milhões de moradias novas, quantidade agora reduzida para 2 milhões de unidades até 2018.

Segundo Ferreira, a meta para 2016 é de entregar um milhão de casas, mas pode ficar pela metade, a exemplo do verificado em 2015. “A cada 500 mil unidades do MCMV que deixam de ser produzidas, o impacto no setor de tintas é equivalente a 2% do mercado total, considerando o consumo de 50 litros por unidade”, comentou.

Em toda a cadeia de produtos para construção, o impacto pode ser considerado gigantesco.

Ferreira já identifica algumas dificuldades para se atingir a meta oficialmente declarada.

A primeira delas é falta de dinheiro para bancar as moradias dos níveis 1 e 2, os direcionados para as camadas de menor poder aquisitivo da população. “A crise econômica está encolhendo os rendimentos dessa parcela da população, isso vai exigir um ajuste nos custos para acompanhar essa limitação”, considerou.

O segundo entrave é a necessidade de negociar preços em toda a cadeia de produção sem deixar de atender as normas oficiais de desempenho da construção. “A realidade é que as casas, mesmo as mais populares, precisam ter mais qualidade, mas isso se traduz em custos; será preciso fazer alguns ajustes para que esses avanços sejam remunerados”, afirmou.

Ele ressalta que as normas oficiais do ramo são muito boas e factíveis. No caso das tintas usadas no MCMV, elas estão adequadas às normas do Programa Brasileiro da Qualidade da Construção Civil.

As decisões que venham a ser tomadas em favor do MCMV são aguardadas com ansiedade pelo setor. “Com as vendas garantidas no segmento imobiliário, o desempenho da indústria brasileira de tintas será bem melhor que o de 2015, assim como de toda a cadeia da construção”, comentou.

A Abrafati tem buscado aproximação com o governo e órgãos oficiais para apresentar suas dificuldades e encaminhar pleitos de interesse setorial.

A entidade levou, por exemplo, o pedido de renovação da cota isenta de importação de dióxido de titânio para 2016. “O setor gostaria de importar insumos de alta qualidade para aprimorar a cadeia toda, nós insistimos, mas como o governo precisa manter suas receitas para equilibrar as contas, não tivemos sucesso”, lamentou.

Na cadeia da construção civil, 2015 passou como uma tempestade devastadora. “A venda de equipamentos para construção caiu 70%, a venda de materiais de construção recuou mais de 10% no atacado e 9,5% nas revendas”, apontou Ferreira.

Na sua avaliação, a crise atual deixou de ser apenas econômica para se estabelecer no campo político. “Só com estabilidade política será possível voltar a fazer planejamento no Brasil”, afirmou, apontando a dificuldade de fazer previsões para o ano. “Caso se mantenha o ritmo dos últimos meses de 2015, só teremos alguns resultados mais animadores no último trimestre do ano, ou em 2017”. A estimativa do FMI é de um novo recuo no PIB do Brasil em 2016, dessa vez de 3,5%.

O cenário adverso mantido há alguns anos conduziu a uma perda de valor das companhias nacionais, em vários ramos de atividade, inclusive de tintas.

Na avaliação de Ferreira, seria um bom momento para promover venda ou fusão com empresas no exterior. “Nós todos sabemos que a economia do Brasil vai voltar a crescer em alguns anos, o mercado é promissor, mas a situação atual é tão ruim que assusta os potenciais compradores”, salientou.

Cabe lembrar que a atividade econômica global apresentou retração, a começar pela China, cujo crescimento ficou em 6% em 2015, abaixo do esperado.

Com isso, os preços das commodities caíram no mundo todo. Ferreira aponta a indústria dos Estados Unidos como exceção. “Eles são muito competentes e com insumos mais baratos, em especial petróleo e gás natural, eles ficaram ainda mais competitivos”, comentou.

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