Economia

Perspectivas 2015 – Química fina: Sem planejamento de longo prazo, avanço do segmento segue lento e disputa espaço com importados

Hamilton Almeida
20 de março de 2015
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    O resultado desse descompasso é que “das dezenas de fábricas que existiam há 10 ou 15 anos, só restam duas empresas nacionais: a Nortox, do Paraná, e a Ouro Fino, de São Paulo. As demais foram desnacionalizadas. Deixaram de fabricar e passaram a importar. Só fazem o envase ou a dissolução aqui. Tínhamos grandes empresas em vários Estados e todas foram absorvidas por multinacionais – até mesmo por originárias de Israel e da China”, comenta. Oliveira sustenta que o país adota regras contrárias à produção local. E, por isso, é preferível exportar para o Brasil do que produzir aqui.

    “Essa é uma triste realidade”, prossegue. “É a falência total das autoridades públicas no trato dos defensivos agrícolas.” As empresas desse setor também se queixam do sistema tarifário vigente: por um lado, o produto possui a mais baixa tarifa de importação dentro do Mercosul – paga-se 0 ou 2% para importar os produtos. Mas, para a obtenção de matérias-primas paga-se 10% ou 12%. A crença disseminada é que “não há uma política de Estado” para o setor.

    “A química fina sofre desde os anos 1990”, recorda-se Oliveira. Nos anos 1980, ele conta, havia uma política industrial. Mas, com a abertura econômica abrupta e inepta do governo Collor (1990-92), cerca de 1.070 fábricas fecharam e cerca de 500 projetos em implantação foram encerrados. Nos governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), o processo não foi revertido e se aprofundou a desindustrialização do Brasil. A partir do governo Lula (2003-2010), se elaborou um projeto de política industrial, aprovado em 2005, que teve alguns reflexos, especialmente na área de saúde pública, a partir de 2006.

    No primeiro governo Dilma (2011-14), esperava-se que houvesse uma continuidade efetiva na política industrial, mas ela priorizou a área social. “Dilma lançou o Plano Brasil Maior, que ficou aquém das práticas requeridas pelo mercado”, completou. O que falta, na visão do dirigente da Abifina, “é um marco regulatório forte, inserido num planejamento de Estado de longo prazo, econômico e social. O Brasil carece desse planejamento. Só tivemos planejamento de fato com Getúlio Vargas (1930-45 e 1951-54), Juscelino Kubitschek (1956-61) e Ernesto Geisel (1974-79). Esses três presidentes pensaram em uma indústria para o desenvolvimento. O que precisamos é de um planejamento plurianual como têm a China, a Coréia do Sul e a Índia, com metas e acompanhamento, independentemente dos governantes de turno.

    Estendendo o olhar para 2015, a Abifina espera que a soma da maturidade de governo da presidente Dilma Rousseff com os ajustes necessários na economia e mais a adoção de um planejamento adequado construam um mandato promissor. “Espero que aconteçam duas coisas fundamentais: o ministro da Fazenda (Joaquim Levy) se contente em administrar receitas e despesas e não entre na área de planejamento; e que o ministro do Planejamento (Nélson Barbosa) tenha metas firmes e execute um planejamento de longo prazo, de até 20 anos, para ser aprovado pelo Congresso Nacional”, sintetiza Oliveira. Algo mais? “E que daí surjam medidas para se trabalhar e crescer no país”.

    Guimarães avalia que “ninguém está otimista” com relação a 2015, e esse pessimismo tem fundamento. Particularmente, ele não acha que o ano será uma catástrofe, mas as dificuldades estão à vista, principalmente por conta dos desafios econômicos e políticos, estes como desdobramento da crise que abala a Petrobras e as empreiteiras.

    Plástico Moderno, Perspectivas 2015 - Química fina: Sem planejamento de longo prazo, avanço do segmento segue lento e disputa espaço com importados

    Plástico Moderno, Pacheco: moléculas inéditas estimulam a pesquisa nacional

    Pacheco: moléculas inéditas estimulam a pesquisa nacional

    Inovação – Apesar da baixa tradição em novidades farmoquímicas, o setor tem o que comemorar. O Helleva é um exemplo de inovação. “Essa é a primeira molécula desenvolvida totalmente no Brasil. Além de ser uma afirmação da capacidade tecnológica dos pesquisadores brasileiros, foi o primeiro passo dado no caminho de adensar nossa tecnologia e aprofundar a qualificação científica no país”, afirma Ogari de Castro Pacheco, presidente e um dos fundadores do Laboratório Cristália, responsável pela criação do Helleva.

    Segundo Pacheco, que também preside a Abifina, na medida em que se domina a técnica para sintetizar moléculas, fica mais fácil produzir medicamentos em outras áreas. “Agora estamos trabalhando em moléculas inéditas para tratar o câncer e a Aids. Na questão da Aids, no momento já estamos em fase de aprovação, mas a área do câncer não fica atrás. Isso tudo traz avanços do conhecimento na ciência e na química”, ressaltou.

    Esta é a quarta molécula original desenvolvida no mundo para tratamento de disfunção erétil. No caso do Helleva, que está à venda no mercado brasileiro desde 2007, o produto acaba de receber autorização para ser comercializado no México. Atualmente, ele já está registrado no Equador e há pedido de registro na Venezuela. Para o desenvolvimento de Helleva foi preciso o apoio de 60 médicos e 17 centros de pesquisa. De acordo com o Laboratório, a disfunção erétil é uma doença que afeta cerca de 46% dos homens brasileiros de 40 a 70 anos.



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