Indústria química – Matérias-Primas baratas – Perspectivas

Matérias-primas baratas e taxa cambial ajudam, mas incertezas locais travam novos projetos

Dificuldades locais – Indústria Química

Com um parque petroquímico consolidado (e amortizado), com três polos produtores com crackers de nafta e um de gás natural, além de algumas unidades isoladas, o Brasil poderia enfrentar o desafio de competir com gigantes internacionais, talvez com o auxílio já conhecido do Imposto de Importação.

A nafta local cara (o índice ARA é caro, em termos mundiais) não ajuda. Além disso, cumpre reconhecer que o país não fez a “lição de casa” prescrita há décadas.

Continuamos com um sistema tributário caótico e perverso, com relação capital/trabalho ultrapassada, logística deficiente, educação e saúde de baixa qualidade, entre outros. Somados, esses fatores desestimulam investimentos e contribuem para o encolhimento da produção existente.

Dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) apresentados em dezembro, durante o Enaiq (o encontro anual do setor), evidenciam a elevação de faturamento líquido da indústria, em sentido amplo, de R$ 43 bilhões em 1996 para R$ 367,7 bilhões em 2015, enquanto o déficit comercial químico pulou de US$ 5,4 bilhões para US$ 26,5 bilhões.

O maior déficit foi registrado em 2014: US$ 30 bilhões – ele não cresceu mais porque a crise econômica nacional fez a demanda encolher.

“No período considerado, a indústria química brasileira perdeu relevância no PIB, caindo do segundo para o quarto lugar no ranking”, comentou Carlos Fadigas, também presidente da Abiquim.

Ele prevê a continuidade dessa tendência, mesmo com o novo acordo para a nafta petroquímica.

“As mudanças necessárias para a retomada de investimentos já foram apontadas pela Abiquim há muitos anos, sem uma resposta adequada, pelo contrário, agora tivemos a elevação dos custos de eletricidade e gás natual, além do corte pela metade do Regime Especial da Indústria Química (Reiq – que alivia a carga tributária de PIS/Cofins sobre matérias-primas do setor) e da redução do Reintegra (programa para reduzir impostos sobre exportações), que vão onerar ainda mais o setor”, criticou Fadigas.

Os números apoiam a expectativa do presidente da Abiquim. O consumo aparente de produtos químicos registrou queda de 6,8% em 2015, em relação a 2014.

O déficit comercial até regrediu, somando US$ 26,5 bilhões, contra os US$ 31,2 bilhões de 2014. As importações recuaram 21,6% em volume, enquanto as exportações físicas cresceram 10,6%.

Segundo Fátima Giovanna Coviello Ferreira, diretora de economia e estatística da Abiquim, os fabricantes locais recuperaram 5,4 pontos percentuais de participação no mercado doméstico. “As companhias que operam no Brasil buscaram ampliar suas exportações para manter a produção e a ocupação de suas instalações”, afirmou.

Falta ao país definir uma agenda clara sobre o futuro da produção industrial. “O Brasil precisa dizer o que quer”, cobrou Fadigas.

Como observou, há países que produzem petróleo apenas para exportação, a exemplo de Angola, enquanto outros proíbem a venda de óleo e gás para outros países, obrigando a industrialização, como se verifica nos Estados Unidos, Índia e China.

Também há países que adotam posicionamento intermediário, como o México, que industrializa parte de sua matéria-prima e exporta outra. O Brasil segue essa diretriz, exportando 13% da sua produção de óleo e gás, segundo o presidente da entidade.

Cabe aos representantes eleitos definir os rumos do país. “Temos a sexta maior indústria química do mundo, um mercado consumidor amplo e grandes possibilidades de desenvolvimento do setor, que gera empregos de alta qualidade e incentiva a geração de ciência e tecnologia, seria muito ruim deixar tudo isso se perder”, avaliou Fadigas.

Como os analistas já apontam um ciclo de baixa na remuneração dos investimentos petroquímicos a partir de 2020, ele entende que o momento para construir novas capacidades é agora. “Se perdermos o timing, será preciso esperar uma nova reversão de ciclo que pode demorar dez anos ou mais”, disse.

Plástico Moderno, Balança comercial de produtos químicos (em us$ bilhões)
Balança comercial de produtos químicos (em US$ Bilhões) – Abiquim-Enaiq

 

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