Infraestrutura: Volume de investimentos previstos é elevado, mas sua execução sofre longos atrasos

Perspectivas

Plástico Moderno, Perspectivas 2015 - Infraestrutura: Volume de investimentos previstos é elevado, mas sua execução sofre longos atrasos
Infraestrutura: Volume de investimentos previstos é elevado, mas sua execução sofre longos atrasos

Brasil tem investimentos previstos da ordem de R$ 1,169 trilhão em obras de infraestrutura a serem executadas até 2019.

O montante em andamento, no mesmo período, está estimado em R$ 458,862 bilhões.

Nesse segmento, a maior participação setorial é a de óleo e gás, com 46,7% ou R$ 214,490 bilhões.

Esses números fazem parte da pesquisa “Principais investimentos em infraestrutura no Brasil até 2019”, encomendada pela Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema) à consultoria Criactive.

Esta pesquisa, atualizada anualmente desde 2009, mostra que a Petrobras responde por 80% dos R$ 214 bilhões. Longe de ser um alento, essa informação desperta preocupações.

“É pouco provável que a Petrobras mantenha o seu nível de investimentos”, afirma

Plástico Moderno, Marques: transmissão atrasada exige operar térmicas ao máximo
Marques: transmissão atrasada exige operar térmicas ao máximo

Mário Humberto Marques, vice-presidente da Sobratema.

Diante das graves denúncias de desvio de verbas nos contratos da estatal, entre outras irregularidades, que começaram a se tornar públicas no segundo semestre de 2014, Marques acredita que em 2015 a prioridade será outra:

“A Petrobras terá que se reorganizar como empresa”.

Há receios, portanto, de que não haja condições de se tocar todos os investimentos previstos.

Na conta devedora da Petrobras também pesa uma dura realidade para os seus fornecedores: há atrasos nos pagamentos que, em alguns casos, chegam a dois anos, revela Marques.

O executivo também avalia que a Petrobras terá de voltar a ter “altos níveis de produção” para não “ferir de morte a balança de pagamentos do país”.

Em 2009, a projeção da empresa para 2013 era de obter 3.655 mil barris de petróleo/dia.

Em 2013, a produção média ficou em 2.539 mil bpd, 30,5% abaixo da expectativa.

Foram apresentadas, então, as seguintes justificativas pela estatal: atrasos das entregas de sondas contratadas no exterior; atrasos nas licitações motivadas por sobrepreço; maior tempo gasto com licenciamentos ambientais; e redução da produção da Bacia de Campos em 10%.

Tabela com Principais Investimentos em Infraestrutura no Brasil até 2019 incluindo investimentos em transporte, óleo e gás, energia, indústria, saneamento, infraestrutura de habitação, infraestrutura esportiva, separado por região e estados Sobratema - Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração

Assim, o crescimento da produção, entre 2011 e 2014, foi de 0,1%, expôs o executivo.

Em contrapartida, as reservas cresceram significativamente, de 15 bilhões de barris em 2006 para 31 bilhões de barris em 2014.

“A expectativa é que 2014 tenha se encerrado com produção 7,5% superior a 2013”, ressaltou Marques. O pré-sal atingiu a marca de 500 mil barris/dia, o que equivale a 25% da produção do país.

O levantamento da Sobratema, apresentado em meados de novembro, em São Paulo, monitora 6.068 obras em andamento, projeto e intenção no período 2014-2019, abrangendo oito setores da economia: óleo e gás, transporte, energia, saneamento, indústria, infraestrutura de habitação, infraestrutura esportiva e outros (shoppings, hospitais, hotéis e resorts, etc).

O valor de R$ 1,169 trilhão é resultado de R$ 458,862 bilhões referentes a obras em andamento – há 7% em obras paralisadas; R$ 429 bilhões de obras em projeto e intenção, com previsão de data de início; e R$ 281,4 bilhões de obras em projeto e intenção, sem previsão de data de início.

De acordo com Marques, a maior fatia de investimentos cabe à área de transportes: R$ 438,4 bilhões no período 2014-2019, ou 37,49% do total previsto.

A maior obra, em visibilidade e valor, continua sendo o Trem de Alta Velocidade (TAV), que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, e exigirá aportes de cerca de R$ 35,6 bilhões. Depois, aparece o superporto do Espírito Santo, com investimentos de R$ 20,7 bilhões. Os modais que concentram os maiores montantes são as ferrovias, com 38,3%, os portos e hidrovias, com 21,1%, e as rodovias, com 17,6%.

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