Economia

Perspectivas 2016 – Distribuição: mercado quer serviços mais sofisticados, mas elevação dos custos exige controle apurado

Marcelo Fairbanks
7 de abril de 2016
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    Custos operacionais – Há alguns anos a Associquim vem chamando a atenção de suas associadas para a necessidade de observar a evolução dos custos de operação no setor. Historicamente, o setor viveu uma fase de grandes investimentos em estruturas físicas, cuja manutenção se revelou dispendiosa. “Cada base precisa ter suas próprias licenças, isso acaba saindo caro”, explicou.

    Em tempos bicudos, como os atuais, a tendência é atuar com estoques mínimos, evitando comprometer capital de giro. O uso mais intensivo de operadores logísticos especializados para cuidar de transporte e armazenamento de produtos se apresenta como alternativa viável. “Essa deve ser uma opção para o futuro, evitando novos investimentos, mas atualmente o setor ainda tem capacidade ociosa em suas instalações”, avaliou Medrano. “No exterior, o uso de operadores é muito difundido”.

    O dirigente setorial também reconhece que houve avanços no tratamento das importações. “O Siscomex melhorou muito, agora todo o processo é eletrônico e a liberação é mais eficiente e rápida, a Polícia Federal e o Ministério do Desenvolvimento estão apoiando muito bem as operações internacionais”, afirmou. Porém, ainda há espaço para melhorar. A atuação dos órgãos anuentes nos procedimentos de importação, como Anvisa e Ibama, ainda é instável. Segundo Medrano, quando todos os anuentes estão funcionando adequadamente, tudo se resolve facilmente. Mas quando algum deles enfrenta dificuldades, como operações tartaruga ou greves, a máquina emperra.

    A Associquim tem oferecido ferramentas para melhorar o desempenho, a qualidade e a segurança das atividades comerciais químicas, a exemplo do Programa de Distribuição Responsável (Prodir), que está sendo ampliado para também para atividades complementares, como o armazenamento de insumos por empresas independentes.

    Também o Encontro Brasileiro da Distribuição Química (Ebdquim) permite aos participantes conhecer os avanços do mercado internacional do setor e discutir alternativas para problemas locais. “O papel do distribuidor está sempre em transformação, precisamos estar atentos às mudanças para não sermos surpreendidos”, comentou Medrano. Neste ano, o EBDQuim será realizado de 9 a 11 de março, no Club Med de Trancoso, na Bahia, contando com a presença dos principais executivos de gigantes globais como Univar (Paul Henderson), IMCD (Frank Schneider) e Brenntag (Steve Holland).

    “O mercado mundial está muito instável, a queda do preço do petróleo se reflete diretamente no preço dos derivados, mas, apesar disso, a venda de solventes hidrocarbonetos continua caindo, por razões ambientais e de saúde humana”, considerou. “Isso exige adaptação.”

    Com o advento das fontes não-convencionais de hidrocarbonetos – o shale gas e o tight oil, por exemplo – a economia dos Estados Unidos ganhou forte impulso, atraindo para lá os olhares dos investidores. “As empresas europeias estão investido mais nos EUA, por exemplo”, comentou.

    Esse cenário favorece os movimentos de consolidação empresarial, mediante fusões e aquisições. Segundo Medrano, há dois caminhos que levam à concentração de negócios. O primeiro resulta da iniciativa de grandes grupos mundiais, interessados em obter crescimento. A segunda via resulta da pressão dos fabricantes de produtos químicos, com grau cada vez mais elevado de concentração – Dow e DuPont acabaram de anunciar sua consolidação –, no sentido de contar com distribuidores de alcance global, com os quais possam alinhar melhor suas estratégias comerciais. E o Brasil não está fora desse tabuleiro.



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