Calçadista – O mercado de couro doméstico é fundamental para setor

Perspectivas

O Brasil produz cerca de 42 milhões de couros bovinos por ano. O mercado interno consome cerca de 20% dessa produção. O setor de calçadista, porém, é o que tem sofrido mais com a crise.

O presidente executivo da Abicalçados, Heitor Klein, traça um perfil atual da indústria de calçados brasileira.

Heitor Klein presidente executivo da Abicalçados, Heitor Klein, traça um perfil atual da indústria calçadista
Heitor Klein

Quantas indústrias operam no país e qual é a produção anual?

No setor calçadista são 7,9 mil indústrias que produziram 877 milhões de pares no ano passado (2015).

O valor de produção passou de R$ 27 bilhões em 2014. As principais regiões produtoras de calçados são o Nordeste (43,4%) e Sul (32,3%).

Qual é a participação do setor de calçados no PIB da indústria e no PIB do País?

Não temos o dado da participação do setor de calçados no PIB. Na indústria de transformação, a participação foi de 1,23% em 2014.

Com a crise como está a relação de consumo?

No ano passado, cerca de 14% da produção foi exportada (124 milhões de pares). Nos últimos anos, o mercado doméstico foi fundamental para o setor calçadista.

Com a queda na demanda, identificada a partir do segundo semestre de 2014, a indústria tem apostado no mercado externo.

Em 2015, fechamos com queda de 10% no valor gerado com as exportações (US$ 960,4 milhões).

Porém, com o dólar em patamares favoráveis e a recuperação de alguns dos principais mercados, a expectativa é de incremento dos embarques em 2016.

Quais os principais mercados de exportação?

Os principais mercados para o segmento são EUA, Argentina, França e Bolívia.

Em 2005, foram exportados 190 milhões de pares de calçados que geraram US$ 1,9 bilhão. Em 2015, o número caiu para 124 milhões de pares e US$ 960,4 milhões.

Por outro lado, é importante frisar que mudou o perfil do produto exportado, já que o Brasil passou a vender mais produtos com marca própria e menos private label, modalidade predominante anos atrás.

Desde 2007 até 2014, o investimento da indústria calçadista pulou de R$ 383,86 milhões para R$ 594,4 milhões (+35,4%).

Porém, se pegarmos o comparativo de 2013 e 2014, vamos perceber uma queda de quase 14% no investimento realizado.

Com a retração no mercado doméstico, principal destino dos calçados produzidos no país, a tendência é de que a indústria freie os investimentos em 2016.

Qual o impacto do dólar para as exportações de calçados e peles brasileiras?

O dólar valorizado auxilia o exportador de calçados para a formação de preços mais competitivos para o mercado internacional, já que os custos são em reais.

A moeda norte-americana, em valores mais elevados, também diminui as importações, pois os produtos estrangeiros ficam mais caros para o varejo brasileiro.

O resultado foi que, em 2015, registramos uma queda de quase 15% nas importações, que ficaram em torno de US$ 480 milhões (33,26 milhões de pares).

Especificamente da China, as importações vêm caindo desde a adoção do direito antidumping contra o calçado chinês, em 2009 (essa medida de defesa comercial taxa o produto daquele país em US$ 13,85 por par).

O couro ainda é predominante no setor calçadista ou o consumo de materiais sintéticos vem crescendo?

Hoje o couro é utilizado apenas em 12% da produção de calçados. O avanço dos materiais sintéticos, tanto pela questão do preço mais competitivo como pela inovação tecnológica, tem sido substancial nos últimos anos.

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