Preço da Nafta – Indústria Química procura uma saída para impasse na definição

Perspectivas

A indústria química brasileira viverá em 2015 momentos críticos para a sua sobrevivência. Espremida pelo alto custo de sua principal matéria-prima, a nafta, além da elevação dos preços da eletricidade e dos salários, ela precisará se esforçar para competir com produtos fabricados nos Estados Unidos com óleo e gás baratos retirados de folhelhos. Sem mencionar a agressiva concorrência asiática.

Fundamental para essa indústria será a conclusão das tratativas para renovar o contrato de suprimento de nafta da Petrobras para a Braskem.

Desde o ano passado, esse contrato recebeu dois períodos de extensão, o segundo deles deixou o preço em aberto, para admitir o pagamento retroativo da diferença de valores após a sua revisão. Esse aditivo termina no fim de fevereiro.

A renovação desse contrato coloca todos os produtores a jusante na cadeia química em polvorosa. Caso venha a ser fixado em valor muito elevado, o preço da nafta poderia inviabilizar a operação dos crackers instalados no país.

Sem eles, não há como suprir com olefinas e aromáticos o setor, levando à paralisação de parte importante da produção local.

O mercado aguarda ansiosamente o desfecho das negociações.

Todavia, paira no ar um cheiro de nova prorrogação, por W.O., como se diz em competições esportivas. Atingida em cheio pelo escândalo do Petrolão, a diretoria da Petrobras renunciou, entre eles o diretor de abastecimento José Carlos Cosenza, responsável pelos entendimentos com a Braskem.

Da mesma forma, cumpre lembrar que a estatal detém 36% do capital da gigante petroquímica brasileira.

Deixar que a negociação se encerre de forma por demais gravosa para a Braskem seria um tiro no pé da própria estatal, pois implicaria a redução do valor de um dos seus ativos.

Química e Derivados, Perspectivas 2015 - Indústria química: Setor procura uma saída para impasse na definição de preço competitivo para a nafta

Saliente-se, também, que a disputa pelo preço do insumo começou quando a estatal preferiu engordar o pool de gasolina de suas refinarias com a nafta que deveria ser destinada para uso petroquímico.

Acatava, na ocasião, à ordem do governo federal, seu acionista controlador, de vender gasolina com preço muito abaixo do praticado no mercado mundial relevante (desconte-se a situação da Venezuela, cujos preços do combustível beiram a insanidade).

Com isso, a estatal queria impor à Braskem o custo de importação do insumo substituto, elevando o seu preço em 5%, aproximadamente.

 

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No passado esse repasse para a cadeia produtiva não teria maiores dificuldades.

No presente, porém, as condições de mercado são bem diversas. Há mais ou menos cinco anos, os Estados Unidos começaram a aplicar a tecnologia de perfuração horizontal, adicionando a ela técnicas de fraturamento de rochas estratificadas, denominadas folhelhos. Isso deu origem à onda do shale gas e do shale oil, que ficaram impropriamente conhecidos como gás e óleo de xisto.

A produção desses hidrocarbonetos se tornou abundante a ponto de derrubar a cotação mundial.

Em cinco anos, o preço do Brent (óleo leve, referência mundial), despencou de US$ 100 para US$ 50 por barril. Nas regiões produtoras norte-americanas, o preço do gás natural caiu a menos da metade, de US$ 10 para US$ 3 por milhão de BTUs.

No mercado europeu, o preço da nafta segue em forte baixa, situando-se pouco abaixo de US$ 400 por tonelada – há oito meses, essas cotações superavam os US$ 900/t, segundo a consultoria Platts.

A disponibilidade de etano de shale gas a um preço atrativo impulsionou o que parecia absolutamente improvável: a reativação do parque petroquímico dos EUA, a chamada “renaissance”.

A estimativa de longo prazo favorável desencadeou uma série de novos projetos produtivos, com partidas previstas para 2016-2017, quando aquele país deverá ter um poderoso excedente de termoplásticos, cujo destino ainda é incerto, mas com forte tendência a invadir a América Latina.

Carlos Fadigas - Braskem Plástico Moderno, Fadigas: setor precisa resgatar produtividade e competitividade
Carlos Fadigas – Braskem: setor precisa resgatar produtividade e competitividade

Com essa perspectiva, a Braskem não podia arcar com mais esse custo.

Carlos Fadigas, presidente da companhia, já alertara para o fato de uma tonelada de polietileno fabricada com shale gas custar apenas um terço da mesma resina sintetizada no Brasil com base em nafta.

Nesse quadro, obviamente a petroquímica requer suprimento garantido de insumos e que estes tenham preço competitivo com o cenário atual. A ideia é reduzir custos, não majorá-los, sob pena de inviabilizar toda a cadeia produtiva.

Sem uma definição do preço da nafta, vários investimentos petroquímicos estão sendo adiados e podem acabar sendo preteridos por outros destinos mais seguros.

A própria Braskem investe no México, em associação com o grupo Idesa, onde desenvolve o projeto Etileno XXI, no estado de Vera Cruz, contando com gás natural suprido pela Pemex com preço competitivo com o praticado nos EUA.

E estuda produzir polietilenos nos Estados Unidos, aproveitando a disponibilidade de etano de shale gas. A Oxiteno e o grupo Unigel também possuem fábricas no México. “A indústria química brasileira deve caminhar unida para resgatar a produtividade e a rentabilidade de suas operações”, exortou Fadigas.

Embora ocupe a sexta posição no ranking mundial dos produtores químicos, o Brasil acumula déficits na balança comercial do setor.

Segundo a Abiquim, em 2014, a diferença entre os US$ 45,7 bilhões de importações e as exportações de US$ 14,5 bilhões deixaram um saldo negativo de US$ 31,2 bilhões, considerando produtos químicos em geral.

O saldo negativo foi 2,4% menor que os US$ 32 bilhões de 2013, mas a diferença é pouco relevante, não alterando a trajetória de elevação descrita desde 2009, quando ficou em US$ 15,7 bilhões.

“Nada a comemorar, pois esse déficit menor em 2014 apenas reflete a redução dos preços internacionais e também a baixa atividade industrial do país que consumiu menos produtos”, explicou Denise Naranjo, diretora de assuntos de comércio exterior da Abiquim.

“Temos um forte desafio para reverter esse déficit que é a falta de isonomia competitiva”, criticou Fadigas.

Ele comentou que a taxa cambial desincentiva a fabricação local, apontando a valorização do real em 20% sobre o dólar entre 2004 e 2014, enquanto o peso mexicano perdeu 11% de seu valor.

Os salários pagos no Brasil, nesse período, foram majorados em 100%, embora a produtividade do fator tenha subido apenas 3%, contra 19% de ganho adicional nos EUA, onde a variação salarial foi de 27%.

Plástico Moderno, Figueredo aponta indícios de concorrência desleal no exterior
Figueredo aponta indícios de concorrência desleal no exterior

O custo da eletricidade, um insumo relevante para o setor químico e essencial para a indústria de cloro/soda, é amplamente desfavorável ao país.

Também entre 2004 e 2014, o custo médio da eletricidade industrial subiu 90% no Brasil, contra 30% nos EUA e 55% no México.

O preço cobrado pelo gás natural teve acréscimo de 60% por aqui, enquanto houve redução de 25% nos EUA e de 37% no México.

E a carga tributária imposta às empresas brasileiras é de longe a mais elevada.

“O aumento da exposição da indústria local à competição externa, nessas mesmas circunstâncias, apenas aumentará a desindustrialização do Brasil”, afirmou Fadigas.

As resinas termoplásticas são o grupo de produtos mais exportados pelo Brasil, acumulando US$ 2,1 bilhões em 2014, um crescimento de 2,3% em comparação com o ano anterior.

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Além dos problemas internos, o setor deve se preparar para um acirramento da concorrência internacional, salientando que os importados já abastecem a cerca de 35% do consumo aparente nacional de químicos. “Há indícios de manutenção de preços deliberadamente baixos por parte de produtores internacionais que estão fortemente estocados e podem praticar preços predatórios para conquistar mercados e manter suas plantas com altas taxas de ocupação”, alertou Fernando Figueiredo, presidente-executivo da Abiquim.

Agenda de recuperação – A Abiquim propõe uma agenda para negociações com o governo federal com o objetivo de incentivar uma retomada de investimentos no setor químico nacional.

O ponto mais urgente pede a extensão do Regime Especial da Indústria Química (Reiq), mediante o qual incentivos fiscais apoiam investimentos em pesquisas e também desoneram parcialmente os tributos das matérias-primas.

“A previsão inicial era de extinguir o Reiq ao final de 2015, mas entendemos que ele deve ser mantido em 2016, pelo menos”, apontou Carlos Fadigas.

O segundo pleito é a manutenção do Reintegra (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras), mecanismo mediante o qual os exportadores recebem de volta os valores recolhidos como tributos nas vendas ao exterior.

“No longo prazo, o Reintegra é muito salutar para todos os exportadores, não só os químicos”, defendeu.

A continuidade desse mecanismo por dez ou quinze anos criará um incentivo para novos investimentos, que deixarão de ser efetuados caso seja necessário negociar a cada ano a aplicação dessa reintegração.

A Abiquim também pleiteia que o óleo e o gás que venham a ser produzidos na região do pré-sal tenham uso preferencial no setor químico, com o objetivo de agregar valor a essas matérias-primas e estimular o desenvolvimento do país.

Outros pedidos são recorrentes: eliminar os gargalos logísticos, desonerar investimentos produtivos, ampliar a formação de mão de obra qualificada mediante programas oficiais (na linha do Pronatec), estimular os projetos de química com fontes renováveis (biomassa e outros), e revisar a elevação da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul com a definição de indústria local para conter desequilíbrios comerciais.

“O Brasil precisa de uma agenda de longo prazo para sermos mais competitivo, não podemos mais depender de apenas quatro produtos básicos – soja, ferro, carne e açúcar – para sustentar nossa balança comercial”, ressaltou Fadigas.

Plástico Moderno, Balança comercial acumula déficits (em US$ bilhões) - Preço da Nafta

Ano difícil – Os associados da Abiquim

Os associados da Abiquim estimam que 2015 será um ano de ajustes macroeconômicos e, por isso mesmo, de baixo crescimento do PIB, estimado em menos de 1%.

“A indústria química reflete o desempenho do PIB, mas precisamos olhar para mais longe e manter uma agenda de desenvolvimento”, disse Fernando Figueiredo.

No panorama atual do setor, os grandes centros de produção petroquímica são os Estados Unidos e o Oriente Médio, ambas as regiões com abundância de hidrocarbonetos. Isso favorece a economia global, pela redução do preço da energia.

Para a indústria nacional, isso pode representar uma nova ameaça, caso não se tenha matérias-primas competitivas.

Marcelo Lacerda, presidente da Lanxess no Brasil, observa que a redução do preço das matérias-primas petroquímicas não gera vantagens relativas entre os players globais.

“Todos são igualmente beneficiados ou prejudicados, mas essa redução de custo pode ajudar a deslocar do mercado alguns produtos concorrentes, obtidos de outras fontes”, avaliou.

Lacerda observa que os efeitos da crise financeira iniciada em 2008 ainda repercutem no setor químico global.

“A demanda asiática caiu e segue muito abaixo do que se previa anteriormente, mas vários investimentos produtivos estavam sendo concluídos e isso resultou em uma superoferta que ainda deprime os preços”, afirmou.

Nafta – Euforia americana

Palestrante do Encontro Anual da Indústria Química (Enaiq), realizado em dezembro passado pela Abiquim, Calvin Doolley, presidente do American Chemistry Council (ACC), enfatizou com entusiasmo os efeitos da disponibilidade de gás e óleo barato para a recuperação da economia dos EUA.

“Desde 2013, o custo de produção de petroquímicos nos Estados Unidos se tornou igual ao dos países do Oriente Médio”, comentou.

“O custo de produção na China é maior do que nos EUA, porque eles têm problemas com infraestrutura.”

O grande trunfo das fontes não-convencionais de óleo e gás naquele país está na oferta de etano com preço de US$ 4 por milhão de BTU.

“A produção de etano deverá ser quadruplicada até 2025, nessa mesma faiuxa de preço”, afirmou. Até novembro de 2014, 215 projetos químicos já haviam sido anunciados, representando investimentos de US$ 132 bilhões naquele país para os próximos anos.

A disponibilidade de uma fonte de energia barata também faz deslanchar outros setores industriais. “Há cinco anos ninguém acreditaria na volta da indústria têxtil aos Estados Unidos, hoje nossos custos são amis baixos que os da Índia”, disse o presidente da ACC. O resultado disso: 703 mil novos empregos e US$ 270 bilhões a mais no PIB americano até 2023. E a produção química daquele país precisará duplicar para suprir a demanda local e ampliar as exportações.

Nem tudo são flores nesse caminho. “Precisamos garantir o acesso às reservas de óleo e gás e prover infraestrutura para aproveitá-las”, recomendou.

Também é necessário manter as normas de depreciação acelerada de ativos para garantir os investimentos necessários.

A emissão de licenças também carece de aceleração, bem como cuidados com legislações estaduais que possam restringir o fraturamento hidráulico dos folhelhos (fracking). “O governo Obama está apoiando o setor”, comentou.

Dooley também se mostra preocupado com a atualização da norma americana TSCA – Toxic Substances Control Act, que foi editada em 1976. “Precisamos encontrar formas de controlar substâncias de risco com base científica e estratégia adequada e eficiente”, considerou.

Ele recomenda evitar o exemplo do Reach europeu. “Pesquisas mostram que 43% das companhias químicas entendem que o Reach prejudicou o desenvolvimento tecnológico europeu, enquanto apenas 13% dizem que ele melhorou esse aspecto”, informou. Além disso, segundo ele, o impacto negativo do Reach é maior nos pequenos negócios.

Segundo a ACC, 17% das patentes americanas são produzidas pelo setor químico, que investe US$ 56 bilhões anualmente em pesquisa e desenvolvimento. “Chegam ao mercado americano três vezes mais novos produtos químico do que ao mercado europeu, não podemos comprometer isso”, ressaltou.

Dooley vê uma oportunidade para a ACC e a Abiquim, além de outras entidades congêneres, atuarem em conjunto no âmbito da ICCA – International Council of Chemical Associations para desenvolver uma política de segurança química realista e com respaldo científico.

Plástico Moderno, Produção de químicos industriais caiu em 2014

Petrobras – O estouro do escândalo do Petrolão afetou os resultados da companhia petroleira nacional.

A divulgação intensiva de obras superfaturadas e da cumplicidade de pessoal interno – da diretoria, em especial – sufocaram o ambiente e mancharam a reputação da Petrobras.

Com a debandada de investidores e o mau desempenho financeiro, o mercado viu derreter o valor das ações da petroleira, comprometendo sua capacidade de financiar novos investimentos.

A demissão da diretoria encabeçada pela presidente Graça Foster – e sua demissão por Ademir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil – pouco ajudou a recuperar a imagem da empresa.

Nesse ambiente, o Plano de Negócios 2014-2018, anunciado com estardalhaço no ano passado, deverá sofrer modificações radicais, a começar pela desistência de construir as refinarias premium previstas para Cerará e Maranhão.

Além disso, mesmo os projetos de E&P com prazo de retorno mais elevado devem ser postergados, para que a empresa possa concentrar seus recursos em projetos que possam gerar caixa mais rapidamente.

É de se lamentar que o escândalo tenha eclodido no exato momento em que a companhia começasse a apresentar os primeiros sinais de melhoria nos resultados operacionais.

Depois de dois anos com produção de petróleo e gás em queda, com acentuada queda de produção dos poços da Bacia de Campos-RJ agora revertida, a estatal anunciou ter alcançado sua maior produção média diária no terceiro trimestre de 2014, com 2.090 mil barris diários de petróleo (bpd).

Em outubro, a produção diária chegou a 2.267 mil barris (considerando produção operada pela estatal). Isso se deve à entrada em operação de poços adicionais em Roncador, Lula Nordeste, Parque das Baleias, além do teste de longa duração (TLD) de Iara Oeste.

Os esforços da área de E&P conseguiram elevar a produção anual de petróleo em 6% de 2013 para 2014. Um bom resultado, porém um ponto percentual abaixo do prometido pela companhia (era 7,5%), fato explicado pelos atrasos na entrega de plataformas próprias e a necessidade de obras à bordo, demora nos licenciamentos dos projetos de produção e também para interligar alguns poços aos respectivos sistemas.

Os ganhos obtidos com eficiência operacional (Campos passou de 68% para 81%), replanejamento das paradas e pelo aumento da produção do pré-sal não foram suficientes para atingir a meta prevista, mas indicam uma inflexão na atitude da companhia, que se voltou a obter resultados positivos.

Plástico Moderno, HDT da Rnest está pronto para entrar em operação - Preço da Nafta
HDT da Rnest está pronto para entrar em operação

Na área de refino, a Petrobras conseguiu rodar suas unidades de produção com ocupação máxima de suas capacidades físicas. Com isso, a produção de derivados no terceiro trimestre de 2014 (de 2.204 mil bpd) apresentou um aumento de 1% em relação ao trimestre anterior (de 2.180 mil bpd), e de 4% sobre o mesmo período de 2013 (2.128 mil bpd).

Some-se a isso, o reajuste aplicado aos preços dos derivados, em contraposição com a queda nas cotações internacionais de petróleo, para se ter uma ideia da melhoria da geração de caixa da estatal no início de 2015.

A Petrobras comemora a conclusão de investimentos em seu parque de refino, como a entrada do hidrotratamento de diesel na Refap (RS), o final das paradas da Rlam (BA) e Recap (SP), e atribui a elas a evolução do refino. A Refinaria do Nordeste – Rnest (Abreu e Lima, oficialmente) iniciou 2015 em fase de start up, tendo entregue cargas de nafta para a Braskem e também de coque para clientes de outros setores.

Dentro de poucos meses, a refinaria deve entrar com sua capacidade total de processar 230 mil bpd de óleo cru, atenuando a sede local por derivados.

O mercado espera ávido pelos resultados das investigações e dos eventuais processos judiciais para avaliar o impacto sobre a companhia.

As empreiteiras e os fornecedores de grandes equipamentos também podem ser atingidos por processos criminais e cíveis, dependendo do andamento dos casos. Os efeitos sobre a atividade no setor ainda são imprevisíveis.

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