Economia

Perspectivas 2015 – Infraestrutura: Volume de investimentos previstos é elevado, mas sua execução sofre longos atrasos

Hamilton Almeida
1 de abril de 2015
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    Plástico Moderno, Nicholson: números de 2014 geraram pessimismo no setor

    Nicholson: números de 2014 geraram pessimismo no setor

    A desaceleração da economia, as políticas públicas dos investimentos em infraestrutura e o período eleitoral foram apontados pelo consultor como os principais fatores para o atual desempenho negativo. Ele comentou que, para os empresários, o pior problema é o atraso nas obras e sua causa, o licenciamento ambiental. Uma sondagem realizada com empresas compradoras revelou quais devem ser as prioridades do país: reforma tributária, investimentos em infraestrutura e estímulo ao crescimento econômico.

    “Se não houver uma mudança política no sentido de aumentar o volume de obras em infraestrutura, o cenário é pessimista”, advertiu Rubens Sawaya, professor de economia da PUC-SP e também consultor da Sobratema. Para Sawaya, a economia brasileira teve, desde 2011, um movimento errático: “Foram anos de tentativas e erros. O cenário atual é desabonador e a indústria é quem mais sofreu”. Ele vê espaços para a economia voltar a crescer, embora considere que a retomada deverá ser lenta. Segundo a pesquisa com empresas citada por Marques, 50% delas têm a percepção de que o desempenho de 2014 foi similar ao de 2013. E que 2015 será “muito bom” se repetir o desempenho de 2014.

    Marques concluiu sua palestra dizendo que a pesquisa da Criactive demonstra o enorme potencial de oportunidades existente no Brasil, mas há um descompasso entre as necessidades do país pela modernização e obras de infraestrutura, o ritmo prometido pelo governo e a ação combinada entre o setor privado e o governo nesse processo de investimentos. No seu entendimento, “há um longo caminho a ser percorrido para que o país possa superar seus históricos déficits habitacional e de infraestrutura”. Seria, portanto, “fundamental a existência de interesses comuns e ações que possibilitem a participação de agentes públicos e privados nesta perspectiva”.

    Plástico Moderno, Bernardini: vendas de máquinas seguem em queda há três anos

    Bernardini: vendas de máquinas seguem em queda há três anos

    Abimaq – O desempenho da indústria de bens de capital mecânicos não foi bom em 2014. O consumo aparente de máquinas e equipamentos somou R$ 108,25 bilhões, uma queda de 15% em comparação com o ano anterior. Descontando-se a variação cambial, o tombo foi ainda maior: 18,9%. Em consequência, o faturamento real da indústria caiu para R$ 71,19 bilhões no espaço de tempo analisado, o que representou um declínio de 13,7% no confronto com os dados de 2013.

    “O desempenho é ruim porque se registra queda pelo terceiro ano consecutivo”, explicou Mário Bernardini, diretor de competitividade da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Nessa realidade, o executivo traça um panorama sombrio: “O Brasil está condenado a crescer pouco nos próximos anos.” A perspectiva é que as coisas não melhorem pelo menos até o final do primeiro semestre de 2015. Os empresários do setor acreditam que nos primeiros meses do novo governo Dilma Rousseff haverá continuidade na recessão e algum ajuste nas contas públicas. E que a economia só deverá melhorar no segundo semestre, ficando a retomada do crescimento para 2016.

    Plástico Moderno, Daniel: no médio e longo prazos, economia local voltará a crescer

    Daniel: no médio e longo prazos, economia local voltará a crescer

    O setor industrial representado pela Abimaq vem perdendo market share progressivamente, no consumo interno. A média anual da participação da importação no consumo brasileiro de máquinas e equipamentos saltou de 49%, em 2008, para 71%, em 2014. Mesmo com a melhora registrada nos últimos meses de 2014, avalia-se que o nível de participação continua sendo um dos menores da série histórica.

    Os níveis de preços também não foram animadores: os preços das máquinas e equipamentos passaram a crescer menos do que a variação dos custos, reduzindo as margens do setor. Em meio a tantas estatísticas negativas, o número azul ficou com as vendas externas. As exportações acumularam US$ 13,40 bilhões FOB em 2014, ou 7,4% a mais do que o contabilizado no exercício de 2013. Responderam por 45% do faturamento total do setor, um índice bem acima da média histórica, de 32%. Para 2015, caso o real continue o processo de depreciação, a expectativa é que as exportações se mantenham em crescimento.



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