Transformação de plásticos abre mercados para compensar retração dos clientes usuais

ABIPLAST

O clima não anda lá muito animado para os representantes da indústria. Depois de viver em 2015 um período complicado, o sentimento para o ano que se inicia não é dos melhores.

As previsões um tanto nebulosas para a economia explicam tal sentimento. A expectativa é a de que virão mais dias difíceis pela frente. Resta a esperança de que a crise política e econômica pela qual passamos se amenize.

O cenário vale também para o setor do plástico, guardadas suas particularidades. Em geral, o segmento sofre um pouco menos do que outros ramos da indústria.

Não por acaso. As resinas se distinguem das outras matérias-primas.

Elas contam com grande versatilidade, substituem outros materiais com vantagens em novas aplicações. O fator é favorável ao surgimento de oportunidades de negócios e isso ocorre em vários e importantes segmentos da economia.

Para ter ideia do quanto pode crescer esse mercado basta lembrar que o Brasil possui consumo per capita de aproximadamente 35 kg de plástico por habitante. Em países desenvolvidos, esse número gira em torno de 100 kg por habitante.

Plástico Moderno, Roriz Coelho: resinas cotadas em dólares elevam os custos
Roriz Coelho: resinas cotadas em dólares elevam os custos

José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), reconhece o grande potencial do setor. Mesmo assim, não se entusiasma com as perspectivas para 2016.

Nem mesmo a possibilidade do plástico conquistar novas fatias de mercado mediante a substituição de outros materiais o deixa menos ressabiado.

“O desenvolvimento de novas aplicações envolve pesquisa, fabricação de moldes, investimentos que tornam essas alternativas difíceis no atual contexto de retração da economia”, avaliou.

O dirigente estima que 2016 apresentará retração da atividade econômica geral, com queda de 3% no PIB e aproximadamente 4,4% no desempenho da indústria.

“Acreditamos que o setor de transformados plásticos sofra retração de aproximadamente 3,8%”. Cenário ruim após um ano bem negativo. “O faturamento dos transformadores de plástico em 2015 sofreu queda de 12,4%, fechando em R$ 64,3 bilhões”, informou Roriz Coelho. Em 2014, o setor havia movimentando em torno de R$ 67,4 bilhões.

Os resultados são creditados a fatores muito discutidos nos últimos tempos, em especial a crise política, que influencia de maneira direta a conjuntura macroeconômica. Vivemos período de retração da demanda, inflação e queda na confiança do consumidor.

Roriz Coelho destaca as vendas de plásticos para aplicações agrícolas como único nicho de mercado em que não se tem verificado queda no nível de produção. O fato tem explicação.

A agricultura foi o único setor do país com desempenho positivo no ano passado, apresentou crescimento de 2,1% no período de janeiro a setembro. Para esse ano, as perspectivas para esse nicho permanecem positivas. Embora em queda, no segmento de embalagens o plástico tem conseguido resultados menos desfavoráveis pela atuação inovadora dos designers, que criam soluções às quais o plástico se encaixa com perfeição.

Por outro lado, o desempenho de importantes clientes se encontra em situação delicada. “Setores como os da construção civil e indústria automobilística passam por momento de retração por causa da baixa demanda”, explica Roriz Coelho.

Esses dois segmentos são fundamentais para a transformação do plástico: a indústria da construção civil, nos últimos anos, tem sido a maior compradora de artigos plásticos – o segmento respondeu por 16,2% da demanda total em 2013. A de componentes automotivos também é para lá de significativa. Em média, nos últimos anos, as vendas de peças plásticas para montadoras representam quase 70% do faturamento do setor de autopeças.

A realização dos Jogos Olímpicos no Brasil, evento que deve atrair número expressivo de turistas estrangeiros para a cidade do Rio de Janeiro-RJ, é vista por alguns economistas como fator positivo, capaz de injetar ânimo ao consumo combalido daqui.

Para Roriz Coelho, a competição não chega a entusiasmar. “A experiência com a Copa de 2014 nos mostra que não houve impacto para o setor de transformados plásticos, até porque 95% da nossa produção são de bens intermediários e não diretamente ao consumidor final”.

Pelo menos em um aspecto, ele acredita haver um diferencial em relação aos resultados pífios obtidos na Copa do Mundo de 1914.

No torneio de futebol houve redução de dias úteis, com a promulgação de folgas nas fábricas nos dias de jogos do Brasil. “Isso nos impactou negativamente em termos de volume de produção”.

No caso das Olimpíadas, não haverá “feriados extemporâneos” e as competições se concentrarão em apenas um estado da federação. “Os impactos para o setor serão praticamente nulos”, resume.

 

 

Dólar em alta influencia de forma ambígua a transformação de plásticos

A forte desvalorização do real influencia de forma ambígua a indústria da transformação do plástico.

Há contras e prós. O lado negativo não é desprezível. A cotação em alta da moeda norte americana provoca reflexo indesejável. “Os preços das matérias-primas estão atrelados ao dólar, o câmbio impacta os custos do nosso setor de forma negativa”.

O lado positivo aparece nos números do comércio exterior.

Crescem as oportunidades dos transformadores nacionais realizarem exportações e as vendas de outros países para o mercado nacional são inibidas.

Os primeiros resultados desses fenômenos deram o ar da graça no ano passado. “A alta do dólar melhorou as exportações de transformados plásticos, que cresceu 9,2% em 2015. Por outro lado, as importações recuaram 13,8%”, informa.

Para Roriz Coelho, no entanto, a evolução favorável não permite comemorações entusiasmadas. Ele aponta que o déficit comercial vinha em forte crescimento nos últimos anos. A tendência para 2016 é de nova redução do déficit, mas é difícil calcular em qual escala. “Do total produzido pelo setor, apenas 6% é exportado, um indicador baixo, quando comparado com o potencial médio de exportação do setor, que é de 5% a 20%”.

O dirigente chama a atenção para outro dado.

Em peso, o Coeficiente de Importação, que mede a presença de produtos importados no mercado interno, permaneceu praticamente inalterado, saindo de 10,7 para 10,4.

“Isto reflete que o recuo das importações deveu-se muito mais à redução da demanda brasileira por produtos transformados plásticos do que à substituição das importações”.

Algumas medidas vêm sendo tomadas para incentivar as vendas para outros países.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) lançou o “Plano Nacional de Exportações 2015-2018”, com objetivo de estimular a retomada do crescimento econômico.

“Concordamos com o conceito da iniciativa. Será preciso, entretanto, enfrentar problemas estruturais que impactam nossa competitividade no mercado internacional”, ressalta o presidente da Abiplast.

Entre os problemas, por exemplo, o dirigente aponta a cobrança de tarifas antidumping sobre importações em drawback, regime aduaneiro que concede aos seus beneficiários vantagens tributárias para matérias primas adquiridas para a produção de bens de maior valor agregado destinados à exportação.

Outra medida defendida é a da instituição correta do programa Reintegra, cujo objetivo é retirar o acúmulo de imposto sobre produtos exportados.

“Também é preciso ser mais agressivo na participação em acordos internacionais e abertura de novos mercados. Além disso, temos uma lógica de proteção tarifária equivocada.

Os setores produtores de matérias-primas contam com proteção muito maior do que produtos de maior valor adicionado, instrumentos de defesa comercial são aplicados em grande parte para os fornecedores de matérias-primas, monopólios e oligopólios”, queixa-se.

Outro esforço para incentivar as vendas externas fica por conta do Programa de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast), iniciativa pioneira da Braskem e da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

Adeus ano velho

O ano de 2015 não vai deixar nenhuma saudade.

As indústrias ligadas ao setor passaram por momentos difíceis. “Os níveis de produção de 2015 se aproximam aos de 2008. A demanda brasileira caiu 9,6%”, informa Roriz Coelho.

A produção física ficou na casa das 5,70 milhões de toneladas, com recuo de 8,5% em relação as 6,24 milhões fabricadas em 2014.

Por conta da queda de produção, foram fechados mais de 23 mil postos de trabalho. “Em 2015, o investimento da indústria de transformados plásticos caiu 32%”.

A balança comercial brasileira ficou com déficit de US$ 1,9 bilhão. Em volume, 405 mil toneladas de transformados plásticos.

O resultado quebra uma sequência de elevação do déficit da balança comercial iniciada desde os primeiros anos do século. Em 2014, ele havia ficado na casa das 540 mil toneladas, e em 2013, 486 mil. Em 2007, esse número estava na casa das 78 mil toneladas.

As exportações cresceram 9,2% em 2015, chegando a um total de 258 mil toneladas, contra 238 mil toneladas vendidas em 2014.

A título de comparação, em 2007, as vendas para o exterior ficaram na casa das 333 mil toneladas. Em 2013, foram 246 mil toneladas.

As importações no ano passado somaram 663 mil toneladas, com recuo de 13,8% frente a 2014, quando entraram no Brasil 778 mil toneladas. Em 2007 foram importadas 411 mil toneladas e, em 2013, 731 mil toneladas.

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